Enquanto Índia Envia Satélite a Marte, Brasil “Soluça”

Olá leitor!

Segue abaixo um pequeno artigo opinião publicado na da edição de nº 27 do “Jornal do SindCT” de Dezembro de 2013, e postado dia 12/11 no site do mesmo, destacando que enquanto a Índia envia satélite a Marte, o Brasil “Soluça”.

Duda Falcão

Opinião

Enquanto Índia Envia Satélite
a Marte, Brasil “Soluça”

Jornal do SindCT
Edição nº 27
Dezembro de 2013
Wed, 12/11/2013 - 08:45

A Índia lançou no dia 5 de novembro, do Centro Espacial Satish Dhawan em Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh, sua primeira missão ao planeta Marte, um ambicioso projeto que somente Rússia, Estados Unidos e Agência Espacial Europeia conseguiram com sucesso.

A nave espacial Mangalyaan, ou “veículo de Marte”, de 1,35 tonelada, que custou US$ 73 milhões, ficará na órbita terrestre até 1º de dezembro, quando começará sua viagem de 300 dias até o planeta vermelho. O módulo espacial deve chegar a Marte no dia 24 de setembro de 2014, após percorrer 400 milhões de quilômetros.

Aí nos perguntamos: por que alguns países vão bem na área de desenvolvimento tecnológico e o Brasil, que tem condições similares ou melhores, caminha a passos de tartaruga? Se não temos respostas objetivas, pelo menos podemos tentar buscar algumas pistas: estaria faltando prioridade para a área de ciência e tecnologia no Brasil? Será que este tema tem sido levado como “ações de soluço”, ou seja, dando alguns saltos, principalmente quando aparece um fato que pressione (tal como aconteceu na questão dos vazamentos de Edward Snowden), mas na maior parte do tempo o país fica inerte?

O caso da Índia é no mínimo curioso. Como um país com problemas sociais tão graves consegue sair da vala comum e chegar a um posto de vanguarda na tecnologia espacial? Na realidade, a Índia se desenvolveu nessa área essencialmente por questões militares, motivadas por diferenças históricas com o vizinho Paquistão. Ali a briga tem um pouco de todas as pólvoras: política, religião, e eterna disputa territorial por uma região de fronteira, a Caxemira.

O modo de cada um mandar o recado de que está disposto a defender seus interesses é se armando e, sobretudo, desenvolvendo tecnologias bélicas. Não começaram do zero: a Índia aprendeu com a Rússia e o Paquistão com os EUA. Mas que relação têm as tecnologias bélicas com um satélite? Tudo, a começar dos mísseis, que possuem algumas tecnologias similares às usadas em satélites, como sistemas de correção de órbita.

Uma tecnologia foi levando à outra, e hoje a Índia é essa potência e acaba de lançar uma sonda para Marte. O caminho percorrido pela Índia, para cumprir a agenda que se propôs, iniciou-se por incentivar o desenvolvimento tecnológico nas universidades e enviar seus profissionais ao mundo inteiro para aprender e trazer tecnologias novas, fazendo surgir as pesquisas e também as empresas que suprem a demanda nas áreas espacial e militar.

Cabe agora ao Brasil decidir se vai querer continuar fazendo parte dos nanicos ou se entrará para o seleto grupo de desenvolvedores de tecnologias.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 27ª - Dezembro de 2013

Comentários

  1. Cara o Brasil tem 2 problemas que se continuarem,nunca irão permitir desenvolvimento tecnologico,espacial,social (programas sociais), ou até mesmo interno (programas para sue proprio bem)
    Estes são:

    1- O Brasil é aquele amigo que so faz amizade dando presentes, vemos bilhoes de reais jogados fora quando exportamos nossas riquezas, "Para fazer produtos para nós depois" sendo que temos tecnologia e mão d eobra o suficiente para termos um industria autonoma, independente de quaqluer pais do mundo, que so impora coisas REALMENTE necessarias. Vemos isso com o satelite SCD-1 que perante todas as duvidas provou ser um dos mais eficientes satleites ja imaginados na decada de 90,sendo que ficou 20 anos em orbita, quando se esperava bem menos.

    2-Corrupção.......Não precisa falar nada, o Governo sequer tem regime definido (Alguns dizem que continuamos capitalistas,outros que somos socialistas, mas no final das contas é meio termo)

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  2. Toda vez que ouço falar da sonda lunar indiana que custou US$ 80 milhões e esta para Marte que custou menos ainda (US$ 73 milhões), eu me pergunto: o tal satélite geoestacionário é tão caro assim ? Começou com R$ 750 milhões e já se fala em R$ 1,5 bilhão. Ou será que a Índia não colocou algum outro custo nesta conta ?

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  3. Alguns países vão saber, ou já sabem se existem homenzinhos verdes em Marte. Nós por aqui vamos tentar ver se os visualizamos pelos telescópios.

    Uns lançam uma sonda que vale pelo menos uns 5 VLS's, e nós por aqui ainda estamos contando os feijões do almoço. Pelos recursos parece que tá difícil até almoçar sem ter logo de seguida uma indigestão. Talvez façamos uma coleta especial dos gases por que ao menos isso é de graça, e pode ser que um dia cheguemos a Marte se todos juntos colaborarmos com uma pequena dosagem de metano. Com a persistência do exército e com a colaboração de todos com certeza sensibilizaremos no fim nossos políticos a doar dinheiro, e num ato de camaradagem socialista eles devolverão os desvios de verbas. São as minhas esperanças para 2014!

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  4. Bom, primeiro, alguns comentários sobre os comentários:

    Primeiro: o regime desses últimos governos é sim bem definido. Um populismo assistencialista barato se apoiando em "ideologias" socialistas anacrônicas. Fazendo do Brasil um grande exportador de commodities.

    Sobre os custos absurdos, não se esqueçam que para fazer qualquer coisa nessas terras tem que considerar o "custo Brasil". Se não molhar a mão de alguém nada anda. Desde uma licença de funcionamento de restaurante numa cidadezinha do interior, passando por reformas de um estádio de futebol até chegar num centro de lançamento de foguetes importados.

    Gostaria de aproveitar e destacar uma matéria que ilustra bem o nível de globalização e interdependência dos programas espaciais de hoje em dia, e o fato de mesmo países com programas espaciais de ponta podem ficar dependentes do "inimigo" econômico, político ou no caso militar.

    Vejam como um motor russo pode interferir no programa espacial civil e militar dos Estados Unidos..Isso sem falar que o abastecimento da ISS a um bom tempo, depende quase que na totalidade dos Russos. Se eles repentinamente resolverem "brincar de outra coisa" a ISS ficaria inviável.

    Abs.

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  5. vejam nesse artigo que não somos só nós que precisamos mudar para não deixar o programa espacial morrer. As características são diferentes, muitos problemas são semelhantes, mas uma coisa é certa: ou se reformula a estrutura do programa e sua gerência, ou ele morre! Tanto lá quanto aqui.

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  6. Sobre o artigo em si, gostaria de comentar o seguinte: me causa estranheza o fato de um jornal do órgão que representa a classe que deveria ser a mais interessada no assunto demonstrar surpresas e desconhecimento, iniciando frases como: "Aí nos perguntamos" e "Cabe agora ao Brasil decidir"...

    Não é nada disso! o pessoal da categoria em questão, sabe exatamente o que está acontecendo e os motivos. Não é o "Brasil" genericamente falando que deve decidir alguma coisa. Cabe ao pessoal da categoria envolvida decidir se vai continuar assistindo a morte do programa espacial ou vai tomar alguma atitude a respeito.

    Então não procurem respostas onde elas jamais serão encontradas. O programa espacial brasileiro tem problemas de toda ordem e cabe aqueles que dele participam buscar soluções. Se eles não estão nem aí, quem estará?

    Abs.

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    Respostas
    1. Se depender do "pessoal da categoria envolvida" o programa espacial já está morto e enterrado. Os militares só se importam com suas promoções e cargos que não dependem de mérito ou competências e os civis que são funcionários públicos só se importam com seus salários, aposentadorias e estabilidade. Portanto, neste ritmo de funcionalismo público eu só tenho a lamentar pelos que não fazem parte do "pessoal da categoria".

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  7. BRASIL PAIS DE TOLOS!!!!!!!!!!!
    Enquanto China e India mandam sondas a custos na casa dos 100 M US$, vamos pagar 40 M R$ em um CUBESAT de 20 k US$ feito (Importado) pela AEL (ou melhor dizendo Elbit), vamos gastar pelo menos 1 BI na ACS, e mais 1 BI em UM satelite geoestacionario... as contas nao fecham!

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