NASA Descobre Que Asteroide Próximo da Terra é, na Verdade, Um Cometa

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No dia 16 de julho, a NASA anunciou que um novo estudo liderado por cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato (Jet Propulsion Laboratory – JPL) revelou que um objeto até então classificado como asteroide próximo da Terra é, na realidade, um cometa.
 
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Este conceito artístico retrata um asteroide próximo da Terra com uma órbita alongada. Alguns objetos como esse podem apresentar perturbações significativas em seu movimento ao redor do Sol e, assim como o asteroide 1998 SH2, podem acabar sendo cometas comuns com uma cauda e uma coma (a nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo de um cometa) pouco pronunciadas.
 
De acordo com a nota do portal, novas pesquisas lideradas por cientistas do JPL da NASA, no sul da Califórnia, revelaram a identidade de um intrigante objeto próximo da Terra por meio do rastreamento preciso de seu movimento pelo espaço e do uso de poderosos observatórios capazes de registrar objetos celestes muito tênues.
 
Esse objeto possui uma dupla personalidade: imagens anteriores não haviam revelado atividade típica de cometas, sugerindo que ele poderia ser um asteroide, mas seu movimento recentemente demonstrou ser irregular, como o de um cometa. Os cientistas detalharam suas descobertas em um estudo publicado na revista Nature Astronomy.
 
O mistério começou em 28 de agosto de 2025, quando o objeto, provisoriamente conhecido como Asteroide 1998 SH2, passou com segurança a menos de 2 milhões de milhas (3 milhões de quilômetros) do nosso planeta durante sua órbita de quatro anos e meio ao redor do Sol. Pesquisadores que pretendiam observar o 1998 SH2 utilizando o sistema de radar planetário da Rede do Espaço Profundo (Deep Space Network – DSN) da NASA haviam calculado sua posição com base em dados de órbitas anteriores e levado em consideração os efeitos que a gravidade do Sol e dos planetas teria sobre sua trajetória. Porém, quando o 1998 SH2 não apareceu onde era esperado, eles perceberam que algo imprevisto estava influenciando seu movimento.
 
Rastreamento do Objeto
 
Utilizando astrometria óptica para medir com precisão a posição do objeto no céu, os pesquisadores conseguiram identificar a causa.
 
“Depois que medimos as perturbações não gravitacionais que afetavam o movimento do 1998 SH2 e percebemos que elas não eram compatíveis com um asteroide, suspeitamos que o objeto pudesse ser um cometa ativo”, disse Davide Farnocchia, engenheiro de navegação do Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra da NASA, no JPL, e líder do estudo.
 
Embora a órbita do 1998 SH2 ao redor do Sol tenha sido bem monitorada entre 1998 e 2016, o objeto completou duas órbitas solares sem observações adicionais por telescópios até as tentativas de observação da DSN em 2025. Analisando todas as observações coletadas desde a descoberta do objeto, em 1998, os pesquisadores determinaram as perturbações em seu movimento e levantaram a hipótese de que o objeto poderia estar gerando um pequeno impulso ao liberar gás para o espaço, fazendo-o desviar de sua trajetória prevista.
 
Essa liberação de gás ocorre porque o Sol aquece o gelo misturado ao material rochoso, transformando o gelo em gás. Nos cometas comuns, essa atividade forma a característica cauda brilhante e a coma — a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo do cometa. Porém, quando um objeto produz gás e poeira em quantidades muito menores, sua cauda e sua coma podem não ser detectáveis pela maioria dos observatórios.
 
Surgem a Cauda e a Coma
 
A aproximação do 1998 SH2 da Terra, em agosto de 2025, proporcionou a oportunidade perfeita para que os autores do artigo reunissem evidências observacionais de atividade cometária visível. Eles entraram em contato com astrônomos do Telescópio Canadá-França-Havaí (Canada-France-Hawaii Telescope), um telescópio óptico/infravermelho de 3,6 metros (12 pés), localizado próximo ao cume do Mauna Kea, no Havaí, e com o Telescópio Dinamarquês de 1,5 metro (5 pés), do Observatório Europeu do Sul (ESO), em La Silla, no Chile, para realizar observações. Astrônomos do poderoso Very Large Telescope (VLT), de 8,2 metros (27 pés), do Observatório Europeu do Sul, localizado no Cerro Paranal, no Chile, também acompanharam o objeto.
 
“As imagens que coletamos desses observatórios mostraram uma cauda fraca, mas claramente visível, confirmando assim que o 1998 SH2 é, de fato, um cometa”, afirmou Olivier Hainaut, astrônomo do Observatório Europeu do Sul e coautor do estudo. “É assim que a ciência funciona — você formula uma hipótese e procura testá-la. Esses dados eram exatamente o que precisávamos para confirmar nossa hipótese de que o 1998 SH2 era um cometa.”
 
Como resultado da investigação, o 1998 SH2 receberá uma designação provisória adicional de cometa: P/1998 SH2.
 
Implicações Para a Defesa Planetária
 
A pesquisa também lança luz sobre outra classe de objetos ainda mais incomum, conhecida como cometas escuros. Assim como o 1998 SH2, os cometas escuros apresentam irregularidades significativas, ou perturbações, em sua trajetória, mas não exibem outras evidências visíveis de atividade cometária — não há coma, cauda nem emissão visível de gases. Esses objetos enigmáticos se dividem em duas populações distintas: uma composta por objetos maiores, com órbitas semelhantes às dos cometas da família de Júpiter (cometas de curto período com órbitas altamente elípticas, ou excêntricas), e outra composta por objetos menores, que orbitam mais próximos do Sol. Desde a descoberta do primeiro cometa escuro, em 2016, cerca de uma dúzia de outros já foi identificada.
 
Os autores do artigo sugerem que muitos dos cometas escuros maiores, que possuem órbitas semelhantes à do 1998 SH2, podem acabar sendo identificados como cometas comuns caso os astrônomos tenham a oportunidade adequada de observá-los com telescópios poderosos capazes de registrar objetos extremamente tênues. Além disso, ao analisar o movimento de todos os objetos próximos da Terra utilizando dados de astrometria de alta precisão, os pesquisadores poderão revelar mais cometas que anteriormente haviam sido classificados como asteroides, caso apresentem perturbações não gravitacionais típicas de cometas.
 
“Este trabalho demonstra a importância de monitorar continuamente os objetos próximos da Terra”, afirmou Farnocchia. “Devido à liberação de gases, o movimento dos cometas sofre perturbações muito mais significativas do que o dos asteroides. Detectar essas perturbações pode ser uma importante ferramenta de diagnóstico para a defesa planetária, ajudando a compreender quais objetos podem ser cometas em vez de asteroides, como suas órbitas evoluem e como isso influencia seus riscos de impacto com a Terra.”
 
Em Busca de Objetos Próximos da Terra
 
A futura missão Near-Earth Object (NEO) Surveyor, da NASA, coletará dados que poderão apoiar esse esforço. Primeiro telescópio espacial de levantamento construído especificamente para a defesa planetária, essa missão de nova geração buscará alguns dos objetos próximos da Terra mais difíceis de detectar, como asteroides escuros e cometas que refletem muito pouca luz visível.
 
O Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra da NASA, o Grupo de Radar do Sistema Solar de Goldstone e o NEO Surveyor são administrados pelo JPL e recebem apoio do Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da agência, em Washington. O Caltech, em Pasadena, administra o JPL para a NASA. A Rede do Espaço Profundo (DSN) recebe supervisão programática do escritório do programa SCaN (Space Communications and Navigation – Comunicações e Navegação Espaciais), também sediado na administração central da NASA.
 
Brazilian Space
 
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