segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Brasil Recebe Satélite Francês e Reavalia Investimentos na Defesa

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante entrevista com o Ministro da Defesa, Raul Jungmann, postada ontem (27/11) no site da “Agência France-Presse (AFP)”, tendo como destaque o desastroso Satélite SGDC, que deverá ser entregue ao Brasil nesta quinta-feira (01/12).

Duda Falcão

ATUALIDADE

Brasil Recebe Satélite Francês e
Reavalia Investimentos na Defesa

AFP
27/11/2016

Foto: AFP/Arquivos / EVARISTO AS
O ministro da Defesa brasileiro, Raúl Jungmann, e o das
Relações Exteriores, José Serra, durante a reunião ministerial
do Cone Sul sobre segurança das fronteiras no Palácio do
Itamaraty, em Brasília, em 16 de novembro de 2016.

O ministro da Defesa, Raúl Jungmann, receberá nesta quinta-feira na França o primeiro dos três satélites de Comunicação e Defesa previstos em um acordo com a empresa Thalès, que espera lançá-lo ao espaço em 21 de março de 2017.

Mas enquanto o país atravessa sua pior recessão em mais de um século e o Congresso discute um pacote de austeridade fiscal, muitos projetos estão sendo reavaliados e ajustados às restrições orçamentárias de tempos de crise.

Jungmann deu uma entrevista à AFP na sexta-feira (25), pouco tempo antes de viajar para Cannes, onde receberá o dispositivo de quase seis toneladas e de 2,1 bilhões de reais, que logo será levado à base de Kourou, na Guiana Francesa.

AFP: A crise permite pensar que haverá novos projetos de Defesa?

Raul Jungmann: Sabemos que vamos passar a um novo regime fiscal, chamado teto de gastos (que congela os gastos públicos por 20 anos). E sabemos que vamos ter que racionalizar, cortar projetos. Alguns estão em um grau de maturação que não têm volta, como o submarino atômico, ou os quatro submarinos convencionais também desenvolvidos com a França, dos quais três já estão em construção. O satélite está concluído e, no caso dos Gripen [caças comprados da Suécia], o acordo financeiro é suficientemente elástico. Há outros que vamos ter que reavaliar.

A situação nos levou a fazer certos ajustes, que são sempre difíceis mas que são reais e, como disse ao presidente da DCNS [grupo do setor naval de Defesa francês, de propriedade do Estado e do grupo Thalès], a decisão deste governo é manter a sociedade com a França. Agora, teremos que nos adequar à nossa realidade orçamentária e ao novo regime fiscal que está sendo votado no Congresso.

AFP: Por que um programa de satélite?

Jungmann: É um projeto estratégico para a Defesa brasileira, para o governo, e representa um salto tecnológico das Comunicações. Permite a nós uma aquisição e uma transferência de tecnologia essencial para que, no futuro, possamos alcançar um padrão tecnológico que hoje não temos. Vai estar estacionado sobre o Equador, e seu primeiro foco será toda a América do Sul, incluindo o Atlântico Sul e chegando até a costa ocidental da África - o que chamamos o entorno estratégico do Brasil.

AFP: Que mudanças vai trazer?

Jungmann: Permitirá uma grande expansão da banda larga, sua universalização, o que é um enorme avanço para toda a sociedade. Vai permitir que chegue a lugares remotos, como a Amazônia, por exemplo. Significará um enorme avanço em termos de comunicação, rapidez e fluxo. Dará suporte (...) ao sistema de informações segregada e segura de toda a Defesa brasileira.

Passaremos a controlá-lo em território brasileiro (e) todas as comunicações governamentais também serão realizadas através do satélite.

Foto: BRAZIL'S PRESIDENCY/AFP/Arquivos / ANDRESSA ANHOLETE
O ministro da Defesa brasileiro, Raúl Jungmann, chega para
uma reunião sobre segurança pública no Palácio do Itamaraty,
em Brasília, em 28 de outubro de 2016.

AFP: Por onde passam as principais preocupações hoje?

Jungmann: Nossa principal preocupação é a segurança. Estamos passando por um momento difícil, especificamente no Rio de Janeiro, mas também em todo o Brasil, e isso tem relação com as fronteiras.

O Brasil tem a terceira maior fronteira terrestre do mundo, com 17.000 km e a Marinha é a maior do Atlântico Sul: tem 7.500 km. São um ponto crítico, porque alguns dos nossos vizinhos são grandes produtores de drogas, e o Brasil e tornou, infelizmente, sobretudo nos centros metropolitanos, um consumidor de drogas. Gerou-se um mercado integrado, tanto em drogas quanto em armas.


Fonte: Site da Agência France-Presse (AFP)  - https://www.afp.com/pt/

Comentário: Pois é, chegou a hora  desse desastre ser entregue ao Brasil. Aproveitamos para agradecer ao nosso leitor Jahyr Jesus Brito pelo envio desta entrevista.

2 comentários:

  1. Pode me indicar onde você comenta sobre o "desastre" deste programa?
    Outro detalhe, para onde foi o TOT sugerido na entrevista?

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    1. Caro Fabio!

      Já falei disso diversas vezes, todo o projeto é um desastre, a começar pela empresa criada para a sua concretização. Não há critérios claros para a Visiona SA, como por exemplo privilegiar sempre a industria nacional e quando não for possível, exigir que a empresa contratada faça a transferência de tecnologia relativa ao contrato. Com isso ela sempre vai optar pela a empresa estrangeira, não só por neste momento ser mais barato, bem como mais rápido. Com isso tira a oportunidade das empresas brasileiras se desenvolverem. O próprio satélite não poderia ser um mix de banda larga e Defesa, teriam de ser dois satélites distintos, não se mistura Defesa com nada. Outra, o satélite poderá está grampeado colocando as informações sigilosas da Defesa brasileira em cheque (a Franca faz parte da OTAN que e controlada pelos EUA, e o Brasil para os americanos não é um pais confiável, coisa que concordo em gênero, número e gral) e para completar, apesar desses energúmenos dizerem que houve transferência de tecnologia, isto não é verdade, se quer de um simples parafuso. O que houve foi o envio de técnicos brasileiros a França para acompanhar a fabricação do satélite, e mesmo assim, segundo soube, eles não tiveram acesso ao desenvolvimento e as informações de partes sensíveis desse satélite. Enfim... e ainda desconfio que todo o processo possa ter sido superfaturado. Em resumo, é um projeto desastroso.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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