quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ministro Nelson Jobim Defende Expansão do CLA

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada hoje (29/07) no jornal “O Estado do Maranhão”, destacando que o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, defende a expansão do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Duda Falcão

Nelson Jobim Defende Expansão do

Centro de Lançamento de Alcântara

Ministro da Defesa disse que a ampliação do CLA,

das atuais três bases de lançamento para 23, viabilizaria as estratégias

de defesa nacionais dos próximos anos, que serão baseadas em

monitoramentos via satélite com tecnologia brasileira


O Estado do Maranhão

29/07/2010

Divulgação

Ministro Nelson Jobim fala sobre as potencialidades do CLA e da parceria com empresa ucraniana

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, manifestou-se contundentemente favorável à expansão do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), que possibilitaria o aumento das atuais três bases de lançamento para 23. Mas o projeto esbarra em um antigo problema: a área a ser utilizada na expansão, cerca de 20 mil hectares, compreende terras de comunidades remanescentes de quilombolas.

A ampliação do CLA, segundo o ministro, viabilizaria as estratégias de defesa nacionais dos próximos anos, que serão baseadas em monitoramentos via satélite. “Precisamos ser o centro de lançamento para o mundo todo. Isso é fundamental, também, para que possamos ter uma base de lançamento para nossos satélites, usando tecnologia brasileira”, defendeu Jobim em palestra para pesquisadores, na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Natal/RN.

Um acordo entre o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e a empresa ucraniana Ciclone Space para um modelo de foguetes montados na posição horizontal e levantados na hora do lançamento, permitiria a permanência do CLA nos 8 km que possui hoje. “Não é esse o modelo que temos na Aeronáutica. Além disso, andei nessa área e vi que aquilo é só areia, pedra e mangue. Não tem cabimento fazer agricultura ali”, argumentou o ministro, que acredita na necessidade de uma política agrícola e de pesca que compatibilize a expansão do Centro com os interesses da comunidade quilombola.

A questão está sendo examinada pela Advocacia Geral da União (AGU), que emitirá parecer sobre a expansão do CLA. O ministro foi à SBPC apresentar aos pesquisadores as estratégias de defesa do Brasil, buscando aliá-las a produtos nacionais de alto padrão científico e tecnológico. Na pré-proposta de recursos do Ministério da Defesa, neste ano, foi levantada a demanda de R$ 6,5 milhões para investimentos em projetos de ciência e tecnologia. Até 22 deste mês, foram executados pouco mais de R$ 140 mil.

O caminho a ser percorrido para aplicação de pesquisas às estratégias de defesa nacional é o mesmo indicado ao crescimento das indústrias do país. De acordo com Jobim, a necessidade seria apresentada pelo MD aos institutos de ciência e tecnologia, que, por sua vez, elaborariam produtos com aproveitamento pelas empresas do Brasil. “Não há mais hipótese de comprarmos esse tipo de equipamentos sem que estejam ligados à indústria brasileira, por razões estratégicas e políticas”, adiantou.

Esse projeto colocaria, na opinião de Jobim, o país na vanguarda tecnológica e operacional. “Nenhuma empresa sobrevive fornecendo somente para consumo dos militares; ela também deve ter capacidade de vender, em um sistema de produção dual”, alertou o ministro. Já está em construção uma proposta de decreto para a ciência e tecnologia, com a pretensão de fortalecer as pesquisas e as indústrias, além de tornar o Brasil reconhecido no exterior, em termos de tecnologias para defesa nacional.

Projeto espacial - Os primeiros esforços maranhenses, nesse sentido, foram capitaneados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA). A Fundação firmou recente convênio com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e, em interface com as Instituições de Ensino Superior locais, ofertará um curso de especialização na área aeroespacial. O curso terá como objetivo a atração de profissionais do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e ainda daqueles que tiverem interesse direto pela área.


“É fundamental

fazer com que

o Congresso e

o Executivo

percebam que

o programa

espacial deve

ser tratado

como política

de Estado, e

não como

política de

governo”


José Nivaldo Hinckel,

do Instituto Nacional de

Pesquisas Espaciais (INPE)


Segundo José Nivaldo Hinckel, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Brasil tem condições concretas para lançar um foguete próprio em no máximo 12 anos, e num prazo de 20 anos o país pode ter autonomia na área aeroespacial. Para isso, entretanto, é necessário cooperação técnica e um programa conjunto que deve ser tratado como política de Estado prioritária.

A falta de recursos destinados ao programa e de continuidade das ações também foi apontada como entraves ao desenvolvimento aeroespacial brasileiro. O debate prosseguiu e foi endossado na fala do coordenador da mesa, José Carlos Argolo, da Sygma Tecnologia. “O Brasil arrisca sua soberania por não dispor de tecnologia espacial adequada. A pesquisa espacial no país ainda está relegada a uma política de segunda grandeza, feita nos gabinetes burocráticos e com base em ritos e normas limitantes. É necessário mais abertura, sobretudo com a comunidade científica”, alertou.

Segundo os participantes da mesa, a motivação principal para o programa espacial brasileiro é o seu caráter estratégico, representado pela exploração dos recursos espaciais em comunicações, e observação da terra para fins de segurança, defesa e governança. É um programa que demanda desenvolvimento tecnológico, por isso, a qualificação de recursos humanos também foi uma das tônicas da discussão.

“Um dos focos desse programa deve ser a gestão de pessoas, por isso precisamos estimular mais a qualificação de nossos jovens engenheiros. É muito importante que esse tipo de debate esteja presente em espaços como a SBPC, que é um evento eminentemente jovem”, destacou João Luiz Filgueiras de Azevedo, do Centro Técnico Aeroespacial (CTA).

Fique por Dentro

Criado em 1983 para cumprir uma determinação do Governo Federal de investir na Missão Espacial Completa Brasileira, operando um programa espacial completo tanto na área de satélites e de veículos lançadores, o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, ocupa uma área de 620km² e está posicionado estrategicamente sobre a Linha do Equador (2°18's/044 22º w). O CLA é um dos centros de lançamento mais cobiçados do mundo, pois tem possibilidades de lançamentos perfeitos e seguros.

Segunda-feira (26), o CLA lançou um Foguete de Treinamento Básico (FTB) com o objetivo de treinar os sistemas operacionais e recursos humanos. A missão corresponde a uma continuidade da Operação Fogtrein 1-2010, que prevê com mais dois lançamentos este ano a partir do Centro de Alcântara. O próximo está previsto para a próxima terça-feira e será de um foguete de médio porte. As atividades visam testar o desempenho do protótipo e preparar o CLA para grandes lançamentos.


Fonte: Jornal O Estado do Maranhão - pág. 07 - 29/07/2010

Comentário: Confesso a minha admiração pelo Ministro Nelson Jobim por ter demonstrado até agora ser das autoridades envolvidas com o PEB, junto com o diretor Gilberto Câmara do INPE os únicos de visão mais apurada, mas também é notório que sua realização em prol do programa ainda deixa a desejar. Concordo com tudo que o ministro defendeu e chamo atenção do leitor que apesar da defesa do mesmo de aumentar para 23 o número de sítios de lançamento no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), em momento algum (pelo menos na matéria) o mesmo fala em defesa da mal engenhada Alcântara Cyclone Space (ACS). Quero que fique claro para o leitor que não somos contrários a criação de uma empresa bi ou tri ou tetra-nacional para a exploração de um sítio de lançamento brasileiro, somos contra sim os motivos políticos de compensação partidária que levaram a criação da ACS, a opção por um sócio que não tem o domínio total da tecnologia que será empregada, a não transferência ou participação de empresas nacionais no desenvolvimento do foguete e da tecnologia que será empregada (fato indiscutível nos acordos até agora assinados pelo ministério da defesa), a obsolescência dessa tecnologia, seu teor altamente toxico, a não participação do setor privado (brasileiro e ucraniano) na configuração acionária da empresa (deveria ser uma empresa de capital misto) e principalmente pela direção política de um pseudo executivo como o senhor Roberto Amaral. Ou seja, o caminho do fracasso esta traçado e a conta quem irá pagar é o povo brasileiro. Aproveito para agradecer publicamente ao leitor maranhense Edvaldo Coqueiro pelo envio dessa matéria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário