segunda-feira, 20 de abril de 2015

LAAD Bastidores I - Rússia Apresenta Proposta Para Alcântara

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado ontem (20/04) no site no site “www.defesanet.com.br“ destacando que durante a LAAD a Rússia apresentou proposta para Alcântara.

Duda Falcão

COBERTURA ESPECIAL - RUSSIA LAAD 2015 - TECNOLOGIA

LAAD Bastidores I - Rússia
Apresenta Proposta Para Alcântara

Pedro Paulo Rezende
Especial para DefesaNet
20 de Abril, 2015 - 15:00 ( Brasília )

Fotos: Foto - DefesaNet
Uma maquete completa de um site de lançamento de satélites foi
apresentada no estande da Russian Space Systems na LAAD 2015.

A Rússia está pronta para substituir a Ucrânia caso as autoridades de Kiev não mostrem interesse de dar continuidade às atividades da Alcântara Cyclone Space (ACS). Uma proposta preliminar foi entregue ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Significativamente, uma maquete completa de um site de lançamento de satélites foi apresentada no estande da Russian Space Systems na LAAD 2015, feira que foi realizada no Riocentro, Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por fontes do Itamaraty e da Federação Russa.

O governo brasileiro pretende transformar o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), em uma nova Kourou (Centro de Lançamentos na Guiana Francesa). Para isso, já investiu R$ 1 bilhão no CLA para cumprir os termos do acordo espacial assinado em 2002. Parte desse dinheiro foi empregada como contrapartida no desenvolvimento do Cyclone 4. O local é considerado privilegiado por estar próximo à linha do Equador, o que garante boas condições climáticas e um menor custo para impulsionar o foguete até a órbita.

A maquete mostra vários diferenciais em relação ao acordo que formou a ACS. O Centro de Lançamento de Alcântara incluiria uma fábrica de propelente líquido e uma área de montagem do foguete, ao contrário do previsto no acordo entre Brasil e Ucrânia. Segundo os termos em vigor, o lançador seria trazido da Ucrânia já abastecido para ser desembarcado no Porto de Alcântara, o qual, além de atender às necessidades do sítio de lançamento da ACS, estará ato a receber cargueiros de até 100 mil toneladas.

PROBLEMAS

A ACS sofre duramente com a desordem econômica e a guerra civil nas províncias do leste ucraniano. Segundo o cronograma original, o primeiro lançamento deveria ter ocorrido em dezembro de 2010, mas foi adiado para dezembro de 2012 e final de 2015. Agora, não há uma data prevista. A fábrica, hoje, está inativa e os galpões foram esvaziados.

Vários problemas colaboraram para o atraso. Comunidades quilombolas (formadas por descendentes de escravos) vivem na região e criaram obstáculos para o projeto, que também teve de enfrentar as autoridades ambientais federais e estaduais. As obras, finalmente, tiveram início em setembro de 2010. A área de 500 hectares inclui as estruturas do Complexo Técnico, do Complexo de Lançamento e da área de armazenamento de propelente.

O acordo entre Brasil e Ucrânia nunca foi uma unanimidade. Sofre forte oposição de setores da Força Aérea Brasileira e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que gostariam de aplicar mais recursos no Veículo Lançador de Satélites (VLS), de concepção nacional. O Brasil já aplicou mais de US$ 2 bilhões no programa, sem nenhum resultado positivo. Depois de um grande acidente, em 25 de agosto de 2003, que dizimou a equipe que trabalhava no projeto, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) recebeu apoio de técnicos russos.

Com base nessa cooperação, as falhas do foguete foram sanadas. Um novo terceiro estágio foi desenhado, usando combustível líquido em lugar de sólido, ampliando a capacidade de carga do lançador. Esse projeto, no entanto, foi substituído por outro, de tecnologia alemã.

Outro problema é o fato de que, a ACS depende, para ter sucesso no mercado de satélites, de um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos, dono de 50% do volume de lançamentos. O Brasil não possui esse acordo. Chegou a ser firmado durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas os atuais membros do governo, na época na oposição, conseguiram derrubá-lo.

Uma maquete completa de um site de lançamento de satélites
foi apresentada no estande da Russian Space Systems na LAAD 2015.



Comentário: Bom leitor, sempre defendi aqui no BLOG que a Rússia era o país certo e não a Ucrânia para uma cooperação espacial como esta na área de foguetes, não só pelo seu histórico no espaço, seu compromisso com o seu Programa Espacial, o real desejo russo em se associar ao Brasil, bem como os exemplos bem sucedidos de parceria entre os russos e outras nações do mundo, é claro, desde que o acordo de parceria fosse idealizado por pessoas comprometidas, sérias e entendidas no assunto e não debiloides políticos mal intencionados. Confesso que hoje já não acredito que isto seja possível e diante disto o melhor para o Brasil seria que focássemos no projeto do VLM-1, na finalização da parte baixa do VLS-1, nas tecnologias sensíveis em desenvolvimento na área de foguetes (como por exemplo, propulsão líquida, sólida, híbrida, nuclear, hipersônica e de tecnologias inerciais) do que se envolver num projeto como este. Não há nos governos civis, independente da legenda partidária que esteja no poder, o menor interesse em desenvolvimento espacial no Brasil devido a total e completa ignorância do povo sobre a importância de um Programa Espacial. Portanto o que não gera voto, não é do interesse desses energúmenos. Não estou dizendo com isto que o Brasil não deva buscar parcerias com os russos na área espacial, mas em projetos pontuais, que envolvam tecnologias que sejam uteis não só aos nossos projetos em curso, bem como  a projetos futuros. Foco, seriedade e compromisso com o que já existe, é o que nosso programa precisa neste momento caro leitor. Fugir disto, seria aprofundar ainda mais o nosso atraso e nosso buraco tecnológico.

7 comentários:

  1. Não entendi se essa proposta seria localizada na área da Torre Móvel de Integração (R$ 44 milhões, pronta desde 2011, e nunca usada), se ficaria no espaço da natimorta ACS ou se seria um terceiro sítio a ser construído. Saberia explicar, Duda?

    Fabricio Tavares

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    Respostas
    1. Olá Fabrício!

      A proposta seria muito provavelmente para o sítio da natimorta ACS, que teria o seu projeto modificado segundo a maquete acima, e as suas obras inacabadas adaptadas.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. É praticamente impossível usar a Torre Móvel para qualquer outro foguete que não seja da Família desenvolvida pelo IAE. A ideia de usar o sítio da ACS faz sentido, até pela maquete apresentada o layout parece muito similar.

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  2. Anônimo, onde vc leu usar TMI no artigo ?
    Cara, acho que só vc leu isso.

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  3. Com relação aos russos, não existe almoço grátis.
    Eles estão em sérios problemas financeiros e (com certeza) atrás de grana, coisa que aqui no Brasil é escassa para o espaço.
    Eles querem vender (caro) sua expertise alcançada em décadas de (enorme) investimento.
    Se o Brasil quer recuperar a grana e o tempo perdido com o Cyclone pode ser uma boa idéia associar-se a eles.
    Mas acho difícil, pois como disse, não vai sair barato.

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  4. Crise sistêmica da indústria espacial russa

    Segundo os especialistas ocidentais e russos, nos últimos 20 anos a situação na indústria espacial da Rússia está virando cada vez mais precária.
    A natureza sistêmica da crise desta indústria está mostrando sua versatilidade:
    – crise na operação de veículos lançadores existentes;
    – saída de equipes de profissionais;
    – ajustes intermináveis em foguetes existentes;
    – falta de vontade para desenvolvimento de novos sistemas espaciais;
    – redução de programas educacionais relevantes nas universidades;
    – e, finalmente, incapacidade de cumprir os cronogramas estabelecidos de projetos de pesquisa, projetos internacionais e até mesmo de projetos prioritários estratégicos nacionais como o desenvolvimento de uma família de veículos lançadores Angara e a construção do centro de lançamentos Vostochny.
    Além disso, repetidos lançamentos acidentais ao longo dos últimos anos podem indicar falhas sistémicas da Federação Russa.
    Por exemplo, em dezembro de 2010, resultando de uma falha de lançamento, três satélites do sistema de navegação russo GLONASS caíram no Oceano Pacífico de vez. Os tempos difíceis dos satélites GLONASS continuaram em julho de 2013, quando o veículo lançador Proton-M, que transportava três satélites GLONASS, explodiu logo após seu lançamento.
    Em 2011, a Rússia não conseguiu levar à órbita os satélites Geo-IK-2, Express AM4, Meridian 5, a estação interplanetária automática Phobos-Grunt, bem como a nave de carga Progress.
    Em 2012 foi a vez dos satélites Express MD2 e Telkom 3. O veículo lançador Proton colocou o satélite de telecomunicações Yamal 402, ao custo de 16 bilhões de rublos, em órbita errada. A transferência para a órbita programada custou 37% de combustível, ou seja, 7 anos de operação.
    E até mesmo "super confiável" combinação do veículo lançador Soyuz com os blocos aceleradores Fregat-MT, durante o lançamento em 2014 a partir da base na Guiana Francesa, colocou dois satélites do sistema de posicionamento global europeu GALILEO na órbita errada.
    As falhas acontecem também na área dos foguetes militares da Federação Russa. No dia 22 de abril deste ano o foguete do complexo antiaéreo "modernizado" Antey-2500 caiu logo depois um lançamento. Cabe mencionar que é uma versão de exportação do sistema antiaéreo S-300, cujo Regimento deve ser entregue ao Egito em 2016. O lançamento foi oficialmente reconhecido como " autodestruição prevista do foguete" nas áreas escassamente povoadas do país. Porém, de acordo com o fabricante de foguetes, a tarefa do lançamento foi cumprida. Aparentemente, esta é uma característica tecnológica da versão de exportação ...
    Aliás, falando do Egito. O segundo satélite de sensoriamento remoto, que foi produzido para o Egito pela empresa RKK Energia e lançado em abril de 2014, fica já uma semana sem resposta. A parte russa imediatamente declarou que "a perda de controle pode ser o resultado de ações do pessoal que controlou do satélite".

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  5. Bons números "brutos" manipulados pelos dirigentes da Roscosmos, precisam de comentários. Dos 90 lançamentos de foguetes russos com cerca de 190 aparelhos espaciais levados a órbita, feitas nos últimos 3 anos a partir do território da Federação Russa e do centro espacial de Kourou na Guiana Francesa, apenas cerca de 40% foram em prol dos interesses nacionais da Rússia. A constelação orbital russa dos satélites (em 2014 foram 118 unidades) é quatro vezes menor do que dos Estados Unidos e quase igual a China e dominado por satélites militares e de dupla utilização.
    Nas áreas tão importantíssimos como sensoriamento remoto, meteorologia, comunicações, pesquisa científica básica, incluindo a exploração planetária, a Rússia está a muitos passos atrás dos EUA, Europa, China e até mesmo a Índia. Assim, ao longo dos últimos 20 anos, os Estados Unidos realizam pelo menos 20 lançamentos bem sucedidos das naves espaciais para explorar a Lua e os planetas. A China, desde o ano 2007, cumpriu três lançamentos dos aparelhos lunares. E a Rússia - nenhum.
    Ao mesmo tempo, para a reputação internacional da indústria espacial russa como um parceiro confiável na área de criação dos sítios de lançamento sofreu um impacto considerável com a criação do complexo de lançamento para os veículos lançadores Soyuz-ST no centro espacial de Kourou na Guiana Francesa. Apesar do financiamento estável do projeto pela Agência Espacial Europeia, o lançamento de estreia do qual que foi inicialmente previsto para o ano de 2006, foi adiado várias vezes e realizou-se apenas em outubro de 2011.
    E isso sem falar do desenvolvimento do centro de lançamento nacional Vostochny sem um controle rígido dos europeus. Vladimir Putin, ao reconhecer formalmente "equívocos nos trabalhos do desenvolvimento do centro de lançamento deste a documentação do projeto, seu custo e seus autores", bem como "atrasos consideráveis dos prazos dos complexos do lançamento e processamento", em 2014 transferiu a coordenação dos trabalhos do projeto ao vice-primeiro-ministro Dmitry Rogozin. Quem cuidava disso antes foi o Chefe da Roscosmos Oleg Ostapenko.
    Só podemos imaginar qual é a situação real com esse projeto popular prioritário e o que foi realmente relatado ao Vladimir Putin... O escândalo com 4 meses de atrasos de pagamentos a empregados da empresa Stroyindústria que está construindo o centro de lançamento é a melhor prova disso.
    Deste modo, entendemos ser remota a possibilidade de implementação dos projetos internacionais de desenvolvimento de sistemas espaciais prometidas pela Roskosmos: Baiterek - junto com o Cazaquistão, bem como as propostas do Sr. Rogozin ao Brasil na área do desenvolvimento de seus centros espaciais.

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