quinta-feira, 25 de junho de 2015

INPE Colabora Com Desenvolvimento de Satélite em Projeto de Escola Municipal de Ubatuba

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado na edição de maio do “Jornal do SindCT” destacando que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) colabora com o desenvolvimento de um picosatélite de uma Escola Municipal da Cidade de Ubatuba-SP.

Duda Falcão

NOSSA PAUTA 2

INPE Colabora Com Desenvolvimento de Satélite
em Projeto de Escola Municipal de Ubatuba

Trabalho envolve diversos pesquisadores

Antonio Biondi
Jornal do SindCT
Edição nº 37
Maio de 2015


O “UbatubaSat” é um artefato miniaturizado ou “picossatélite”, que será lançado em órbita pelo módulo japonês da Estação Espacial Internacional (ISS). Os alunos que atuam no projeto viajaram ao Japão e aos EUA, onde conheceram a NASA.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) está oferecendo o suporte técnico e gerencial necessário para viabilizar o lançamento e a operação do picossatélite Ubatuba- Sat, um projeto da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves (ETEC), de Ubatuba, no litoral paulista.

A contribuição do INPE, estabelecida por meio de um convênio de assessoria técnica, conta com o envolvimento de diversos profissionais e grupos do instituto. O professor Cândido Moura, da ETEC, coordenador do UbatubaSat, explica que o projeto do satélite, concebido em 2010, foi reformulado.

A Interorbital Systems, empresa que forneceu o kit e apoio iniciais ao projeto, ainda não reuniu — por meio da venda de outros kits semelhantes — os recursos necessários para promover o lançamento desse satélite miniaturizado.

“Buscamos agora um outro caminho para fazer o lançamento”, acrescenta Moura. O novo cenário do lançamento será a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), o que exigirá “a reengenharia de sistemas do projeto a partir do kit de satélite original da Interorbital Systems, para o cumprimento dos novos requisitos surgidos”, como explica Auro Tikami, pesquisador do INPE responsável pela nova proposta, desenvolvida como parte de seu mestrado no instituto.

Uma vez que a ISS é tripulada, várias exigências adicionais antecedem a chegada do picossatélite à estação. As novas perspectivas para o UbatubaSat também passam pela Agência Espacial Brasileira. A AEB está apoiando o desenvolvimento de quatro projetos de microssatélites ou picossatélites, entre os quais figura o UbatubaSat. Os outros três são ligados à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e à Universidade de Brasília (UnB). “São três projetos de centros de excelência, e o quarto é o nosso!”, comemora o professor Moura. O cronograma do projeto prevê que o Ubatuba- Sat seja lançado até o fim de 2015. Ao ser concluído, o picossatélite será entregue à JAXA, a agência aeroespacial japonesa.

Depois, provavelmente no último trimestre de 2015, um voo levará o satélite para a ISS. “O voo sairá de Cabo Canaveral, nos EUA, e estaremos lá”, conta o professor. O satélite será recepcionado no KIBO, o módulo japonês na ISS. E, no KIBO, um braço eletrônico fará o lançamento para o espaço.

Forma de Difusão

Auro Tikami afirma que a participação no projeto “acabou sendo uma grande oportunidade de aprendizado, pois estou usando como um estudo de caso em minha dissertação de mestrado”.

Além disso, o UbatubaSat serviu “como uma forma objetiva de difusão de conhecimento junto à comunidade de estudantes e professores interessados em levar ciência para dentro das salas de aula”, destaca Tikami. O novo projeto do pesquisador do INPE também busca facilitar a montagem, integração e testes pelos alunos. De acordo com Tikami, o kit original do satélite apresentava diversos bugs, que implicaram em alterações, especialmente em aspectos de segurança.

Também foi preciso regularizar a frequência de operação na faixa de UHF junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), à International Amateur Radio Union (IARU) e à International Telecommunication Union (ITU). Outra alteração importante destinou-se a estabelecer um espaço físico dentro do picossatélite para o embarque de um experimento miniaturizado de Sonda de Langmuir para estudo da formação de bolhas de plasma.

A carga útil, de interesse direto do INPE, foi desenvolvida pelo pesquisador Polinaya Muralikrishna, do CEA-INPE. Junto à difusão de conhecimento, “uma das missões de nossa instituição”, Tikami destaca que o projeto gera importante contribuição ao INPE, uma vez que os picossatélites “demandam uma abordagem diferente do que para satélites de maior porte, no tocante à engenharia de sistemas, à dinâmica de projeto e ao seu gerenciamento”.

Entre as instituições envolvidas, o UbatubaSat permitiu aos pesquisadores do INPE nele engajados desenvolver atividades em cooperação com a JAXA (a “NASA japonesa”), com a Japan Manned Space Systems Corporation (ou JAMSS, responsável pelo KIBO, módulo japonês da ISS) e com a Cal- Poly, universidade norte- -americana responsável pelo TuPod, dispositivo adaptador do picossatélite para lançamento.

No próprio INPE, o apoio em testes ambientais (no AIT) e em subsistemas de satélites e cargas úteis (no LIT, ETE, CEA) ajudou a tornar o projeto “uma grande oportunidade real de se aprimorar o trabalho do instituto”. Para Tikami, contudo, “o mais importante do projeto não é o picossatélite, que entrará em órbita por um tempo limitado, mas sim a formação e o incentivo dos estudantes”. “Curto-circuito”

“Existe um Muro de Berlim entre o aluno e o que vai vir depois, na ciência e tecnologia, nas profissões dessa área. O que fizemos foi gerar um ‘curto-circuito’ na relação entre o aluno e essa realidade”, avalia o professor Moura, idealizador do UbatubaSat.

Se a proposta de desenvolver um satélite com essas características “passa uma primeira impressão de ser algo muito complexo”, não é bem assim. “Nossa ideia é desmistificar a ciência e a tecnologia, fazer o aluno se sentir capaz e guiado pelo mundo real”. Os estudantes que se envolveram no projeto tiveram a oportunidade de redigir um artigo sobre o UbatubaSat, viajar ao Japão para apresentar o artigo, viajar aos EUA para visitar instalações da NASA, e claro, colaborar na construção do satélite. De fevereiro a março de 2015, o pesquisador Lázaro Camargo, do INPE, organizou junto a seus colegas de instituto três cursos voltados aos alunos da ETEC.

O primeiro sobre eletrônica básica; o segundo sobre eletrônica digital; e para finalizar um curso sobre programação para Arduino (uma plataforma para aprendizado e desenvolvimento), em que os estudantes aprenderam programação e hardware de sistemas microcontrolados.

Camargo destaca que essa atividade, voluntária, “foi uma das experiências mais gratificantes” que viveu. “O INPE e outras instituições de pesquisa podem contribuir para despertar o interesse dos alunos das séries fundamentais pela pesquisa e desenvolvimento espacial”.

A escola municipal agora oferece um curso de eletrônica básica, que conta atualmente com 85 alunos, do 6º ao 9º ano. O curso dura cerca de um semestre, e oferece aulas teóricas, de montagem de placa, circuito impresso e solda. “Estamos aproveitando para reforçar os conhecimentos dos alunos na matemática, que é onde apresentam maiores dificuldades”, explica a professora Patrícia Patural. Os professores têm trabalhado na perspectiva de que a escola absorva gradativamente as etapas de desenvolvimento do projeto do satélite. “Em 2011, alunos fizeram um curso no LIT.

Agora, montamos um laboratório na escola, uma sala limpa, que permite a realização de solda com qualificação espacial, coordenada pelo professor Rogério Stojanov”, explica Moura. “O projeto do satélite”, conclui ele, “possibilita melhores resultados para os alunos da nossa escola. Permite incentivar a pesquisa, ciência e tecnologia e a extensão das instituições envolvidas. E ainda desenvolver questões do ensino de pós-graduação no país. Tudo feito com um mesmo recurso.

Deveríamos fazer mais isso no Brasil. As universidades deveriam trabalhar mais para a formação de seus futuros alunos”.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 37ª - Maio de 2015

Comentário: Bom leitor, primeiramente há não ser que a equipe do Prof. Cândido Moura tenha mudado o nome deste picosatélite de TANCREDO-1 para UBATUBASAT, o autor deste interessante artigo cometeu o mesmo erro cometido tempos atrás pela péssima assessoria de comunicação de nossa Agência Espacial de Brinquedo (AEB), quando na época confundiu por um tempo o nome do Projeto com o nome do Picosatélite. Nós do Blog BRAZILIAN SPACE somos torcedores incondicionais desta fantástica iniciativa criada pelo Prof. Cândido Moura e temos colaborado na divulgação da mesma desde que surgiu na mídia pela primeira vez. A notícia aqui divulgada neste artigo de que o picosatélite TANCREDO-1 terá abordo um experimento miniaturizado do INPE de uma “Sonda de Langmuir”, visando com isto o estudo da formação de bolhas de plasma durante a missão, demonstra o nível e a importância alcançada pelo Projeto UBATUBASAT, fruto da visão de um professor do ensino médio de uma modesta escola municipal do litoral paulista. Neste instante isto me faz recordar o que foi dito pelo Dr. Waldemar Castro Leite Filho em recente entrevista ao Blog (veja aqui): “Precisamos principalmente de líderes.  Não estou me referindo a chefes ou gestores, estou falando de maestros!  Aqueles que conhecem a  "música" que vão tocar bem como os instrumentos que a compõem e comandam os seus operadores (músicos) a tocar o tom certo no instante certo.  Já os tivemos e foi assim que fizemos o SONDAIV e o VLS.  Só assim teremos VLMs e outros mais...”. Pois é leitor, em resumo, precisamos de “GENTE QUE FAZ”, pessoas de visão e atitude (como o Prof. Cândido Moura e o Dr. Waldemar) e realmente comprometidas com o PEB e o futuro da Nação, seja na área de C&T e na área de Educação, seja na condução política deste país. Chega de Lulas, Dilmas, Cardosos, Collors, Itamas, Mercadantes, Amarais, Rebelos, Coelhos e tantos outros espalhados pelo Brasil em diversos níveis de poder e de governo, gente que não vale nada, traidores da pátria que deveriam estar presos em algum estabelecimento do fantástico e exemplar Sistema Carcerário Brasileiro.

2 comentários:

  1. Oi Duda,
    Vc saberia me dizer se o Tancredo-1 foi lançado ou se tem previsão de lançamento?
    Abraços,
    Ivan

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    1. Olá Ivan!

      Até onde eu sei ainda não. Acredito que possa ser lançado este ano de 2016, bem como o ITASAT-1, o 14-BISat e o NanosatC-Br2, mas do jeito que as coisas andam, temos de aguardar para ver.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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