domingo, 25 de dezembro de 2016

Depois de Dilema, Satélite Científico EQUARS Será Desenvolvido Pela Engenharia do INPE

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na edição de nº 52 de novembro de 2016 do “Jornal do SindCT”, destacando que depois de dilema, finalmente o Satélite Científico EQUARS será desenvolvido pela Engenharia do INPE.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Sinal Verde Após Controvérsias

Depois de Dilema, Satélite Científico EQUARS
Será Desenvolvido Pela Engenharia do INPE

Já existe verba neste ano para o desenvolvimento dos experimentos,
e ela está sendo executada. A partir de 2017 o plano é obter
recursos para a plataforma. Contudo, a expectativa é de
que o lançamento só venha a ocorrer em 2022

Por Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição 52ª
Novembro de 2016

Foto: Shirley Marciano
Leandro Hoffmann, gerente do EQUARS.

Finalmente foi aprovada pela direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) o início da execução do projeto do satélite científico EQUARS (sigla em inglês para Satélite de Pesquisa Atmosférica Equatorial), que tem o objetivo de levar consigo cinco instrumentos para serem testados em órbita equatorial. O processo de decisão foi polêmico. Houve um forte debate no INPE para definir se se deveria ou não dar andamento a esse satélite, uma vez que boa parte dos técnicos e engenheiros da Coordenação Geral de Engenharia Espacial (ETE/INPE) já estaria absorvida nos demais satélites em desenvolvimento no instituto (CBERS-04B e Amazônia-1).

Porém, numa análise mais criteriosa, concluiu-se que muitos servidores da ETE poderiam se dedicar ao desenvolvimento deste novo projeto, seja porque não estavam utilizando todo o seu tempo nas atividades dos satélites ora em desenvolvimento no INPE, seja porque simplesmente não faziam parte das equipes de desenvolvimento destes satélites. Também pesou o fato de o EQUARS estar na fase inicial de projeto, o que demandaria bem menos tempo de dedicação quando comparado às atividades dos satélites CBERS-04A e AMZ-1, já próximos à fase de lançamento.

“Seria  algo como 30% do tempo da equipe dedicada ao novo satélite e o restante ao Amazônia-1 e ao CBERS-4A. Durante o processo de discussão surgiram seis pessoas que se ofereceram para ajudar, o que demonstrou que havia pesquisadores em condições de contribuir”,  relata Leandro Hoffmann, recém-nomeado gerente do EQUARS.

A nomeação de Hoffmann possivelmente levou em consideração, além de suas competências, o fato de ser jovem. No entanto, ele será acompanhado por um pesquisador sênior que terá a função de uma espécie de “gerente maior”: Leonel  Perondi,  ex-diretor  do  instituto. A prática de designar sêniores para acompanhar as atividades de profissionais mais jovens vem sendo adotada pelo novo diretor do INPE, Ricardo Galvão, em diversas áreas do órgão. O objetivo é transferir conhecimento, antes que os mais experientes se aposentem.

Além da disponibilidade efetiva de recursos humanos, outra questão debatida acerca do EQUARS foi a suposta inexistência de um grande desafio tecnológico e, por essa razão, o risco de dispender dinheiro e tempo para um projeto inócuo. Alegou-se que seria um satélite simples demais, com sistema de estabilização em órbita sem o uso de propulsores e sem o emprego de câmeras de imageamento como as que equipam os satélites AMZ-1 e CBERS-04B. Mas Hoffmann esclarece que, embora não seja um satélite de alta complexidade por não ser uma missão operacional, ainda assim o EQUARS poderá contribuir em muito para o avanço tecnológico das equipes envolvidas, seja por se tratar de uma missão científica nunca antes implementada pelo INPE, seja por envolver novas abordagens no seu processo de desenvolvimento, como o emprego da chamada “engenharia simultânea”, na qual várias equipes trabalham em paralelo na busca por soluções otimizadas para os problemas encontrados.

AOCS Nacional

“Uma das metas é desenvolver o Sistema de Controle de Atitude e Órbita (AOCS) nacional. A gente embarcaria alguns equipamentos que poderiam ajudar a construí-lo no futuro. Esse é um dos desafios, além do principal que é garantir a compatibilidade e adequação para receber  esses experimentos”, explica.

Atualmente o projeto EQUARS está na fase em que são aguardados os documentos que se referem às características destes cinco instrumentos, para então elaborar uma plataforma que atenda  a esses requisitos. Já há um esboço desses documentos, nos quais a equipe está trabalhando neste momento. “Estamos bem no início. Não há sequer condições de avaliar se os cinco experimentos científicos serão embarcados num mesmo satélite. Esta e outras questões serão objeto de estudo nesta fase do projeto, para só então haver uma tomada de decisão”, esclarece Hoffmann.

Já existe uma verba neste ano para o desenvolvimento dos experimentos, e ela está sendo  executada.  A partir de 2017 são almejadas verbas para o desenvolvimento da plataforma, que envolve todo o processo do projeto. Mas ainda está muito longe de um lançamento. Se tudo  correr bem, a expectativa é que isso aconteça somente em 2022.

“O EQUARS, na minha visão, é um projeto agregador da  ETE, que une a equipe toda. Já tivemos  questionamentos  sobre  a  finalidade dessa  coordenação por meio de uma pesquisa realizada no ano passado. Portanto, vejo que evoluímos neste sentido e penso que este satélite esteja trazendo esse benefício para todos”, observa Hoffmann.

“Ter juntado o MIRAX ao EQUARS em 2005 foi um dos maiores erros da ciência espacial”, disse Oswaldo Miranda, vice-diretor do INPE  (Jornal do SindCT 44, http://jornaldosindct.sindct.org.br/index.php?q=node/592). Miranda explicou que houve uma dissociação do projeto inicial por existir incompatibilidade de objetivos. Grosso modo, eram duas missões que possuíam órbitas não coincidentes e ângulos de visada dos instrumentos também diferentes, o que não é impossível de ser realizado, mas exige uma maturidade que, segundo o ex-vice-diretor, a engenharia do INPE não possui ainda.

Experimentos

Três dos cinco instrumentos  que  se  pretende  embarcar no EQUARS, para experimentos, já estão qualificados e os outros dois em fase de engenharia, com vistas a obterem a qualificação em breve. Estes cinco instrumentos são:

1. Elisa (analisador eletrostático). Destina-se a medir o espectro de energia dos elétrons. Ele  vai focar no estudo da anomalia magnética do Atlântico Sul.

2.  Glow (fotômetro Airglow).  Estuda  a  dinâmica  da  alta  atmosfera  e  ionosfera. É um instrumento para medir  a  aeroluminescência  atmosférica  (processos  fotoquímicos).

3. Grom (receptor  GPS).  No espaço há vários satélites GPS. Então, quando o transmissor do Grom capta o sinal deles, recebe diversas informações de medidas do perfil atmosférico,  como pressão, temperatura,  quantidade de vapor de água e outros.

4.  Ionex (sondas  ionosféricas). Destina-se a tomar medidas do plasma ionosférico, como o número  de partículas e a distribuição de sua temperatura, e também medir todo sinal de  rádio que cruza a atmosfera terrestre, que vai para um satélite de telecomunicação ou um satélite GPS.

5.   Apex (medidor de prótons e partículas alfa). Estuda principalmente os raios cósmicos. Mede quantidade e densidade de pró-tons e das partículas alfa.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 52ª – Novembro de 2016

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