A Starcloud dos EUA Apresenta Planos Para Uma Constelação de 88.000 Satélites

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Crédito: Starcloud
Uma ilustração de uma proposta de constelação de centros de dados orbitais da Starcloud.
 
No dia 15/03, o portal SpaceNews noticiou que uma startup de centros de dados orbitais está buscando aprovação da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA para uma constelação de até 88.000 satélites.
 
De acordo com a nota do portal, a FCC aceitou para análise, em 13 de março, um pedido da Starcloud, uma empresa com sede em Redmond, Washington, para operar até 88.000 satélites em uma faixa de órbitas baixas da Terra, que funcionariam como centros de dados orbitais para inteligência artificial e outras aplicações.
 
“A Starcloud está projetando seu sistema de satélites para acomodar o crescimento explosivo da demanda por data centers impulsionada pela IA, que já enfrenta obstáculos significativos para expandir em terra”, escreveu a empresa em seu pedido. “Ao evitar as limitações da implantação terrestre, centros de dados no espaço serão a forma mais econômica e escalável de fornecer capacidade computacional nesta década.”
 
O pedido fornece poucos detalhes sobre os satélites em si, como seu tamanho e massa. Eles operarão em “um conjunto selecionado de camadas orbitais estreitas” de até 50 quilômetros de espessura, em altitudes entre 600 e 850 quilômetros. Esses satélites estarão em órbitas heliossíncronas do tipo crepúsculo-amanhecer, permitindo “geração de energia quase contínua” a partir do Sol.
 
Uma constelação de 88.000 satélites seria muito maior do que qualquer sistema em operação hoje. A Starlink, da SpaceX, a maior constelação atual, tem cerca de 10.000 satélites em órbita. No entanto, a proposta da Starcloud é muito menor que a proposta da SpaceX, apresentada à FCC no fim de janeiro, de desenvolver uma constelação de até um milhão de satélites de centros de dados orbitais.
 
Assim como o sistema da SpaceX, a constelação da Starcloud dependeria de enlaces ópticos entre satélites, conectando-se a sistemas de banda larga como Starlink, o Project Kuiper da Amazon e o Tera Wave da Blue Origin para a maior parte das comunicações. O pedido à FCC busca autorização para parte do espectro na banda Ka para telemetria, rastreamento e controle dos satélites da Starcloud. Essas comunicações, segundo a empresa, ocorreriam sem causar interferência.
 
Embora a Starcloud não tenha divulgado detalhes sobre os satélites, afirmou que “leva a sério o uso seguro e sustentável dessas órbitas, que em breve estarão altamente utilizadas”. A empresa disse que seguirá diversas boas práticas para operações seguras, incluindo coordenação com outros operadores e o lançamento inicial de satélites em órbitas mais baixas para testes antes de elevá-los às altitudes operacionais, garantindo que satélites com falhas reentrem rapidamente na atmosfera.
 
A empresa acrescentou que seus satélites são “projetados para desintegração completa”, ou seja, queimariam totalmente ao reentrar na atmosfera, sem que destroços atinjam o solo.
 
“A Starcloud também trabalhará de perto com a comunidade astronômica para proteger observações essenciais, incluindo a implementação de medidas já estabelecidas para reduzir o brilho dos satélites”, acrescentou.
 
A Starcloud, anteriormente conhecida como Lumen Orbit, lançou até agora um pequeno satélite. O Starcloud-1 foi colocado em órbita em novembro em uma missão de carona (rideshare) da SpaceX. O satélite, de 60 quilogramas, foi o primeiro a operar um processador Nvidia H100 no espaço, que utilizou para executar uma versão do modelo de IA Gemini, do Google.
 
A empresa afirma em seu site que está desenvolvendo sua primeira espaçonave comercial, a Starcloud-2, com lançamento previsto para 2027 em órbita heliossíncrona. A espaçonave contará com um conjunto de processadores e “sistemas proprietários de energia e controle térmico em um formato de pequeno satélite”.
 
A empresa também tem planos para constelações chamadas Starcloud-3 e Starcloud-4. Esta última parece envolver satélites massivos lançados por veículos Starship da SpaceX. Segundo um vídeo em seu site, um satélite Starcloud-4 teria estruturas com quatro quilômetros de lado para suportar um centro de dados de cinco gigawatts.
 
Brazilian Space
 
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