Instituto de Geociências da UNICAMP Colabora Com Pesquisa Desenvolvida Pela Agência Espacial Europeia (ESA)
Prezados amantes das atividades espaciais!
No dia de ontem (08/07), o site
do Jornal da UNICAMP noticiou que o Instituto de Geociências desta universidade
do interior paulista colabora com pesquisa desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA). A pesquisadora alemã Nora Noffke, especialista mundial em
esteiras microbianas, integra pesquisa na Formação Botucatu.
Credito: Jornal da UNICAMP
A docente da Old Dominion University (Virgínia,
EUA) Nora Noffke esteve no Instituto de Geociências, em junho, a convite
de Fresia Ricardi-Branco, professora do Departamento de Geologia e Recursos
Naturais do IG. O objetivo da visita foi colaborar em uma pesquisa sobre a
Formação Botucatu (financiada pela FAPESP), um antigo deserto do intervalo
Cretáceo Inferior (145-125 milhões de anos atrás) no interior paulista que é
considerado um dos maiores desertos fósseis do mundo. Um dos objetivos de
Noffke é utilizar as feições encontradas nesse antigo deserto como análogas
àquelas dos desertos de Marte.
Noffke juntou-se recentemente à equipe da Agência Espacial
Europeia (ESA) para procurar evidências de vida extinta em Marte a partir de
imagens captadas por rovers – veículos que percorrem parte do planeta vermelho em
busca de bioassinaturas de vida antiga. “Gostaríamos de procurar vida em
Marte, onde há muitos desertos. Se nós sabemos o que procurar na Terra,
em um sistema de desertos fósseis, nós poderemos usar esse conhecimento
para identificar algum tipo de bioassinatura associada a vida pretérita
nos desertos fósseis em Marte”, explica Noffke.
Credito: Jornal da UNICAMP
A pesquisadora alemã
participou de uma atividade de campo na Formação Botucatu junto com estudantes do
IG e pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Ourinhos
e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O foco central do
estudo foi investigar a presença de esteiras microbianas nessa Formação. A
parceria com Noffke, além de contribuir com os estudos sobre a vida em Marte,
contribuirá para avanços nos estudos da própria Formação Botucatu. Durante o
trabalho de campo, o grupo encontrou estruturas de rochas muito bem preservadas
que confirmaram a existência dessas esteiras em diferentes condições de umidade
dentro do deserto.
Segundo Fresia
Branco, esse tipo de vida nunca tinha sido encontrado nessa área. “A forma na
qual os biofilmes se fossilizaram e as feições associadas a eles no deserto
Botucatu poderiam ser semelhantes às bioassinaturas fósseis de Marte”, explica
a docente do IG. Como essas estruturas microbianas indicam a presença de
umidade e serviam de subsistência para outros seres vivos que habitaram a
região, a Formação de Botucatu servirá como uma ”biblioteca de possibilidades”
e análogo terrestre para ajudar a Agência Espacial Europeia a identificar
sinais de vida em Marte.
Os resultados da
pesquisa na Formação Botucatu devem ser publicados em breve.
Essa foi a segunda
visita de Noffke à Unicamp. Em 2023 a docente da Old Dominion
University ministrou uma palestra no IG sobre seus
estudos para a prospecção de vida fóssil em Marte.
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