terça-feira, 7 de julho de 2015

Uma Empresa Brasileira Para Integração de Sistemas Espaciais

Olá leitor!

Segue abaixo mais uma entrevista com o presidente da empresa VISIONA, o Sr. Eduardo Bonini, publicada na edição de junho da “Revista Tecnologia & Defesa” e postada ontem (06/07) pelo companheiro André Mileski em seu Blog “Panorama Espacial”.

Duda Falcão

Uma Empresa Brasileira Para
Integração de Sistemas Espaciais

O presidente da Visiona fala à T&D

Revista Tecnologia & Defesa
Nº 141, junho de 2015

Criada em 28 de maio de 2012, a Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal de telecomunicações Telebras, nasceu com o propósito de atuar como integradora nacional (prime contractor) de sistemas espaciais, em linha com os preceitos do PNAE 2012-2021.

O SGDC, para o qual foi contratada pelo Governo Federal, em dezembro de 2013, é seu grande projeto, muito embora a companhia tenha outras ações e pretensões já bem definidas. Além de satélites de comunicações, se propõe a exercer o papel de prime contractor em futuras missões de satélites do PNAE e do PESE, e o SCD-Hidro, projetos que necessariamente devem envolver um maior envolvimento industrial nacional.

A Visiona tem analisado iniciativas no campo de tecnologias críticas para o setor espacial, como sistemas de controle de atitude e órbita. Em audiência no Senado Federal, em novembro de 2014, seu presidente, Eduardo Bonini, falou sobre a intenção em desenvolver algo nesse segmento. “Nós estamos analisando a possibilidade de começar um desenvolvimento sobre esse software, que é um sistema altamente preciso; consiste na manutenção de órbita e controle de posição de movimento do satélite, uma tecnologia que não é dominada pelo Brasil e é a tecnologia central para controle do satélite e integração dos sistemas”, afirmou.

Em maio último, Bonini concedeu a seguinte entrevista à revista:

Tecnologia & Defesa - A Visiona surgiu com o principal propósito de atuar como integradora em missões do Programa Espacial Brasileiro. Neste cenário, são consideradas possibilidades de aquisições de empresas como forma de consolidar este setor industrial no País?

Eduardo Bonini - A Visiona, antes de iniciar qualquer aquisição de empresas, pretende que, com novos projetos e contratos, possa fortalecer a cadeia de fornecedores locais já existentes, inclusive ajudar esses fornecedores a serem capacitados e incluídos na rede de fornecedores internacionais de componentes e subsistemas espaciais. No futuro, seriam identificados os processos industriais de maior sinergia com as atividades da empresa, que poderiam ser desenvolvidos na Visiona de forma orgânica ou por meio de aquisições.

Tecnologia & Defesa - O senhor poderia falar um pouco sobre o status do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), tanto do segmento espacial quanto do terrestre?

Eduardo Bonini - O desenvolvimento do satélite vem acontecendo exatamente dentro do prazo planejado no início do programa, estando hoje algumas semanas adiantado em relação à programação original, mantendo a meta do lançamento para o início da janela programada, que é setembro de 2016.

Esta janela está relacionada ao serviço contratado junto ao fabricante do lançador do satélite, que pode ter uma variação de seis meses. Estamos trabalhando de forma coordenada entre a fabricação do satélite e a disponibilidade do lançador, para lançamento no início dessa janela. O processo de colocação do seguro de lançamento no mercado está concluído, inclusive com a participação de seguradoras e resseguradoras nacionais, e a contratação da apólice agora depende de decisão final da Telebras.

Os equipamentos que comporão os Centros de Controle do satélite estão prontos para serem embarcados para o Brasil, aguardando a disponibilização pela Telebras das salas técnicas onde deverão ser instalados. A contratação dos gateways e terminais de usuário está sendo conduzida pela Telebras dentro das suas capacidades técnicas e orçamentárias.

T&D - Quais são as perspectivas para a contratação de um segundo satélite de comunicações? A Visiona já mantém conversações com o governo neste sentido?

Eduardo Bonini - Esta é uma decisão única e exclusiva de nosso cliente, que deverá avaliar a necessidade ou não de um satélite adicional, baseado na demanda e nas capacidades deste primeiro satélite.

T&D - Em abril deste ano, o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Jackson Schneider, falou sobre o interesse da empresa em atuar no campo de lançadores, tendo citado, inclusive, o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), contando com a participação da Agência Espacial da Alemanha (DLR). O senhor poderia comentar a respeito?

Eduardo Bonini - Este assunto diz respeito à Embraer Defesa e Segurança, sem o envolvimento da Visiona.

T&D - Sabe-se que, além do SGDC, a Visiona está atenta a outras oportunidades mais imediatas na área como o projeto do SCD-HIDRO, e tecnologias de controle de satélites. Isso foi, aliás, citado pelo senhor em audiência pública no Senado Federal em novembro de 2014. Como estão tais iniciativas e quais são as suas expectativas?

Eduardo Bonini - A Visiona está e estará sempre atenta tanto a novas oportunidades para realização de novos negócios, como para a necessidade de desenvolvimento de tecnologias que ainda não sejam dominadas pelo País. Aguardamos, com todo interesse, que apareçam novas oportunidades onde nossa empresa possa contribuir para o desenvolvimento e entrega das necessidades satelitais demandadas pelo governo brasileiro. Nossa expectativa é que estes projetos sejam lançados o quanto antes, ainda neste ano de 2015.

Quanto à capacitação em tecnologias críticas, a Visiona iniciou o projeto de desenvolvimento de um sistema de controle de atitude para satélites de órbita baixa. Esse projeto permitirá um elevado grau de autonomia nacional nas futuras missões de satélite tanto para aplicações civis quanto de defesa.

T&D - O Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), da Agência Espacial Brasileira (AEB), lista uma série de missões futuras de satélites, como o SGDC, em desenvolvimento; observação terrestre - incluindo tecnologia radar; meteorologia; entre outras. Como isso se inclui no planejamento da Visiona e, após o SGDC, quais serão os próximos passos no âmbito do PNAE?

Eduardo Bonini - O PNAE é um programa muito bem elaborado pela AEB e apresenta detalhes que ajudam as empresas a se prepararem para atender a essas futuras necessidades, através de seu desenvolvimento e capacitação. Assim como todas as empresas do setor, estamos nos preparando para esses projetos e aguardamos que o programa possa ser implantado da maneira mais rápida possível, entendendo a situação pela qual o País passa em relação ao ajuste fiscal.

T&D - O Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa, é outra oportunidade que tem atraído atenções e gerado movimentações, apesar das questões orçamentárias que acabaram por atrasar a sua implementação. Qual é a visão e a estratégia da Visiona em relação ao assunto?

Eduardo Bonini - A estratégia é a mesma descrita em relação ao PNAE. Inclusive, para o PESE, parte das soluções que estão sendo estudadas para aplicações de plataformas satelitais, poderiam ter uso dual, tanto civil como militar, para diversos tipos de tecnologia, tais como ótico, radar, comunicação tática, etc. Estamos olhando para os dois planos de forma integrada, buscando soluções que possam ser aplicadas de forma conjunta, o que minimizará custos e potencializará o envolvimento da base industrial local.

T&D - O uso crescente de nanossatélites, como cubesats, é uma tendência mundial, havendo vários projetos sendo desenvolvidos no Brasil, com alguns já implementados com sucesso. A Visiona tem considerado esta tecnologia em seus planos e elaboração de propostas para o atendimento de demandas locais?

Eduardo Bonini - Temos acompanhado a evolução da tecnologia e concordamos que a tendência de redução do tamanho e custo dos satélites é um fato inexorável. Especificamente em relação aos nanossatélites, temos estudado o assunto em parceria com outras empresas e vemos que, de forma geral, ainda há poucas aplicações maduras para os nanossatélites, não só por limitações do “estado-da-arte” da tecnologia, mas principalmente por restrições físicas decorrentes do tamanho, vida esperada e capacidade de geração de energia destes satélites. Certamente existem nichos em que este conceito pode ser aplicado, mas acreditamos que as necessidades brasileiras requerem satélites de porte um pouco maior.


Fonte: Blog Panorama Espacial - http://panoramaespacial.blogspot.com.br/

Um comentário:

  1. A revista só não perguntou o mais importante: quando é que o Brasil vai deixar de só "integrar", (que para mim não passa de montar tecnologias importadas) e sair da zona de conforto (para não dizer preguiça mental) e tornar-se um país de verdade, adensando a cadeia produtiva da indústria espacial.

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