terça-feira, 29 de maio de 2018

Projeto VLM-1 - Lançador Alemão Com Participação Brasileira

Olá leitor!

Bem, após o nosso artigo sobre os futuros projetos dos foguetes de sondagens brasileiros VS-43 e VS-50, postado dias atrás aqui no Blog (reveja aqui), artigo este que desencadeou um bom debate entre nossos leitores, nos foi solicitado que falássemos sobre o projeto considerado como o suprassumo da área de foguetes no país, ou seja, sobre o projeto do futuro Veículo Lançador de Microssatélites - 1 (VLM-1).

Acontece caro amigo leitor que, apesar de todos nós amarmos as atividades espaciais e reconhecermos nela sua grande importância e crucial significância para qualquer Sociedade Moderna do Século 21, infelizmente no que diz respeito a este projeto o Brasil perdeu o devido controle do mesmo, o que nos coloca na dependência e na boa vontade alemã, como veremos no decorrer deste artigo.

Bom leitor, o projeto do VLM-1 tem como objetivo o desenvolvimento de um foguete lançador em parceria com o DLR Moraba (departamento de foguetes do DLR alemão) destinado ao lançamento de “cargas úteis especiais (cientificas e tecnológicas)” bem como “microssatélites” em órbitas equatoriais de até 300 km de altitude.

Segundo o que foi divulgado até o momento, este foguete terá em sua configuração básica três estágios a propelente sólido, sendo dois estágios com o motor S50 (com cerca de 10 toneladas de propelente) e um estágio orbitalizador com o motor S44 (ambos motores desenvolvidos no Brasil), tendo como previsão otimista do seu primeiro voo de qualificação (que ocorrerá do Centro de Lançamento de Alcântara - CLA) o primeiro semestre de 2020, e possivelmente tendo a bordo uma carga útil que poderá ser um Satélite Tecnológico (SATEC) desenvolvido no Brasil, ou mesmo uma carga útil qualquer de origem alemã. Veja abaixo a configuração básica do VLM-1.

Concepção artística do VLM-1 

O leitor curioso deve estar se perguntado agora: Mas Duda como assim perdemos o controle desse projeto? Bom caro amigo, para que você possa entender o que houve, teremos de voltar ao inicio das negociações entre o nosso Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e o DLR Moraba, negociações estas que viabilizou o retorno deste projeto (numa fase posterior) que já se encontrava na lista dos projetos mortos do instituto.

Na verdade foi um processo longo, e tudo começou por volta de 2007/2008, após uma bem sucedida parceria que até aquela época já tinha resultado no desenvolvimento conjunto exitoso de dois novos foguetes de sondagens, ou seja, os VS-30/Orion e o VSB-30.

Bom leitor, nesta época o DLR alemão procurou o IAE buscando encontrar uma solução de transporte para o Experimento SHEFEX-II, e realmente encontrou, quando o IAE sugeriu o nosso adormecido foguete VS-40, que foi aprimorado, passando a se chamar VS-40M, e realizando com sucesso o lançamento deste foguete na noite de 22 de junho de 2012, da Base de Andøya, na Noruega, tendo abordo o experimento SHEFEX-II, em uma missão inesquecível para todos que estiveram presentes na base norueguesa.

Foi após esta missão exitosa que as primeiras negociações entre essas duas instituições se iniciaram visando o projeto do VLM-1, inicialmente visando a sequencia do Programa SHEFEX (Sharp Edge Flight Experiment), ou seja, a Missão SHEFEX III, que com passar do tempo por decisão alemã não sofreria sequencia, mas o VLM-1 seguiu sendo negociado entre essas duas instituições.

Para fazer o link com os alemães o IAE escolheu um grande pesquisador (reconhecido como um Leão e um grande gestor de projetos pelos seus próprios companheiros de dentro do Instituto) e que naquela época já atuava como coordenador do fantástico e conhecidíssimo “Projeto SARA”, projeto este que na época também contava com uma pequena participação alemã.

Bom leitor, estamos falando do Dr. Luis Eduardo Loures da Costa (reveja uma entrevista feita pelo Blog com o este profissional em fevereiro de 2013 clicando aqui), grande profissional que foi escanteado por pressão alemã, e isto por justamente não concordar que o Brasil perdesse o controle deste projeto.

Antes de seguirmos com esta história, é preciso que o leitor entenda o que significa ter a sua disposição um veiculo capaz de lançar satélites no espaço. Resumindo leitor para um melhor entendimento de sua parte. Todo lançador de satélite é um potencial míssil intercontinental, basta para tanto que o mesmo seja configurado para isto, e sendo a Alemanha ao lado dos EUA e da França, três dos membros lideres da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), jamais a Alemanha iria de encontro as diretrizes estabelecidas por esta organização se envolvendo num projeto como esse sem ter o controle do mesmo, principalmente sendo o Brasil uma nação classificada como não confiável o que sinceramente (se estivesse no lugar deles) concordaria em gênero, número e grau.

Diante disto, os alemães entravam em choque constante com o Dr. Luis Loures que, fazendo a sua parte, lutava com garras e unhas para que o projeto não saísse do controle brasileiro. Entretanto caro leitor, os alemães usando de pressão e de meios obscuros (este segundo apenas um palpite do autor) o Dr. Luís Loures infelizmente perdeu essa batalha e acabou sendo destituído da coordenação do Projeto do VLM-1 e do Projeto do Motor S-50, bem como também do Projeto SARA, sendo transferido para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde foi então trabalhar como coordenador do projeto do nanosatélite ITASAT-1, satélite este já finalizado e esperando uma oportunidade estrangeira para ser lançado ao espaço.

Pois então leitor, com o Dr. Luis Loures fora do caminho (creio que por volta de 2015 ou 2016), começou então a festa alemã que culminaria com a perda brasileira do controle do projeto. Assim sendo, em reuniões posteriores ficou definido que o Brasil (então líder do projeto e responsável pelas partes sensíveis do foguete) ficaria responsável somente pelo fornecimento dos sistemas propulsivos S50 e S44, pelo sistema de navegação reserva, pela infraestrutura para o lançamento e segurança de voo, e pela gestão da documentação dos projetos, enquanto os alemães ficaram responsáveis pelo desenvolvimento e qualificação dos demais sistemas sensíveis tanto do VLM-1 como também do novo foguete de sondagem VS-50.

Ora leitor, para que você entenda o que isso significa, resumindo e fazendo uma analogia, o Brasil ficou com a parte de menos tecnologia do foguete, algo como a parte podre do projeto, enquanto os alemães assumiram a parte de grande significância tecnológica, mantendo assim os dois projetos sobre controle.

O leitor leigo pode estar se pergunto, e daí Duda? Bom meu caro amigo Watson (kkkkkk sempre aqui dizer isso), acontece que a parte que ficou para os alemães envolve tecnologias sensíveis também empregadas na área de Defesa (em mísseis, por exemplo) e ai voltamos aquela coisa das diretrizes da OTAN, tá lembrado?

Pois então leitor, sendo assim os alemães deram o golpe final nos interesses do Projeto SIA, tirando do Brasil a possibilidade de alcançamos a nossa autossuficiência neste tipo de tecnologia de sistemas inerciais, ao mesmo tempo em que coloca o Brasil na dependência deles.

Por exemplo, imagine você que a Força Aérea Brasileira (FAB) estabeleça em algum momento no futuro missões de lançamento de interesse da Defesa (coisa que tanto a FAB como as outras forças armadas brasileiras certamente pretendem fazer em algum momento), pois então, eles estarão na dependência de que os alemães aceitem fornecer as partes do foguete que cabem a eles, coisa que certamente eles só farão se a FAB esclarecer o motivo dessas missões. Deu para entender?

Pois então caro amigo leitor, era isto que o Dr. Luis Loures tentava impedir que ocorresse, mas foi vencido pelas forças contrarias que atuam no setor para impedir o desenvolvimento espacial brasileiro. Diante disto, infelizmente hoje o VLM-1 é um projeto de lançador mais alemão do que brasileiro, estando sobre total controle dos gringos. A OTAN agradece.

Duda Falcão

5 comentários:

  1. Obrigado pela postagem com algumas informações as quais eu desconhecia.

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  2. Pelo visto os comentários estão restritos aos que concordam com o autor do blog.

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  3. Mais um inimigo (e traiçoeiro) do Programa Espacial Brasileiro. Oa americanos, agora os alemães. tenho certeza de que há brasileiros envolvidos, via $$$$$$$$$$ nessa merda. Sem dúvida, são os mesmos que traíram o Brasil quando estava pronto para fazer seu primeiro teste nuclear naquele buraco na Serra do Cachimbo. É preciso identificar esses canalhas e metê-los a 7 palmos de terra por cima.

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  4. Brazilian Space
    O Brasil não tinha um projeto de navegação inercial desenvolvido pelo IAE?? Não temos tecnologia para isso?
    obrigado

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    1. Olá Blog Luiz!

      Estávamos próximos de ter, mas precisávamos ainda qualificar em voo. Porem já tínhamos o conhecimento de como fazer. Entretanto sabe-se lá o porque (forças ocultas), o IAE resolveu optar por este tremendo erro estratégico. Enfim...

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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