sexta-feira, 26 de junho de 2009

Foguetes em Fase de Desenvolvimento pelo IAE


Olá leitor,

Nos últimos dias venho buscando maiores informações sobre os foguetes que estariam em fase de desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) visando atender às necessidades do Programa Espacial Brasileiro (PEB).

As fontes de informação nem sempre são confiáveis devido, ao enorme fluxo de informações divergentes que se pode encontrar na internet e também por falta de competência ou de interesse dos órgãos envolvidos com o PEB em produzir uma documentação de qualidade que facilite um maior acesso ao que esta sendo realizado para o programa. Além disso, a falta de foco com os objetivos traçados para o programa, tornar-se também um problema que vem complicar ainda mais o acesso a informações confiáveis.

No entanto, baseando-me pelo PNAE (Programa Nacional de Atividades Espaciais - Período 2005 a 2014, que já esta sendo reformulado e deverá sair com uma nova versão até o final do ano) e por informações colhidas junto a profissionais bem informados sobre as atividades espaciais do país, formulo abaixo uma relação dos foguetes que estariam em desenvolvimento atualmente pelo IAE, deixando de fora o já bastante comentado VLS-1.

Para aquele leitor que tem pouco ou nenhum conhecimento sobre o PEB, o programa de acesso ao espaço segundo o PNAE é constituído por dois programas básicos:

* Programa de Foguetes de Sondagem (Suborbitais)
* Programa de Foguetes Satelizadores (Orbitais)

OBS: Caso o leitor queira maiores informações sobre os foguetes que já foram desenvolvidos pelo IAE, veja aqui no blog as notas (Programa VLS - Situação Atual, O Versátil Foguete VS-40, e Sucessos e Insucessos do Programa Espacial Brasileiro)


PROGRAMA DE FOGUETES DE SONDAGEM


SONDA IIIA
Descrição:
Foguete similar ao antigo Sonda III constituído por dois estágios, sendo que o envelope do motor do segundo estagio será em fibra de carbono.
OBS: Acredito que esse foguete estaria sendo desenvolvido inicialmente para testar a tecnologia de fibra de carbono (ainda não dominada pelo Brasil) para ser empregada em envelopes de futuros motores foguetes.


Versão da Concepção Artística do foguete
SONDA IIIA Segundo o PNAE 2005 - 2014


Versão da Concepção Artística do Foguete SONDA IIIA
Enviada pelo Engenheiro José Miraglia da Edge Of Space

VS43
Descrição:
Veículo monestagio com controle de altitude que utilizará o propulsor S43, motor esse que é utilizado no primeiro e segundo estágios do VLS-1.
OBS: Não existe maiores informações sobre esse foguete, porém existe indícios que o mesmo esteja sendo desenvolvido para ser utilizado pelos germânicos (fruto de um acordo assinado a quase 20 anos) no programa do "Experimento Shefex-3". Veja aqui no blog a nota O Caso do Foguete VSB-40).



Primeira Concepção Artística do Foguete VS43
Sobre a Plataforma de lançamento Apresentada Anos Atrás pela AEB


Versão da Concepção Artística do foguete
VS43 Segundo a PNAE 2005 - 2014


Versão da Concepção Artística do Foguete VS43
Enviado pelo Engenheiro José Miraglia da Edge Of Space

VS15
Descrição:
Foguete monoestágio de propulsão líquida desenvolvido para teste do motor L15 (veja aqui no blog as notas Motores a Propelente Liquido no Brasil e Motor L15 a Propulsão Líquida do IAE - Notícias).
OBS: Acredito que o lançamento desse foguete está bem próximo de se realizar (quem sabe ainda esse ano) o que será um passo histórico para o Brasil. (veja aqui no blog a nota Projeto do Foguete VS-15 do IAE)


Concepção Artística do foguete VS15 (fonte: IAE)

VSB40
Descrição:
Não há maiores informações sobre o mesmo e nem a certeza de sua existência.
OBS: Recentemente foi abordado aqui no blog (para um maior entendimento pelo leitor convido o mesmo a ler as notas A Vez do Foguete VSB-40 ou um Simples Erro de Grafia, O Caso do VSB-40 - Novo Foguete ou Erro de Digitação e o já mencionado acima) o possível desenvolvimento pelo IAE de um foguete de sondagem denominado VSB40 que tudo leva a crer ser derivado do foguete VS40.


PROGRAMA DE FOGUETES SATELIZADORES


VLS-1B
Descrição:
Versão aperfeiçoada (upgrade) do VLS-1, com a utilização de combustível líquido em seu terceiro estagio (veja aqui no blog as notas Motor a Propulsão Líquida L-75 do IAE, Motor L75 - Notícias, Motor L75 do IAE - Notícias), possibilitando a injeção de satélites pesando até 800 kg em órbita baixa - LEO - de até 750 km.



Concepção Artística do VLS-1B
Segundo O PNAE - 2005 - 2014
VLS-2
Descrição: Versão que prevê a utilização de combustível líquido em todos os estágios, podendo utilizar combustível sólido nos propulsores auxiliares (Boosters) no 1° estagio, de modo a colocar cargas úteis variando de 1700 a 2200 kg em órbita Geoestacionária - GEO - de 36.000 Km.


VLS-3
Descrição: Versão de um foguete de grande porte que prevê a utilização de combustível líquido em todas os estágios, de modo a atingir uma capacidade de injeção em órbita Geoestacionária de cargas úteis acima de 2200 kg.

OBS: Essa lista aqui apresentada para o leitor não é definitiva, até porque devido a vários fatores, sendo um deles a falta de foco que impera nos órgãos que comandam o Programa Espacial Brasileiro o blog não tem como garantir que esses planos não venham a ser alterados no próximo PNAE, o que é bem provável.


Fonte: Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e diversas outras fontes.

Comentário: Seria muito bom para o Programa Espacial Brasileiro que todos esses planos fossem levados adiante. No entanto, devido a tantas dificuldades que surgem no horizonte do PEB a cada dia e pela falta de competência administrativa por parte dos órgãos gestores do programa espacial, sinceramente acho que muito pouco disso será realizado. Mas sou um otimista por natureza e espero que a necessidade nos leve no futuro a ter uma visão mais ampla com relação à extrema necessidade de um país com as dimensões geográficas e problemas sociais graves como o Brasil em investir pesado em atividades espaciais. O mundo caminha para o espaço e esse caminho que a nossa sociedade teima em seguir fará com que a sociedade brasileira do futuro pague muito caro pelo erro estratégico e histórico cometido pelos seus representantes.

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