sábado, 19 de setembro de 2015

Nanosatélite Brasileiro Entra em Órbita e Começa a Transmitir

Olá leitor!

Veja nessa matéria postada dia (17/09) no site “Inovação Tecnológica”, mais algumas informações sobre o lançamento  do Nanosatélite SERPENS-1.

Duda Falcão

PLANTÃO

Nanossatélite Brasileiro Entra em
Órbita e Começa a Transmitir

Com informações da AEB e Agência Brasil
17/09/2015

[Imagem: AEB/Divulgação]
O lançamento do satélite foi feito por um equipamento
especial de ejeção instalado no laboratório Kibo da
Estação Espacial Internacional.

SERPENS

O nanossatélite brasileiro SERPENS, desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em parceria com várias universidades, foi lançado na manhã de hoje a partir da Estação Espacial Internacional.

O lançamento do satélite foi feito por um equipamento especial de ejeção instalado no laboratório Kibo da estação, pertencente à Agência Espacial Japonesa (JAXA).

Juntamente com o SERPENS, também foi colocado em órbita o satélite japonês S-Cube, projetado pelo Instituto de Tecnologia Chiba.

O nanossatélite está em órbita a uma altitude de cerca de 400 quilômetros e funcionou da forma prevista, sendo capaz de receber e devolver mensagens que podem ser baixadas de qualquer lugar do planeta.

SEM CRÉDITOS

Cerca de 30 minutos após o lançamento, o sistema foi ligado e as antenas liberadas, deixando o pequeno satélite pronto para se comunicar com a Terra.

"Um radioamador brasileiro captou sinais e nos enviou. Decodificamos os sinais de identificação e comprovamos que é mesmo o SERPENS," relatou o diretor de satélites da AEB, Carlos Gurgel, sem dar os créditos ao radioamador que prestou seus serviços ao projeto.

O nanossatélite deverá ficar em órbita por cerca de 6 meses, tempo em que vai perdendo a velocidade até reentrar na atmosfera terrestre, desintegrando-se com o calor.

O SERPENS é o terceiro cubesat nacional a ser colocado no espaço, sendo o segundo a ser lançado da Estação Espacial - o outro foi o AESP-14. Já o pioneiro NanosatC-Br1 foi lançado por um foguete russo.

EXPERIMENTOS COM NANOSSATÉLITES

O Nanossatélite SERPENS é o primeiro do projeto Sistema Espacial para Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites, um consórcio entre a AEB e universidades federais para o desenvolvimento de nanossatélites de baixo custo por estudantes universitários.

Participam do projeto a Universidade de Brasília (UnB), universidades federais do ABC (UFABC), de Santa Catarina (UFSC), de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto Federal Fluminense (IFF). O objetivo é capacitar profissionais e consolidar novos cursos de engenharia espacial.

Essa primeira missão do projeto Serpens está sendo coordenada pela Universidade de Brasília, mas a proposta é que as instituições envolvidas revezem a liderança. A previsão é que a Universidade Federal de Santa Catarina coordene o desenvolvimento do SERPENS 2.


Fonte: Site Inovação Tecnológica - http://www.inovacaotecnologica.com.br/

Comentário: Bom, corrigindo a matéria, segundo a classificação internacional o SERPENS-1 não é considerado um cubesat (este incluído na categoria dos picossatélites) e sim um nanosatélite. Já o AESP-14 que infelizmente não funcionou, e o NanosatC-Br1 (apesar do nome) que continua parcialmente operacional no espaço após mais de um ano, estes sim são cubesats.  Outra coisa leitor, chamo a sua atenção para o período de vida previsto para o SERPENS-1 (seis meses). Não compreendi bem o porquê isto acontece, mas segundo fui informado este período baixo de vida está diretamente ligado à escolha pelo lançamento desses satélites através da Estação Espacial, sendo por isso que a equipe do Programa NanosatC do INPE opta por lançar seus satélites através de um veículo lançador normal, permitindo assim um maior período de vida aos seus satélites (o próximo será o Nanosatélite NanosatC-Br2 que será lançado em 2016 provavelmente e novamente por um foguete russo).

10 comentários:

  1. O primeiro radioamador que captou os sinais do SERPENS foi o Edson PY2SDR.
    Em seguida, foi captado também por Roland PY4ZBZ:

    http://www.qsl.net/py4zbz/serpens.htm

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  2. Olá , para colaborar. Esses satélites educacionais estão a usar as frequencias destinadas ao serviço de radioamador. Além de poder receber os dados os radioamadores pelo mundo devem ser capazes de identificar as transmissões. Entendendo que, não se pode transmitir absolutamente nada que tenha obscuridade,texto cifrados.... etc... Paulo PV8DX

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  3. Duda,

    O SERPENS é sim um CUBESAT, no formato 3U (10x10x30 cm)
    Um cubesat 1U mede 10x10x10 cm, e um 2U mede 10x10x20 cm.
    O que define um cubesat são essas medidas em múltiplos de 10 cm.

    E pelas suas MASSAS, todos os cubesats 1U, 2U e 3U estão na categoria de NANOSATÉLITE (massa entre 1 a 10 kg). Um 1U tem massa entre 1 a 1,4 kg.

    Portanto, o SERPENS é um nanosatélite no formato cubesat 3U.

    E o dispositivo J-SSOD pelo qual foi ejetado da ISS só serve para ejetar CUBESATS de até 3U, pois tem as suas medidas internas ajustadas para poder receber satélites com base quadrada de 10x10 cm.

    73 de Roland PY4ZBZ

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    1. Caro 73 de Roland PY4ZBZ!

      Cubesats são Picosatélites em formato de cubo. O SERPENS não tem formato de Cubo e nem suas dimensões 10x10x10 cm, portanto não é um Cubesat. Infelizmente a mídia internacional criou essa historia de Cubesat 2U (10x10x20 cm), 3U (10x10x30 cm) e assim por diante, para informar didaticamente aos leigos que foram usados mais de um cubo para o seu desenvolvimento facilitando assim o entendimento. Entretanto, Cubesats são Picosatélites, como são também os Tubesats. O SERPENS está na categoria de Nanosatélites. Veja abaixo a classificação internacional:

      Classificação Internacional

      Satélites Grandes: Acima de 1.000 kg
      Satélites Médios: De 500 à 1.000 kg
      Minisatélites: De 100 à 500 kg
      Microsatélites: De 10 à 100 kg
      Nanosatélites: De 1 à 10 kg
      Picosatélites: 0.1 à 1 kg
      Femtosatélites: Abaixo de 0.1 Gr.

      Quanto o dispositivo japonês J-SSOD instalado na ISS, corrigindo o que você disse, ele serve para lançar picosatélites e nanosatélites formados por até três estruturas em formato Cubesat. Tá ok amigo?

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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    2. Duda,

      Sobre o J-SSOD, veja isso:

      NanoRacks CubeSat Deployer
      From Wikipedia, the free encyclopedia
      The NanoRacks CubeSat Deployer (NRCSD) is a device to deploy CubeSats into orbit from the International Space Station.

      Currently,[citation needed] there are two CubeSat deployers on board the International Space Station (ISS): The Japanese Experiment Module (JEM) Small Satellite Orbital Deployer (J-SSOD) and the NanoRacks CubeSat Deployer (NRCSD). The J-SSOD is the first of its kind to deploy small satellites from the International Space Station. The NRCSD is the first commercially operated small satellite deployer from the ISS, maximizing full capabilities of each airlock cycle[clarification needed] of deployments.

      CubeSats belong to a class of research spacecraft called nanosatellites. The basic cube-shaped satellites measure 10 centimeters (3.9 in) on each side, weigh less than 3 pounds (1.4 kg), and have a volume of about 1 liter (0.22 imp gal; 0.26 U.S. gal), although CubeSats are built, and deployed, that are multiples of 10 cm in length.

      73 de Roland PY4ZBZ

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  4. Duda:

    O Roland está certo. Mas você também em parte. O documento que criou o padrão cubesat, que está na sua 15ª revisão - Conceptual Design Review - CDR (veja-o em www.cubseat.org) define os cubesats 2U e 3U como o Roland menciona, que é o caso do SERPENS como um 3U. Mas eles são também nanosats ou picosats, dependendo da classificação que pode variar muito conforme o apresentador ou o doc consultado. Hoje já se tem cubesats 6U, 8U, 12U 15U etc, com o padrão U. Os americanos tendem a chamar estes sats de Usats. Os europeus e japoneses gostariam de chamá-los "lean satellites" (ou seja "satélites magros"!). Há uma discórdia. Por isto, tanto a IAA quanto a ISO estão emitindo normas que deverão acabar com estas dúvidas e que deverão ser emitidas no próximo ano.
    Abraços
    Otavio

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    1. Valeu Dr. Durão!

      Obrigado pelos seus esclarecimentos.

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  5. Duda:

    Com relação à vida útil do SERPENS lançado da ISS ser de 6 meses, é devido à altitude da ISS. Até hoje nenhum cubesat lançado de lá durou mais do que isto. Mas acredita-se que haverá em futuro próximo, alterando-se a relação massa e área de arrasto do satélite em órbita, possibilidade de se ter duração de um ou mesmo dois anos, dependendo da data de lançamento e da atividade solar neste período. Mas este tempo não é necessariamente ruim porque evita os debris que são hoje de fato a maior resistência aos cubesats e nanosats. Em 600 km. de altitude, como no caso do NanosatC-Br1, um 1U fica em órbita cerca de outros 20 anos depois de encerrar a sua vida útil!! Ou seja, o "lixo" espacial estará lá por muito tempo sem gerar dados que motivaram a existência do satélite. Uma das soluções para se evitar este tipo de risco será lançar os cubesats em uma órbita mais baixa, mesmo que não seja através da ISS. Por exemplo, o nosso NanosatC-Br2, como você diz, deverá ser lançado por um lançador DNEPR, como o Br-1, mas a uma altitude significativamente menor, cerca de 450 km. Este tipo de lançamento, a esta altitude menor, deverá ser cada vez mais oferecido, devido ao interesse nos cubes e nanos e como uma forma de minimizar a colocação de debris em órbita baixa, normalmente usadas por satélites de grande porte, principalmente de sensoriamento remoto.

    Abraços

    Otavio

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    1. Valeu Dr. Durão!

      Creio que agora ficou mais claro para mim e para os meus leitores. Uma vez mais obrigado.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  6. Duda,

    Sobre o porquê dos satélites lançados/ejetados a partir da ISS (e ela própria ! não fossem os constantes reboosts) duram tão pouco, favor vejam aqui:

    http://www.qsl.net/py4zbz/satelite/atrito.htm

    73 de Roland PY4ZBZ

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