sexta-feira, 31 de julho de 2015

Os Foguetes de Sondagem e a Falta de Uma Verdadeira Política Para o Setor

Olá leitor!

Enquanto aguardarmos por notícias relevantes sobre as nossas atividades espaciais (a agência do Sr. Braga Coelho só divulga em seu site as atividades espaciais de outros países) resolvi escrever esta nota para falarmos de um sucesso alcançado pelo PEB (mais especificamente pelos pesquisadores do IAE- Instituto de Aeronáutica e Espaço) que considero de estrema importância, mas que está sendo relegado ao descaso por parte não só deste desgoverno de irresponsáveis, bem como também pela própria Sociedade Brasileira.

Trata-se da tecnologia de foguetes de sondagem brasileira, tecnologia esta que teve início com o desenvolvimento pela Avibrás do pequeno foguete SONDA I (lançado pela primeira vez em dezembro de 1965 e tendo um histórico de 223 lançamentos) que era basicamente uma cópia do foguete norte-americano Arcas, utilizado na época pelo Grupo Executivo e de Trabalho e Estudos de Projetos Espaciais (GETEPE) do governo.

Desde então de lá pra cá foram desenvolvidos diversos foguetes de sondagem (veja abaixo) que levaram o reconhecimento internacional desta tecnologia brasileira (barata e confiável), culminado com o desenvolvimento e certificação internacional do mais conhecido foguete de sondagem brasileiro, o VSB-30, foguete este desenvolvido numa parceria entre o IAE e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

Foguetes de Sondagem desenvolvidos no Brasil

Acontece leitor que apesar deste sucesso e da certificação internacional do VSB-30, bem como o VS-30, VS-40M e o VS-30/Orion (este também desenvolvido em parceria com o DLR), estes foguetes continuam sendo produzidos de forma artesanal nos laboratórios do IAE e nas instalações de empresas contratadas (como a FAUTEC) diante da falta de uma verdadeira política industrial para o setor que já deveria está estabelecida por esses energúmenos debiloides e irresponsáveis do desgoverno da “Ogra” e do Congresso Nacional (cadê os honoráveis senadores e deputados que deveriam estar debruçados sobre este problema?), o que coloca em risco todo o esforço de gerações de profissionais que se dedicaram no desenvolvimento desta importante tecnologia brasileira reconhecida internacionalmente.

O descaso é tão grande (sabe-se lá quais as razões) que já foram postados aqui no Blog até comentários jocosos por parte de alguns leitores, chamando nossos foguetes de foguetes juninos, o que não é só um tremendo desrespeito a todos profissionais que se dedicaram por décadas para alcançamos hoje a excelência brasileira nesta área, bem como uma tremenda ignorância histórica sobre o assunto, já que graças ao uso dos foguetes de sondagens é que a tecnologia e as pesquisas em ciências espaciais se desenvolveram e continua se desenvolvendo pelo mundo (um grande exemplo foi o Projeto APOLLO da NASA).

Vale dizer leitor que este é mais um exemplo de como o nosso Patinho Feio foi conduzido com descaso pelos desgovernos civis desde Fernando Collor de Mello, não sendo assim unicamente um descaso do desgoverno da “Ogra”, mas não resta duvida que a contribuição desta debiloide irresponsável foi fundamental para estamos hoje no estágio em que nos encontramos, afinal em cinco anos de seu desgoverno o PEB só fez andar para trás e continuamos sem uma verdadeira política para o setor, pior, desmontando sua infraestrutura ano após ano, seja ela humana, física e industrial.

Apesar disso e do risco de perdermos todo o conhecimento desenvolvido no país nesta área de foguetes de sondagem, curiosamente a demanda gerada internacionalmente para esses foguetes continuam aumentando como se pode notar abaixo na lista de operações de lançamento previstas:

Em 2015:

* OPERAÇÃO O-STATES: 2 S-31/Imp Orion – Lançamento previsto para agosto da Base de Esrange (Suécia).
OBS: Aparentemente foi desenvolvido um novo foguete para esta missão)

* OPERAÇÃO MASER 13: 1 VSB-30 - Lançamento previsto para novembro da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO MAIUS: 1 VSB-30 - Lançamento previsto para dezembro da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO TEXUS 53: 1 VSB-30 - Lançamento previsto para dezembro da Base de Esrange (Suécia).

OBS 2: Sete operações de lançamentos de foguetes brasileiros já foram realizadas este ano das Bases de Esrange, na Suécia, e Andoya,  na Noruega. Foram elas: Operação ICI-4, Operação Cryofenix, Operação Wadis-2, Operação HIFIRE 7, Operação TEXUS 51, Operação TEXUS 52, Operação MAPHEUS-5.

Em 2016:

* OPERAÇÃO SPIDER/LEEWAVES: 1 VS-30 - Lançamento previsto para janeiro/fevereiro da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO MAPHEUS-6: 1 VSB-30 - Lançamento previsto para maio da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO TEXUS 54: 1 VSB-30 - Lançamento ainda a ser confirmado para novembro da Base de Esrange (Suécia).

Em 2017:

* OPERAÇÕES TEXUS 55/56: 2 VSB-30 - Lançamento ainda a serem confirmados para abril da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO MAIUS 2: 1 VSB-30 - Lançamento ainda a ser confirmado para maio da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO MAPHEUS-7: 1 VSB-30 - Lançamento ainda a ser confirmado para maio da Base de Esrange (Suécia).

Em 2018

* OPERAÇÃO TEXUS 57: 1 VSB-30 - Lançamento ainda a ser confirmado para abril da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO MAIUS 3: 1 VSB-30 - Lançamento ainda a ser confirmado para abril da Base de Esrange (Suécia).

Em 2019

* OPERAÇÕES TEXUS 58/59: 2 VSB-30 - Lançamento ainda a serem confirmados para abril da Base de Esrange (Suécia).

* OPERAÇÃO MAPHEUS-8: 1 VSB-30 - Lançamento ainda a ser confirmado para maio da Base de Esrange (Suécia).

Além dessas estão previstas ainda este ano também outras operações de lançamento com foguetes brasileiros do Centro Espacial de Andoya, na Noruega, e talvez da Base de Woomera, no sul da Austrália.

Vale lembrar leitor que há algum tempo atrás houve discussões entre o IAE e o DLR para o desenvolvimento de um novo foguete de sondagem (mais poderoso que o VS-40M) visando atender o maior programa europeu de microgravidade, ou seja, o Programa MAXUS de Foguetes de Sondagem de Longa Duração (uma joint-venture entre a EADS e Swedish Space Corporation - SSC), programa este iniciado em 1990 tendo como objetivo ampliar para 13 minutos a capacidade europeia de experimentos em ambiente de microgravidade no espaço. Até hoje este programa é atendido pelo foguete Castor-4B de origem norte-americana, capaz de lançar uma carga útil bruta de 800 kg, em um apogeu de cerca de 715 km, sendo que o próximo lançamento, o MAXUS-9, está previsto para acontecer em dezembro de 2016 através deste foguete, e a ideia do IAE/DLR seria desenvolver um outro foguete para substituí-lo a partir do lançamento seguinte a este de 2016.

Para tanto, se estabeleceu entre o IAE/DLR o desejo pelo desenvolvimento de um novo foguete de sondagem denominado de VS50 baseado no motor S50 do projeto do Veículo Lançador de Microsatélites (VLM-1), projeto este já em desenvolvimento por ambas as instituições. No entanto, como sabemos, devido à falta de ação da “Ogra” debiloide e de sua trupe de energúmenos, não só essa boa oportunidade para tecnologia brasileira pode estar ameaçada, bem como todo o projeto do VLM-1.

É preciso lembrar leitor que o mercado internacional para esses foguetes de sondagem (dinheiro que poderia ser aplicado no próprio PEB) tende a se ampliar significamente nos próximos anos, e pecar por estupidez e falta de ação por culpa desses vermes é algo inadmissível, principalmente quando sabemos que a nossa tecnologia nesta área é extremamente competitiva.

Não é possível que um instituto de pesquisa continue se envolvendo na industrialização de produtos já prontos e testados, esta não é a função de um órgão como este. Isto cabe à indústria, cabe sim ao instituto de pesquisa pesquisar e desenvolver tecnologias para serem repassadas para esta mesma indústria, que então fará a industrialização e a adequação para o mercado da tecnologia desenvolvida.

Para tanto o Brasil precisa de uma verdadeira política espacial e industrial para o setor, não esta droga que eles chamam de Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE), uma verdadeira piada e muito menos o tal Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), um livro de fantasias que segundo minha sobrinha de sete anos não serve nem mesmo como livro de desenho e eu acrescentaria, nem mesmo como papel higiênico.

Pois é leitor, até mesmo onde temos competência o país é prejudicado por esses vermes e temo que continuará assim ainda por muito tempo, seja no desgoverno dos PETRALHAS, seja no dos TUCANODUTOS, seja nos dos PMDEBISTAS ou qualquer outro grupo político de merda que vier assumir o poder neste país, afinal são todos farinha do mesmo saco.

Duda Falcão

3 comentários:

  1. Entendo a frustração de alguns e até a agressividade (injustificada) daqueles que subestimam os foguetes brasileiros de sondagem.
    Acredito eu que esta frustração venha do fato de que poderíamos estar fazendo coisas maiores, lançadores orbitais. Sim é frustrante depois de 36 anos da MECB não termos ainda lançado nada ao espaço (Israel, Irã, Coréia do Norte e Coreia do Sul) lançaram satélites neste hiato de tempo. Entendo que seja frustrante termos gasto tanto dinheiro em Alcântara e ainda termos uma base sem nenhum lançamento orbital de sucesso.
    Tudo isto deixa triste todos aqueles que amam e torcem pelo PEB, porém não podemos misturar as emoções.
    Existe um trabalho competente sendo realizado nestes projetos e isto não pode ser minimizado.
    Também é falsa a ideia de que estes programas atrapalham os projetos de lançadores. Eu acredito que até ajude. Infelizmente a única forma de um engenheiro do IAE hoje projetar um foguete de verdade e ver seu projeto chegar a uma plataforma de lançamento é trabalhar em um foguete sub orbital. Da mesma forma que infelizmente hoje no Brasil a única forma de um engenheiro do INPE projetar e ver o satélite chegar a orbita terrestre antes da sua aposentadoria é se este satélite for um CubeSat.
    Se não tivéssemos estes programas de foguetes de sondagem não haveria mudança alguma no programa de lançadores – eles continuariam lentos, sem foco e sem vontade política – e com um agravante, sem gente minimamente treinada para projeta-los.
    Os foguetes de sondagem foram um nicho que sobrou ao nosso programa espacial, grandes agencias não tem mais interesse neste segmento, outros emergentes espaciais não tem inserção cultural e política no ocidente para programas de cooperação em micro gravidade como os que desenvolvemos em cooperação com algumas nações europeias.
    Não convém ao meu ver critica-los de forma pejorativa, como também não convém nenhum nacionalismo ou xenofobia tola. O que merece ser registrado é que se propôs a fazer um programa de foguetes de sondagem e ele está sendo feito com competência.

    Criticar os projetos dos foguetes de sondagem brasileiros é criticar o efeito e não a causa. Eles são as únicas velas acesas neste cenário de escuridão.

    Apagar estas velas ira acender as outras?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Eng. João Dallamuta!

      É verdade e parabéns por acrescentar esta sua visão ao meu artigo. Muita informação errada tem sido passada aos leitores leigos quanto a importância dos foguetes de sondagens para o desenvolvimento espacial (ontem mesmo deixei de publicar algumas asneiras que me foram enviadas por pura ignorância e talvez até com o objetivo de desacreditar o trabalho do Blog) e isto também contribui para essa crença sem sentido. Mas enfim...

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

      Excluir
    2. Obrigado Eng. João Dallamuta!

      Excluir