sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Centro de Lançamento Barreira do Inferno completa 50 anos

Olá leitor!

Trago agora para você uma interessante pequena reportagem publicada na edição de nº 2 (Jul-Ago-Set de 2015) da Revista CREA-RN, editada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Norte, tendo como destaque os 50 anos de atividades espaciais do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI).

Duda Falcão

PROJETO ESPECIAL

Centro de Lançamento Barreira
do Inferno completa 50 anos

Instituição irá implantar novo centro para desenvolver e
apoiar a disseminação da cultura espacial e científica

Erta Souza,
Assessora de comunicação do CREA-RN
Revista CREA-RN
ANO 3 - Nº 2
Jul-Ago-Set de 2015


No dia 12 de outubro o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) completou 50 anos. E para comemorar o aniversário de meio século, a instituição vai receber da Agência Espacial Brasileira (AEB) o Centro Vocacional Tecnológico Espacial (CVT). O Centro tem como objetivo desenvolver e apoiar a disseminação da cultura espacial e científica, bem como a atividade de pesquisa e o desenvolvimento tecnológico do Brasil.

Para implantar o Centro – primeiro de seu tipo no país - serão investidos R$ 3 milhões, sendo R$ 1 milhão em equipamentos. O centro vai funcionar dentro do CLBI em contêineres e estruturas modulares. A previsão é de que o CVT seja inaugurado em janeiro de 2016 com uma jornada espacial e lançamento de foguete. O Centro tem o apoio do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

O diretor do CLBI, coronel -aviador Maurício Lima de Alcântara, explica que o Centro é voltado para os alunos do ensino fundamental e médio. “Com o espaço vamos intensificar e fortalecer esse contato com as instituições de ensino”, garante. O coronel Alcântara acrescenta que a média diária de visita ao CLBI é de quatro escolas. “Algumas agendam com antecedência aí temos como nos programar para recebê-los no setor de lançamento. Outras que vêm sem avisar vão até o museu”, diz.

O Centro Vocacional Tecnológico
Espacial (CVT) apoia a disseminação
da cultura espacial e científica bem
como a pesquisa e desenvolvimento
tecnológico e vai funcionar dentro
do CLBI em contêiners.

Outro projeto que faz os olhos do coronel brilharem é a Plataforma Hipersônica de Lançamento Orbital (Philo). O projeto, que será executado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), só deve funcionar efetivamente em sua totalidade daqui a seis anos, pois necessita de suporte financeiro. Os primeiros passos, contudo, já estão sendo dados.

O Instituto de Estudos Avançados (IEAV) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) vai doar para o CLBI um acelerador que pode fazer lançamentos de cápsulas pequenas com aproximadamente 15 centímetros de diâmetro com uma velocidade cinco vezes superior a velocidade do som. Também faz parte do projeto a criação pela UFRN de um mestrado profissional e, em seguida, um curso de graduação em engenharia espacial. Segundo o coronel Alcântara, o RN apresenta um grande potencial de crescimento, por isso a ideia de criar esse projeto da Philo.

Inaugurada em 1965, a Barreira do Inferno – primeira base aérea de foguetes da América do Sul - faz lançamentos de foguetes básicos. A finalidade é fazer medições na atmosfera, analisar a variação de temperatura, composição e energia da camada ionosfera.

O CLBI faz ainda, desde 1977, o rastreio de foguetes lançados da Guiana Francesa. Com essa última atividade o CLBI arrecada R$ 1 milhão de euros por ano para os cofres da União.

Adepto de parcerias com o intuito de ampliar o desenvolvimento do CLBI, o coronel Alcântara lembra com carinho da relação com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN).

“Nossa aproximação começou devido às dúvidas que tínhamos e solucionávamos com a ajuda do CREA. Depois disso, realizamos o curso ‘Introdução à Tecnologia de Foguetes’ e a parceria com o CREA foi decisiva”, conta. E completa: “espero que aconteça mais vezes, inclusive com outros órgãos. O CLBI é composto por um efetivo de 452 pessoas entre civis e militares. Desse total, cerca de 140 estão envolvidos diretamente no lançamento de foguetes. O trabalho realizado por esses homens e mulheres tem gerado grandes frutos. Em 2014, o Centro foi contemplado com os prêmios Qualidade Brasil e o Quality, entregues pela primeira vez a uma unidade da Força Aérea Brasileira.


Prestes a encerrar sua gestão à frente do CLBI, o coronel Alcântara teve a honra de receber pelo Centro ainda mais dois prêmios em 2015. Os prêmios Empresa Brasileira e o Quality Mercosul, ambos internacionais em âmbito latino-americano. No início de novembro o CLBI recebeu o certificado gestão integrada. O Centro é a primeira organização militar do Brasil a ser certificada com o ISO 9001, OSAS 14000 e OSAS 18000. O coronel afirma que os prêmios são consequência do trabalho em prol da qualidade da Barreira do Inferno.

“Nosso trabalho foi direcionado a três áreas: gestão ambiental, saúde ocupacional e segurança do trabalho”, disse. Sobre o período de seis anos no CLBI, sendo dois como diretor, o coronel afirmou: “é uma oportunidade excelente gerir uma unidade como o CLBI e aplicar tudo de bom que acumulei durante a carreira militar”, concluiu


VOCÊ SABIA?

* O local da base é vizinho ao campo dunar do bairro de Ponta Negra, região denominada por pescadores como “Barreira do Inferno” porque, ao amanhecer, os reflexos do sol tornam as falésias do local vermelhas como fogo.

* A Barreira do Inferno foi escolhida como base de lançamento de foguetes pois era próxima ao equador magnético, aproveitava o suporte logístico já existente na região, tinha baixo índice pluviométrico; grande área de impacto representado pelo oceano e condições de ventos predominantemente favoráveis.

* A faixa de praia da base, por estar protegida do acesso do público externo, tornou-se uma importante área de reprodução de tartarugas marinhas, sob a supervisão do Projeto Tamar.

* Em 15 dezembro de 1965, a Barreira do Inferno lançou seu primeiro foguete, o Nike Apache, um foguete de sondagem de fabricação americana.

* Na Barreira do Inferno já foram lançados mais de 400 foguetes, desde os pequenos foguetes de sondagem meteorológica do tipo Loki, até veículos de alta performance da classe Castor-Lance, de quatro estágios.

* Dois experimentos envolvendo o INPE, a NASA e o CLBI podem ser destacados: 1) Projeto Exametnet de estudo da atmosfera em altitudes de 30 a 60 km que teve 207 lançamentos entre 1966 e 1978; 2) Projeto Ozônio de estudo da camada de ozônio, com um total de 81 lançamentos, entre 1978 e 1990.

* Quanto custa e qual o alcance de foguete com três metros de comprimento? Mais de R$ 50 mil e chega a 30 Km de distância. Um modelo maior, com sete metros e meio, chega a R$ 250 mil e atinge uma distância de 70 Km.


5º Fórum de Pesquisa e 12º Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente

* Evento de divulgação científico-tecnológico e de pesquisa relacionados às atividades do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, abrangeu diversas áreas do conhecimento.

* A 5ª edição do Fórum de Pesquisa e Inovação do CLBI foi realizada em conjunto com o 12º Simpósio Brasileiro de Automação Inteligente.

* O Fórum proporcionou discussão, troca de conhecimento e inteiração entre os participantes que relataram suas experiências no sentido de amadurecimento dos estudos.

* Segundo o diretor, coronel - aviador Maurício Lima de Alcântara, estas atividades de lançamento são importantes para o Centro: “O lançamento foi um sucesso. Os parâmetros foram alcançados e estamos mantendo nossas equipes e equipamentos operacionais.”

* O evento incluiu o acompanhamento do lançamento de um Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) na plataforma do CLBI que teve seu apogeu de 58 km.

* Cerca de 500 pessoas participaram do fórum e do simpósio, entre eles professores, acadêmicos e pesquisadores em geral.



Fonte: Revista “CREA-RN” - ANO 3 - Nº 2 - Jul-Ago-Set de 2015

Comentário: Bom leitor esta matéria e interessante não só por trazer maiores informações à Sociedade Brasileira sobre as atividades do CLBI, o seu reconhecimento nacional e internacional através dos prêmios conquistados, informações sobre o importante Projeto do CVT Espacial e sobre o fantástico Projeto PHiLO, bem como também por mostrar que, apesar de todo descaso governamental, o CLBI continua realizando sua função dentro do possível e com galhardia. Quero aqui como brasileiro agradecer ao Coronel - Aviador Maurício Lima de Alcântara, pela sua gestão a frente desta instituição, mas ao mesmo tempo não posso deixar de lembrar que o prazo de seis anos para o funcionamento em sua totalidade do Projeto PHiLO, divulgado pelo Cel. Alcântara nesta reportagem, só pode ser atribuído a incerteza quanto ao apoio político, financeiro e logístico ao projeto por parte deste desgoverno e do próximo, ou seja, é apenas um prazo jogado ao vento e não deve ser levado muito a sério. Num país de verdade o prazo talvez nem chegasse em um ano e meio. E assim vamos levando, construindo uma Fantasia cada vez maior, quando na realidade todos deveriam estar unidos em prol de realizar de verdade um programa espacial, mas na verdade não é isto que acontece, infelizmente.

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