Astrônomos Descobrem Um Exoplaneta Potencialmente Habitável a Apenas 25 Anos-luz de Distância.

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No dia de ontem (02/07), o portal Space.com noticiou a descoberta de um exoplaneta rochoso potencialmente habitável localizado a apenas 25 anos-luz da Terra. O planeta, denominado GJ 3378b, orbita uma tênue estrela anã vermelha situada na Constelação de Camelopardalis, conhecida como a Girafa.
 
(Crédito da imagem: Nikolai Berman/UC Irvine)
Uma concepção artística da vista a partir da superfície do exoplaneta super-Terra localizado na zona habitável, GJ 3378b.
 
De acordo com a nota do portal, um mundo rochoso potencialmente habitável foi encontrado na zona habitável ao redor de uma anã vermelha situada a apenas 25 anos-luz da Terra.
 
No entanto, diante de um ambiente hostil, marcado por um intenso fluxo de radiação proveniente de sua estrela hospedeira, ainda não está claro se esse novo exoplaneta possui uma atmosfera ou oferece a possibilidade de abrigar vida. Mesmo assim, os astrônomos estão comemorando a descoberta.
 
"Este é empolgante", afirmou Paul Robertson, da Universidade da Califórnia em Irvine, em um comunicado. "Ele é um dos nossos vizinhos cósmicos mais próximos. Vinte e cinco anos-luz parecem uma distância enorme, mas a Via Láctea tem cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro; nesse contexto, ele é praticamente nosso vizinho de porta."
 

O planeta, denominado GJ 3378b, orbita a tênue estrela anã vermelha localizada na constelação de Camelopardalis, a Girafa. Ele foi descoberto em 2024 por astrônomos franceses utilizando o Telescópio Canadá–França–Havaí, em Mauna Kea, mas astrônomos norte-americanos revisaram essas descobertas iniciais, revelando que o planeta pode ser mais parecido com a Terra do que se imaginava.
 
Tudo o que sabemos com certeza é a massa e a órbita de GJ 3378b. Ainda não sabemos se ele é semelhante à Terra — pode ter continentes, oceanos, nuvens e até vida, ou pode ser um mundo sem atmosfera e coberto por crateras.
 
O planeta não foi observado em trânsito, ou seja, passando em frente à sua estrela e bloqueando parte de sua luz do nosso ponto de vista. Em vez disso, GJ 3378b foi detectado pelos efeitos gravitacionais que exerce sobre sua estrela-mãe. Essa interação faz com que a estrela oscile em torno do centro de massa compartilhado com o planeta, movimento que é revelado por um deslocamento Doppler na luz da estrela, mensurável por meio de seu espectro — o conjunto dos comprimentos de onda da luz que ela emite.
 
Quando foi descoberto, em 2024, estimou-se que sua massa era de 5,26 vezes a massa da Terra, colocando-o na categoria dos mini-Netunos, mundos maiores e predominantemente gasosos. Entretanto, ao reexaminar o planeta utilizando dois telescópios diferentes, a equipe de Robertson demonstrou que sua massa real é de 2,3 vezes a massa terrestre. Isso significa que ele está mais próximo da categoria das super-Terras rochosas.
 
Além disso, as mesmas observações revelaram que o período orbital de GJ 3378b é de 21 dias, e não de 25 dias, como havia sido medido inicialmente. Isso significa que o planeta está mais próximo de sua estrela do que se pensava, permanecendo confortavelmente dentro da zona habitável, onde as temperaturas são adequadas para a existência de água líquida na superfície de um planeta que possua atmosfera. Sob essa perspectiva, as chances de GJ 3378b ser habitável, ainda que não necessariamente habitado, parecem bastante promissoras.
 
"Essa super-Terra recebe cerca de 90% da radiação que a Terra recebe do Sol, portanto está exatamente na faixa ideal", disse Robertson.
 
(Crédito da imagem: NOIRLAB/NSF/AURA)
O telescópio WIYN de 3,5 metros, localizado no Observatório Nacional de Kitt Peak, próximo a Tucson, no Arizona, foi um dos dois telescópios utilizados para estudar o exoplaneta GJ 3378b.

Há, entretanto, um problema significativo: as anãs vermelhas emitem intensas torrentes de radiação por meio de violentas rajadas de seus ventos estelares, capazes de remover a atmosfera de um planeta. Isso levanta uma questão importante: será que GJ 3378b possui atmosfera?
 
No momento, não há como responder a essa pergunta. O Telescópio Espacial James Webb (JWST) vem investigando a presença de atmosferas em outros mundos rochosos que orbitam anãs vermelhas, como os planetas do sistema TRAPPIST-1. Para isso, utiliza a espectroscopia de trânsito, técnica na qual a atmosfera ao redor de um planeta absorve parte da luz da estrela que atravessa essa camada gasosa, deixando linhas escuras de absorção no espectro estelar.
 
Infelizmente, GJ 3378b não realiza trânsito diante de sua estrela. Isso significa que os astrônomos provavelmente terão de esperar até a década de 2040, quando o Observatório de Mundos Habitáveis (Habitable Worlds Observatory), da NASA, deverá ser lançado, para descobrir se GJ 3378b realmente possui ou não uma atmosfera.
 
Ainda assim, os astrônomos permanecem otimistas. GJ 3378b está exatamente no limite da região onde se espera que os planetas sofram intenso bombardeio de radiação, o que significa que ele pode ter escapado das condições mais severas. Se for esse o caso, talvez haja mais do que apenas uma atmosfera para o Habitable Worlds Observatory descobrir.
 
"O objetivo final é encontrar bioassinaturas", afirmou, em outro comunicado, Michael Endl, astrônomo da Universidade do Texas em Austin. "O que realmente queremos saber é: estamos sozinhos no universo? Ainda estamos na fase de reconhecimento da nossa vizinhança solar, tentando encontrar os planetas ao redor das estrelas mais próximas, porque serão justamente esses os mais fáceis para detectar bioassinaturas."
 
"Este planeta nos aproxima um passo mais de conhecer todos os nossos vizinhos e, em última análise, identificar quais deles podem ser hospitaleiros para a vida."
 
Os resultados da pesquisa foram publicados em 30 de junho no periódico The Astrophysical Journal.
 
Brazilian Space
 
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