Nota de General da Reserva no Linkedin Sobre "Comportamento", Ajuda Reacender a Reflexão Sobre os Rumos do Setor Espacial Brasileiro

Prezados entusiastas da atividades espaciais!
 

O Brazilian Space (BS) talvez seja uma das poucas fontes de informação dedicadas às atividades espaciais no Brasil que, diariamente, confronta a divulgação irresponsável de narrativas por parte de segmentos da mídia alinhados à propagação de fake news e de conteúdos com viés eleitoreiro. Ao longo dos anos, o BS tem sustentado que tais narrativas e falácias nada contribuem com o desenvolvimento efetivo do setor espacial nacional, bastando observar os resultados alcançados nas últimas décadas.
 
Nesse contexto, o BS entende que uma mudança de comportamento é indispensável para que o Brasil possa avançar de forma consistente em áreas estratégicas. Essa reflexão foi recentemente reforçada pelo General de Exército da reserva Cureau L., consultor em Defesa, Segurança e Clima, em uma nota intitulada "O maior problema da defesa brasileira não é só orçamento. É comportamento", publicado em 10 de julho em sua página oficial no LinkedIn.
 
Embora o artigo trate especificamente da realidade da Defesa Nacional, as observações apresentadas pelo General também podem ser estendidas aos órgãos responsáveis pela condução da política espacial brasileira. Entre eles está a "Farsa Institucional Espacial Brasileira", além de outras entidades correlatas que priorizam a construção de narrativas otimistas em detrimento de resultados concretos para o Programa Espacial Brasileiro, enquanto recursos públicos continuam sendo consumidos sem que o país alcance avanços compatíveis com seu potencial.
 
Na visão do BS, essa realidade favorece grupos cujos interesses estariam dissociados do verdadeiro desenvolvimento do setor espacial nacional. Diante disso, convidamos nossos leitores a ler, com atenção, a íntegra da nota publicada pelo General Cureau L.
 
“O Maior Problema da Defesa Brasileira Não é Só Orçamento. É Comportamento.
 
Há uma explicação confortável para quase tudo que dá errado na defesa brasileira, falta dinheiro. É uma meia verdade útil, porque absolve quase todos. O problema é que os países que construíram poder militar e base industrial de defesa não o fizeram apenas com orçamento. Fizeram com cultura, método e disciplina institucional.
 
O Brasil gosta de falar em soberania, mas ainda resiste aos hábitos que ela exige. Quer os resultados de uma potência estratégica, mas frequentemente preserva comportamentos de repartição, disputa de protagonismo, dificuldade de reconhecer falhas, baixa continuidade, retenção de informação e uma estranha mania de recomeçar a história a cada governo.
 
Os sistemas de defesa que funcionam no mundo operam de outra forma. Israel não se tornou potência tecnológica porque pensou grande apenas. Tornou-se porque integrou ameaça, indústria, academia, inteligência e usuário num mesmo ciclo. A falha de campo volta para a engenharia, a necessidade militar vira programa, a inovação é tratada como missão nacional.
 
A Coreia do Sul seguiu caminho semelhante. Entendeu que defesa, indústria, exportação, construção naval, eletrônica e tecnologia pertencem à mesma estratégia. Não tratou navios, blindados, munições e radares como compras isoladas, mas como parte de um projeto de Estado. O resultado é conhecido, estaleiros gigantescos, conglomerados fortes, previsibilidade, escala e uma indústria que atende simultaneamente à defesa e ao desenvolvimento nacional.
 
A Turquia fez algo que o Brasil ainda hesita em fazer, tratou dependência externa como limitação de soberania. Organizou compras, protegeu competências críticas, definiu metas de nacionalização e sustentou programas por tempo suficiente para criar densidade industrial.
 
O ponto incômodo é que o Brasil já soube fazer isso. Engesa, Avibras, Embraer e outros casos mostraram que o país tinha capacidade de projetar, produzir e exportar sistemas complexos. O que faltou não foi talento, nem mercado, nem necessidade estratégica. Faltou permanência de propósito.
 
Soberania não é slogan. É comportamento coletivo. E talvez essa seja a mudança mais difícil e mais urgente para o Brasil."
 
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