A "Operação Guarnicê" Une Ciência, Inovação e Cultura Maranhense Para Impulsionar o Desenvolvimento Aeroespacial no Maranhão
Prezados entusiastas do BS!
A ciência, a inovação e a identidade cultural maranhense acabam de ganhar um novo ponto de convergência. Foi anunciada, na última terça-feira (21/07), por meio das redes sociais, a Operação Guarnicê, iniciativa que pretende fortalecer o ecossistema aeroespacial do Maranhão por meio de uma parceria entre universidade, instituições públicas e o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
O projeto nasce com a proposta de realizar dez lançamentos de foguetes de treinamento a partir do CLA, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico nacional e para a formação de recursos humanos altamente qualificados na área aeroespacial.
Segundo a nota de lançamento, a Operação Guarnicê tem como principais objetivos:
* Desenvolver propelente sólido 100% nacional;
* Desenvolver sistemas de Navegação Inercial (INS) para lançamentos;
* Capacitar alunos e pesquisadores do Curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em tecnologias de ponta;
* Fomentar pesquisas científicas nas áreas de propulsão e sistemas embarcados;
* Fortalecer as parcerias entre universidades, poder público e o setor aeroespacial maranhense.
O nome Guarnicê faz referência às raízes culturais do Maranhão e simboliza o ato de reunir forças e preparar-se para um grande momento. Para seus idealizadores, a denominação representa o orgulho pelo Centro de Lançamento de Alcântara, pelos pesquisadores envolvidos e pelos foguetes que deverão ganhar os céus ao longo do projeto.
Sob a cordenação do Prof. Carlos Brito, tendo os Professores Luis Claúdio e José Raimundo Braga reponsaveis pela parte de eletrônica e de telemetria (o transponder do projeto), esta iniciativa é conduzida pelo Curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA, em conjunto com sua empresa junior Guará Space, e as Sirius SAT e Sirius Rockets (essas duas últimas equipes estudantis da UFMA) —, em parceria com o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e o Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), contando ainda com o apoio institucional do escritório regional da Farsa Espacial Brasileira (AEB).
Entendendo a Iniciativa
Com o objetivo de conhecer melhor a proposta, o BS conversou com o Professor Claus Wehmann, um dos idealizadores da Operação Guarnicê.
Durante a entrevista, o professor explicou que o Curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA, criado em 2018, apesar de relativamente pequeno, já acumula contribuições importantes para o setor espacial brasileiro. Entre elas estão os Nanosatélites Aldebaran e Jussara K, além da participação no projeto governamental da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM). Entretanto, até então, a universidade ainda não havia desenvolvido projetos diretamente voltados à área de foguetes e propulsão.
Segundo o Prof. Claus, as iniciativas existentes nesse segmento estavam ligadas ao Professor Oswaldo Loureda e à startup Acrux Aerospace Technologies, responsável por integrar o projeto do Veículo Lançador de Pequeno Porte (VLPP), contemplado em edital da FINEP, projeto este que como sabemos acabou inviabilizado em razão da condução da empresa líder do consórcio vencedor, a Akaer, o que levou ao encerramento daquela iniciativa.
Mesmo após esse desfecho, parte da infraestrutura adquirida durante o projeto permaneceu na UFMA. o Prof. Claus explica que, ao chegar à universidade, trouxe equipamentos oriundos de um projeto desenvolvido que havia apresentado ao Prof. Oswaldo Loureda, aos quais se somaram outros equipamentos adquiridos durante a execução do VLPP como parte da cooperação técnica. Foi nesse ambiente que a Operação Guarnicê começou a tomar forma.
Uma Oportunidade Para a UFMA e Para o CLA
De acordo com o professor, a equipe identificou uma oportunidade ao constatar que o Centro de Lançamento de Alcântara enfrentava dificuldades para manter uma cadência adequada de lançamentos destinada ao treinamento de suas equipes. Entre os fatores apontados estavam a impossibilidade de manter o contrato com a Avibras, em razão da situação judicial da empresa, e as restrições orçamentárias enfrentadas pelo centro.
Diante desse cenário, surgiu a proposta de utilizar foguetes desenvolvidos pela equipe acadêmica da UFMA como plataforma de treinamento para o CLA.
O planejamento prevê o desenvolvimento de dez foguetes ao longo de seis anos, com evolução tecnológica progressiva. O primeiro veículo utilizará motor KNSB, estrutura em fibra de vidro e eletrônica de caráter mais simples. Já o décimo contará com propelente compósito (APCP), estrutura em fibra de carbono e sistemas eletrônicos mais sofisticados, incluindo transponder.
Naturalmente, todos os foguetes deverão atender aos rigorosos requisitos operacionais do CLA, muito mais exigentes do que aqueles normalmente encontrados em competições de foguetemodelismo. Segundo Prof. Claus Wehmann, essa característica torna o projeto vantajoso para ambas as instituições: enquanto o CLA poderá manter o treinamento de suas equipes com custos reduzidos, os estudantes da UFMA terão contato com um ambiente de desenvolvimento próximo ao padrão profissional.
Próximos Passos
Segundo o professor, posteriormente a iniciativa recebeu apoio da FAPEMA e o apoio institucional do escritório regional da Farsa Espacial Brasileira (AEB), este infelizmente importante para dar legitimidade ao projeto. A equipe da UFMA também já iniciou o alinhamento técnico com profissionais do CLA para definição de requisitos e expectativas.
Ainda de acordo com Prof. Claus, a Revisão Crítica de Projeto (CDR) do primeiro foguete está prevista para agosto. Paralelamente, a equipe trabalha na implantação das estruturas de testes e no comissionamento do Laboratório de Extremas Altitudes e Aerodinâmica (LEAA), onde será desenvolvido o sistema de propulsão do primeiro veículo.
O foguete inaugural deverá atingir cerca de três quilômetros de apogeu, enquanto os dois últimos modelos previstos no programa terão como meta alcançar aproximadamente oito e dez quilômetros de altitude, respectivamente.
Apesar de estabelecer metas conservadoras para a altitude dos voos, o professor ressalta que o principal foco da Operação Guarnicê está no domínio tecnológico. Entre as capacidades a serem desenvolvidas estão processos de fabricação em materiais compósitos, como fibra de carbono e bobinamento estrutural, sistemas eletrônicos embarcados — incluindo transponders —, propelentes do tipo APCP e, sobretudo, a formação de profissionais qualificados para o setor aeroespacial brasileiro.
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