segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Drivers Espaciais

Olá leitor!

Trago agora para você o terceiro artigo de quatro da série escrita pelo pesquisador do INPE, Mario Eugenio Saturno, tendo como tema o Programa Espacial Brasileiro (PEB).

Duda Falcão

Drivers Espaciais

Mario Eugenio Saturno*

O Tenente Brigadeiro do Ar Nivaldo Rossato foi à Comissão de Ciência e Tecnologia do Congresso Nacional propôs para Programa Espacial Brasileiro uma mudança da governança. Propõe a criação de um Comitê Executivo do Espaço cuidaria do Orçamento, da Política e dos Acordos e o Conselho Nacional do Espaço para decidir o que e como executar os recursos.

Está nos planos da Defesa lançar o SCGD-2 em 2022, e um satélite ótico de resolução de 50 cm em 2021. Importância comprovada durante as Olimpíadas quando se comprou imagens de um satélite israelense. E para 2026, um satélite radar, principalmente para enxergar através das nuvens que encobrem grande parte do território nacional.

É clara a necessidade de investimento no projeto do Veículo Lançador e a consolidação do Centro Espacial de Alcântara, especialmente aprovando os Acordos de Salvaguardas Tecnológicas com outros países, especialmente os Estados Unidos, país que já se mostrou bastante interessado na Base.

O Brasil não tem os motivadores (“drivers”) que impulsionam os programas espaciais de países com problemas parecidos com os do Brasil, como China, Índia, Rússia e Israel, mas o mesmo acontece com a Argentina e investimos apenas um doze avos do que eles investem.

A crise econômica que atinge também a Argentina abre uma grande oportunidade de cooperação, como, por exemplo, os satélites radar de banda L que tanto interessa ao Brasil. Não temos condições de fazer um em curto prazo e como justificar comprar um se se pode cooperar com os argentinos por uma fração do custo?

O Brasil tem um acordo com a Argentina de fazer uma missão espacial envolvendo dois satélites, o SABIA-MAR, Satélite Argentino-Brasileiro de Informações Ambientais. Cada satélite tem vida útil de cinco anos, visa a observação dos oceanos, da zona costeira e de águas interiores, lagos, represas e rios, da América do Sul. Com esses dados, os cientistas poderão estudar o ciclo de carbono, da biosfera marinha, da identificação de zonas potenciais de pesca e para o controle de eventos como vazamento de petróleo, entre outros.

O Brasil não tem equipe para o satélite, nem verba, resultando no fim do projeto? Não, os argentinos começaram a fazer aquilo que seria dos brasileiros e terão para si um satélite que tem utilidade para nossa nação. Esse acordo segue o mesmo caminho de outros fracassos internacionais, como a ISS, o Satélite Franco-Brasileiro e MAPSAR (Alemanha). Certamente, recursos financeiros não explicam tudo, “personalismos” explicam mais. E não se está analisando os projetos militares, mas civis!

Nas décadas de 1980 e 1990, o INPE desenvolvia dois Satélites de Coleta de Dados ambientais (SCD-1 e SCD-2) e dois para sensoriamento remoto (SSR-1 e SSR-2), e ainda vislumbrava dois geoestacionários de comunicação. As crises e o CBERS acabaram com os satélites brasileiros.

A crise econômica que a Dilma gerou vai acabar, voltaremos a ter condições de investir, mas o que queremos para nosso país, gerar empregos de alto valor agregado, tecnologia e indústria de ponta? Ou...

* Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Segue abaixo os outros artigos dessa Série escritos pelo autor:


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