quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Telescópio Brasileiro Para Observação do Sol é Lançado pela NASA

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada hoje (28/01) no site “Inovação Tecnológica” destacando que Telescópio Solar desenvolvido por pesquisadores do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em colaboração com colegas da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), foi lançado pela NASA.

Duda Falcão

ESPAÇO

Telescópio Brasileiro Para Observação
do Sol é Lançado pela NASA

Com informações da Agência Fapesp
28/01/2016

[Imagem: CRAMM]
Instrumento científico Solar T, transportado por um balão estratosférico, está
em voo de circunavegação na Antártica captando a energia que emana das
explosões solares em frequências nunca medidas.

Solar-T

A NASA lançou um balão estratosférico que transporta dois equipamentos científicos voltados a estudar o Sol. O lançamento foi feito em McMurdo, base dos Estados Unidos na Antártica, na última segunda-feira (18).

Um dos equipamentos é o Solar-T, um telescópio fotométrico duplo, projetado e construído no Brasil por pesquisadores do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em colaboração com colegas da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas).

O outro equipamento é o experimento de raios X e gama GRIPS (sigla em inglês de Gamma-ray Imager/Polarimeter for Solar Flares), da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, ao qual o Solar-T foi acoplado.

Sol em Terahertz

A grande novidade científica das observações realizadas pelo Solar-T é que ele é capaz de captar a energia que emana das explosões solares em duas frequências inéditas, de 3 e 7 terahertz (THz) - daí o "T" no nome do telescópio - que correspondem a uma fração da radiação infravermelha distante.

"Essas frequências de 3 e 7 terahertz são impossíveis de serem medidas a partir do nível do solo porque são bloqueadas pela atmosfera. É necessário ir para o espaço para medi-las", disse Pierre Kaufmann, pesquisador do CRAAM e coordenador do projeto.

Situada no espectro eletromagnético entre a luz visível e as ondas de rádio, a radiação terahertz (1 trilhão de Hertz ou 1012 Hz) permite observar mais facilmente a ocorrência de explosões associadas aos campos magnéticos das regiões ativas do Sol, que muitas vezes lançam em direção à Terra jatos de partículas de carga negativa (elétrons) aceleradas a grandes velocidades.

Nas proximidades do planeta, essas partículas normalmente produzem as belas auroras austrais e boreais, mas, em intensidades muito grandes, podem interferir no funcionamento de satélites de telecomunicações e, em última instância, até mesmo nas redes elétricas em terra.

As emissões terahertz no Sol só foram descobertas recentemente, e o Solar-T poderá ajudar a elucidar sua origem. Elas podem ser geradas, por exemplo, por mecanismos de aceleração de partículas a altos níveis de energia, antes insuspeitados.

Uma das hipóteses é a de que as emissões sejam produzidas por elétrons ultrarrelativísticos, acelerados por campos eletromagnéticos até velocidades próximas à da luz. "Outras cogitações relacionam sua origem com o decaimento de píons, produzindo pósitrons de alta energia", disse Kaufmann


[Imagem: NASA/SDO/Wiessinger]
Uma explosão solar aparece muito diferente quando vista em cada
comprimento de onda - ainda não havia observações em terahertz,
como as que estão sendo feitas pelo Solar-T.

Lançamento de Graça

O custo de experimentos espaciais a bordo de balões estratosféricos é muito menor em comparação ao uso de satélites lançados por foguetes. Neste caso, porém, sequer houve custos para a equipe brasileira.

"Não tivemos que pagar nada pela missão porque fomos convidados pelo grupo de pesquisadores do experimento GRIPS a participar do projeto após apresentarmos o Solar-T em uma conferência internacional. Estávamos à procura de um lançador para o telescópio e tínhamos até um projeto de ter um lançador próprio," contou Kaufmann.

Igualmente importante, o Sol também nunca se põe no Polo Sul nesse período do ano, ampliando as observações. Além disso a circulação estratosférica de vento - o chamado vórtice - em volta do Polo Sul é favorável nessa época do ano.

Dessa forma, é possível coletar ininterruptamente a luz emitida pelo Sol. "Mesmo agora, em que o Sol está em uma fase de queda de ciclo, a chance de detectar uma explosão razoável, observando por 24 horas diariamente e em um período entre 20 e 30 dias em que o Solar-T ficará na estratosfera, é muito boa", avaliou Kaufmann.


[Imagem: NASA]
O balão levando os dois instrumentos, momentos antes de seu lançamento, e
um mapa com o trajeto de circunavegação iniciado logo após o lançamento.

Fotômetros Terahertz

Para fazer as medições, o Solar-T conta com dois fotômetros (medidores de intensidade de fótons), coletores e filtros para bloquear radiações de frequências indesejáveis (infravermelho próximo e luz visível), que poderiam mascarar o fenômeno, e selecionar as frequências de 3 e 7 terahertz.

Os dados coletados pelo telescópio são armazenados em dois computadores a bordo do equipamento e transmitidos compactados à Terra, por meio de um sistema de telemetria, valendo-se da rede de satélites Iridium. Os dados transmitidos à Terra são gravados em dois computadores no CRAMM.

"A transmissão dos dados obtidos pelo Solar-T para a Terra garante a obtenção das informações coletadas caso não seja possível recuperar os computadores a bordo do equipamento, porque as chances são muito baixas," afirmou Kaufmann. "A Antártica é maior do que o Brasil, tem pouquíssimos lugares de acesso e não há como controlar o lugar onde o balão deve cair."

De acordo com o pesquisador, os dois fotômetros THz, os computadores de dados e o sistema de telemetria do Solar-T estão funcionando normalmente, alimentados por duas baterias recarregadas por painéis solares.

Os dados terão que ter precisão de apontamento e rastreio do Sol de mais ou menos meio grau. Esse nível de precisão deverá ser assegurado por um sistema automático de apontamento e rastreio do GRIPS, com o qual o Solar-T está alinhado.

"Por enquanto, ainda não houve nenhuma grande explosão solar captada pelo Solar-T. Mas, caso ocorra, o equipamento poderá detectá-la e enviar os dados para analisarmos," disse Kaufmann.


Fonte: Site Inovação Tecnológica - http://www.inovacaotecnologica.com.br

Comentário: Pois  é leitor, quem tem competência e compromisso com o que faz mesmo vivendo num universo de “Faz de Conta”, consegue fazer a diferença, parabéns as equipes deste projeto que já havia sido abordado aqui no Blog anteriormente. Entretanto está é mais uma prova do caos que se instalou nas atividades espaciais do país sobe o comando desta debiloide e de seu escudeiro banana. Muitos não sabem, mais o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais tem um Departamento de Astrofísica especializado nessas missões científicas através de Balões e não creio (posso até estar enganado) que se tivéssemos um programa espacial sério, compromissado e dirigido com competência e com o firme propósito de apresentar resultados a sociedade brasileira, e não fantasias, não teríamos de recorrer a uma missão da NASA para lançarmos este telescópio solar. Recordo-me que em 2004 este mesmo departamento do INPE vinha desenvolvendo um fantástico projeto denominado MASCO (veja aqui) que tinha como objetivo desenvolver um telescópio capaz de obter espectros e imagens em raios-X e gama de fontes cósmicas. Este experimento empregava a técnica de imageamento conhecida como “MÁSCARA CODIFICADA”, daí o nome do projeto, mas como sempre acontece em nosso Patinho Feio, não há registro do projeto ter sofrido continuidade. Infelizmente é como eu digo, poderíamos ter avançado muito em várias áreas das atividades espaciais e hoje estarmos completamente independentes, mas ficamos pelo caminho por que assim os desgovernos civis de merda decidiram. Veja você como essa gente não tem o mínimo compromisso e competência com o que fazem. A última deles recentemente foi tirar o site da Agência Espacial do ar, substituindo por um site de CHAT onde lhe cobram que se inscreva para participar. Veja bem leitor, nada contra ao tal do CHAT, mas como você tirar o site da Agência do ar sem qualquer comunicação a Sociedade? Imagine se a NASA fizesse isto nos EUA? É como eu digo, o que se pode esperar de um órgão sob o comando de um tremendo Banana? Pois é leitor, enquanto as atividades espaciais do país estiverem sob o comando desta gente e desses políticos de merda, não há a menor esperança de realizarmos algo de significativo no espaço, há não ser em situações pontuais como esta através de iniciativas dos próprios pesquisadores. Uma vez mais parabéns a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a UNICAMP, WELL DONE galera.

2 comentários:

  1. Caro Duda:

    Gostaria apenas de fazer um reparo ao seu comentário, no tocante ao balão utilizado para o lançamento do telescópio. Conforme referido pela matéria, para máxima eficiência (no caso, captar o máximo possível de luz solar), é necessário que o experimento seja lançado de uma zona de alta latitude (da Rússia, em 2014, e da Antártida, há poucos dias). Obviamente, o Brasil está situado nas proximidades dos trópicos, o que impediria o cumprimento do requisito acima mencionado.

    Ademais, na Antártida, somente a estação norte-americana de Mc Murdo possui instalações aptas ao lançamento de balões estratosféricos (que são muito diferentes de balões meteorológicos), sendo esse o sítio ideal para tal missão, inclusive pelo fenômeno do vórtice estratosférico, referido na matéria. A “LDB (Long Duration Balloon) facility” é algo realmente impressionante (como tudo o que se refere à base McMurdo), principalmente quando se considera as extremas dificuldades logísticas das atividades antárticas. Aliás, realmente vale a pena dar uma olhada nos sites abaixo:
    http://www.jpl.nasa.gov/blog/2015/11/the-long-duration-balloon-facility
    https://scienceroadshow.wordpress.com/2013/01/03/the-long-duration-balloon-project-mcmurdo-station/

    Atenciosamente,
    Fabricio Tavares

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    1. Caro Fabrício!

      Você não entendeu meu comentário. Eu sei que diante dos objetivos e especificações de algumas destas missões, alguns destes lançamentos são obrigados a serem realizados fora do território brasileiro. O que eu discuto é que estes lançamentos seja realizados por outras nações contando o Brasil com a boa vontade deles. Fabrício o Departamento de Astrofísica do INPE tem experiência suficiente para realizar uma missão como esta no Brasil ou além mar de forma conjunta ou não. Por exemplo, não digo em ralação ao lançamento realizado na Rússia deste projeto (como citado por você) que evidentemente teria de ser conjuntamente com os Russos, mas sim em relação ao lançamento da Antártida, tenha dó. Se tivéssemos realmente um governo comprometido com este importante setor, uma instalação semelhante para este tipos de pesquisas já deveria está instalada na Base Comandante Ferraz ou em local próximo há muito tempo, principalmente sabendo-se que o INPE é um dos playes que realizam pequisas científicas na Antártida há décadas, sendo evidentemente instalações para lançamento de baloes um passo natural. Fabrício o PEB tem mais de 54 anos. A verdade Fabrício é que, goste você ou não, o Programa Espacial Brasileiro não existe como programa e continuará não existindo, até que se compreenda que sem seriedade e comprometimento, o que resta são fantasias, exploradas pelos vermes sem escrúpulos que militam os bastidores de Brasília e pelo Brasil afora nos diversos níveis de governo. Tá ok amigo?

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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