sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Governo do Maranhão Recusa “Enclave” e Quer Maior Papel em Alcântara

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na edição de setembro do “Jornal do SindCT” destacando que o Governo do Maranhão recusa “Enclave” e quer maior papel na Base de Alcântara.

Duda Falcão

BRASIL

Governo do MA Recusa “Enclave” e
Quer Maior Papel em Alcântara

Estado quer participar dos projetos em torno do centro de lançamentos

Antonio Biondi
Jornal do SindCT
Edição nº 40
Setembro de 2015


Secretário estadual de C&T, Bira do Pindaré quer criar junto ao CLA um Parque Tecnológico e um Centro de Vocação Tecnológica. E avisa: projeto almejado tem de ser “maranhense, nordestino e brasileiro”, o que inclui o respeito às populações quilombolas. O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, que completou 32 anos em março, vive um ano marcante. Em julho último ocorreu o rompimento do acordo entre Brasil e Ucrânia em torno do lançamento comercial de satélites, comprometendo a construção das instalações da binacional Alcantara Cyclone Space, hoje a caminho da extinção (ver edição 39 do Jornal do SindCT). Em 22 de agosto, rememorou- -se a catástrofe que, doze anos antes (2003), levou à morte 21 servidores civis do DCTA e destruiu totalmente a Torre de Lançamento.

Por outro lado, a posse do governador Flávio Dino (PCdoB) no início de 2015, interrompendo as sucessivas gestões da família Sarney, cria novas expectativas políticas no Maranhão, que envolvem o futuro de Alcântara e do CLA.

Considerado um dos melhores locais do mundo para o lançamento de foguetes, em razão de sua proximidade à Linha do Equador, o CLA é alvo da cobiça de países como EUA, Rússia e França, que vêm realizando nos últimos meses gestões junto ao governo brasileiro a fim de suceder a Ucrânia nas parcerias com o Brasil. Em entrevista exclusiva ao Jornal do SindCT, o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Maranhão, Bira do Pindaré, explica que a gestão do governador Flávio Dino pretende afirmar uma nova posição do Estado em relação ao CLA. Disposto a desenvolver um núcleo tecnológico na região, o secretário afirma que “é preciso que o Maranhão e o Nordeste tenham parte nisso”, para que a base de Alcântara “não seja um enclave no território, mas algo que interaja com a realidade local”.

Em especial, destaca o diálogo com as comunidades quilombolas da região que, vítimas de injustiças e descaso históricos, ainda por cima foram retiradas de suas áreas tradicionais a fim de dar lugar às instalações do CLA.

Ocupando as últimas posições em termos de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, com o maior índice de exclusão digital entre as unidades da federação e apresentando graves problemas de acesso ao ensino superior (possui o menor número de pessoas graduadas por habitante no país), o Maranhão apresenta enormes desafios para o novo governo. “Estamos praticamente em último em tudo. É uma tragédia”, resume o secretário. Sua pasta elaborou um plano de Ciência e Tecnologia (C&T) focado na superação dessa realidade, seguindo as diretrizes gerais da nova gestão. A seguir, os principais trechos das declarações de Bira do Pindaré, organizadas por tópicos.

Projeto Maranhense”

“Estamos traçando as pesquisas e o desenvolvimento em Ciência e Tecnologia olhando para a realidade do povo. O Maranhão possui uma população extremamente empobrecida, de modo que desenvolvemos um plano em C&T que fosse focado na superação dessa realidade. Buscaremos fortalecer a rede de educação profissional e tecnológica no Estado, que inexiste — a rede era toda federal. “

Em relação à Base de Alcântara, a região é considerada um dos melhores lugares do mundo para se lançar satélites. Não queremos ficar só com o trauma das comunidades quilombolas que foram deslocadas para a implantação da Base [CLA]. Queremos que ela funcione, que sejam retomados os acordos internacionais para tanto, que o desenvolvimento tecnológico nacional no setor seja fortalecido e que o Programa Espacial Brasileiro (PEB) seja retomado em todas suas frentes, com força.” “Somos a favor da Base, mas que ela possa beneficiar o povo daqui, que seja algo que interaja com a realidade local. Entendemos que é preciso que o Maranhão e o Nordeste tenham parte nisso. Queremos que ela seja um projeto maranhense, nordestino e brasileiro. Que tenhamos participação efetiva e que a Base não seja um enclave no nosso território.”

“O governador Flávio Dino foi visitar oficialmente a Base e ouvir seus dirigentes logo após tomar posse. Também esteve pessoalmente com a presidente Dilma, ocasião em que fez a defesa de que a Base fosse retomada, mas dentro dessa perspectiva de inclusão do Estado.” “Defendemos que o Maranhão seja contemplado com um Parque Tecnológico — não temos nenhum. E que esse Parque seja na região da Base, atraindo empresas, universidades e outras instituições, para que possa gerar empregos, pesquisa e atividades de pós-graduação ali adensadas — desenvolvendo um ambiente de pesquisa e inovação voltadas ao setor aeroespacial. Poderíamos capacitar pessoas nas diferentes áreas ligadas ao PEB e ao setor por meio de um Centro de Vocação Tecnológica (CVT) em Alcântara.”

“Defendemos que a capital São Luís também conte com um Parque Tecnológico voltado a desenvolver as potencialidades e necessidades do Maranhão nesse sentido.

Instituto Federal “

No início do nosso governo foi criada uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) em Alcântara.

Trata-se da primeira unidade de ensino tecnológico na região. Indiscutivelmente, uma grande conquista.

Propicia que a juventude seja incorporada em torno da Base e se beneficie da presença dela na região. E a mão de obra local poderá ser qualificada para colaborar nas diferentes funções técnicas existentes na Base. Esse já foi, portanto, um primeiro grande passo.” “Além disso, criamos o IEMA, que vai formar pessoas no ensino médio técnico e no ensino superior tecnológico em localidades complementares às unidades da rede federal.

Nossa meta é implementar 23 unidades, todas com recursos próprios, sendo cinco delas a partir de fevereiro de 2016. O IEMA poderá ser uma ferramenta importante para a formação de pessoas e para o funcionamento e fortalecimento de Alcântara.” “O que está faltando é apenas oportunidade.

É preciso que haja investimentos. A capacidade e a disposição estão colocadas. Queremos sensibilizar o governo federal. A Base é de grande importância para a soberania tecnológica do país. Queremos que também seja contemplada a perspectiva de que os satélites nacionais sejam desenvolvidos no Estado. Não desejamos que esse desenvolvimento seja exclusivo do Maranhão, mas que participemos.

Quilombolas“

Trabalhamos com uma visão muito firme de defesa dos direitos dessas comunidades. Trata-se de uma bandeira do governo atual, especialmente em relação aos quilombolas. Não aceitamos qualquer postura de truculência e de violência em relação ao nosso povo.” “Defendemos que a Base seja retomada e desenvolvida, mas não em prejuízo da população local, sobretudo a quilombola. A expectativa é de que ela traga benefícios aos moradores da região. Estaremos totalmente vigilantes para que essa perspectiva positiva predomine.”


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 40ª - Setembro de 2015

Comentário: Bom, como cidadão brasileiro, nordestino e consciente da importância do programa espacial para o futuro de nosso país, sinceramente Governador Flávio Dino e Secretário Bira do Pindaré, espero que vocês estejam realmente comprometidos com o que dizem neste artigo, e pelos motivos corretos, e principalmente ouvindo quem realmente conhece do assunto e só apoiando e cobrando dos energúmenos de Brasília as melhores escolhas motivadas pelas razões corretas de desenvolvimento e não as políticas tresloucadas e irresponsáveis como era, por exemplo, a do acordo com a Ucrânia. A instalação de uma unidade do CVT Espacial em Alcântara deve ser um objetivo natural e esperado, mas como parte do Centro Espacial de Alcântara (CEA), iniciativa antiga e pelo que sei já em curso, porém a passo de tartaruga e sem qualquer compromisso do desgoverno da DebiOgra.

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