Nova Detecção de Uma “Exolua” no 'Sistema CD-35 2722' Está Desafiando as Classificações dos Corpos Celestes
Prezados entusiastas da astronomia!
No dia de hoje (22/07), o portal do European Southern Observatory (ESO) noticiou que uma nova detecção de uma “exolua” no Sistema CD-35 2722 está desafiando as classificações dos corpos celestes.
(Crédito: ESO/M. Kornmesser)
De acordo com o press realease do portal, observações realizadas com o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) revelaram evidências da existência de um objeto semelhante a uma lua no Sistema CD-35 2722. Diferentemente das luas do nosso Sistema Solar, o objeto recém-descoberto não orbita um planeta, levantando dúvidas sobre como ele deve ser classificado. Em vez disso, ele orbita uma anã marrom, um objeto maior que um planeta, que por sua vez orbita a Estrela CD-35 2722. Se a descoberta for confirmada, esta poderá ser a primeira "lua" identificada fora do nosso Sistema Solar.
Kevin Hoy, estudante do ESO no Chile e autor principal do estudo publicado hoje na revista Nature, descreve o sistema, que analisou durante meses, como "extremamente estranho" em comparação com o nosso. O maior e mais massivo objeto desse jovem sistema é a estrela CD-35 2722, que possui cerca de metade da massa do Sol. Essa estrela é orbitada por uma anã marrom, um objeto massivo demais para ser considerado um planeta, mas pequeno demais para ser classificado como uma estrela. O objeto recém-descoberto orbita essa anã marrom.
"Esse sistema é um tanto difícil de definir usando termos baseados no Sistema Solar, como 'planeta' e 'lua'", afirma Hoy, que também é afiliado à Universidad Diego Portales e ao Millennium Nucleus of Young Exoplanets and their Moons (YEMS), no Chile. O novo objeto, que a equipe denomina exossatélite, possui pelo menos a massa de Júpiter, enquanto a anã marrom tem mais de 30 vezes a massa desse planeta. "O exossatélite é claramente massivo o suficiente para ser um planeta, mas não orbita uma estrela, embora orbite um objeto que, por sua vez, orbita uma estrela", explica Hoy. "Por ser o terceiro integrante desse sistema, sentimos vontade de chamá-lo de lua, embora ele não tenha nada em comum com as pequenas luas rochosas do nosso Sistema Solar."
Esse exossatélite, ou "exolua", um satélite natural localizado fora do Sistema Solar [1], é difícil de classificar devido às diferenças entre esse sistema e o nosso. Alice Zurlo, diretora do YEMS e colaboradora do estudo, explica: "O satélite que relatamos é um gigantesco corpo gasoso orbitando um companheiro extremamente massivo, que por si só possui várias vezes a massa de Júpiter."
"No Sistema Solar existe uma separação clara entre o Sol e os planetas, tornando simples definir objetos como luas. No sistema CD-35 2722, onde as fronteiras entre estrelas, planetas e luas se tornam difusas, toda a descrição fica muito mais complicada", acrescenta Zurlo, que também é astrofísica da Universidad Diego Portales.
Independentemente da forma como esse objeto venha a ser classificado, os astrônomos vêm tentando detectar satélites fora do Sistema Solar há anos, mas nenhum havia sido identificado de forma conclusiva até agora. Assim, apesar das mais de 6.000 exoplanetas descobertos até o momento, apenas alguns candidatos a exoluas foram identificados, e as evidências que os sustentam ainda são limitadas. Há apenas alguns meses, uma equipe liderada por Quentin Kral divulgou observações realizadas com o Very Large Telescope Interferometer (VLTI), do ESO, no sistema estelar HD 206893, que revelaram indícios da presença de um satélite, embora sem uma confirmação definitiva.
Para observar o sistema CD-35 2722, Hoy, Zurlo e sua equipe utilizaram o instrumento CRIRES+, instalado no VLT do ESO, empregando o mesmo método que permitiu descobrir o primeiro exoplaneta em torno de uma estrela semelhante ao Sol. Eles aplicaram o método da velocidade radial para detectar pequenas oscilações na anã marrom provocadas pela influência gravitacional do objeto em órbita, encontrando o que consideram fortes evidências da existência dessa "lua". "Por mais exótico que seja, esse sistema é realmente único e representa um marco: a primeira detecção plausível de um exossatélite", afirma Zurlo.
Além do entusiasmo provocado pela descoberta de novos tipos de objetos celestes, detectar satélites em outros sistemas planetários pode ajudar os cientistas a compreender melhor a diversidade dos processos de formação e evolução desses sistemas. Com seu espelho de 39 metros e instrumentação de última geração, o futuro Extremely Large Telescope (ELT) do ESO permitirá aos astrônomos detectar exoluas ainda menores. As descobertas realizadas com o ELT deverão levar a comunidade científica a reconsiderar a forma como classifica objetos planetários pertencentes a sistemas muito diferentes do nosso.
Notas
[1] Um satélite é um objeto que orbita outro objeto e pode ser natural (como a Lua) ou artificial (como uma espaçonave). Um exossatélite é um satélite localizado fora do Sistema Solar. Uma exolua é geralmente considerada um satélite natural que orbita um planeta ou outro objeto fora do Sistema Solar, embora ainda não exista uma definição oficialmente aceita para esse termo.
Mais Informações
Esta pesquisa foi apresentada no artigo intitulado "Planetary-Mass Exosatellite Detected Around a Star's Substellar Companion", que será publicado na revista Nature (DOI: 10.1038/s41586-026-10751-w).
A equipe é composta por K. Hoy, A. Zurlo, P. A. Peña R., J. Köhler, S. Desidera, R. Gratton, C. Lazzoni, S. Petrus, F. Rodler, J. Smoker, V. D'Orazi, I. Carleo e I. Giovannini, vinculados a instituições como a Universidad Diego Portales, o Observatório Europeu do Sul (ESO), o Millennium Nucleus of Young Exoplanets and their Moons (YEMS), o Centro de Astrofísica y Tecnologías Afines (CATA), o INAF, o NASA Goddard Space Flight Center e outras instituições de pesquisa no Chile, Itália, Alemanha e Estados Unidos.
O Observatório Europeu do Sul (ESO) possibilita que cientistas de todo o mundo desvendem os segredos do Universo em benefício de toda a humanidade. A organização projeta, constrói e opera observatórios terrestres de classe mundial, utilizados por astrônomos para responder a algumas das questões mais fascinantes da ciência e despertar o interesse do público pela astronomia, promovendo também a cooperação internacional.
Fundado em 1962 como uma organização intergovernamental, o ESO conta atualmente com o apoio de 16 Estados-membros (Áustria, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Países Baixos, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido), além do Chile, país anfitrião, e da Austrália, parceira estratégica.
A sede do ESO, seu centro de visitantes e o planetário ESO Supernova estão localizados nas proximidades de Munique, na Alemanha. Já o deserto do Atacama, no Chile, oferece condições excepcionais para observações astronômicas e abriga seus principais telescópios. O ESO opera três locais de observação: La Silla, Paranal e Chajnantor.
Em Paranal estão instalados o Very Large Telescope (VLT), o Very Large Telescope Interferometer (VLTI) e telescópios de levantamento, como o VISTA. O observatório também sediará a parte sul do Cherenkov Telescope Array Observatory (CTAO), que será o maior e mais sensível observatório de raios gama do mundo.
Em parceria com instituições internacionais, o ESO opera o ALMA, em Chajnantor, um observatório dedicado à observação do Universo nos comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos. Em Cerro Armazones, próximo a Paranal, está sendo construído o Extremely Large Telescope (ELT), conhecido como "o maior olho do mundo voltado para o céu". A partir de seus escritórios em Santiago, no Chile, o ESO coordena suas operações no país e fortalece sua colaboração com parceiros e com a sociedade chilena.
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