segunda-feira, 1 de junho de 2015

Climatologia Espacial Brasileira Está Entre as Primeiras do Mundo

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada na edição de abril do “Jornal do SindCT” destacando que a Climatologia Espacial Brasileira está entre as primeiras do mundo.

Duda Falcão

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Climatologia Espacial Brasileira Está
Entre as Primeiras do Mundo

Falta um satélite para observações no espaço

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 36
Abril de 2015


“Hoje colhemos dados de todo o território brasileiro, baseados em nossos instrumentos de solo e nas parcerias com instituições como o IBGE. Se tivéssemos satélite próprio seria fantástico”, diz Clezio De Nardin, do INPE.

Há alguns anos não se pensava em monitorar a interação que existe entre o Sol e a Terra, interação essa que é objeto da climatologia espacial. Tão somente se sabia que o Sol garante a vida no nosso planeta. No entanto, o advento acelerado de certas tecnologias — telefonia celular, GPS, satélites, linhas de transmissão de energia, plataformas de petróleo em águas profundas e outras — tornou o estudo do clima espacial uma necessidade no mundo moderno, na medida em que as “intempéries espaciais”, radiações e partículas emitidas pelo Sol, podem afetar negativamente o desempenho desses equipamentos.

No Brasil, o monitoramento da previsão do clima espacial é realizado desde 2008 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Hoje é possível afirmar que o país já está entre os cinco melhores de um grupo conceituado no mundo: o International Space Environment Service (ISES), que congrega 25 países que trabalham no assunto.

Embora o país seja vanguarda internacional na área de climatologia espacial, poderia avançar ainda mais caso já possuísse um satélite próprio para este fim, o que depende de investimento governamental.

“Hoje colhemos dados de todo o território brasileiro, baseados em nossos instrumentos de solo que construímos ou compramos, ou dos quais obtemos dados através das parcerias que temos com outras instituições internacionais e nacionais, tal como o IBGE, nosso grande parceiro.

Também usamos informações de diversos satélites estrangeiros. Se tivéssemos um satélite próprio para manter uma plataforma espacial seria fantástico. Coroaria a capacidade tecnológica espacial brasileira nesta área”, explica Clezio Marcos De Nardin, engenheiro eletricista formado na Universidade Federal de Santa Maria (RS) e doutor em Geofísica Espacial pelo INPE. Clezio, que é vice- -diretor da ISES, conta que o clima espacial diz respeito somente à relação do Sol com a Terra. Nada tem a ver com os demais planetas, confusão comum quando se fala no tema.

Assim, o estudo envolve especialmente as explosões solares que emitem radiações e partículas do Sol para a Terra. Nossa estrela mais próxima, que é 100 vezes maior do que a Terra, é constituída basicamente por gás hidrogênio incandescente. Portanto, ela só pode lançar partículas minúsculas, chamadas subatômicas.

Nestas frequentes explosões, em primeiro lugar, são liberadas as radiações e em seguida as partículas solares, que são formadas por prótons energéticos e elétrons acelerados. Auroras

As radiações são barradas pela atmosfera terrestre, tornando-a ionizada (energizada) e opaca, similar a um vidro embaçado, o que dificulta a passagem da luz.

Este fenômeno é justamente o que atrapalha a entrada das ondas eletromagnéticas emitidas pelos satélites que se comunicam com as torres e, por conseguinte, com os aparelhos de celulares, rádios, GPS.

Apesar dessa barreira de proteção da Terra, às vezes algumas dessas partículas podem se chocar com o campo magnético terrestre e penetrar para altitudes mais baixas, causando o fenômeno das auroras.

Parte desse material particulado que colide com o campo magnético terrestre deixa pelo caminho muita energia, que irá, por sua vez, descarregar- -se na atmosfera dos polos em forma de luz. Assim, em estado de ionização, o plasma escorre pelo entorno da terra e atravessa o campo magnético terrestre, por meio de uma precipitação, causando o fenômeno das auroras: ao sul a Austral e ao norte a Boreal.

São luzes de tonalidades verde, amarelo, vermelho e violeta que surgem no céu e são visíveis a olho nu em algumas regiões do Hemisfério Norte, como na Noruega, Suécia, Finlândia, Alasca, Canadá, Groenlândia, Escócia, Rússia. No Hemisfério Sul é possível observá-las em países como Nova Zelândia, Austrália e Antártida.

O Programa de Clima Espacial do INPE se propõe a acompanhar o que acontece no Sol para tentar antever e informar às agências reguladoras (ANAC, Aneel, Anatel) e outros órgãos do governo (Ministério da Defesa), bem como aos operadores de satélites, à população e às empresas, as dificuldades que poderão sofrer em seus equipamentos que dependam de comunicação com os satélites por meio de ondas eletromagnéticas. “A computação científica e a ciência espacial buscam disponibilizar um serviço de qualidade que pode ser acessado gratuitamente por qualquer pessoa ou empresa através do site do INPE.

Também ficamos à disposição para quem quiser entrar em contato por telefone”, diz Clezio.

OUTRAS INFORMAÇÕES: www.inpe.br/climaespacial (12) 3208-6000.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 36ª - Abril de 2015

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