segunda-feira, 1 de junho de 2015

CEMADEN Debate na ONU Soluções Para Redução de Riscos de Desastres Naturais

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada na edição de abril do “Jornal do SindCT” destacando que o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) debateu na “3ª Conferência Mundial da Organizações das Nações Unidas (ONU)”, soluções para redução de riscos de Desastres Naturais.

Duda Falcão

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CEMADEN Debate na ONU Soluções Para
Redução de Riscos de Desastres Naturais

Deslizamentos e enchentes causam 90% das mortes

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 36
Abril de 2015


O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) começou a operar em dezembro de 2011, em Cachoeira Paulista. Uma nova Sala de Situação passou a funcionar em 2014, no Parque Tecnológico de São José, após ingresso de 75 servidores. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), órgão vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), participou entre os dias 14 e 18 de março da 3ª Conferência Mundial da ONU para Redução de Riscos e Desastres, realizada em Sendai, no Japão.

Objetivo principal: a elaboração de um documento comum de cooperação internacional e estabelecimento de metas a serem alcançadas nos próximos 15 anos. Durante o evento, o CEMADEN apresentou as estratégias do Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais (implantado pelo governo federal em 2012), que incluem prevenção, mapeamento das áreas de risco, monitoramento, alerta e resposta.

O pesquisador Carlos Nobre, diretor do CEMADEN, lembrou que o impacto das secas intensas sobre a agricultura, abastecimento de água, irrigação e navegação afeta a maioria das pessoas no Brasil.

“No entanto”, ponderou ele, “o principal problema são os deslizamentos de terra e as enchentes, por serem mais letais, respondendo por mais de 90% das mortes provocadas pelos desastres naturais no Brasil”. Na 3ª Conferência Mundial a discussão se fechou com quatro prioridades de ação para a redução de riscos de desastres naturais: 1) a melhor compreensão do risco, 2) mais investimentos para a gestão desse risco, 3) preparação mais eficaz diante dos desastres e 4) incorporação do princípio de “reconstrução aprimorada” à recuperação, reabilitação e reconstrução.

Tragédia

O CEMADEN foi criado em julho de 2011, pelo decreto presidencial 7.513, em resposta à terrível tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro, quando morreram mais de 900 pessoas vitimadas por deslizamentos de terras e enxurradas decorrentes de fortes tempestades.

Outras 35 mil tiveram que abandonar suas casas devido ao risco iminente de ocorrência de mais deslizamentos ou desabamentos. A operação do centro começou em dezembro daquele ano, em instalações cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Cachoeira Paulista (SP). No primeiro semestre de 2014, sua sede passou a funcionar no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP).

Assim, uma nova Sala de Situação começou a operar em 29 de outubro, após o ingresso da nova equipe de 75 servidores efetivados por concurso público, consolidando a estrutura organizacional com as equipes de pesquisadores, tecnologistas e analistas.

Já foram emitidos mais de 3 mil alertas e há um monitoramento ininterrupto de áreas de risco de 888 municípios brasileiros, classificados como vulneráveis a desastres naturais, e onde vive, hoje, uma população estimada em 90 milhões de habitantes.

O CEMADEN apoia-se em uma rede de observação composta por nove radares, 2.267 pluviômetros automáticos e 960 semiautomáticos, 115 estações hidrológicas e outros equipamentos.

“Os resultados das pesquisas e ferramentas desenvolvidas no centro e a disponibilidade de dados providos por sua rede e pelas redes de outras instituições federais e estaduais, somados à disponibilização de um grupo de profissionais com conhecimentos em meteorologia, geologia, hidrologia e desastres naturais, permitem o envio antecipado de alertas desses eventos para áreas localizadas em todas as regiões do território nacional”, conta Regina Alvalá, coordenadora institucional do CEMADEN.

Parcerias

Para consolidar o Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEN atua em parceria com várias instituições, de modo a implementar, consolidar e complementar a rede de instrumentos meteorológicos, hidrológicos e geotécnicos para monitoramento ambiental, completa o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador geral.

O CEMADEN instalou em março deste ano pluviômetros semiautomáticos em três escolas estaduais nos municípios paulistas de Cunha, Ubatuba e São Luiz de Paraitinga, localizados na área de abrangência do Rio Paraibuna e seus afluentes, e considerados vulneráveis a desastres naturais.

Essa ação faz parte do Projeto CEMADEN Educação. “É um projeto piloto voltado para as escolas de ensino médio, localizadas em municípios vulneráveis a desastres socioambientais, com o objetivo de desenvolver pesquisas de prevenção de desastres, produção de conhecimento, bem como a gestão participativa de intervenções nas comunidades locais”, explica Rachel Trajber, coordenadora do CEMADEN Educação.

No acordo de cooperação entre os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), firmado em 18 de março, o CEMADEN foi o órgão responsável dentro do MCTI para desenvolver os acordos e mecanismos de ciência, tecnologia e inovação para a cooperação multilateral em torno do tema desastres naturais entre os países que integram o BRICS.

Entre os instrumentos estratégicos propostos estão a criação de uma plataforma on-line para compartilhamento de informações sobre alterações climáticas, prevenção e mitigação de desastres naturais, além de intercâmbios de programas e bolsas para pesquisadores e estudantes.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 36ª - Abril de 2015

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