sexta-feira, 22 de maio de 2015

AEB Recua e Extingue Criação da Agência Espacial Latino Americana

Olá leitor!

Segue abaixo mais uma artigo postado ontem (21/05) no site do “defesanet,com”  tendo como o rema o recuo da AEB que extinguiu a criação da Agência Espacial Latino-Americana.

Duda Falcão

COBERTURA ESPECIAL - ESPECIAL ESPAÇO - TECNOLOGIA

AEB Recua e Extingue Criação da
Agência Espacial Latino Americana

21 de Maio, 2015 - 17:00 ( Brasília )

Júlio Ottoboni
Especial DefesaNet

Foto - Associação Brasileira de Direito Aeronáutico
José Monserrat, Assessor de Cooperação Internacional da AEB.

O Brasil continua a dar as costas para a América Latina, principalmente na área espacial. Quando há indicativos que o país possa liderar uma somatório de esforços nas atividades espaciais em parceria com países vizinhos, novamente surge a desorientação que norteia a Agência Espacial Brasileira (AEB), que não consegue impor uma política eficaz para o setor e muito menos explicar o mega investimento perdido na aventura da empresa binacional Alcântara Cyclone Space com os ucranianos, que sorveu mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos sem um mísero resultado prático em mais de uma década de existência.

Outra questão, a amazônica, seria  trabalhada no aspecto científico em conjunto e as ações espaciais seguiriam o mesmo curso, inclusive com a distribuição de tarefas e de custos e investimentos junto aos países Panamazônicos. A criação de uma agência espacial regional é dos anos 90.

“O Brasil foi contra desde o primeiro dia por entender que seria um órgão que renderia muita burocracia e poucos resultado a exemplo da "confederação" proposta pelos EUA e nunca deu em nada”, conforme informação da Assessoria de Cooperação Internacional, que é chefiada pelo José Monserrat e quem acompanha o tema pela AEB.

Para Monserrat, a proposta do Brasil no momento é que haja um trabalho integrado das universidade para a produção de satélites de pequeno porte, o que renderia frutos em um prazo bem menor.

Algo que foi feito pelo INPE ainda nos anos 80, na antiga Missão Espacial Completa Brasileira (MECB). Praticamente a grande maioria dos especialistas em sensoriamento remoto dos países vizinhos foram pós-graduados nos cursos de mestrado e doutorado do INPE e vários integraram o segmentos de pesquisa e desenvolvimento dos satélites da missão.

Segundo o diretor da AEB, o Brasil também já propôs o estabelecimento de um órgão que congregue os presidentes das agências espaciais latino-americanas. Esse colegiado discutiria propostas de ações como, por exemplo, a compra de imagens de sensoriamento remoto, o que sairia mais em conta para todos e também não seria necessário a criação de mais um organismo para se gastar dinheiro.

O que é entendido por muitos especialistas como um recuo no tempo e uma falta de memória por parte da AEB, pois a tentativa de se comercializar as imagens dos satélites CBERS, feito em parceria com a China, para os países vizinhos se demonstrou inócua e sem qualquer progresso. Tanto que as imagens foram distribuídas gratuitamente. O mesmo ocorreu com os dados ambientais recolhidos pelos satélites brasileiros, tanto os sino-brasileiros como os da MECB.

“Uma agência espacial regional acabaria reverberando no bolso brasileiro que, pelas necessidades em função de seu tamanho territorial, acabaria ficando com a maior parte da fatura para pagar”, comentou o assessor da AEB.

Segundo a visão do Monserrat, que acompanha esta questão de perto, essa ideia de uma agência regional não vai sair do mundo das intenções. Ele mesmo já participou de vários encontros para essa finalidade e de outros onde a questão foi ventilada e conclui que o volume de contras é muito maior do que dos prós.

O pesquisador do INPE e chefe do departamento de distribuição de imagens de satélites para os países interessados, Paulo Roberto Martini, criador da proposta e ex-assessor da AEB, não vê desta maneira.

“A tese que defendi no ano sabático cumprido junto à Escola Superior de Guerra tratou de um exercício do que poderia ser uma Agência Espacial Sul Americana. O eixo para se chegar a tal empreendimento seria a cooperação regional entre as diversas agências, mas com a liderança daquelas mais plenamente estabelecidas: a brasileira e a argentina.”

Para Martini, o  modelo sugerido foi aquele da Agência Espacial Europeia (ESA), na qual a Alemanha (DLR) e a França (CNES) constituem as principais lideranças e funcionam como verdadeiras locomotivas. Mas ainda congrega a Itália, Espanha, Reino Unido, Portugal, Dinamarca entre os 21 países integrantes e com imenso sucesso em projetos conjuntos.

“A ESA atualmente é uma potência, atuando em pé de igualdade com as agências espaciais de Estados Unidos, China e Rússia. A situação dos principais pares sul-americanos atualmente é muito melhor do que aquela dos europeus de então. E já era quando escrevi meu estudo, ao final de 1999”, explicou Martini.

No projeto apresentado a Escola Superior de Guerra, a cooperação regional seria cimentada pelo monitoramento satelitário de dois temas centrais e importantíssimos ao meio ambiente sul-americano: as águas e as florestas.

Os satélites seriam desenvolvidos em forma complementar, seguindo vocações já antecipadas pelos programas espaciais correntes nos países envolvidos.

O Brasil seguindo a linha de instrumentos com maior resolução espacial e espectral, como os satélites CBERS. A Argentina com sua linha de satélites de maior repetitividade e de média resolução, ou mesmo aqueles dotados de sensores ativos (RADAR).

“O Chile tem mostrado também uma firme disposição para não ficar de fora na ciranda de satélites de Sensoriamento Remoto. Sua linha de atividades está focada no âmbito de satélites de alta resolução. O Peru e a Venezuela tem se valido do exemplo brasileiro e buscam cooperação com a agência chinesa “, observa Martini.

A Colômbia e a Argentina tem mantido o tema de uma agência regional em suas agendas. O Brasil retirou o assunto da mesa e colocou um ponto final na questão.

O pesquisador do INPE relembra que na última reunião dos representantes das agências espaciais ao sul do Rio Grande (EUA) foi realizada em Bogotá, na Colômbia, em 2013, quando ele ainda atuava na AEB. “ Naquele encontro, foram adotadas várias ações no sentido de se mobilizarem esforços para convergir, em futuro próximo, para a criação de uma agência espacial regional”.

“A presidência da nossa agência acabou desautorizando qualquer tipo de acordo ou compromissos formais. Diante da recusa do Brasil, os demais países tiveram que recuar, mas pelo menos a Argentina e a Colômbia não estão deixando cair a peteca e, provavelmente, poderão assumir papéis de liderança nos novos cenários que se avizinham. Pior para nós”, salientou o pesquisador e pai da Agência Espacial Latino Americana.

Foto - Alcantara Cyclone Space
Alcântara Cyclone Space



Comentário: Veja bem leitor, sempre defendi aqui no BLOG a criação da Agência Espacial Latino-Americana (AELA), isto é, quando ainda acreditava na possibilidade de um Programa Espacial Brasileiro (PEB) sério, forte, coeso, bem gerido e compromissado. Entretanto, esta não é a realidade do PEB e por mais que eu não queira, e muito provavelmente não pelos mesmos motivos, tenho que dessa vez de concordar com o Sr. José Monserrat Filho. O Brasil participar neste momento de uma iniciativa como esta seria uma temeridade e uma divisão ainda maior de algo já extremamente fragmentado, sem rumo e mal gerido, e o Sr. Paulo Roberto Martini do INPE está literalmente viajando na maionese, e até na minha maneira de ver, de forma irresponsável quando propõe algo assim. Acho até que a Argentina, o Chile e o México e mais alguns países da região aonde a questão espacial vem sendo tratada com mais seriedade e competência, poderiam dar inicio a esta iniciativa caso realmente haja compromisso e o desejo dessas nações, para então num futuro, quem sabe, quando o Brasil arrumar a casa, possa então ter a adesão brasileira. Sr. Martini, a ESA deu certo muito por conta da seriedade e da competência que existe basicamente em duas agências espaciais europeias que comandam todo esse esforço europeu, ou seja, o DLR alemão e a CNES francesa, fora a ASI italiana que tem contribuído significamente nos últimos anos. No Brasil a nossa agencia espacial é uma piada, sem rumo, gerida por um fantoche e norteada exclusivamente por questões políticas de interesse desse governo desastroso sob o comando desta “Ogra” debiloide. Não há seriedade nenhuma, não há política espacial, não há planejamento espacial algum em médio e longo prazo, e o PNAE é uma piada, e ainda por cima, para completar este quadro desastroso, existe uma desunião muito grande entre os profissionais que trabalham no setor, onde o EGO parece ser maior do que o próprio programa. Qualquer programa para dar certo Sr. Martini precisa da união de esforços sob uma gestão eficiente, planejamento coeso, determinado, responsável e competente e o nosso programa (se é que se pode chamar de programa) está muito longe deste quadro. Portanto Sr. Martini, se queres realmente ajudar, ou pelos menos não atrapalhar ainda mais o que já é um caos, esquece esta história. Aproveitamos para agradecer ao leitor Felipe Dias pelo envio deste artigo.

2 comentários:

  1. Concordo com todo o seu comentário. Nós primeiros temos que arrumar o nosso próprio programa para depois podermos pensar em integração com outras agências.

    abs,
    Felipe Dias

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  2. eu acredito que a AEB em parcerias com Agências Espaciais iguais ou Superior a nossa AEB, a exemplo da DLR , CNES, ESA, Rússia e China dão mais frutos positivos e futuros êxitos, já se a AEB formar parceria com países com programas mais atrasados que o nosso , seria perda de tempo, coisa que o Brasil já faz a décadas.

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