Farra em Dubai

Olá, leitora! Olá, leitor!



Estávamos apurando e investigando as informações sobre mais uma farra realizada com os parcos recursos do Programa Espacial Brasileiro (PEB) quando, surpreendidos pelo furo de reportagem da notícia "A farra de Marcos Pontes e equipe em Dubai", publicada ontem (04/10/2021) no site Capital Digital, não poderíamos deixar de repercutir tal denúncia aqui no BS.


No entanto, sem querer tirar o mérito da notícia que, da nossa apuração interna no BS está perfeitamente alinhada com o que estávamos investigando, precisamos fazer algumas ponderações, considerando que o jornalista responsável pela matéria não nos parece ambientado com a temática espacial.



Nessa linha, não concordamos com o opinativo da matéria no que diz respeito a afirmação de que "o Brasil, ... , não tem mais sequer uma base, já que alugou para os norte-americanos a de Alcântara (MA)...". Essa afirmação não é verdadeira, pois, além da Base / Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), o Brasil possui o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) e o CLA não foi alugado aos americanos.


Essa afirmação de que o CLA foi alugado aos americanos não procede, pois o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST), assinado com os Estados Unidos, estabeleceu condições de operação e de garantia de segurança e proteção à propriedade intelectual de empresas e produtos americanos (que equivalem a  mais de 75% das patentes do setor) que venham a ser lançados das nossas bases. Assim, qualquer empresa que queira operar do CLA ou do CLBI e use produtos / sistemas americanos terá garantida dessa proteção, sejam essas empresas russas, ucranianas, indianas, europeias, americanas, canandenses, japonesas, coreanas, etc.


Complementarmente ao publicado pela matéria da Capital Digital, temos informações que a delegação será ainda maior, pois bolsistas / terceirizados apadrinhados na Agência Espacial Brasileira (AEB) e no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), irão participar da farra com seus custos (passagens, diárias, alimentação, inscrição no congresso e nos eventos) pagos  pelo convênio entre a AEB e o Pnud, que recebeu um aporte da AEB no último exercício de R$ 20.000.000,00.


Como, depois que a AEB transfere o recurso para o ente conveniado, esse conveniado não possui a burocracia e obrigações de publicação / transparência que os órgãos governamentais tem, essas despesas adicionais podem ser muito maiores do que o que está sendo visto na AEB e no MCTI.


Por falar em farra, para se entender como é esse jogo orçamentário / financeiro para fazer uma farra com recursos públicos, encoberta por uma embalagem de legalidade, leia a nossa matéria "A farra dos cursos na AEB! (Parte I)", publicada em 19/01/2021.


Como dito na matéria da Capital Digital, toda essa farra está sendo justificada pela tentativa de trazer o Congresso Internacional de Astronáutica (do inglês, IAC) – 2024 para o Brasil. Essa tentativa nos faz pensar em como o orçamento do setor espacial encontra-se no seu pior patamar nos últimos 30 anos e se é o momento de gastar as "burras" (já começando com os gastos dessa viagem) para fazer evento, ao invés de nos dedicarmos a desenvolvermos nosso PEB e, principalmente, o nosso veículo lançador.


O Brasil já sediou o IAC em 2000, no Rio de Janeiro, na sua 51a edição, logo após iniciar as negociações com a Ucrânia, em 18 de novembro de 1999, com a assinatura do Acordo-Quadro sobre a Cooperação de Usos Pacíficos do Espaço Exterior, o que culminou com a assinatura do Tratado de Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo de Lançamento Cyclone-4 e a criação da criação da empresa Alcantara Cyclone Space (ACS) (veja matéria aqui), em 21 de outubro de 2003.


Vimos no que deu depois com o Acordo e a ACS...


Ainda nesse diapasão, guardadas as devidas proporções, não há como não lembrar dos governos que foram buscar Olimpíadas e Copa do Mundo para se promover e, na verdade, exauriram nossas reservas, criaram um monte de elefantes brancos e deixaram várias obras inacabadas por ai.


Os Emirados Árabes Unidos, nação aonde não falta recursos financeiro e aonde está localizada Dubai não possui um veículo lançador, mas já botou uma sonda na órbita de Marte, antes de sediar a presente edição desse evento.


E nós?


Brazilian Space.

 

 A farra de Marcos Pontes e equipe em Dubai

Capital Digital

Por Luiz Queiroz

4 de Outubro de 2021

 

 

Fonte: capitaldigital.com.br

Entre os dias 14 e 31 de outubro (alguns ficam integralmente este período, outros não), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, o astronauta Marcos Pontes, estará participando da “Expo Dubai 2020”, do “Space for Women Expert Meeting”, além do 72º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC). Para tanto, Pontes levará uma comitiva de 16 secretários, assessores e diretores da Agência Espacial Brasileira (AEB) e supostamente do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Por enquanto essa é a relação visível, que já saiu no Diário Oficial da União. Assim mesmo saiu à conta-gotas para não dar na pinta do tamanho da comitiva.

A Agência Espacial Brasileira (AEB) mandará os seguintes integrantes:

  •     CARLOS AUGUSTO TEIXEIRA DE MOURA – Presidente;
  •     LETÍCIA VILANI MOROSINO – Chefe de Gabinete;
  •     JOÃO SÉRGIO BESERRA DE LIMA – Analista em Ciência e Tecnologia;
  •     ALUÍSIO VIVEIROS CAMARGO – Diretor de Planejamento, Orçamento e Administração;
  •     PRISCILLA NOGUEIRA CAVALCANTE PACHECO – Assessora Técnica da Diretoria de Planejamento, Orçamento e Administração;
  •     DANIELA FERREIRA MIRANDA – Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional;
  •     ANDRÉ LUÍS BARRETO PAES – Chefe da Assessoria de Ralações Institucionais e Comunicação;
  •     HERBERT KIMURA – Diretor de Inteligência Estratégica e Novos Negócios;
  •     LÚCIA HELENA MICHELS FREITAS – Assessora Técnica da Diretoria de Inteligência Estratégica e Novos Negócios; e
  •     CRISTIANO AUGUSTO TREIN – Diretor de Governança do Setor Espacial.


Pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de Marcos Pontes, também irão para Dubai:

  •     CARLOS ROGÉRIO ANTUNES DA SILVA – Diretor do Departamento de Articulação e Comunicação;
  •     ODJAIR NASCIMENTO BAENA – Assessor;
  •     PAULO CESAR REZENDE DE CARVALHO ALVIM – Secretário de Empreendedorismo e Inovação;
  •     SERGIO FREITAS DE ALMEIDA – Secretário-Executivo;
  •     CHRISTIANE GONÇALVES CORRÊA – Secretária de Articulação e Promoção da Ciência; e
  •     RICARDO CESAR MANGRICH – Assessor Especial do Ministro.


No caso da sócia e secretária de “Articulação e Promoção da Ciência”, Cristiane Gonçalves, sua autorização de afastamento do país saiu escondida numa outra autorização feita por Marcos Pontes para um funcionário da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Que está seguindo para Genebra, na Suíça, onde participará de reuniões e visitas técnicas de projetos realizados com organismos internacionais do setor de energia nuclear. Ou seja, nada a ver com a farra de Dubai.

Qual o custo disso?


Ainda não sabemos, mas pedidos de informações para a Agência Espacial Brasileira e para o MCTI, além da APEX (Agência de Promoção das Exportações) e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com base na Lei de Acesso à Informação, já estão sendo encaminhados para os órgãos. No caso da APEX foi feito pedido de esclarecimentos sobre quanto está sendo gasto com o pavilhão brasileiro em Dubai e quantos funcionários estão sendo deslocados para lá, com diárias, passagens, hospedagens e período de estadia naquela cidade dos Emirados Árabes.

O que o Brasil pretende fazer nesses eventos?


Na Expo Dubai 2020 o Brasil já teve sua primeira participação no sábado (02), quando o vice-presidente, Amilton Mourão, realizou uma palestra e defendeu a proteção ambiental, além do papel do Conselho da Amazônia e a importância do desenvolvimento sustentável na região. E pediu dinheiro aos organismos internacionais ao comentar que o governo brasileiro necessita de engajamento do setor privado e de países aliados. Que seria uma “compensação monetária estimada em US$ 10 bilhões (cerca de R$ 53,6 bilhões na cotação atual) ao ano.

Fora isso, os demais eventos: “Space for Women” e 72º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC), a serem realizados simultaneamente ao Expo Dubai 2020, carecem de informações claras sobre o papel brasileiro. Neste momento sabe-se apenas que a participação será pífia, que está mais para turismo pago pelo contribuinte, do que efetivamente haverá alguma ação concreta do governo brasileiro.

Por exemplo: o “Space for Women”, será um evento que tem como objetivo central reunir “especialistas do espaço para mulheres: iniciativas, desafios e oportunidades para mulheres no espaço”. É de se questionar o que 11 integrantes desta comitiva de 16 pessoas, todos homens, entenderiam por “empoderamento feminino no espaço”. Os temas a serem debatidos são:

  •     Aumentar a conscientização sobre o papel das mulheres no avanço das ciências espaciais, tecnologias, aplicações e exploração espacial;
  •     Identificar as principais  iniciativas, desafios e oportunidades para as mulheres no setor aeroespacial;
  •     Aumentar a participação  das mulheres nas carreiras aeroespaciais   em termos do número de mulheres nas organizações do setor e principalmente em termos de acessibilidade a cargos de liderança ;
  •     Promover a discussão  sobre como as tecnologias e aplicações espaciais podem ajudar mulheres e meninas a superar as atuais estruturas de desigualdade de gênero, promovendo o empoderamento e a inclusão;
  •     Modelos atuais de mulheres que podem servir de inspiração para jovens e meninas em sua busca por carreiras no setor aeroespacial;
  •     Use lentes sensíveis ao gênero para observar os efeitos de atitudes e gestos institucionalizados  que refletem políticas muitas vezes legitimadas em termos de características masculinas, contribuindo para a percepção da inautenticidade das vozes das mulheres em questões de formulação de políticas no setor aeroespacial; e
  •     Discuta como as  iniciativas de capacitação podem ajudar a atingir os objetivos e metas propostas.


Também ficam as seguintes perguntas: Que iniciativas foram feitas até agora pela AEB para levar uma mulher brasileira, uma cientista ao espaço? Temos cientistas mulheres sendo preparadas para isso?

Outra questão: alguém pode explicar o que a secretária de Articulação e Promoção da Ciência Cristiane Gonçalves entende de espaço, além do fato dela ser “sócia” de Marcos Pontes?

72º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC) e do IAC Host Summit


Neste evento que ocorrerá no mesmo período da Expo Dubai, a comitiva de Marcos Pontes pretende colocar o Brasil “na disputa para sediar maior evento mundial do setor espacial”: o Congresso Internacional de Astronáutica – 2024.

Parem para pensar: o Brasil, que não lançou nenhum foguete ao espaço, não tem mais sequer uma base, já que alugou para os norte-americanos a de Alcântara (MA), quer sediar um evento de astronáutica.

O mesmo Brasil que até hoje teve um único astronauta. Não por acaso, Marcos Pontes, que ninguém sabe exatamente os resultado das suas pesquisas com feijão na estação espacial internacional. Que saíram ao custo de U$ 10 milhões.

*Este blog irá aguardar futuramente o retorno ao Brasil de tão pomposa comitiva, para também pedir através da Lei de Acesso à Informação os relatórios de viagens de cada um dos integrantes da “Missão Dubai”. Vamos saber quem fez o quê durante os 15 dias de viagens aos Emirados Árabes.

Comentários

  1. Meu dinheiro ganho com muito suor é capim, logo é repasto para os ¨ASNOS¨, quadrúpedes e assemelhados!!!!

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  2. Para viajar essa gente é muito competente...para sentar o rabo em um laboratório e desenvolver foguetes não são muito não..Basta ver o estágio do PEB ainda desenvolvendo um lançadorzinho e outros países ja indo para Marte.

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