quarta-feira, 28 de julho de 2010

Motor Foguete Movido a Etanol Já é Realidade

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na nova edição da "Revista Espaço Brasileiro" (Abr. Mai. Jun. de 2010) destacando que o motor a propulsão líquida movido a etanol já é uma realidade no Brasil.

Duda Falcão

Pesquisa


Motor Foguete Movido a Etanol

Já é Realidade


Raíssa Lopes/CCS

A hidrazina – substancia usada como combustível em foguetes – e seus derivados são altamente tóxicos, corrosivos e agressivos ao meio ambiente, além de colocar a vida humana em risco em caso de vazamento. Por isso, algumas instituições, como o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), desenvolvem, há algum tempo, foguetes com motor que usam como combustível o etanol.

O IAE desenvolveu, entre 2003 e 2005, motor foguete a propelente líquido, operando com oxigênio líquido e etanol, chamado motor L5 – por possuir empuxo de cinco quilonewtons (kN). Segundo o chefe da Divisão de Propulsão Espacial do IAE, tenente coronel Avandelino Santana Júnior, já foram realizados mais de 50 ensaios com sucesso do Motor L5, com a finalidade de substituir com vantagens o atual quarto estágio sólido do Veículo Lançador de Satélites brasileiro (VLS). “Os ensaios do motor L5 estão sendo retomados para completar a qualificação do motor em banco de testes”, diz Santana Júnior.

Atualmente está em desenvolvimento pelo IAE, um foguete de sondagem que utilizará um motor de 15 kN de empuxo (Motor L15), queimando oxigênio líquido e etanol. Além disso, há possibilidade de utilizar tanto o motor L5 quanto o L15 com estágio superior de foguetes de sondagem ou de veículos lançadores de satélites. Santana Júnior acredita ser possível um foguete brasileiro voar usando etanol como combustível. “O primeiro míssil balístico lançado pelos alemães, durante a II Guerra Mundial, foi o foguete V-2 que operava com oxigênio líquido e álcool”, comenta.

Pesquisa – O engenheiro químico José Miraglia lidera um grupo de seis pessoas com o objetivo de desenvolver um motor foguete a propelente líquido que utiliza como combustível peróxido de hidrogênio (água oxigenada em alta concentração) e etanol. A primeira etapa do projeto, que é financiado pela FAPESP, foi concluída em 2008, com o desenvolvimento de um motor com potência de 10 newtons (N) e alto tempo de propulsão. O grupo está terminando o desenvolvimento de motores com 100 N e 1000 N de empuxo, todos utilizando etanol e peróxido de hidrogênio.

Segundo Miraglia, “os propulsores de 10 N estão funcionais e mostraram que o etanol e o peróxido de hidrogênio são excelente combinação para foguetes verdes, tanto em sistemas propulsores para controle de atitude de satélites e lançadores quanto motores maiores para futuro foguetes lançadores de satélites verdes”. O próximo passo é a conclusão da fabricação e testes dos motores de 100 N, que acontecerá em julho, e do motor de 1000 N, prevista para 2011. O engenheiro conta que os países do primeiro mundo – como os Estados Unidos, a Rússia e o Japão – estão desenvolvendo lançadores com propelentes verdes em substituição aos derivados de hidrazina e tetróxido de nitrogênio.



Aviões – Em 1980, com o PróAlcool, o IAE começou um programa de conversão de motores aeronáuticos para álcool combustível. Desde então, já foram realizados mais de 500 horas de ensaio em bancada. O primeiro vôo de um avião a álcool no Brasil foi realizado com um avião T-25 da Força Aérea Brasileira, em 11 de dezembro de 1985. “Depois que voamos, o programa foi suspenso. Conseguimos reativá-lo nessa década, quando a Embraer Neiva mostrou interesse no avião a álcool”, conta o coordenador do programa, Paulo Sérgio Ewald.

Em 2005, foram realizados mais dois vôos com aviões movidos a álcool e o programa foi novamente suspenso. “Ao mesmo tempo, a Embraer iniciou um programa de certificação do motor a álcool para sua aeronave Ipanema – que tem o mesmo motor que o T-25”, completa Ewald. O Brasil é o único país do mundo a ter aviões movidos a álcool de fábrica. Segundo Paulo Sérgio Ewald, “os resultados obtidos nos ensaios mostram que o álcool combustível é um substituto factível à gasolina aeronáutica. Apesar do consumo maior, o custo operacional é menor”. Ele diz, ainda, que os motores a álcool são mais potentes e trabalham em temperaturas mais baixas.


Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 9 - Abr. Mai. Jun. de 2010 - págs. 26 e 27

Comentário: Pois é leitor, o IAE e o Grupo Edge of Space que é coordenado pelo engenheiro José Miraglia estão bem próximos de trazerem para o Brasil uma alternativa bem diferente da mal engenhada ACS com seus motores altamente tóxicos. Parabéns ao IAE e ao Grupo Edge Of Space pelo trabalho que vem realizando com esses motores verdes e a FAPESP pelo apoio dado até o momento. Parabéns também ao presidente Lula, ao Congresso, ao IBAMA e as enganadas comunidades quilombolas e políticas da região, por apoiarem sabiamente (sem exemplo igual na história da Astronáutica mundial) a instalação dessa mal engenhada empresa ACS na região de Alcântara. A história registrará e mais cedo ou mais tarde cobrará de todos vocês, não tenham dúvidas quanto a isso.

2 comentários:

  1. Bem... desde o início acompanho de perto a utilização do etanol em aeronaves agrícolas do tipo Ipanema, e posso dizer com extrema convicção que essa tecnologia de combustível verde é muito eficiente e cumpre bem o seu objetivo, que é poluir menos e ser mais econômica, além de proporcionar uma maior força ao motor e menor desgaste por trabalhar em temperaturas menores. Houveram muitos acidentes relacionados aos aviões a Alcool e raramente noticiados, mas no geral foram falhas humanas e falta de manutenção.
    Fico muito feliz pelos parceiros do Edge Of Space pelo excelente trabalho que está sendo feito e gostaria muito que eles atualizassem o Site com novas fotos e notícias.

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  2. Olá Ramon!

    O trabalho que o engenheiro Miraglia e a Edge Of Space vem realizando desde 2006 (se não estiver enganado) é marcante e só não teve melhores resultados por conta dos poucos recursos liberados pelo programa da FAPESP. Se um desafio maior fosse colocado para o Miraglia e sua equipe, tipo um motor de 50 kN de empuxo por exemplo, com os devidos recursos necessários, não tenho dúvida que hoje estaríamos perto de ter um motor como esse que poderia até ser utilizado no VLS. De qualquer forma, na velocidade que o poder público do Brasil funciona, as coisas estão andando.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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