Onde Tudo Pode Acontecer

Olá leitor!

Estive pensando desde que entramos no novo ano se deveria escrever um artigo sobre as nossas expectativas para com o PEB em 2014 ou não (coisa que sempre fiz no início de cada ano desde 2010). Afinal leitor, você há de convir de que para se fazer algo tem de existir alguma motivação, seja ela qual for.

Ora, convenhamos, o PEB não motiva ninguém a muito tempo, vive de promessas políticas e eleitoreiras não cumpridas por populistas de merda (peço perdão uma vez aos meus leitores pelo linguajar, mas a minha revolta com essa gente continua incomensurável) ano após ano (desde o governo Collor de Mello, leitor, são 24 anos), e de pequenos avanços tecnológicos que se perdem devido à falta de compromisso desses debiloides inconsequentes, corruptos e de brasilidade altamente duvidosa que militam nos bastidores da política brasileira. Gente em sua maioria da pior espécie, sem qualquer escrúpulo que só pensam em exercer a “Lei de Gerson” em toda e qualquer ação por eles empreendida, tendo como único interesse a luta pelo poder.

É preciso lembrar leitor que o PEB nasceu em 1961 através da visão de um grupo de visionários civis e militares que acreditavam num Brasil de futuro, numa nação respeitada e admirada pelas suas realizações em todas as áreas do conhecimento humano, a começar pela área que naquele momento era a coqueluche em todo mundo, agente de desenvolvimento cientifico e tecnológico para todos os países que iniciavam naquela época a sua aventura nessa área de vanguarda.

Os anos se passaram e por quase 30 anos o PEB avançou (apesar das dificuldades financeiras e de embargos tecnológicos de outros países que o Brasil teve de enfrentar, às vezes com ações que envolviam grande risco a alguns de seus servidores, em alguns casos muito parecidas com algumas observadas nos filmes de James Bond, rsrsrsrsrs, vão negar isso, rsrsrsrsrs), sempre tendo o tamanho relativo à importância política e econômica do Brasil perante o mundo naquela época, mas a partir da década de 90 (desde o governo Collor) o programa começou a ser afetado drasticamente pela falta de ação e de compromisso de governos subsequentes (fora as atitudes estapafúrdias de debiloides como foi o caso da criação da ACS) que não só foram os responsáveis diretos e indiretos do acidente que vitimou 21 de nossos maiores especialistas na área de veículos lançadores (penalizando para sempre suas famílias), como também por toda situação de descaso (entre outras coisas) enfrentada atualmente pelo programa.

Caro leitor, para você ter um ideia, nesses 24 anos de desmandos e de ações estapafúrdias foram realizadas e continuam sendo, uma série interminável de audiências públicas, encontros a portas fechadas entre técnicos, congressistas e representantes do governo, eventos realizados e promovidos pelo Congresso e pelo Governo Federal, visitas políticas de congressistas a todas as instalações do PEB (ITA, IAEIEAv, INPE, LIT, entre outras), onde são discutidos os problemas e soluções, mas onde em momento algum são tomadas decisões e empreendidas ações para a criação de uma verdadeira política espacial que solucione de vez os problemas vividos pelo setor.

As tais audiências públicas (se levamos em conta que aconteçam quatro por ano (um número aproximado), estaríamos falando nesses 24 anos de 96 audiências acompanhadas pela mídia e por deliciosos coffe breaks, uma verdadeira festa paga pelo erário público) na realidade são jogo de cena, onde se discute sempre o mesmo, onde profissionais e ministros ligados à área espacial apresentam há décadas os problemas e soluções já conhecidas e apresentadas inclusive por estudos oficiais do próprio governo e da própria Câmara Federal. Em resumo, uma verdadeira palhaçada que não fica restrito ao programa espacial.

Mas enfim leitor, apesar desses energúmenos o PEB continua vivo, na UTI respirando artificialmente é verdade, mas graças à dedicação e a perseverança de profissionais espalhados por instituições públicas e privadas envolvidas diretamente e indiretamente com o programa, tem avançado em certos casos, e em 2014 é esperada a realização de algumas atividades que podem trazer benefícios futuros a todo setor.

Em fevereiro próximo, segundo informação passada pelo Brig. Kasemodel (Diretor do IAE), em entrevista ao blog em novembro do ano passado (veja aqui), se dará início em Alcântara a “Operação Raposa”, operação esta histórica para o Brasil, pois pela primeira vez no país será testado em voo um motor foguete líquido desenvolvido no Brasil (L5), como também toda a sequência de ações necessárias para o lançamento de um foguete brasileiro movido por combustível líquido.

Entre março e abril, segundo informações do site da Swedish Space Corporation (SSR), uma vez mais a tecnologia brasileira de foguetes de sondagem será posta a prova com o lançamento da Base de Esrange, na Suécia, de um foguete VSB-30, tendo a bordo o experimento europeu “Cryofenix”, que visa investigar o comportamento de líquidos criogênicos em condições de microgravidade.

Já entre abril e maio, consta também segundo a SSC, que outro foguete VSB-30 será lançado da Base de Esrange para atender uma missão do Programa Europeu TEXUS. Tratar-se da “Operação TEXUS 51”, operação esta prevista inicialmente para ocorrer ano passado logo após o lançamento do VSB-30 da “Operação TEXUS 50”, mas que teve de ser adiada devido a problemas técnicos apresentados pelo lançador desta base sueca.

Em novembro, está previsto também segundo o cronograma da SSC o lançamento de outro VSB-30 para atender a “Operação MAIUS”.

Vale dizer que outras missões estavam marcadas para ocorrer em 2013 e 2014 com foguetes brasileiros da Base de Andoya, na Noruega, mas após a falha ocorrida com o motor-foguete brasileiro S30, do foguete de sondagem VS-30/Orion da “Operação Scramspace I”, todas as missões tiveram de ser adiadas para se investigar a causa da falha do motor, e até o momento o Andoya Rocket Range (AAR), organização norueguesa responsável pela Base de Andoya, não apresentou em seu site o seu cronograma de lançamento, não sendo possível então estabelecer nesse momento quais as missões com foguetes brasileiros serão realizadas dessa base em 2014.

Voltando ao âmbito local, ainda segundo o Brig. Kasemodel, em abril desse ano se prevê o lançamento do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) de outra importante missão para o Programa Espacial Brasileiro (PEB). Tratar-se da “Operação São Lourenço”, operação está responsável por testar em voo a primeira espaçonave suborbital não tripulada do Brasil, ou seja, o “Satélite de Reentrada Atmosférica (SARA Suborbital 1)”, primeira fase de quatro previstas (duas suborbitais e duas orbitais) que visa o desenvolvimento de uma espaçonave orbital para experimentos científicos e tecnológicos, tendo como objetivo a sua permanência por dez dias em órbita com a capacidade de reentrada atmosférica e um efetivo sistema de paraquedas para ser recuperada após sua queda no mar. Uma importantíssima missão brasileira que certamente atrairá a atenção internacional no qual torcemos muito pelo seu êxito e pela sua real e efetiva realização em 2014. Avante Dr. Luis Eduardo Loures da Costa e equipe.

Além dessas duas importantes e históricas operações previstas para o CLA e para o CLBI em 2014, outras duas operações (uma delas simulada e ambas ligadas ao projeto do VLS-1) estão previstas para ocorrerem ainda este ano pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

A primeira delas é a “Operação Santa Bárbara I”, esta uma operação de voo simulada que tem como objetivo realizar os seguintes testes visando o lançamento do primeiro dos dois voos tecnológicos previsto para o VLS-1:

- Integração do veículo completo na plataforma;

- testes funcionais das redes de telemetria, controle, serviço, terminação de voo e pirotécnica, visando qualificação para voo;

- testes de compatibilidade eletromagnética e interferência eletromagnética (EMI/EMC) dos sistemas do veículo;

- testes das interfaces com os meios de solo do sistema VLS, tais como aquisição de telemetria, banco de controle, terminação de voo, linha de fogo, Torre Móvel de Integração - TMI, mesa de lançamento, torre de umbilicais e comunicação.

Esta operação está prevista pelo IAE para ocorrer ainda no primeiro semestre de 2014, coisa que sinceramente eu não acredito que aconteça, mas caso realmente venha ser realizada este ano, deverá somente ocorrer a partir do segundo semestre.

Já quanto à outra operação citada, trata-se da “Operação Santa Bárbara II” (VLS-1 VSISNAV), está uma operação real de lançamento do VLS-1 visando à qualificação do sistema de navegação (SISNAV), da parte baixa do veículo (primeiro e segundo estágios), do sistema de separação entre primeiro e segundo estágios e da estabilidade da queima dos motores S-43, primeira e importantíssima etapa para a certificação do veículo completo.

Segundo o Brig. Kasemodel, ambas as operações já contam com recursos financeiros garantidos pelo Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA)” de 2014, e assim deverão ser realizadas no primeiro e segundo semestres respectivamente. Entretanto, mesmo o IAE tendo resolvido o problema de recursos financeiros, ainda existe outras dificuldades geradas pelo atraso desses recursos (para se montar um foguete lançador é necessário uma série de ações subsequentes dentro de um cronograma desenvolvido entre o IAE e as empresas fornecedoras que tem de ser rigorosamente seguido e que custa dinheiro e leva um tempo para ser concluído, algo em tordo de 5 a 6 meses) e de dificuldades operacionais devido ao pequeno número de profissionais do instituto envolvidos atualmente no projeto do VLS-1, ou seja, a equipe é pequena. Diante disso, caso ações diretamente ligadas a “Operação Santa Bárbara II” não tenham sido já realizadas durante o ano de 2013, dificilmente o VLS-1 VSINAV será  lançado de Alcântara em 2014. Mas enfim, vamos aguardar e torcer para que o IAE possa cumprir seus objetivos.

Já na área de satélites a grande expectativa de todos gira em torno do suposto lançamento do Satélite CBERS-4 em 2014, anunciado esse mês de janeiro como objetivo principal do MCTI/AEB pelo Ministro Marco Antônio Raupp do populista e desastroso Governo DILMA ROUSSEFF. Sinceramente não acredito nessa possibilidade e não posso deixar de vê-la como propaganda política em ano eleitoral de um governo que tenta uma vez mais vender suas mentiras para o seu pobre e mal informado povo. Dessa história toda só lamento observar a participação do Raupp nessa palhaçada, pois durante muitos anos acreditei ser este profissional o homem certo para assumir o cargo que atualmente exerce, mas que infelizmente parece ter sido seduzido pelo poder. Triste.

No entanto leitor, ainda na área de satélites e nesse caso de pequeno porte, duas missões brasileiras (uma delas já confirmada) deverão ocorrer em 2014, sendo a primeira delas a Missão do NanosatC-Br1 (primeiro cubesat brasileiro), prevista para ser lançada através de um foguete russo/ucraniano DNPER em abril ou em maio desse ano.

Já quanto à outra missão, ou seja, o lançamento do picosatélite “Tancredo I” do grupo de alunos e professores da Escola Municipal Tancredo Neves da cidade de Ubatuba (SP), essa de grande repercussão internacional pelo que representa, ainda não teve definida a sua data de lançamento, mas muito em breve terá esta data estabelecida e pelo que eu sob, poderá surpreender a muita gente, caso venha se concretizar uma das duas possibilidades estudadas.

Vale enaltecer que o grupo de alunos e professores liderado por este professor, visionário e articulador Cândido Moura, é merecedor de grandes elogios, não sendo por acaso a impressionante notoriedade alcançada pelo Projeto Ubatubasat em vários países do mundo como o Japão e os EUA, notoriedade essa que tem ajudado ao projeto como o leitor mesmo poderá comprovar brevemente.

Fora essas expectativas já apresentadas acima, o ano de 2014 poderá também apresentar pequenos avanços em diversos outros projetos do INPE, do IEAv (14X, propulsão a laser) e do próprio IAE (VLM-1, PSM e outros), além é claro de alguns projetos privados de empresas como a Edge of Space, Acrux Aerospace Technologies, Inotech e Airvantis, mas teremos ainda de aguardar para ver o que essas e outras empresas poderão apresentar nesse ano.

Entretanto leitor é preciso lembrar que fora as missões estrangeiras, tudo que aqui foi apresentado são somente expectativas, mesmo as já confirmadas oficialmente, pois num país onde a irresponsabilidade, a inconsequência, a estupidez e a corrupção reinam, tudo pode acontecer.

Duda Falcão

Comentários

  1. eu acompanho o PEB desde 2010 mais ou menos e já estou cansado de esperar pelo VLS, imagina só você que já está a muitos anos na espera. São metas e metas que não são cumpridas por falta de recursos, alias uns 2% dos emprestimos subsidiados do BNDES para empreendimentos de baixo valor agregado já seriam suficientes por ano para fazer o PEB avançar muito, mas o governo não está nem aí. Mas aposto que quando o IAE finalmente chegar ao espaço com o VLS ou VLM
    a "presidenta" vai até fazer um anuncio em rede nacional louvando o seu governo como investidor em tecnologia. De qualquer jeito fico na torcida pelo VLS em 2014.

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