Empresa Britânica "Space Forge" Quer Construir Fábrica de Semicondutores em Portugal

Caros entusiastas da atividades espaciais!
 
Vocês se lembram de que, em janeiro deste ano, comentamos aqui uma notícia sobre a empresa britânica Space Forge, que colocou em operação a primeira fábrica comercial de semicondutores no espaço (reveja aqui)? Pois bem: em 11/05, a coluna RADAR, do portal português SAPO, informou que a companhia agora pretende construir uma fábrica de semicondutores em Portugal.
 
Imagem: Space Forge via SAPO

De acordo com a matéria do portal, essa empresa britânica do setor do Espaço quer começar construção da unidade de produção de semicondutores já em 2027. "Poderemos no futuro considerar também o fabrico dos veículos espaciais no país."
 
A britânica Space Forge, empresa que produz materiais para semicondutores no Espaço, abriu uma filial nos Açores e está a avaliar a instalação em Portugal de uma fábrica de semicondutores, que poderá implicar um investimento a rondar “duas dezenas de milhões de euros”. Querem começar a construção da unidade já em 2027. “Poderemos no futuro considerar também o fabrico dos veículos espaciais no país.”
 
“Portugal tem um interesse vincado no lançamento e regresso do espaço e está a desenvolver a arquitetura e os processos para facilitar isso. O quadro regulamentar que o país desenvolveu, e está a implementar, é inovador e muito competitivo a nível global. Além disso, uma localização como os Açores, onde estamos sediados, permite-nos operar com segurança e confiança. A Space Forge está empenhada em construir uma cadeia de abastecimento e infraestruturas portuguesas para usufruir plenamente dos benefícios desta estratégia de Portugal”, aponta Lewis D’Ambra, diretor de comunicação e relações institucionais da Space Forge, ao ECO/eRadar sobre o que motivou a empresa britânica a abrir uma filial em Santa Maria, nos Açores.
 
Mas não só. “Portugal tem um grande contingente de trabalhadores qualificados e acreditamos que podemos tirar partido e interagir com o sistema de ensino superior”, destaca ainda.
 
“Mais relevante do que o espaço é, para nós, o setor dos semicondutores. A Space Forge é uma empresa de materiais! Também neste setor Portugal tem as competências, o interesse e o acesso a programas de financiamento para desenvolver uma indústria forte. A Space Forge considera-se como um contributo importante para esta capacidade e vê Portugal como uma porta de entrada para o mercado da União Europeia”, refere ainda.
 
“A nossa operação atual está sediada nos Açores, uma vez que planeamos recuperar as nossas cápsulas lá, e está focada em contribuir para o crescente polo de transporte espacial em Santa Maria (o Space Hub que se tem falado)”, refere Lewis D’Ambra.
 
Santa Maria, recorde-se, vai receber um investimento de 15 milhões para o futuro Space Hub, no âmbito do Space Rider, veículo orbital reutilizável da Agência Espacial Europeia (ESA), com reentrada prevista ao largo de Santa Maria.
 
Produzir Cristais Para Semicondutores no Espaço
 
Fundada em 2018 por Joshua Western (CEO) e Andrew Bacon (CTO), já com 70 pessoas no Reino Unido, Estados Unidos e, desde há um ano em Portugal, a companhia lançou no ano passado o satélite Forgestar-1, num foguetão da SpaceX, de Elon Musk.
 
“Esta missão demonstrou a nossa capacidade de construir e operar um pequeno satélite, avançar num novo processo de licenciamento e construir e operar autonomamente uma ferramenta de crescimento de semicondutores em órbita“, refere o diretor de comunicação e relações institucionais da Space Forge.

Imagens: Space Forge via SAPO
Plasma produzido na Forge Star da Space Forge.

Na prática, com o satélite seguiu uma espécie de mini-forja capaz de atingir 1.000 graus centígrados e, com isso, produzir cristais para semicondutores mais ‘limpos’, reduzindo em 60% a energia necessária para produzir componentes para telecomunicações ou infraestruturas de energia, num momento de elevada procura de chips para 5G, veículos elétricos ou IA, segundo noticiou na época a BBC.
 
Para trazer o material produzido no Espaço para a Terra em segurança, a empresa está a trabalhar num “escudo de reentrada protetor, o Pridwen (nome do escudo do Rei Artur), que permitirá à nossa cápsula sobreviver à reentrada e ser recuperada nos Açores“, detalha o responsável de comunicação da empresa.
 
"Na vertente dos materiais, estamos a explorar oportunidades para instalar uma unidade no continente para capacidade de fabrico de semicondutores. (…) Estamos atualmente no início de um processo de conversações com empresas que sabemos ter capacidade para serem nossos fornecedores de componentes e subsistemas espaciais e poderemos no futuro considerar também o fabrico dos veículos espaciais no país.
 
Lewis D'Ambra
Diretor de comunicação e relações institucionais da Space Forge"
 
A Space Forge também desenvolveu e colocou “em funcionamento uma linha piloto de materiais no Sul do País de Gales para iniciar a produção terrestre de materiais e testar as cadeias de abastecimento”.
 
Mas, no que toca à produção de materiais, os planos da Space Forge não se ficam por aqui. E não passam apenas pelo Espaço. “Estamos a planear a implementação da fábrica em grande escala, para conseguirmos escalar a produção de semicondutores quando começarmos a receber os ‘cristais semente’ do espaço”, revela Lewis D’Ambra.
 
…com Portugal a Poder Acolher Futura Fábrica de Semicondutores
 
E é neste campo que Portugal poderá ter igualmente um papel. “Na vertente dos materiais, estamos a explorar oportunidades para instalar uma unidade no continente para capacidade de fabrico de semicondutores”, adianta.
 
“Estamos atualmente no início de um processo de conversações com empresas que sabemos ter capacidade para serem nossos fornecedores de componentes e subsistemas espaciais e poderemos no futuro considerar também o fabrico dos veículos espaciais no país”, revela.

Imagem: Space Forge via SAPO
Exemplos de semicondutores. O primeiro (mais pequeno) é um feito no Espaço. O segundo é feito na Terra. DR: Space Forge.

A empresa admite que, nessa avaliação, está a olhar para o mercado ibérico. “A ideia é começar a construir a fábrica em 2027″, diz ainda e, embora sem precisar valores finais de investimento admite que “rondará duas dezenas de milhões de euros”.
 
“Novas Rondas de Investimento” a Serem Equacionadas
 
Em 2021, a empresa levantou uma ronda de investimento inicial de 8,79 milhões de euros — “a maior ronda inicial para uma empresa europeia de tecnologia espacial na altura” —, tendo em maio do ano passado levantado cerca de 27 milhões de euros, “a maior Série A para uma empresa de tecnologia do Reino Unido”, com participação do NATO Innovation Fund, do World Fund, do NSSIF e o British Business Bank.
 
“Recebemos também um apoio financeiro público significativo da ESA e da agência espacial britânica (UKSA), incluindo nove milhões de euros para o desenvolvimento de um centro de investigação em microgravidade”, elenca.
 
A Space Forge admite que poderá avançar com mais rondas de financiamento para dar músculo aos seus planos de expansão. “Temos previsto realizar novas rondas de investimento para apoiar o desenvolvimento das nossas capacidades e melhorar a nossa tecnologia, tanto espacial como de semicondutores”, refere Lewis D’Ambra, sem adiantar valores concretos.
 
Brazilian Space
 
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