quarta-feira, 13 de maio de 2015

Encaremos os Fatos - Nosso Programa Espacial Precisa de Novos Rumos

Olá leitor!

Trago agora para você leitor um interessante artigo sobre o Programa Espacial Brasileiro (PEB) escrito por um profissional que respeitamos muito (segundo ele a título de desabafo), ou seja, Eng. João Luiz Dallamuta. Vale a pena dar uma conferida e quem sabe esta visão do engenheiro Dallamuta possa passar a ser objeto de debate entre os nossos leitores.

Duda Falcão

Encaremos os Fatos - Nosso Programa
Espacial Precisa de Novos Rumos

Por João Dallamuta

Eng. João Luiz Dallamuta
Quando a MECB foi anunciada em 1979, tínhamos de fato um programa espacial. Quando entendemos por programa espacial a capacidade de projetar um satélite e lança-lo. Neste mesmo ano os indianos estavam tentando lançar seu primeiro satélite com o foguete SLV, coincidentemente com o mesmo significado em inglês do nosso VLS.

A Índia é um eterno ponto de comparação para o programa espacial brasileiro, normalmente com a frase: Começamos juntos, mas agora estão há anos luz de distância. A frase faz algum sentido se a linha de largada for a criação do ICOSPAR - Comitê Nacional Indiano de Pesquisas Espaciais (1962) e do COGNAE - Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais em (1961) no governo Jânio Quadros. Mas ai cabe uma consideração importante.

Desde que o primeiro satélite foi lançado em 1957 dezenas de nações criaram comitês, comissões, institutos e agências espaciais. Índia e Brasil de fato começaram juntos em uma época que inúmeras outras nações também o fizeram.

Em 1979 já estávamos atrás, pelo menos 10 anos atrás. A MECB começou de um jeito bem brasileiro, sem orçamento. Só foi receber seus primeiros recursos em 1981.  O presidente da república era um militar, o programa era "estratégico" iria nos colocar no "seleto grupo", para utilizar um chavões comuns a programas de alta tecnologia, mas mesmo assim começou como muitos programas tecnológicos começam no Brasil. Sem dinheiro e sem prestigio.

Os anos de 1980 foram bastante críticos para a nação. Crise da dívida externa, diretas já, transição de governo entre militares e civis, congelamento de preços, moratória da dívida. Porem havia trabalhos de engenharia sendo desenvolvidos tanto no lançador quando no satélite. Foguetes de validação de tecnologia como o Sonda-IV foram construídos e lançados, réplicas em escala do VLS destinadas a validação de configuração e componentes foram construídos e lançados.

O foguete sofria além de recursos com o clima da guerra fria e dos rígidos controles sobre tecnologias balísticas. Os EUA acreditava que estávamos desenvolvendo uma arma nuclear (e de fato estávamos) e a pressão sobre Brasileiros e Argentinos (que também estavam) era brutal. Mas mesmo com falta de dinheiro e pressões políticas o trabalho andava.

Os anos de 1980 ainda assistiram um ousado plano de cooperação em 1988, o projeto CBERS - China-Brasil Earth Resources Satellites foi iniciado. Sim os chineses, comunistas, cujo idioma e a escrita estão fora de nossa esfera cultural, cujas práticas de engenharia são totalmente fora dos "padrões internacionais" das nações do ocidente, foi justamente neste mundo de diferenças que realizamos com sucesso a concepção, construção e operação de satélites relativamente complexos para nossa realidade. Coragem que valeu a pena.

No começo dos anos de 1990, com a fim a URSS, com o trágico governo Collor - e para nossos “Hermanos” não sentirem inveja tiveram o governo de Carlos Saúl Menem - um novo horizonte se abriu para o programa espacial. Collor soterrou o poço de testes nucleares na base aérea do Cachimbo, Menem sepultou o míssil balístico Condor-II.

A criação da ABACC - Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares - colocou fim a qualquer suspeita nuclear sobre nossas atividades espaciais. Anos depois foi criada a AEB, Agência Espacial Brasileira e passamos a ter controle civil sobre o programa. Dissipando qualquer dúvida sobre a natureza das intensões brasileiras sobre o uso pacifico de tecnologias espaciais.

Em 1992 tínhamos um satélite nacional pronto, lançado com sucesso no ano seguinte. Em 1994 os russos puderam dar uma mãozinha no que faltava para o VLS também ficar pronto - sistemas inerciais - e finalmente um foguete em configuração de voo pode ser construído.

Os anos de 1990 assim como os de 1980 não eram exatamente "bons anos" do ponto de vista econômicos e políticos. Impeachment de Fernando Collor, governo de transição, estabilização da economia e a austeridade requerida. Em um país ainda frágil, com a memória de uma moratória recente, qualquer crise internacional gerava algum reflexo na economia local e não foram poucas:  Crise econômica do México de 1994, Crise financeira asiática de 1997, Crise econômica da Argentina, Crise russa de 1998 e desvalorização do real em 1999.

Turbulências a parte, construímos entre 1990 e 2003 os seguintes hardwares espaciais: SCD-1, SCD-2A, SCD-2, SACI-1, SACI-2, CBERS-1, VLS-1 V01, VLS-1 V02, VLS-1 V03, SATEC e CBERS-2. Embora os números possam impressionar, houve muitas falhas neste período, notadamente no VLS e SACI. Uma análise sobre estas falhas demandaria talvez um livro, mas se considerarmos que o projeto dos SCD-1 (1993) e SCD-2 (1998), estavam corretos, pois ainda estão em operação, o que pode ter acontecido ao Brasil nos anos de 1990 foi em pequena escala o que aconteceu com a Rússia nos anos de 1990, um número de programas a serem tocados além da pequena quantidade de dinheiro e pessoal, os acidentes e insucessos aumentaram.

Ao final dos anos de 1990 o programa espacial passou a ter outra vertente, bastante explorada nos anos seguintes. O uso do programa espacial como componente de ações diplomáticas e propaganda governamental. Em 1997 o Brasil adere ao projeto da ISS, uma participação modesta é verdade, mas que nos daria direito de produzir alguns componentes secundários da estrutura e o envio de um astronauta. Tudo isto a um custo módico, US$ 120 milhões ou 0,12% do custo total do programa ISS. Os investimentos brasileiros não ocorreram, o acidente com o ônibus espacial Columbia em 2003 reduziu os slots disponíveis para voo e a missão de um astronauta brasileiro em 2006 só foi possível em um acordo direto com a Rússia em 2005.

O começo do governo Lula em 2003, foram anos de mudanças para o programa espacial. Esperava-se que para melhor. As cinzas e as lagrimas do acidente de Alcântara ainda doía nos corações das famílias, dos funcionários e entusiastas do programa espacial e a promessa de um novo lançamento até o final do mandato (em 2006) era o que todos queriam ouvir de uma liderança política, "não vamos desistir do projeto!"

Na economia, desde de o "milagre econômico brasileiro 1968 - 1973" não vivíamos uma fase de perspectivas tão positivas. As reformas econômicas liberais da década anterior o crescimento maior da China (10,5% ao ano 2002-2011) e da maioria das nações desenvolvidas; bem como o impacto que esse crescimento global teve nos preços das commodities agrícolas e minerais permitiram a américa latina (e ao Brasil em especial) um crescimento consistente. Havia mais dinheiro, um governo com discurso nacionalista e pouca ou nenhuma restrição externa ao nosso programa espacial nunca tantas variáveis favoráveis ao programa coexistiram.

O programa por sua vez, cresceu, mas de outra maneira. Em 2003 foi assinado o Tratado de Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo de Lançamento Cyclone-4, que resultaria em 2006 na criação da (ACS) Alcântara Cyclone Space. As primeiras previsões eram otimistas, 30% do mercado mundial, primeiro lançamento em 2010. Passados quase uma década da criação da empresa temos um saldo de nenhum lançamento, algo como R$ 1bi de investimentos e a perspectiva de finalização do projeto. Para a história ficará a honrosa versão de que a crise econômica e miliar na Ucrânia foi a responsável pelo cancelamento do projeto.

Em 2005 a AEB anunciava o programa Cruzeiro do Sul em parceria com a Rússia, um ambicioso programa cujo escopo previa a construção de 5 foguetes diferente com capacidades de 400kg LEO até 4000kg GTO, o que na pratica cobre quase todas as necessidades de um programa espacial não tripulado sem ambições de missões de espaço profundo. Passados 10 anos não há nenhum resultado prático, sem ensaios reais de componentes, sem desenvolvimentos relevantes conhecidos publicamente.

O que nos salvou neste período de ouro da economia e de trevas para o programa foram os CBERS-2, CBERS-2B, CBERS-3, CBERS-4 aquele programa de quase 30 anos atrás, que para os chineses hoje talvez seja bastante secundário na evolução de seus projetos espaciais, mas que para nós brasileiros ainda é o que mantem duas gerações de engenheiro trabalhando com projeto e construção de satélites.

No escopo originalmente proposto para o PEB, isto é a construção de um lançador e de satélites de orbita baixa, o programa PMM - Plataforma Multi Missão - parecia um sopro de racionalidade, afinal padronizar, criar escala e associar a indústria espacial privada a programas governamentais é o que toda nação com um programa espacial consistente o faz, era o passo natural portanto.  Sugerido no final dos anos de 1990 e iniciado em 2002 para ficar pronta em 2009, passados 13 anos de projeto ainda não há qualquer PMM próximas as condições de lançamento.

O VLS após o acidente de 2003 seguramente precisaria passar por uma revisão crítica de projeto, coisa que seguramente foi realiza e talvez tenha ficado claro para alguns que conhecem o projeto detalhadamente (embora isto não tenha sido dito para a opinião pública) que o projeto da forma como está não tenha viabilidade. Seja isto verdadeiro ou não, o fato é que o programa VLM corrige em teoria várias distorções do seu irmão mais velho. Com uma configuração mais simples, com menos estágios e de construção mais moderna o VLM talvez seja a única chance real que tenhamos no futuro termos um lançador nacional, mas conseguirá este projeto se tornar realidade?

A resposta vai depender de mudanças, o programa espacial da forma como está hoje é inviável nas suas três principais dimensões: técnica, econômica e política.

A primeira boa notícia é que temos uma crise. Sim, os anos em que realmente tivemos progresso real, com o desenvolvimento de tecnologia realmente local, no programa espacial foram nos difíceis anos de 1980 e 1990. Os argentinos que passaram - e ainda passam - por crises econômicas e políticas piores que a nossa desenvolveram seu programa espacial de forma consistente nas últimas duas décadas a ponto de nos ultrapassar em algumas áreas como por exemplo em satélites Geoestacionários locais. No Brasil tivemos que contratar ao custo de R$ 1,3 bilhão, via Visiona Tecnologia Espacial – joint-venture entre Embraer e Telebrás – o fornecimento do SGDC - Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas de procedência francesa.

A crise nos força a reduzir escopos, rever premissas e processos. A argentina sacrificou sua capacidade de lançamento, tocando lentamente seu projeto Tronador-II para acelerar seus programas de satélites. E nós o que podemos sacrificar?

Antes de sacrificar programas, talvez seja preciso pontuar algumas coisas importantes. Programas como o SGDC visam a aquisição – necessária diga-se de passagem - de satélites para ações de defesa, segurança e comunicações governamentais, o problema é considerar estas compras como partes programa espacial e como vetores de desenvolvimento de tecnologia, o que não é necessariamente verdadeiro. Desde o Brasilsat A1 há longos 31 anos atrás, compramos, contratamos lançamento e operamos com muita competência satélites geoestacionários. Os da série Brasilsat B1 e B2 foram inclusive testados no INPE há quase 20 anos atrás.

O erro é confundir aquisição com desenvolvimento de tecnologia, empresas como a Visiona são necessárias em algumas fases do programa como no passado a Promon Engenharia também esteve associada ao programa Brasilsat. Separar estas atividades do núcleo duro do programa espacial passa a ser uma necessidade gerencial fundamental. Fosse o SGDC um programa nos moldes do ARSAT-1 argentino poderia ser parte integrante do programa, mas infelizmente não o é.

Temos que criar a cultura de cancelamento de programas. A NASA está o tempo todo cancelando seus programas com relativa naturalidade, Estação Espacial  Freedom, Venturestar, X-38, Space Shuttle, a Roscosmos também cancela seus programas com alguma frequência, Buran, MIR-2 (ambos em 1993), a ESA também o fez (Hermes), isto citando apenas programas de natureza tripulada, mas a lista seria enorme se considerarmos todos os programas já cancelados pelas principais  agências espaciais.  Cancelar programas oficialmente é uma forma transparente de dizer que não há mais recursos empenhados naquele projeto e tornar claras as prioridades futuras.

Nós infelizmente não cancelamos projetos. Embora programas como o Cruzeiro do Sul, VLS-1, ACS estejam em morte cerebral, precisamos anunciar o orbito e dizer como será a vida após a perda do ente querido. Isto nos ajudaria muito a clarear o horizonte futuro, mas para tal é necessário coragem administrativa e política.

Separado o que é e o que não é componente do programa espacial, cancelados administrativamente os programas que não irão resultar em coisa alguma vem a fase complexa de definir o que efetivamente será nosso programa espacial.

O tema é complexo, seguramente não há consenso mas sim existem duas linhas bastante claras para o que podemos fazer no espaço nos próximos 20 anos caso a gente decida hoje por mudanças.

A primeira linha seria de um programa monolítico. Voltaríamos as premissas da MECB de 1979 e teríamos um escopo mais reduzido de atividades espaciais porem com mais profundidade técnica em satélites e lançadores. Neste cenário os projetos VLM e PMM receberiam o grosso dos recursos e os cronogramas deveriam ser mais fortemente controlados. Os programas de cooperação internacional teriam escopos mais restritos e em menor quantidade, a exemplo do CBERS focariam objetivos mais facilmente mensuráveis. Dominaríamos missões espaciais mais simples porem de forma integral.

A segunda linha seria um programa espacial mais vasto focado em cooperação internacional. As 22 nações europeias sob o guarda-chuva da ESA são o padrão de comparação de deste modelo de programa espacial. Embora nenhuma das nações que compõe o programa europeu - talvez a exceção da França - tenha uma visão monolítica de programa espacial, cada parceiro ocupa um espaço de nicho dentro de uma cooperação de grande escopo. Os alemães são importantes fornecedores de sensores para missões de observação da Terra e Marte, os franceses são especialistas em lançadores, noruegueses fornecem sistemas de potência elétrica, italianos são importantes fornecedores de soluções em propulsão sólida. A soma de especialidades industriais resulta em um programa espacial forte e consistente, em algumas áreas como satélites geoestacionários à frente de outras agências.

Nós não estamos na Europa, não podemos ser membros da ESA, mas somos uma nação com transito no mundo. China, Índia, Japão, Rússia, EUA, Comunidade europeia, são programas espaciais com grande capacidade técnica e que objetivamente não tem restrições alguma em cooperar com o programa brasileiro. Dentro deste modelo seriamos ocupantes de nichos que vão desde as vantagens geográficas como Alcântara ou território para estações de rastreamento de nossos parceiros.

Também precisaríamos encontrar algo que saibamos fazer bem - a exemplo das nações europeias minoritárias na ESA - para termos tecnologia local embarcada em missões espaciais de maior complexidade inclusive de espaço profundo.

O sucesso dos foguetes de sondagem brasileiros em programas de cooperação internacionais é um exemplo de como ter domínio de tecnologias chaves, literalmente abrem portas. Para este modelo de programa espacial focado em cooperação de certo, precisamos achar alguns nichos tecnológicos onde sejamos "world class" e isto hoje ainda não está claro e nem será fácil.

As desvantagens desde modelo é que haverá renúncia de alguma capacidade, provavelmente a de lançamento e projeto e integração de missões de média e alta complexidade. Como vantagem, teríamos participação real em missões estado da arte.

A escolha não é fácil, tão pouco há algum consenso sobre ela. Mas é preciso que haja escolhas por partes das lideranças de nosso programa espacial.

Programas monolíticos como de China e Índia são frutos de estratégias e de rivalidades locais. Requerem elevados investimentos e continuidade. Porem também podem ser realizados com menos recursos desde que com escopos restritos. Israel é uma nação que seguiu com sucesso este modelo ao focar a capacidade de construir e lançar um satélite de espionagem (programa Shavit e Ofeq) e possuir capacidade de construção de um satélite nacional de telecomunicações (série AMOS).  Talvez possamos ter um escopo mínimo viável para nosso programa e fazermos dele a prioridade pelas próximas 2 décadas.

Programas de cooperação permitem participar de missões espaciais complexas, permitem maior desenvolvimento em algumas áreas. Os Argentinos nos ultrapassaram em construção de satélites porque tiveram suas mentes mais abertas a cooperação com americanos e europeus, sem grandes conflitos ideológicos fizeram mais, com menos recursos.

Quais os rumos para nosso programa espacial no futuro? Não tenho a arrogância de sugerir, mas é imperativo que haja mudanças de foco. Que as lideranças se apresentem, que os especialistas debatam e que novos rumos sejam tomados. Merecemos um programa espacial de alto nível, temos inúmero talentos para tal.

12 comentários:

  1. Gostaria de parabenizar o autor da matéria. Raras vezes tive a oportunidade de ler texto com visão tão clara - e ainda por cima, sucinta - do histórico e situação atual do PEB. Sobre os dois modelos propostos, sou partidário do que foi chamado de "monolítico", nos moldes da MECB. Em minha opinião, dados nossos recursos e configuração político-institucional, a busca por um conjunto pequeno, mas bem estabelecido, de metas, seria menos perigoso que um programa mais "vasto", no qual tais recursos (financeiros, pessoais, laboratoriais) seriam disputados entre projetos de menor força (quando comparados ao primeiro modelo).

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  2. Também parabenizo o autor pela clareza e objetividade do texto. O PEB do jeito que está já se mostrou impraticável. É mandatório que se mude radicalmente a forma de gestão e a execução orçamentária.
    Pra começo de conversa, deveria se chamar aqueles que realmente deram contribuição ao PEB no passado, para um Forum sério de discussões e obter uma proposta consistente a ser encaminhada ao governo.

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  3. Vou ser bem sincero e espero que tenha gente que não fique com raiva, mas eu acho que mesmo com orçamento de 300 milhões de reais(eu sei que nos últimos anos uma grande parte desse orçamento foi cortado) o programa brasileiro poderia ter apresentado mais e melhores resultados. Tenho minha dúvida se é só falta de dinheiro ou também falta de competência. E quanto ao texto, eu acho que não deveríamos abrir mão dos grandes projetos, o Brasil é grande o suficiente para evoluir em todo o segmento espacial. Decisões políticas erradas atrapalharam(e atrapalham) muito o programa, mas dizer que só é culpa das decisões políticas também não dá. A própria evolução do orçamento mostra quando comparada com os resultados obtidos. Por que nos anos 90 tivemos mais projetos "finalizados" do que agora? Por que agora temos tantos problemas em vários projetos, mesmo com orçamento 3 vezes maior do que nos anos 90? Não conseguir nenhum resultado além do CBERS nesses 12 anos é muita incompetência. E voltando ao que eu disse anteriormente, não podemos abrir mão de nenhum projeto, independente do tamanho. O que tem que mudar é a gestão, cobrando resultados e mostrando para a sociedade cada vez mais a importância desses programas e com isso ter um argumento sólido para pedir aumento de verba. Projetos como o SARA mostram a importância de sermos independentes, termos a capacidade de fazer pesquisa em ambiente de microgravidade sem termos que ficar esperando outros países com seus projetos próprios. Até mesmo o VLM será muito importante para lançarmos microssatélites independentes. E mais do que tudo, nós temos a melhor área geográfica do mundo para lançamento de satélites(de todos os tamanhos), abrir mão disso ou limitar nossas capacidades seria muita burrice. Desculpe, mas essa é minha opinião.

    Felipe Dias

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    1. O Felipe está coberto de razão!
      Faltou na análise autocritica de que muitos dos envolvidos, lotados no INPE e DCTA, foram coniventes com o faz de conta, pois estavam em cargos de gerencia e nunca manifestaram os problemas existentes, pelo contrário, gostavam do gasto do dinheiro público com viagens, diárias e o exercicio do poder em si, com o único compromisso da promoção pessoal.
      E pasmen! Quase todos foram promovidos!
      Não foi só falta de dinheiro!
      Faltou de dinheiro para quais objetivos?
      Gastou-se e muito em diárias, viagens, compra de componentes que não foram usados, projetos que não geraram nada, muitos aditivos de contratos, etc...

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  4. Parabéns pelo profundo e analítico artigo. Agora, algumas considerações. Na minha modesta opinião, as restrições por parte dos EUA continuam. Os EUA autorizaram a Rússia a, praticamente "montar" o foguete da Coréia do Sul, pois têm o inimigo comum Coréia do Norte; pelo mesmo motivo os EUA ajudaram o Japão (Curiosamente a Coréia do Sul e Japão tiveram reveses iniciais).Conosco além de não permitirem ajuda, boicotam. Israel sempre digo que não é parâmetro de comparação. Devido à força do Lobby israelense no congresso americano, eles obtem o que desejarem dos EUA. A título de comparação israel tem acesso a armas que nem mesmo a OTAN pode ter. E que me desculpe o Eng.Boscov; o VLS parece que foi projetado com o intuito de não funcionar, tal a complexidade e o número de estágios / boosters. Eng. Ageu Alves

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  5. As contas estão bem assentadas.
    O planejamento estratégico espacial está bem fundado, e de tão sólido nada pode levantá-lo.
    Tudo está bem, a governança e moderna administração do modelo de agências é impecável.
    Todos estão sorridentes e olham para um céu azul e límpido, sem um rastro no céu...

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  6. Um adendo:Com relação à Argentina o seu satélite geoestacionário, não foi desenvolvido autonomamente; mas sim com a experimentada ajuda da Itália, país com a qual a Argentina possui profundos laços históricos e culturais. E me perdoem, mas também acho que tem um pouco de incompetência no PEB.

    Ageu Alves

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  7. Sr. Ageu Alves: el satélite Arsat I fue planificado íntegramente por la empresa argentina INVAP, y el 50% de sus componentes fueron proveídos por la industria nacional, integrada y testeada en Bariloche, la carga de transponder fue proveída por Thales Alenia, consorcio franco-alemán, no por Italia. Lazos históricos y culturales no tienen nada que ver a la hora de firmar acuerdos entre agencias espaciales, creo que ud. se debe referir a otro satélite, el satélite SAOCOM, ese sí es en cooperación con Italia, el SAOCOM se trata de un satélite con Radar de Apertura Sintética que permite observar bajo las nubes o durante la noche. La Conae mantiene cooperaciones con múltiples agencias espaciales del mundo, pricipalmente con la estadounidense NASA, también con la europea ESA, con Roscosmos rusa, y ahora también con la agencia china. Saludos. José Martínez.

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  8. ! Holá Sr.José Martínez.

    Sí, creo que me he equivocado a rescpecto del satélite. De qualquer manera 50 % de los componentes importados, a mi me parece mucho. Sin embargo, enhrabuena por el Arsat y deseamos êxito com el cohete tronador. E como nuestro programa espacial anda muy lento, a lo mejor voy hacer hincha por el programa Argentino.

    Saludos desde Brasil.

    Eng. Ageu Alves

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    1. Debemos ser hinchas de la cooperación entre nuestros 2 países, Agencia Sudamericana Espacial Já! XD, a ejemplo de la ESA europea. El VS-30 fue importante para nosotros testear como carga útil el sistema de guía y navegación, construido por Conae, para el futuro Tronador, en la Operacao Angicos en 2006 en lanzamiento desde Barreira do Inferno. Avanzaríamos mas rápido con sinergia "argento-brasilera" o "brazuco-argenta" XD. Nosotros perdimos tiempo valioso casi 15 años (1990-2003) "gracias" a Menem que bajó a la presión yanqui en aquel cohete Cóndor de fines de los ´80. Saludos desde Posadas, Misiones, perto de SC.
      J.E.M

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    2. Concordo com o seu comentário. O problema maior seria a parte brasileira, infelizmente. A ESA evoluiu basicamente por causa de 2 países(Alemanha e França, ultimamente com a Itália também). Poderíamos fazer o mesmo aqui na América do sul se o Brasil fosse um país comprometido com o desenvolvimento espacial, mas não é. O orçamento da Agência espacial brasileira já é quase metade do orçamento da Agência espacial argentina. A parte Argentina e a Colombiana tentam continuar com esse projeto da agência sul-americana, mas o Brasil parece que não quer..
      E quanto a esse tema tem um artigo interessante.

      http://mundoverde.ovale.com.br/a-agencia-espacial-regional/

      Na minha opinião faria muito sentido uma agência espacial SUL-AMERICANA(só com países da América do sul).

      abraço,
      Felipe Dias

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  9. !Holá. Sr. J.E.M

    Yo concordo integralmente com Ud. No lo sé porque, nosotros desaprovechamos la experiencia Argentina do Arsat I; para nuestro futuro satélite SGDC ( El mismo será comprado de la mpresa Thales - Alenia sin qualquer desarollo tecnológico por parte de Brasil).Es verdade, ahorraríamos tempo y dinero, si hubiera una Agencia Espacial Sudamericana.

    !Saludos desde Brasil


    Ageu Alves

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