O Objeto Interestelar 3I/ATLAS Tem Uma Mistura Incomum de Álcool e Cianeto, Revela o ALMA

Caros amantes da atividades espaciais!
 
Na segunda-feira (09), o portal IFLScience noticiou que observações realizadas pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) revelaram que o Objeto interestelar 3I/ATLAS apresenta uma composição química incomum, marcada pela presença de álcool e cianeto.
 
Crédito da imagem: NSF/AUI/NSF NRAO/M. Weiss
Uma impressão artística de 3I/ATLAS com o gás metanol em azul e o cianeto de hidrogênio em laranja.
 
De acordo com a nota doi portal, O cometa 3I/ATLAS está lentamente se afastando do Sistema Solar interno e está a cerca de uma semana de sua passagem mais próxima por Júpiter. A ciência, porém, continua avançando, enquanto astrônomos analisam os muitos meses de dados desde sua descoberta em 1º de julho do ano passado. A análise mais recente fornece novos insights sobre a composição molecular desse visitante interestelar — com um fato surpreendente.
 
As observações de 3I/ATLAS vêm do Atacama Large Millimeter Array (ALMA) e do Atacama Compact Array. Ao longo de vários dias, antes que o cometa interestelar desaparecesse atrás do Sol, a equipe detectou a presença de metanol, uma molécula comum e o álcool mais simples. Em duas ocasiões, também foi registrada a presença de cianeto de hidrogênio.
 
Essas duas substâncias são comuns em cometas. Elas também são encontradas em nuvens que acabam formando estrelas e planetas. O cometa 3I/ATLAS é muito mais antigo que o Sistema Solar, portanto sua composição revela que os ingredientes do sistema estelar de onde veio são muito semelhantes… embora a “receita” possa ser diferente. A proporção entre metanol e cianeto de hidrogênio é muito diferente daquela encontrada em cometas do Sistema Solar.
 
 
Os dados mostram que o cometa está liberando entre 70 e 120 vezes mais álcool do que cianeto de hidrogênio. Este é um dos cometas mais ricos em metanol que a humanidade já encontrou. É provável que ele tenha se formado em condições diferentes das dos cometas do Sistema Solar, como indicam também outras descobertas sobre sua composição — por exemplo, observações feitas pelo JWST e pelo SPHEREx.
 
“Observar o 3I/ATLAS é como tirar uma impressão digital de outro sistema solar”, disse o autor principal Nathan Roth, professor da American University, em um comunicado. “Os detalhes revelam do que ele é feito, e ele está repleto de metanol de uma forma que simplesmente não vemos normalmente em cometas do nosso próprio Sistema Solar.”
 
Graças à resolução excepcional do ALMA, a equipe conseguiu rastrear exatamente de onde vinham as emissões. O cianeto de hidrogênio estava sendo liberado do próprio núcleo do cometa, enquanto o metanol foi observado vindo tanto do núcleo quanto dos grãos de gelo em sublimação que compõem a atmosfera difusa do cometa, chamada de coma.
 
Essa diferença peculiar nas emissões já foi observada ocasionalmente em cometas do Sistema Solar, mas é a primeira vez que ela é vista em um objeto interestelar. Até agora, apenas três objetos interestelares foram observados — e todos são bastante diferentes entre si. Os dois primeiros foram 1I/’Oumuamua, descoberto em 2017, e o cometa 2I/Borisov, em 2019.
 
O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
 
Brazilian Space
 
Brazilian Space
Espaço que inspira, informação que conecta!

Comentários