Novo Estudo Aponta Que os Primeiros Astronautas Chineses na Lua Podem Pousar em 'Rimae Bode', Um “Museu Geológico” no Lado Visível do Satélite

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No dia de ontem (09/03), o portal Space.com informou que um novo estudo sugere que os primeiros astronautas chineses a chegarem à Lua poderão pousar em Rimae Bode, uma região localizada no lado visível do satélite natural da Terra. O local é descrito pelos cientistas como um verdadeiro “Museu Geológico”, pois reúne uma paisagem bastante diversificada, formada por planícies vulcânicas e antigas terras altas lunares. Essa variedade geológica permitiria aos astronautas coletar diferentes tipos de amostras em uma mesma área de exploração. Entre os materiais que poderiam ser estudados estão cinzas vulcânicas provenientes do interior profundo da Lua e detritos resultantes de grandes impactos ocorridos no passado, oferecendo uma oportunidade única para investigar a história geológica do satélite em um único local.
 
(Crédito da imagem: CMSA/CCTV)
Uma ilustração artística mostra astronautas chineses na Lua. O país pretende realizar seu primeiro pouso lunar tripulado até 2030.
 
De acordo com a noticia do portal, uma região vulcânica diversificada no lado próximo da Lua pode se tornar o local de pouso da primeira missão lunar tripulada da China, segundo um novo estudo.
 
A China pretende levar seus primeiros astronautas à Lua antes do fim da década. No último ano, o país vem testando equipamentos para esse ambicioso projeto, incluindo simulações de pouso e decolagem lunar, testes de aborto da nave tripulada e ensaios de foguetes. Agora, uma equipe de cientistas realizou uma avaliação detalhada de uma área prioritária candidata ao pouso, oferecendo novos insights sobre o planejamento da missão histórica — e seu potencial retorno científico.
 
Jun Huang, professor da Universidade de Geociências da China em Wuhan, e colegas utilizaram diversos conjuntos de imagens orbitais e dados de várias espaçonaves para estudar a região Rimae Bode da Lua. Eles concluíram que a área oferece uma combinação atraente de valor científico e condições seguras de pouso para uma futura missão tripulada. O artigo foi publicado na Revista Nature Astronomy em 9 de março.
 
 
Rimae Bode está localizada perto das planícies vulcânicas Sinus Aestuum, no lado próximo da Lua, um pouco ao norte do equador lunar. Ela é um dos 14 possíveis locais de pouso de astronautas selecionados a partir de um total inicial de 106 candidatos. Esses locais precisavam atender a restrições de engenharia para um pouso seguro, como estar no lado visível da Lua (para facilitar comunicações), ter terreno relativamente plano e estar em baixa latitude para garantir energia suficiente proveniente do Sol.
 
Segundo os pesquisadores, a região de Rimae Bode também oferece acesso a vários tipos de materiais lunares dentro de uma área relativamente pequena, incluindo fluxos antigos de lava, rilles — estruturas longas e estreitas semelhantes a canais formadas por fluxos antigos de lava — e ejecta (detritos) provenientes de crateras próximas. Como a missão contará com um rover não pressurizado, diferentes unidades geológicas estarão acessíveis para que os astronautas coletem amostras. No total, os pesquisadores identificaram quatro locais de pouso viáveis na região, cada um com prioridades de amostragem ligeiramente diferentes.
 
A região de Rimae Bode se destaca como uma candidata de primeira linha para o primeiro pouso tripulado da China, sendo descrita como um “museu geológico”, combinando potencial científico com segurança de engenharia, disse Huang ao Space.com. "Ela oferece uma paisagem diversa de planícies vulcânicas e antigas terras altas, permitindo que os astronautas coletem amostras que vão desde cinzas vulcânicas expelidas do interior profundo da Lua até detritos de enormes impactos antigos, tudo dentro de uma única área explorável."
 
Talvez o aspecto mais intrigante seja que Rimae Bode pode fornecer pistas sobre o interior profundo da Lua.
 
"A descoberta mais revolucionária da região provavelmente viria dos depósitos escuros do manto, que consistem em cinzas vulcânicas e pequenas esferas de vidro expelidas violentamente do interior profundo da Lua bilhões de anos atrás", explicou Huang. "Essas amostras funcionam como ‘mensageiras’ do manto lunar, oferecendo uma rara oportunidade de analisar diretamente a composição química do interior profundo da Lua — informação que normalmente fica escondida sob quilômetros de crosta."
 
Examinar esse material, juntamente com o da complexa rede de canais de lava da região, pode ajudar os cientistas a reconstruir a história vulcânica da Lua. As amostras podem revelar como a Lua esfriou e o que desencadeou suas maiores erupções. "Isso transformaria nossa compreensão não apenas da história da Lua, mas também de como todos os planetas rochosos, incluindo a Terra, esfriaram e evoluíram após sua formação."
 
Huang observou que os astronautas escolhidos para a missão precisarão passar por intenso treinamento geológico antes do pouso. O corpo de astronautas da China recentemente concluiu treinamento em ambiente de caverna como preparação para futuras missões lunares.
 
 
"Os astronautas atuam como nossos olhos e mãos especializados no terreno", disse o pesquisador, destacando que eles precisam distinguir rochas comuns de verdadeiros “tesouros científicos”, como pequenas esferas de vidro vulcânico que podem conter pistas sobre o interior profundo da Lua. Um treinamento sólido ajudará os astronautas a identificar pistas importantes escondidas entre rochas cinzentas aparentemente comuns, escolher os melhores locais para instalar instrumentos científicos sensíveis e navegar por terrenos difíceis.
 
Huang não revelou quais serão os próximos passos na seleção do local para a primeira missão tripulada chinesa à Lua. No entanto, o processo continuará, incluindo o lançamento esperado de um satélite dedicado de sensoriamento remoto lunar para fornecer mais dados. Além disso, a nave espacial de nova geração Mengzhou pode realizar seu primeiro voo orbital completo ainda este ano, utilizando o novo foguete Long March 10A.
 
Quando os astronautas chineses pousarem na Lua, eles não serão meros visitantes, mas sim detetives do espaço profundo em busca de resolver enigmas geológicos, concluiu Huang.
 
Brazilian Space
 
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