O Teleporto dos Açores Integrará a Missão Deep Space da Empresa Americana AstroForge
Caros entusiastas das atividades espaciais!
A coluna RADAR, do portal português ECO SAPO, noticiou, em 02/11, que o Teleporto dos Açores integrará a missão de exploração do espaço profundo (deep space) da empresa norte-americana AstroForge. A participação ocorrerá por meio da antena de 15 metros instalada na ilha de Santa Maria, que será utilizada na prestação de Serviços de Telemetria, Rastreamento e Comando (TT&C) da Missão DeepSpace-2, desenvolvida pela companhia dos Estados Unidos.
A materia publicada pelo portal português é ainda mais abrangente e merece ser conferido, pois apresenta um panorama do crescimento e da expansão das atividades espaciais em Portugal.
Credito: ECO SAPO
Bom compatriotas, de acordo com a materia do portal, o Teleporto de Santa Maria vai participar na Missão DeepSpace-2 de americana AstroForge, que pretende realizar uma aproximação a uma asteroide próximo da Terra para obter imagens de alta resolução, um passo para o futuro da mineração de asteroides.
“O Teleporto de Santa Maria irá apoiar as comunicações da missão DeepSpace-2 da AstroForge, que pretende realizar uma aproximação a um asteroide próximo da Terra e caracterizá-lo através de imagens de alta resolução. Esta missão é um passo importante para o objetivo de longo prazo da AstroForge de explorar asteroides metálicos e, no futuro, extrair recursos como metais do grupo da platina”, explica Miguel Boavida, head of Space & Ground Segments da Thales em Portugal, ao ECO/eRadar.
“Não se trata, nesta fase, de uma missão de aterragem nem de regresso de materiais à Terra, mas esse será o plano da empresa no futuro e quem sabe não teremos a oportunidade de fazer esse retorno na ilha de Santa Maria, tirando partido das sinergias que estão a ser criadas na ilha para outras empresas”, precisa o responsável.
"O Teleporto de Santa Maria irá apoiar as comunicações da missão DeepSpace-2 da AstroForge, que pretende realizar uma aproximação a um asteroide próximo da Terra e caracterizá-lo através de imagens de alta resolução. Esta missão é um passo importante para o objetivo de longo prazo da AstroForge de explorar asteroides metálicos e, no futuro, extrair recursos como metais do grupo da platina.
Miguel Boavida
Head of Space & Ground Segments da Thales em Portugal"
Esta não é a primeira vez que o Teleporto de Santa Maria trabalha com a empresa norte-americana. No passado, a Thales em Portugal tinha colaborado com a AstroForge na missão Odin, lançada em fevereiro de 2025 com o objetivo de captar imagens do asteroide 2022 OB5. “No âmbito dessa preparação, a AstroForge integrou e testou o seu sistema de comunicações com a antena de 15 metros em Santa Maria, infelizmente a missão falhou logo após o lançamento”, lembra Miguel Boavida.
Fundada em 2022, por Matt Gialich e Jose Acain, a startup norte-americana, tem como missão desenvolver veículos espaciais de baixo custo para identificar, alcançar e minerar asteroides, uma alternativa com menor impacto ambiental quando comparando com a mineração terrestre. A Odin, a primeira missão interplanetária da companhia, falhou após um problema no sistema de desdobramento dos painéis solares ter deixado a nave sem energia.
“A DeepSpace-2 é um novo tipo de nave espacial interplanetária: de baixo custo, autónoma e concebida para realizar missões com elevada frequência. Com lançamento previsto para o quarto trimestre de 2026, a DeepSpace-2 percorrerá milhões de quilómetros para se aproximar de um asteroide próximo da Terra”, pode ler-se no site da empresa. Uma vez junto do asteroide, o veículo “irá captar imagens de alta resolução para caracterizar a sua forma, estrutura e composição mineralógica”.
E a antena de 15 metros em Santa Maria vai estar envolvida através da prestação de serviços de telemetria, rastreamento e comando (TT&C).
“Na prática, permitirá à AstroForge receber dados de telemetria da sonda, transmitir comandos desde o centro de controlo da AstroForge e acompanhar a posição e o estado do veículo espacial ao longo das fases críticas da missão”, concretiza Miguel Boavida.
“A antena será utilizada desde as fases iniciais após o lançamento, quando o sinal é mais crítico e a sonda ainda se encontra relativamente próxima da Terra, até às fases de cruzeiro e de aproximação ao asteroide”, descreve.
Imagem: DR: Thales
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| Miguel Boavida junto da antena de 15 metros localizada no Teleporto da Thales em Santa Maria. Empresa quer colocar a antena numa rede privada para participar em missões cislunares. |
Açores Poderá Estar Envolvido em Mais Missões Deep Space
A antena, localizada logo à entrada do Teleporto de Santa Maria no Monte das Flores, tem estado mais recentemente envolvida em observação da Terra, mas na sua génese tinha a monitorização do espaço profundo. E a Thales tem ambição de envolver mais este recurso neste tipo de missões, a partir dos Açores, tal como tinha adiantado em maio em entrevista ao ECO/eRadar, Miguel Boavida.
“A antena de Santa Maria foi preparada pela equipa da Thales Portugal especialmente para missões para além da órbita terrestre, incluindo o apoio futuro a comunicações lunares e de espaço profundo e como tal a escolha de Santa Maria para estas missões, resulta de uma combinação de fatores técnicos, regulamentares e geográficos. A antena de 15 metros tem um alto desempenho para missões TT&C nas bandas S e X, com características comparáveis às estações ESTRACK de 15 metros da ESA”, explica head of Space & Ground Segments da Thales em Portugal.
A antena “combina ainda amplificadores de alta potência, elevada precisão de apontamento e capacidade de acompanhar sinais até próximo do horizonte”, atributos “essenciais em missões deep space, em que o sinal recebido é muito fraco e cada minuto adicional de contacto com a sonda tem elevado valor operacional”, destaca Miguel Boavida.
"Este tipo de missões [deep space] pode vir a ter um peso muito relevante na estratégia e na operação do Teleporto de Santa Maria. Representa uma diversificação dos nossos serviços, passando de atividades associadas sobretudo a satélites em órbita terrestre e rastreamento de lançadores, para serviços de maior valor acrescentado no domínio das missões interplanetárias, lunares e de espaço profundo.
Miguel Boavida
Head of Space & Ground Segments da Thales em Portugal"
E a localização do Teleporto também é um fator favorável. “A localização nos Açores oferece condições particularmente favoráveis para este tipo de missões. À medida que o espectro radioelétrico na banda S tem vindo a ser atribuído a operadores de comunicações terrestres, estações situadas junto a grandes áreas urbanas enfrentam constrangimentos de licenciamento e interferência de receção”, aponta Miguel Boavida. “Em Santa Maria, o ambiente radioelétrico é mais favorável, permitindo operações com maior disponibilidade e menor risco de interferência”, acrescenta.
Potencialidades geográficas e de equipamento que a Thales em Portugal quer tirar partido. “Estamos em contactos e negociações para o apoio de outras missões de deep space, incluindo oportunidades relacionadas com comunicações lunares e com redes privadas de médio e longo alcance. Contudo, encontrando-nos ainda numa fase de negociação e como tal não podemos adiantar detalhes sobre clientes ou missões”, adianta, sem mais detalhes.
Credito: ECO SAPO
E um segmento que pode vir a representar uma fatia “relevante” no negócio de Espaço da Thales, tendo como epicentro o Teleporto no Monte das Flores, a partir do qual é prestado apoio às missões de lançamento do Ariane, a partir da Guiana Francesa, por exemplo, e onde a Agência Espacial Europeia tem uma estação instalada para o efeito.
“Este tipo de missões [deep space] pode vir a ter um peso muito relevante na estratégia e na operação do Teleporto de Santa Maria. Representa uma diversificação dos nossos serviços, passando de atividades associadas sobretudo a satélites em órbita terrestre e rastreamento de lançadores, para serviços de maior valor acrescentado no domínio das missões interplanetárias, lunares e de espaço profundo”, aponta Miguel Boavida.
“Estar envolvidos neste novo capítulo da exploração espacial dá ao Teleporto visibilidade internacional, reforça a sua credibilidade técnica junto de operadores espaciais e contribui para posicionar Portugal como um parceiro relevante na infraestrutura de comunicações espaciais”, considera.
“Para Santa Maria e para os Açores, trata-se igualmente de uma oportunidade de valorização de uma infraestrutura estratégica nacional, com potencial para atrair novas missões, clientes e atividades de alta qualificação”, acrescenta.
Brazilian Space
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