Novo Estudo Aponta Que Asteroides Podem Lançar Fragmentos Rochosos Uns Contra os Outros

Prezados amantes da atividades espaciais!
 
No dia de ontem (18/03), o portal Inovação Tecnológica divulgou que, segundo um novo estudo baseado nas imagens captadas pela Sonda Espacial DART, asteroides podem lançar fragmentos rochosos uns contra os outros.
 
[Imagem: J. M. Sunshine et al. - 10.3847/PSJ/ae3f27]
[Acima] A lua Dimorphos, coberta de rochas, vista 8,55 segundos antes do impacto da espaçonave DART. [Abaixo] A mesma imagem após a correção das condições de iluminação na superfície e das sombras projetadas pelas rochas, revelando um padrão de estrias em forma de leque (destacado em cores para maior ênfase).
 
Casais Complicados
 
Se você imagina os asteroides como pedras cósmicas vagando a esmo pelo espaço, saiba que eles não têm uma vida tão solitária: Cerca de 15% dos asteroides próximos da Terra possuem pequenas luas orbitando-os, tornando os sistemas de asteroides binários comuns em nossa vizinhança cósmica.
 
Apesar disso, esses pares não parecem se dar muito bem, tendo como passatempo favorito atirar pedras uns nos outros.
 
É uma troca ativa de rochas e poeira, mas que resulta em colisões suaves e em câmera lenta, que não ferem, nem mesmo o suficiente para criar crateras. Em vez disso, as rochas e poeira atiradas vão remodelando o asteroide e sua lua suavemente, ao longo de milhões de anos. Assim, pode-se também ver isso como uma "interação amigável", em jeitão asteroidal de quebrar a solidão do espaço sideral.
 
Esta descoberta inusitada veio da análise das imagens capturadas pela Sonda Espacial DART (Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo) em 2022, pouco antes de sua colisão deliberada com a lua do asteroide Dimorphos.
 
As fotos mostraram faixas brilhantes em forma de leque na superfície da lua, a primeira evidência visual direta de material viajando naturalmente de um asteroide para outro.
 
"A princípio, pensamos que havia algo errado com a câmera e, em seguida, que poderia ser um problema no processamento de imagem," disse Jessica Sunshine, da Universidade de Maryland, nos EUA. "Mas, depois de corrigirmos os resultados, percebemos que os padrões que estávamos vendo eram muito consistentes com impactos de baixa velocidade, como 'bolas de neve cósmicas'. Tínhamos a primeira prova direta de transporte recente de material em um sistema binário de asteroides."
 
[Imagem: J. M. Sunshine et al. - 10.3847/PSJ/ae3f27]
Detalhes das "pedradas", que não chegam a machucar, já que não criam crateras, apenas pequenos arranhões.

Arremesso de Rochas
 
Esta descoberta fornece a primeira confirmação observacional de um efeito teórico conhecido como YORP (Efeito Yarkovsky-O'Keefe-Radzievskii-Paddak), no qual a luz solar faz com que pequenos asteroides girem cada vez mais rápido, até que material se desprenda de suas superfícies, às vezes criando luas.
 
Essa provavelmente foi a origem da Dimorphos, a pequena lua do asteroide Didymos, como evidenciado pelos vestígios deixados na superfície.
 
"Isso explicaria as marcas características em forma de leque," disse Sunshine. "Em vez de se espalharem uniformemente, esses impactos de movimento lento criam um depósito, em vez de uma cratera. E eles estão centrados no equador, conforme previsto pela modelagem do material desprendido do corpo primário."
 
A Missão Hera da Agência Espacial Europeia (ESA), com chegada prevista a Didymos em dezembro deste ano, poderá revelar se essas características sobreviveram à colisão com a DART. A equipe prevê que a sonda Hera também poderá observar novos padrões de raios criados por rochas que a espaçonave DART desprendeu.
 
Saibam mais:
 
Autores: J. M. Sunshine, J. L. Rizos, O. S. Barnouin, R. T. Daly, C. M. Ernst, T. L. Farnham, H. F. Agrusa, E. Wright, S. E. Wiggins, M. Bruck Syal, A. M. Stickle, J. M. Pearl, C. D. Raskin, K. M. Kumamoto
Revista: The Planetary Science Journal
DOI: 10.3847/PSJ/ae3f27
 
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