quarta-feira, 29 de março de 2017

De Olho no Futuro

Olá leitor!

Veja abaixo uma outra nota esta postada hoje (29/03) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), tendo como destaque alguns dos projetos da FAB que serão apresentados ao publico da LAAD 2017.

Duda Falcão

LAAD 2017

De Olho no Futuro

Revista Aerovisão destaca alguns dos Projetos de
Ciência Tecnologia que a FAB levará para a LAAD

Por Ten Iris Vasconcellos,
Fonte: Agência Força Aérea
Publicado: 29/03/2012 - 08:00h


Para o Comandante da Aeronáutica, a soberania do País também está ligada à autonomia tecnológica. Sediado em São José dos Campos, no interior de São Paulo, o polo de desenvolvimento científico e tecnológico da Força Aérea Brasileira tem mais de cinco mil pessoas trabalhando em 117 projetos de pesquisa. Os temas vão desde a geração de energia no espaço até a colocação de microssatélites em órbita.

Para navegar, localizar-se e enviar informações para equipes em solo, um drone, também conhecido como Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT), ou uma Aeronave Remotamente Pilotada (ARP), depende de diversos sistemas - por exemplo, o GPS - alimentado por tecnologias que o Brasil ainda não domina. O que fazer se os detentores dessas informações deixarem de fornecê-las?

Reduzir a dependência de tecnologias e sistemas externos é um dos objetivos do projeto PITER, sigla para Processamento de Imagens em Tempo Real, que é desenvolvido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv), subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A meta é instalar o sistema em drones, para que eles reconheçam o local sobrevoado e corrijam a navegação sem a intervenção humana. Na prática, se o drone for informado sobre os locais de saída e chegada, ele poderá fazer a rota sozinho.

Elio Shiguemori é o responsável pelo projeto PITER.

Para a FAB, que possui um esquadrão composto por Aeronaves Remotamente Pilotadas - o Hórus (sediado no Rio Grande do Sul), o sistema é estratégico e determinante para as configurações de combate do futuro.

Esse é só um dos 117 projetos de ciência e tecnologia que estão em desenvolvimento nos institutos que compõem o DCTA. Estão sendo desenvolvidas pesquisas de acesso ao espaço, projetos que envolvem a propulsão - por turbina ou hipersônica - para os vetores aeronáuticos, inteligência artificial, que está sendo buscada por diversos países; e a produção de energia com dispositivos compactos em potência elevada.

“São tecnologias que quem sabe não ensina e, muitas vezes, os detentores do conhecimento não fazem nem parcerias. Cada um tem a sua”, destaca o chefe da divisão de projetos do DCTA, Coronel Maurício Pozzobon Martins.

Ele explica que os projetos podem surgir ou de uma necessidade operacional da Força ou de um vislumbre por inovação dos pesquisadores. Para ele, o diferencial da FAB é que a instituição possui um centro de pesquisa e desenvolvimento, enquanto Forças Aéreas de outros países são compradoras de tecnologias prontas. “Assim, em termos de soberania, a posição do Brasil é diferenciada, pois a tecnologia que nós não temos pode ser desenvolvida para a FAB pelo DCTA”, complementa. 

Sistemas autônomos, capazes de tomar decisões independentes da ação humana, por exemplo, são tendências do mercado de tecnologia, que também investe na produção de materiais leves e resistentes. Já na área das Forças Armadas, o foco é o domínio do espaço aéreo e o desenvolvimento de sistemas espaciais, que são um diferencial para o cenário de guerra.

“A perspectiva é sempre de aumento dos projetos estratégicos para a FAB, pois a realidade e a desvantagem do poder aeroespacial são a rápida obsolescência tecnológica. E uma sociedade capaz de desenvolver tecnologia militar avançada, certamente, terá produtos na sociedade civil importantes, gerando renda, emprego e desenvolvimento para o país”, ressaltou.

Turborreator TR5000 é um dos projetos desenvolvidos pelo IAE.

Turborreatores Nacionais

Como mísseis, alvos aéreos e drones adquirem velocidade e direção no espaço aéreo? Eles são propulsados por turbojatos considerados de pequeno porte. Um deles, o Turborreator de 5.000 N (TR5000), é um dos projetos desenvolvidos pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) com foco na área de turbinas a gás aplicadas à propulsão aeronáutica.

O projeto prevê o desenvolvimento de protótipos de um turborreator aeronáutico nacional, atendendo, principalmente, requisitos de instalação em veículos aéreos, de uso militar e civil.

Segundo o pesquisador Helder Carneiro, os turborreatores são artefatos que assumiram papel de destaque nos arsenais das maiores potências mundiais, tanto para treinamento de artilharia, quanto para qualificação de armamento, observação e defesa.

“No Brasil, os exemplos de aplicação são o uso de alvo aéreo fornecido por empresa estrangeira para as campanhas de teste do míssil MAAR, o alvo DIANA adquirido recentemente pelo Exército e, ainda, o míssil de cruzeiro em desenvolvimento pela Avibras”, destacou.

Segundo ele, o fornecimento de turborreatores (turbojatos e turbofans) desse porte é controlado pelas grandes potências. “O desenvolvimento de turborreatores de pequeno e de médio porte no País é de importância estratégica para a independência do Brasil nessa área”, complementou.

Satélite em Órbita

Imagine um veículo lançador de satélite, ou seja, um modelo de foguete que tem a finalidade de colocar satélites em órbita, composto principalmente por fibra de carbono. Esse é o diferencial do projeto VLM-1, que está sendo desenvolvido no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IEAv). Com propelente sólido, ele está sendo projetado para colocar satélites de até 150 kg na órbita baixa da Terra, mais especificamente, a uma altitude de 2000 km com relação à superfície terrestre. 

Se o VLM-1 for bem sucedido, o Brasil vai se tornar um dos dez países a conseguir tal feito.
Segundo o gerente do projeto, Coronel Fábio Andrade de Almeida, o uso de estruturas em fibra de carbono aumentam a eficiência do veículo como um todo, diminuindo o peso da carga não útil.

“O desempenho esperado para o VLM-1 requer perfeita sincronia e funcionamento adequado de todos os sistemas do lançador. Para isso, motores, eletrônica embarcada, sistemas estruturais e módulo de carga útil precisam ser fabricados dentro dos mais rigorosos requisitos estabelecidos pelo IAE. O atingimento destes requisitos colocará a indústria nacional em um novo patamar de fornecimento de produtos altamente tecnológicos”, explicou o gerente.

Foguete VS-40 equipado com satélite SARA.

Experimentos no Espaço

Outro foco do IAE é a produção do Satélite de Reentrada Atmosférica. Denominado projeto SARA, o objetivo é desenvolver e fabricar dois módulos espaciais recuperáveis para o cumprimento de duas missões diferentes.

A primeira é a realização de experimentos de curta duração (aproximadamente 10 minutos) em local de microgravidade, ou seja, com a atuação mínima da força da gravidade. Nesse contexto, permite-se observar e explorar fenômenos e processos em experimentos científicos e tecnológicos que seriam mascarados sob a influência da gravidade terrestre.

“A condução de experimentos num ambiente de microgravidade possibilita o melhor entendimento, e o posterior aperfeiçoamento na Terra, de processos físicos, químicos e biológicos”, destaca o gerente do projeto, Major Élcio Jeronimo de Oliveira.

Já a segunda missão prevê a inserção e permanência do módulo em ambiente espacial, em órbita equatorial baixa (300km de altitude), por até 10 dias. Nesse período, poderão ser realizados diversos tipos de experimentos que necessitem das peculiaridades do ambiente espacial em um intervalo de tempo maior que o praticado pelo módulo suborbital.

Uma das diferenças entre as duas missões é a forma de chegada até o local pretendido. Na primeira, são utilizados foguetes e na segunda é necessário um veículo lançador de satélites que possui maior porte e é mais complexo.

Nos dois casos, após o término da missão, o SARA reentra na atmosfera, tem o sistema de paraquedas acionado e é recuperado em um ponto pré-determinado para ser reutilizado durante a sua vida útil. Veja como funciona o SARA no infográfico abaixo.

Infográfico explica as fases de lançamento do SARA.

Energia em Ambientes Remotos

Já no Instituto de Estudos Avançados (IEAv) está sendo desenvolvido o projeto TERRA, com o objetivo de produzir um dispositivo gerador de energia elétrica com possibilidades de ser transportado para locais de difícil acesso. O dispositivo é baseado no princípio de geração de calor utilizando energia nuclear. 

Os ambientes de difícil acesso podem ser locais variados, como o espaço, incluindo órbita da Terra e outros astros, a superfície de astros como a Lua, Marte, asteroides, etc. Também está incluso o leito oceânico (a 2000m de profundidade) para exploração do petróleo do pré-sal, regiões extremas (regiões polares) da Terra e locais de catástrofes ambientais que venham a ser isolados da malha elétrica.

O sistema possui como fonte térmica o calor produzido em um reator de fissão nuclear. Além de ser utilizado para fazer funcionar satélites, o sistema térmico também proverá propulsão ao dispositivo permitindo o controle da trajetória tornando-o um dispositivo exploratório.

“Eventualmente, o sistema poderá ser utilizado no espaço em satélites, naves espaciais, entre outros”, explica o gerente do projeto, Lamartine Guimarães.

Amanhã você vai conhecer um pouco mais sobre o veículo suborbital VSB-30





Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: Bom leitor que fique claro que meu comentário será somente em relação aos projetos espaciais, pois são os que eu acompanho e me interesso. Antes de mais nada, para poder avaliar melhor o que disse os militares da matéria acima é preciso entender que todo instituto sério de pesquisas e tecnológico do mundo que preze pela objetividade com o intuito de apresentar resultados concretos (leia, que serão realmente utilizados no dia-a-dia de sua sociedade nas diversas áreas existentes possibilitados pelo desenvolvimento da tecnologia espacial) desenvolve três tipos de projetos, ou seja, o projeto de estudo, o de pesquisa e o tecnológico.  Em linguagem simples para que o leitor leigo possa entender, o projeto de estudo visa confirmar a viabilidade de uma teoria qualquer formulada e se ela pode ser realmente aplicável às atividades em questão (neste caso atividades espaciais). O projeto de pesquisa é a colocação em prática dentro do laboratório do que foi efetivamente estudado, e o tecnológico e o desenvolvimento de algum equipamento ou veículo para ser testado na prática fruto do que foi estudado e pesquisado. Todos eles leitor com começo, meio e fim, e sempre pautados na objetividade, ou seja, no compromisso de apresentar resultados concretos a sua sociedade. O que acontece nos projetos espaciais no DCTA/IAE é que não existe esse compromisso, não existe de quem deveria, ou seja, o Governo, a cobrança necessária para traduzir esse esforço em resultados práticos, e diante disso os projetos se arrastam por décadas e alguns deles sequer são concluídos. Vale dizer que os exemplos dentro do PEB são grandes e para sermos justos não só no DCTA/IAE. Não quero com isso culpar os pesquisadores, pois para mim é difícil acreditar que pessoas tratem o fruto de seu trabalho com tanto descaso, mas não há como tapar o Sol com a peneira. Alguém já se perguntou quanto dinheiro público é jogado no lixo com esse tipo de atitude? Ou isso não tem a menor importância? Quer um exemplo, o que foi feito do conhecimento adquirido com o Projeto SIA? Com a palavra o COMAER. Finalizando leitor, quero chamar a sua atenção para a foto do foguete VS-40 tendo abordo o SARA Suborbital-1, uma das poucas até agora divulgadas pela FAB. Bonito não? Pois é, por enquanto só isso mesmo, um 'Belo Antônio' que, após décadas de desenvolvimento, sequer conseguiu ser lançado, explodindo ainda na plataforma de lançamento. Já me perguntaram se realmente haverá prosseguimento deste projeto, resposta que eu não tenho, mas o que mais importa na realidade é (caso haja prosseguimento) quanto tempo mais será necessário para colocar em prática o SARA em suas diversas versões??? Este projeto visionário do saudoso Paulo Moraes Junior tem implicações diversas para o desenvolvimento espacial brasileiro, e o próprio Paulo antes de seu falecimento já trabalhava na fantástica ideia de criar um sistema de acoplagem para a esperada Capsula Orbital do SARA. Enfim... as ideias surgem e morrem por pura falta de objetividade de quem deveria estabelecer, apoiar e cobrar resultados.

5 comentários:

  1. Muito bonito tudo!
    Mas chega na hora não decola nada.
    Dinheiro público sendo jogado no esgoto.

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  2. Bom dia Duda,

    Com estas divulgações, em sua opinião, você considera que o projeto SARA está parado? Este vídeo é novo, eles não iriam produzir um vídeo para fazer propaganda de algo que foi engavetado.

    Att,
    Everton

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    1. Bom dia Everton!

      Veja bem, o vídeo esta sendo apresentado agora, mas não significa que seja necessariamente novo, entende? Olha, eu entendo a expectativa de todos em torno da continuidade do Projeto SARA e compartilho devido as suas implicações tecnológicas, porém vocês precisam entender que, se não houver uma mudança de postura, caso o mesmo continue, o projeto se arrastará por décadas e poderá nem ser finalizado, infelizmente. Quem poderia finalizar este projeto eles colocaram para fora, o Dr. Luís Loures, talvez porque o mesmo queria vê-lo avançar de verdade, não sei, não tenho informações. Resultado, deu no que deu e ele foi para o ITA, onde em pouco tempo coordenou com sucesso o projeto do ITASAT-1 que já está pronto para ser lançado.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Olá Everton!

      Deixe eu fazer aqui uma correção. Quando eu disse "deu no que deu" não significa que o SARA falhou pelo Dr. Luis Loures ter saído da coordenação do projeto, já que na realidade quem falhou foi o foguete VS-40 que explodiu na plataforma. Agora, se o "SARA Suborbital-1" iria ou não cumprir a sua missão, infelizmente isto é algo que jamais saberemos.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. Programa Espacial Brasileiro rende votos para o político? Creio que não, pq a maioria da população brasileira nem sabe ou tem conhecimento que ele existe!
    Político trabalha com popularidade, votos então eles investem no que renderá frutos (votos) na próxima eleição, ou seja sem apoio do governo, sem verba, já sabem o resultado!

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