sábado, 5 de novembro de 2016

Série Espaçomodelismo: Entrevista com Prof. Foltran da Universidade Positivo (UP) de Curitiba

Olá leitor

Dando sequencia a nossa série com profissionais ligados a Educação e ao Espaçomodelismo Brasileiro, trago desta vez para você uma interessante entrevista com um jovem professor que tem contribuído muito para a educação de jovens no Paraná e para o desenvolvimento do Espaçomodelismo no país.

Trata-se do Prof. Antônio Carlos Foltran da Universidade Positivo (UP) de Curitiba-PR que, aos 36 anos é integrante da Equipe GREAVE desta universidade privada da capital paranaense, e ao lado do coordenador da equipe (Prof. Alysson Diogenes) vem realizando um marcante trabalho na área de ”Space Education” com esses jovens fogueteiros da UP.

Nesta interessante entrevista este paranaense de Ponta Grossa de nos faz um pequeno relato sobre a sua trajetória profissional, e sobre as suas expectativas para o futuro do PEB e do Espaçomodelismo no país.

Blog BRAZILIAN SPACE aproveita para agradecer ao  Prof. Antônio Carlos Foltran pela disposição de participar dessa nossa série de entrevistas e desde já deseja sucesso em sua trajetória profissional.

Prof. Antôbnio Carlos Foltran.
BRAZILIAN SPACE: Professor Foltran, para aqueles leitores que ainda não o conhecem, nos faça um relato sobre o senhor, sua idade, formação, onde nasceu, e desde quando trabalha na Universidade Positivo (UP)?

PROF. ANTÔNIO CARLOS FOLTRAN: Meu nome é Antonio Carlos Foltran, tenho 36 anos e sou nascido em Ponta Grossa, Paraná. Apesar de gostar de diversas ciências, incluindo a astronáutica e a astronomia, minha carreira profissional sempre foi relacionada à mecânica: conclui meu segundo grau no antigo CEFET (atualmente UTFPR) no curso técnico em Mecânica Industrial. Após um período trabalhando em duas indústrias, uma metalúrgica e outra madeireira, mudei-me para Curitiba, a fim de cursar a graduação em Engenharia Mecânica. Durante a graduação trabalhei com vendas de peças técnicas e depois em siderurgia. Após a graduação trabalhei mais uns anos com siderurgia até que resolvi fazer um mestrado em Engenharia Mecânica. Depois me desliguei da indústria e atualmente trabalho como professor no curso de Engenharia Mecânica na Universidade Positivo.

BRAZILIAN SPACE: Prof. Foltran, todos nós que somos interessados com o desenvolvimento das atividades espaciais no Brasil, estamos muito preocupamos com o atual rumo do nosso ‘patinho feio governamental’. O PEB tem jeito, existe ainda alguma esperança? Em sua opinião o que pode ser feito?

PROF. FOLTRAN: Caro Duda, esta pergunta é realmente o calo no sapato daqueles apaixonados pela astronáutica e pelo nosso querido Brasil. Não consigo perceber nada em curto prazo que nos faça recuperar o ímpeto que já houve no passado. E agora os países concorrentes já possuem lançadores eficientes e baratos operacionais.

Sou de uma geração “mais nova”, porém gosto de estudar nosso passado e de valorizar nossas conquistas. Penso que não há resposta única e simples. Entretanto acredito que a mudança necessária é tornar o PEB um programa de estado, ou seja, realmente independente de governos e não sujeito a cortes de orçamentos nem atrasos de repasse.

Acho necessário que as encomendas sejam regulares a fim de que as empresas públicas ou privadas se mantenham ativas e sejam focadas no segmento aeroespacial. Já reparou como os prazos dos projetos de veículos lançadores, por exemplo, parecem sempre se expandir e sempre atrasam por que os investimentos previstos simplesmente não são liberados? Sabemos que a tecnologia espacial é aplicada a diversos outras áreas da indústria.

Na minha visita ao INPE ficou claro que eles têm grande parte de sua carteira de projetos relativos à indústria automobilística, eletrônica, telecomunicações, etc. Assim o instituto se mantém relativamente focado em satélites. Agora fico imaginando como não perder bons profissionais na área de lançadores, já que é uma área de atuação mais ligada à defesa. Como alguém que quer ver o foguete voando se sentirá vendo seu objetivo profissional ir sendo minado por investimentos que não chegam e prazos que se estendem? Este já foi motivo que me fez encerrar contrato de trabalho com empresas em que trabalhei.

BRAZILIAN SPACE: Prof. Foltran, em contrapartida como o senhor avalia o atual momento de crescimento do Espaçomodelismo no Brasil?

PROF. FOLTRAN: Agora deixemos a tristeza de lado. Como praticante do espaçomodelismo, me parece estarmos vivendo um período de entusiasmo com este entretenimento-ciência. Os grupos existentes parecem ter ganhado mais adeptos e alguns grupos novos surgiram nestes últimos anos. Acho que são sementes plantadas na geração mais nova e que estão dando frutos. No meu caso foram os Professores Carlos H. Marchi e Luciano K. Araki, da UFPR que me influenciaram, assim como meus colegas de mestrados, todos entusiastas do espaçomodelismo.

BRAZILIAN SPACE: Prof. Foltran, é de nosso conhecimento que o senhor e o Prof. Alysson Nunes Diógenes são os coordenadores da equipe GREAVE de Espaçomodelismo da UP. Desde quando o senhor está envolvido com a equipe, e qual foi o seu motivo para se juntar a esta iniciativa?

PROF. FOLTRAN: Na verdade o coordenador do grupo é o Prof. Alysson Diogenes. Eu entrei para o grupo de professores do qual o Prof. Alysson faz parte e aí a união foi natural. Na época lembro-me de ainda participar do Grupo de Foguetes Carl Sagan da UFPR e todos os meus colegas, de ambas as instituições, diziam ser eu um espião roubando segredos de uma equipe para contar para a outra. Foi bem divertido.

Enfim, neste ano e pelos próximos dois anos eu estarei um pouco distante da equipe porque iniciei meu doutorado (adivinhem: em Engenharia Mecânica pra variar!). É claro que gosto de participar, mas atualmente já faço parte do esforço para desenvolver foguetes experimentais, na Equipe Gralha Azul. Realmente estes próximos anos serão bastante corridos para mim.

BRAZILIAN SPACE: Prof. Foltran, como tem sido para o senhor a experiência de trabalhar ao lado do elétrico Prof. Alysson e de todos os integrantes da equipe GREAVE?

PROF. FOLTRAN: Muito legal. O Prof. Alysson adora “fazer um fervo”, mesmo para minifoguetes já surrados de tanto uso! Posso afirmar que no Brasil, um dos pioneiros dos foguetes reusáveis é o Prof. Alysson. Os alunos também são ótimos: todos são dedicados, estudiosos e a maioria possui desempenho acadêmico além da média. Eles prometem serem os ótimos profissionais que nosso país precisa.

BRAZILIAN SPACE: Prof. Foltran, quando estive em Curitiba para participar da edição do Festival deste ano, o senhor e o seu grupo vinham trabalhando no desenvolvimento de uma pequena versão do VLS-1. Como anda este projeto?

PROF. FOLTRAN: Um colega professor do nosso curso e “desastrado” conseguiu derrubar o modelo, danificando-o. Também estou sem um motor com impulso total e empuxo médio compatíveis com a massa inicial do modelo.

O melhor seria reconstruí-lo de acordo com o que aprendemos com aquele modelo, pois foi a primeira vez que utilizamos poliestireno em folhas e peças usinadas em nylon bastante finas para compor as partes.

Para lançar com o motor que tenho seria necessário refazê-lo em uma escala menor para que fosse mais leve. Com o andamento do meu doutorado não estou trabalhando nesta ideia. Espero que algum aluno se interesse e retome o projeto.

BRAZILIAN SPACE: Prof. Foltran, sem dúvida nenhuma o maior destaque do Festival deste ano foi à criação da Associação Brasileira de Minifoguetes (ABMF) ou BAR na versão inglês (Brazilian Association of Rocketry). Qual a sua opinião sobre esta iniciativa para o foguetemodelismo do país?

PROF. FOLTRAN: Como diriam meus colegas que estudam mecânica computacional: n + 1 coisas boas: Haverá mais divulgação e apoio a eventos, atraindo a geração mais jovem. Com a normatização dos lançamentos ganharemos em segurança. Com a certificação de motores, teremos um órgão independente certificando motores para que os modelos construídos em grupos diferentes possam ser mais bem avaliados, portanto acho que haverá mais competição entre equipes.

A Associação pretende divulgar o programa espacial é essa é uma forma de mostrar para a classe política a importância que damos ao PEB. Representar os interesses dos grupos junto aos órgãos de controle como a Aeronáutica, por exemplo.

BRAZILIAN SPACE: Finalizando Prof. Foltran, o senhor teria algo a mais a acrescentar?

PROF. FOLTRAN: Sim. Aproveitando a deixa sobre o espaçomodelismo quero acrescentar que apesar do aumento das equipes e do número de participantes, poucos integrantes vão a fundo pesquisar sobre a tecnologia de foguetes e toda a física e matemática envolvidas. Eu tive a felicidade de ter sido “treinado” pelo Prof. Marchi para calcular e tentar prever tudo o que fosse possível, principalmente sobre a dinâmica de voo. Entretanto é justamente isso que traz grande satisfação quando conseguimos, já na fase de projeto eliminar problemas e obter já nos primeiros testes resultados bastante próximos aos teóricos. É importante lembrarmos que o espaçomodelismo não é apenas entretenimento (exceto para os mais jovens), mas principalmente ciência.

Veja abaixo as outras entrevistas da Série:

1 - Prof. Alysson Nunes Diógenes da UP (Universidade Positivo de Curitiba)

2 - Prof. José Félix Santana do CEFEC (Centro de Estudos de Foguetes Espaciais do Carpina-PE)

3 - Prof. Carlos Henrique Marchi da UFPR (Universidade Federal do Paraná)

4 - Sr. Paulo Gontran Ramos do CEGAPA (Centro Gaúcho de Pesquisas Aeroespaciais)

5 - Sr. Carlos Cassio Oliveira do CEFAB (Centro Experimental de Foguetes Aeroespaciais da Bahia)

6 - Prof. Dr. João Batista Garcia Canalle da UERJ/OBA (Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Olímpiada Brasileira de Astronomia e Astronáutica)

7 - Prof. Eng. José Miraglia da FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista)

8 - Cel. Milton de Souza Sanches da TURBOMIL Tecnologia de SJC

3 comentários:

  1. Bacana a entrevista, esperamos que a médio prazo, consigamos incentivar as novas gerações esta paixão.

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  2. Caro Foltran
    Acabo de ler sua entrevista, e quero te parabenizar com um motor Classe G da nova geração de motores.
    Este motor é para fazer decolar seu VLS
    32 mm x 150 mm

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    1. O beleza! Enviarei um e-mail pra ti. Obrigado Roberto e grande abraço.

      Foltran.

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