Equipe de Astrônomos Encontram o Objeto Interestelar 3I/ATLAS Escondido em Imagens Feitas Antes de Sua Descoberta Oficial
Caros entusiastas da atividades espaciais!
No dia de ontem (16/05), o portal Space.com noticiou que uma Equipe de Astrônomos haviam encontrado o Objeto Interestelar 3I/ATLAS escondido em imagens do novo Observatório Vera C. Rubin feitas antes de sua descoberta oficial, e caso esse novo Observatório tivesse iniciado sua fase de validação científica algumas semanas antes, ele poderia ter entrado em operação a tempo de descobrir o 3I/ATLAS primeiro.
(Crédito da imagem: Chandler et al. 2026)
Acontece que o cometa interestelar 3I/ATLAS quase foi chamado de 3I/Rubin, depois que pesquisadores descobriram que o gigantesco telescópio de levantamento observou coincidentemente esse visitante das estrelas mais de uma semana antes de ele ser oficialmente descoberto.
O 3I/ATLAS foi oficialmente identificado em 1º de julho de 2025 pelo Sistema de Último Alerta para Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS), uma rede de telescópios robóticos no Havaí, Chile e África do Sul. Mas dez dias antes, o Observatório Vera C. Rubin, também localizado no Chile, iniciou sua fase de validação científica antes de entrar em operação total mais tarde naquele ano. A fase de validação científica foi projetada para calibrar o telescópio de 8,4 metros (27,6 pés) e seus instrumentos, garantindo que estivessem funcionando corretamente.
Curioso para saber se o Rubin havia observado o 3I/ATLAS antes de sua data oficial de descoberta, uma equipe liderada por Colin Orion Chandler vasculhou os dados da fase de comissionamento do Rubin. E, de fato, eles descobriram que o Rubin havia registrado imagens do 3I/ATLAS em sua primeira noite de captura de imagens de teste, em 20 de junho, dez dias antes de o ATLAS detectá-lo.
Assista o vídeo: https://cdn.jwplayer.com/previews/FzgMpa1q
Não foi uma tarefa fácil. Hoje, o Rubin possui uma rotina muito bem planejada — chamada de “pipeline” — para coletar dados e processá-los para os astrônomos, mas durante a fase de validação esse pipeline ainda não estava em operação. Isso significava que Chandler e sua equipe tiveram que criar seu próprio pipeline personalizado para acessar os dados.
Chandler estima que, se o Rubin tivesse iniciado sua fase de validação científica algumas semanas antes, seus pipelines de manipulação de dados poderiam já estar funcionando a tempo de detectar o 3I/ATLAS antes de 1º de julho.
Os pesquisadores descobriram que o Rubin continuou registrando imagens do cometa interestelar outras nove vezes entre 21 de junho e 2 de julho, e várias vezes adicionais entre 2 e 20 de julho. As imagens mostram claramente que o 3I/ATLAS já estava ativo antes mesmo de o ATLAS detectá-lo, com uma coma evidente — uma nuvem de poeira e gás ao redor da cabeça de um cometa, liberada da superfície do cometa quando ele aquece ao se aproximar do Sol.
O Rubin foi projetado para encontrar até 10 mil novos cometas ao longo dos 10 anos iniciais do seu programa Legacy Survey of Space and Time, e a detecção precoce do 3I/ATLAS reforça as estimativas de que ele poderá encontrar, em média, um cometa interestelar atravessando nosso sistema solar por ano. Portanto, embora o 3I/ATLAS não carregue o nome do Rubin, é uma boa aposta que futuros cometas interestelares carregarão.
(Crédito da imagem: Chandler et al. 2026)
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| O Observatório Rubin detectou o 3I/ATLAS nove vezes entre 21 de junho e 2 de julho de 2025 sem que os astrônomos percebessem. |
Sondas de Júpiter Unem Forças
Enquanto isso, o 3I/ATLAS ainda não deixou nosso sistema solar, e novas informações continuam sendo reveladas por espaçonaves que vêm monitorando o objeto. As observações feitas por espaçonaves foram particularmente úteis quando o cometa ficou escondido atrás do Sol do nosso ponto de vista em outubro de 2025, coincidindo com o periélio (o ponto de maior aproximação ao Sol), quando se esperava que o cometa estivesse mais ativo.
Cientistas do Southwest Research Institute (SwRI), que lideram os instrumentos Espectrógrafo Ultravioleta (UVS) da missão JUICE da Agência Espacial Europeia e da missão Europa Clipper da NASA — ambas atualmente a caminho de Júpiter — revelaram que as duas espaçonaves realizaram observações conjuntas do 3I/ATLAS no fim de 2025.
“À medida que o cometa passou entre a JUICE e a Europa Clipper, conseguimos coordenar informalmente observações entre as duas espaçonaves”, afirmou Kurt Retherford em comunicado.
A JUICE tinha uma visão do lado diurno do cometa interestelar, enquanto a Europa Clipper observava o lado noturno, permitindo aos pesquisadores visualizar as mesmas emissões gasosas de duas direções diferentes.
(Crédito da imagem: NASA/ESA/Southwest Research Institute)
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| O Objeto 3I/ATLAS visto pelo instrumento Espectrógrafo Ultravioleta (UVS), liderado pelo Southwest Research Institute, a bordo da espaçonave JUICE da ESA no fim de 2025. |
As observações conjuntas feitas pelo instrumento UVS em cada espaçonave detectaram hidrogênio, oxigênio e carbono produzidos quando gases moleculares escapando do núcleo do 3I/ATLAS interagiram com a luz ultravioleta do Sol, que quebrou as moléculas em seus átomos componentes. A abundância de carbono foi maior do que o típico para cometas originários do nosso sistema solar, o que confirma observações do Telescópio Espacial James Webb que encontraram excesso de dióxido de carbono no 3I/ATLAS.
“Ao estudar a proporção entre gelo de água e gelo seco [isto é, gelo de dióxido de carbono], podemos comparar a composição deste cometa interestelar com a de cometas nativos do nosso sistema solar”, afirmou Philippa Molyneux. “Isso nos ajuda a entender se o sistema solar onde o 3I/ATLAS se formou é semelhante ao nosso ou diferente.”
Essas descobertas se somam à enorme quantidade de dados sobre o 3I/ATLAS já coletados por múltiplas missões espaciais e observações terrestres. Sabemos que o núcleo do 3I/ATLAS possui cerca de um quilômetro (0,6 milha) de largura, e sua alta velocidade de 225 mil km/h (61 quilômetros por segundo) sugere que ele provavelmente tem pelo menos sete bilhões de anos e possivelmente até 12 bilhões de anos, tendo passado por muitos encontros com outras estrelas que aumentaram sua velocidade.
A análise das observações do Rubin sobre o cometa foi publicada em 20 de abril no The Astrophysical Journal Letters.
Brazilian Space
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