Visita à NASA Abre Precedentes para Alunos da UNIVALE

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia publicada dia (25/06) no site da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE) da cidade de Governador Valadares-MG, destacando que a visita à NASA da aluna Janynne Lorenna Souza Gomes, já abordada aqui no blog (veja a nota Jovens Estudantes Brasileiros Irão Fazer Estágio na NASA) abrirá precedentes para outros alunos da UNIVALE em 2011.

Duda Falcão

Visita à NASA Abre Precedentes para Alunos da UNIVALE em 2011

25/06/2010 - 16h59

Janynne Lorenna Souza Gomes, aluna do curso de Sistemas de Informação da UNIVALE, que foi convidada para uma visita técnica à NASA (National Aeronautics ans Space Administration) viaja nesta terça-dia, 29 de junho para os Estados Unidos, onde ficará um mês realizando a visita de observação no programa de verão no Goddard Space Flight Center.

A visita abre precedentes para outros estudantes brasileiros participarem deste processo. Para a UNIVALE, essa visita assume grande importância por abrir mais uma oportunidade de parceria estratégica para a Universidade, seus alunos e a NASA.

Em entrevista à Assessoria de Imprensa da UNIVALE o professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Loyola Maryland, Diretor do Centro Loyola de Informática Comunitária e Engenheiro da NASA Marco Figueiredo, que será o mentor da aluna Janynne durante sua visita de observação à NASA, fala sobre as futuras experiências da universitária e as perspectivas da parceria com a UNIVALE com a possibilidade de estágios para seus acadêmicos a partir de 2011.

1- Como será essa visita técnica?

O Sr. Michael Comberiate coordena um programa para estudantes no Centro de Vôos Espaciais Goddard da NASA, intitulado NASA Engineering Boot Camp. Nesse programa, estudantes americanos e de outros países desenvolvem projetos com a assistência de engenheiros e cientistas da NASA, literalmente colocando a mão na massa e trabalhando em time para desenvolver projetos reais. Um exemplo de projeto é o robô que está sendo construído para atravessar a Groenlândia medindo a espessura da camada de gelo. Veja foto do robô na atual configuração que está sendo melhorada pelos estudantes: http://www.greenlandrobot.net/wiki/images/thumb/7/7f/2010-05-11-036.JPG/500px-2010-05-11-036.JPG

O projeto é aberto e pode ser acompanhado pelo site www.greenlandrobot.net - Os estudantes estão atualizando os dados deste portal freqüentemente.

Como não tivemos tempo de criar um programa de estágio para este ano por questões de visto para entrada nos EUA, a visita da Janynne será de reconhecimento dos vários projetos, observando e se integrando aos vários times de desenvolvimento para identificar áreas em que ela e outros estudantes da UNIVALE poderão se envolver.

Ao retornar ao Brasil, a Janynne poderá compartilhar seu conhecimento com sua universidade e outros estudantes e preparar um projeto ou mesmo auxiliar no desenvolvimento de um projeto em andamento. O Mike e eu visitaremos a UNIVALE para avaliar os projetos e escolher os estudantes para um estágio na NASA em 2011.

Como professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Loyola Maryland e Diretor do Centro Loyola de Informática Comunitária, eu fui requisitado pelo Sr. Michael Comberiate da NASA para ser o mentor da Janynne durante sua visita à NASA.

2- Qual a duração desta visita e quais os locais visitados?

A visita vai durar exatamente 31 dias, iniciando no dia 1 de Julho e terminando no dia 31. Além de passar grande parte de seu tempo de visita nos laboratórios do Engineering Boot Camp no Centro de Vôos Espaciais Goddard, a Janynne vai visitar também o Centro da NASA na Ilha de Wallops, onde são lançados foguetes de baixo alcance e balões de longa duração.

O programa também inclui visitas a projetos de robótica da Universidade Loyola Maryland e da Universidade do Estado de Maryland, onde um robô submarino está sendo desenvolvido para investigar a camada de gelo imersa nas águas do Ártico.

3- O que a estudante poderá aprender?

Ela vai aprender muito sobre robótica, eletrônica, algoritmos de controle de robôs, software de manipulação de imagens e de visão de robôs, comunicação de dados, satélites, além de observar de perto o trabalho da NASA no desenvolvimento de missões espaciais para observação do planeta Terra e exploração e colonização do espaço.

Serão 30 dias de intensa absorção de conhecimento. Daí o nome Boot Camp, que se refere ao treinamento oferecido a soldados novatos. No caso da Janynne, não será tão intenso quanto aos outros participantes, porque esta visita será apenas observacional.

Mas no ano que vem ela poderá retornar para participar do programa de estágio que estamos criando e que habilitará os estudantes brasileiros a trabalhar no Boot Camp.

4- Esta visita abre precedentes para futuramente outros estudantes participarem?

Sim, esta visita está sendo pioneira e estamos acertando os ponteiros. Descobrimos no meio do caminho que o pedido de visto da Janynne estava errado e que não dava tempo de corrigir para este ano para que ela pudesse trabalhar durante sua visita. Então criamos o programa de visita observacional para cumprir nossa promessa a ela esse ano. Para o ano que vem, estamos preparando um programa via Universidade Loyola Maryland que vai permitir o trabalho dos estudantes brasileiros e de outros países.

5- Como a NASA avalia o interesse desses alunos em aprender e se destacar com suas próprias iniciativas nas universidades?

O programa do Mike Comberiate é inovador na NASA. Já existem outros programas mais bem estabelecidos para receber estudantes, mas é praticamente impossível trazer um estudante estrangeiro por causa de medidas de segurança, já que nos programas tradicionais, os estudantes participam de projetos em andamento. Eu mesmo já tive vários estudantes de universidades americanas participando nos meus projetos de pesquisa na NASA.

O Engineering Boot Camp criado pelo Mike permite aos estudantes desenvolverem seus próprios projetos, com ajuda dos profissionais da NASA. Assim os projetos são livres e eles podem levá-los para suas universidades e envolver outros estudantes.

O programa evolui de maneira que um estudante indica outros. O Mike é da era em que a NASA colocou o homem na Lua. Ele quer atrair para NASA jovens que tem paixão pela exploração espacial, assim como ele tomou essa iniciativa há 40 anos atrás. O objetivo dele não é dar certificado de participação em estágio, mas oferecer uma oportunidade para estudantes desenvolverem o espírito de explorador e adquirirem a confiança para seguirem carreiras de sucesso em engenharia, de preferência na área aeroespacial, e se possível, na NASA.

6- Você, como valadarense, se orgulha de ver uma conterrânea lutar por esse objetivo?

Me orgulho muito. Eu nunca sonhei em trabalhar na NASA. Vim parar aqui por força do destino.

Minhas tias migraram para Baltimore nos anos 60 e muitos de nós da família seguiram seus caminhos.

Eu vim para cá fazer um mestrado em computação e acabei convidado para trabalhar na NASA em 92.

Eu fiquei impressionado quando a Janynne levantou durante a minha palestra no Campus Party em janeiro deste ano e me perguntou qual seria o caminho para ela sair de Valadares e ir para a NASA. Foi uma pergunta difícil porque eu realmente não sabia se existe hoje um caminho viável para isso acontecer. Mas prometi procurar. Depois da palestra em que falei sobre inspiração e oportunidade, criei o blog viagens espaciais.blogspot.com e Janynne manteve contato. Ela tinha mordido a isca da inspiração, agora eu precisava criar a oportunidade. Eventualmente eu fiz a conexão com o NASA Engineering Boot Camp e agora estamos nessa jornada na busca do sonho dela.

Eu acho esta história muito bonita e estou fazendo tudo que posso para ela dar certo. Foi com essa mesma determinação que eu criei a Rede Gemas da Terra de Telecentros Rurais, quando em 2002 mudei para um vilarejo no Alto Jequitinhonha, chamado São Gonçalo do Rio das Pedras.

Eu morei lá um ano e meio criando um modelo de acesso público à Internet e 8 anos mais tarde nós provamos que o acesso a Internet por si próprio traz desenvolvimento social e econômico.

Nós temos vários casos na Gemas da Terra de pessoas que se formaram em curso superior via Internet sem sair de perto de suas famílias na zona rural. Eu estou muito feliz que o governo brasileiro finalmente reconheceu o valor do modelo e esta seguindo uma visão que indiquei em 2002 que é a criação de cem mil tele centros comunitários para gerar oportunidades para toda a população brasileira.

Eu vejo a fase atual do Brasil com muito otimismo pois finalmente o povo mais pobre do Brasil está começando a ter oportunidades para expressar seu talento e sua vontade de trabalhar e progredir. Eu gostaria de ver cada vez mais estudantes se engajando e criando carreiras na área aeroespacial. Nós estamos começando a viver um novo boom na exploração espacial devido à inserção pesada da iniciativa privada. Eu vejo grandes oportunidades para profissionais e empreendedores brasileiros entrarem nessa valiosa jornada humana. A colonização do Espaço pode ser o caminho para expansão da raça humana e preservação do planeta Terra.

Eu vejo que a Janynne é uma pioneira. Ela tem estrela, caráter e persistência para vencer as batalhas e buscar seus sonhos. Foi o que pude perceber neste início de jornada. Que a história dela sirva de exemplos para muitos outros, assim como a minha está servindo de exemplo para ela.

Fonte: Site da Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE)

Comentário: Não resta dúvida que esse estágio será muito importante e necessário para jovem Janynne e por tabela para outros alunos da UNIVALE. No entanto o que a NASA vem fazendo na realidade e diminuir custos atraindo jovens preparados de todo o mundo para o programa espacial americano. Para esses jovens profissionais a oportunidade é única, mas para seus países de origem é um desastre, já que o conhecimento adquirido por esses jovens nesses estágios não são utilizados em prol de suas sociedades e sim em prol do programa espacial americano. Em outras palavras, uma espécie de recrutamento a custos baixíssimos, visto que esses jovens já estão quase formados tornando-os bastante atraentes para agência espacial americana. Estão esses jovens errados? É claro que não, errados estão os países como o Brasil que estão formando esses jovens para beneficiarem a NASA e outras agências espaciais do mundo que visualizam o grande potencial futuro da tecnologia espacial. Cada nação é formada pela expressão de seu povo, de sua sociedade e cultura expressada através de suas ações, sejam elas corretas ou não. Parabéns a jovem Janynne que está com seu futuro traçado pela sua competência e dedicação. Infeliz Brasil, país formador que como em outras ocasiões estará perdendo essa jovem para uma sociedade mais eficiente, dinâmica e competente. Feliz EUA, país empregador, que estará futuramente colhendo os frutos. Uma pena, mas esse é o Brasil que o presidente Garrastazu Médici já dizia no inicio da década de 70 com o seu slogan ufanista: “Brasil, ame-o ou deixe-o” e é lamentável notar, que por pura incompetência quase 40 anos depois, os nossos mais preparados jovens estão optando seguir a segunda opção. Ardilosamente os americanos jogaram a isca e onde passa um boi, passa uma boiada.

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