terça-feira, 27 de setembro de 2016

Série Espaçomodelismo: Entrevista Com o Cel. Milton de Souza Sanches da TURBOMIL Tecnologia

Olá leitor!

Pois é, dando sequencia a série com profissionais ligados a Educação e ao Espaçomodelismo Brasileiro, trago agora para você outra entrevista significativa desta série que tem o como objetivo divulgar as ações de profissionais que nas ultimas décadas tem contribuído efetivamente para a educação de jovens e para o desenvolvimento do Espaçomodelismo no país.

Nesta sequencia trazemos para você uma entrevista com o Cel. Milton de Souza Sanches, um dos pioneiros do PEB (de forma casual, segundo ele) e envolvido com “Space Education” de forma esporádica sempre que era solicitado, este profissional muito querido por aqueles que fizeram a história do Espaçomodelismo no Brasil, não poderia deixar de ser lembrado por sua participação no desenvolvimento desta atividade no país.

Nesta interessante entrevista este paulistano de 71 anos nos faz um relato sobre a sua trajetória profissional, bem como nos fala sobre as suas expectativas para o futuro do PEB e do Espaçomodelismo no país.

Blog BRAZILIAN SPACE gostaria de agradecer publicamente ao Cel. Milton de Souza Sanches pela disposição de participar desta nossa série de entrevistas, bem como também parabeniza-lo e agradece-lo por tudo que fez e ainda certamente fará pelo Espaçomodelismo Brasileiro.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Milton de Souza Sanches, para aqueles que não o conhecem nos fale sobre o senhor, sua idade, formação e atual função?

Cel. Milton de Souza Sanches
CEL. MILTON DE SOUZA SANCHES: * Idade 71 anos.

* Formação Técnica em 1963 como Mecânico de Voo, na Escola de Especialistas da Aeronáutica (Guaratinguetá – SP).

* Especialização em 1971 como Oficial Especialista em Avião, na Escola de Oficiais Especialistas e de Infantaria de Guarda (Curitiba – PR).

* Graduação em 1978 como Engenheiro de Infraestrutura Aeronáutica, no Instituto tecnológico de Aeronáutica (São José dos Campos – SP).

* Extensão em Engenharia de Armamento Aéreo em 1984, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (São José dos Campos – SP).

* Possuo uma Empresa que desenvolve/produz equipamentos de laboratório para escolas de engenharia.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches é de conhecimento público que o senhor foi um dos pioneiros de nosso Programa Espacial. Como e quando aconteceu este seu envolvimento?

CEL. SANCHES:  Este envolvimento, ocorreu de forma absolutamente casual, em dois períodos: Entre 1979 e 1983, quando trabalhando na Base Aérea de Salvador, o então Cabo Cássio, pediu-me muitas informações sobre foguetes, que para mim até então era um hobby.

Entre 1985 e 1990, como coordenador do Projeto Piranha, com diversos lançamentos, seguido de lançamentos de Sonda IV e Sonda II, tive conhecimento e aproximação com o falecido Baranov, com o Gottman e com o Félix, dentre outros.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches, em sua época quais eram as expectativas e objetivos de todos que trabalhavam no PEB? Havia entusiasmo?

CEL. SANCHES: Os objetivos eram de conseguir um projeto brasileiro de pesquisa espacial e quanto ao entusiasmo, tanto quanto eu pude notar, era contagiante.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches, quais eram naquela época as suas funções nas atividades relacionadas com o PEB?

CEL. SANCHES: Nada oficial. Assim como agora, às vezes solicitam alguma informação.

BRAZILIAN SPACE: Finalizando o assunto sobre o PEB Cel. Sanches, da forma como o governo brasileiro conduz o seu Programa Espacial o senhor ainda acredita num futuro próspero para o mesmo?

CEL. SANCHES: Com sinceridade, não. Temos que lembrar que as prioridades do país não incluem um Programa Especial Completo e sim, somente a parte de utilização imediata que são os satélites, não importa quem os lancem.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches é também sabido que o senhor andou se envolvendo com atividades do chamado (na época) “Space Education”. Como ocorreu seu envolvimento nesta atividade?

CEL. SANCHES: Como acima mencionado, sempre foi de forma esporádica que me pediam alguma colaboração, e quando possível eu procurava ajudar.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches, poucos leitores do Blog sabem que o senhor desenvolveu uma Microturbina (denominada de TS65) voltada para aeromodelos, e também uma Bancada Didática (denominada Labjet) para fins de orientação e familiarização com um turboreator a gás. Fale-nos um pouco sobre esses projetos?

CEL. SANCHES: Na década de 1990, com o enorme crescimento da Embraer e a total falta de propulsores nacionais, procurei desenvolver uma microturbina para aplicação inicial em aeromodelos, seguido de pequenos drones. Em 1999, concluí o projeto e apesar de demonstrar a viabilidade com voos de demonstração em janeiro de 2000, só consegui que um colega de engenharia me chamasse para desenvolver turbinas, primeiro para a Petrobrás e posteriormente para a Vale. Os projetos foram levados até a construção e montagem dos protótipos que ainda hoje estão em condições de funcionamento. Estes últimos trabalhos estavam sendo feitos nas dependências do CTA/ITA, quando um aluno de pós graduação do ITA, Álvaro Abdala, deu a ideia de montar uma microturbina instrumentada em uma bancada Didática autônoma e facilmente deslocável para dentro da sala de aula e para uma área mais livre onde pudesse funcionar. A USP São Carlos foi a primeira a adquirir a Labjet. Devido a outros pedidos, este equipamento é o principal produto da minha empresa

(saiba mais sobre a empresa do Cel. Sanches visitando o site da “TURBOMIL Tecnologia” pelo link: http://turbina.webh.com.br/)

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches, atualmente o senhor está envolvido com outros projetos e caso sim, algum na área de Space Education ou Foguetemodelismo?

CEL. SANCHES: Não diretamente, mas estou auxiliando no projeto de um motor foguete bi- propelente com capacidade de mudança de cabeçote para ensaios de diversos bicos injetores e relações de mistura, além de substituição de garganta e variação de divergente para ser instalado em um laboratório do ITA.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches o foguetemodelismo vem crescendo no Brasil através do surgimento de grupos de fogueteiros dentro das universidades do país.  Como o senhor observa este crescimento?

CEL. SANCHES: Observo com muito bons olhos. Quanto maior o número de envolvidos, maior a chance de conseguirmos aumento de qualidade e de segurança e como consequência, a garantia de que esta atividade seja reconhecida, a ponto de ser incluída no currículo escolar e que empresas passem a fabricar motores foguete com alta qualidade de forma a poderem ser distribuídos, após a legislação adequada, por todo o país.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches, o senhor teria interesse em contribuir de alguma forma para o crescimento desta atividade no Brasil? E Caso sim, como isto poderia ser feito?

CEL. SANCHES: Sim, tenho interesse. A forma adequada teria que ser estudada para que o maior rendimento dos esforços, seja obtido.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches, no Brasil existem atualmente duas iniciativas em nível nacional nesta área de Foguetemodelismo, ou seja, o Festival de Minifoguetes de Curitiba (já consolidado) e a COBRUF - Competição Brasileira Universitária de Foguetes (em fase de consolidação). Como o senhor enxerga estas iniciativas universitárias?

CEL. SANCHES: Enxergo com otimismo. Estas iniciativas é que podem alavancar a atividade.

BRAZILIAN SPACE: Cel. Sanches, em abril deste ano durante a realização da 3ª edição do “Festival de Minifoguetes de Curitiba”, os fogueteiros presentes criaram a “Associação Brasileira de Minifoguetes (ABMF)” ou “Brazilian Association of Rocketry (BAR)”. Como o senhor viu esta iniciativa?

CEL. SANCHES: Em princípio, com muito bons olhos. Eu gostaria de conhecer melhor a forma com a qual pretendem atingir os seus objetivos, para então eu poder tentar auxiliar.

BRAZILIAN SPACE: Finalizando Cel. Sanches, qual a mensagem que o senhor deixaria para esses grupos de fogueteiros e para os jovens que pensam em trabalhar na área espacial?

CEL. SANCHES: Devemos lembrar que para podermos colher bons frutos, são necessários a escolha e a preparação do terreno correto, o plantio adequado e a manutenção das condições de umidade, remoção de ervas daninhas e demais cuidados, antes de podermos ter a colheita bem sucedida. O que pretendo dizer é que apesar do aparente fracasso pela demora maior do que a desejada, pode estar realmente acontecendo é que alguns dos passos do “plantio” foi negligenciado.

Há ainda muito trabalho a ser feito mas, basta que seja feito. Afinal, o desejo da nossa comunidade é ver o Brasil junto aos melhores países do mundo, com relação a difusão do conhecimento, desenvolvimento de projetos e fabricação em larga escala de componentes seguros e de alta performance, para permitir que tanto jovens quanto adultos possam usufruir, com segurança, desta atividade tão cativante.

Veja abaixo as outras entrevistas da Série:

1 - Prof. Alysson Nunes Diógenes da UP (Universidade Positivo de Curitiba)

2 - Prof. José Félix Santana do CEFEC (Centro de Estudos de Foguetes Espaciais do Carpina-PE)

3 - Prof. Carlos Henrique Marchi da UFPR (Universidade Federal do Paraná)

4 - Sr. Paulo Gontran Ramos do CEGAPA (Centro Gaúcho de Pesquisas Aeroespaciais)

5 - Sr. Carlos Cassio Oliveira do CEFAB (Centro Experimental de Foguetes Aeroespaciais da Bahia)

6 - Prof. Dr. João Batista Garcia Canalle da UERJ/OBA (Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Olímpiada Brasileira de Astronomia e Astronáutica)

7 - Prof. Eng. José Miraglia da FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista)

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