Diferentes no Tamanho, Iguais no Apetite
Olá leitor!
Segue abaixo um artigo publicado na edição online do dia (21/12)
da “Revista Pesquisa FAPESP” destacando que estudo do Goddard Space Flight
Center da NASA, coordenado pelo astrofísico brasileiro Rodrigo Nemmen (bolsista
do programa de pós-doutorado da NASA), aponta semelhanças em jatos de
partículas de alta velocidade produzidos por buracos negros com diferentes
massas no Universo.
Duda Falcão
Notícias
Diferentes no Tamanho, Iguais no Apetite
Estudo da NASA aponta semelhanças em jatos de partículas
de alta velocidade produzidos por buracos negros
com diferentes massas no Universo
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE
Edição Online
21 de dezembro de 2012 - 15:59
©NASA/ GODDARD
SPACE FLIGHT CENTER
Pesquisadores
do Goddard Space Flight Center da NASA, a agência espacial norte-americana,
deram um passo importante para a compreensão do complexo comportamento dos
buracos negros, corpos celestes com massa que chegam à de bilhões de sóis que
arrastam para seu interior toda matéria e energia que se aproxima demais. O
estudo, coordenado pelo astrofísico brasileiro Rodrigo Nemmen, de 31 anos,
bolsista do programa de pós-doutorado da NASA, verificou que buracos negros de
diferentes espécies, seja qual for a sua massa, idade ou localização, convertem
parte da matéria prestes a ser engolida em jatos de partículas eletricamente
carregadas, os chamados jatos relativísticos de alta velocidade, com a mesma
eficácia. Isto é, uma vez que qualquer buraco negro produz um jato, a mesma
fração de energia é usada para gerar a luz de raios gama, a forma mais extrema
de luz.
No estudo,
publicado na edição de 14 de dezembro da revista Science, Nemmen e colaboradores
analisaram dados obtidos pelo satélite Swift, da NASA, pelo radiotelescópio
Very Large Array e pelo telescópio espacial de raios gama Fermi. De acordo com
Nemmen, esses “monstros cósmicos” podem ser divididos em duas categorias: os
que nascem do violento colapso de estrelas massivas, tornando-se, assim,
buracos negros de massa estelar, e os supermassivos, cuja massa pode ser
bilhões de vezes maior que a do Sol e que habitam o centro das galáxias há
bilhões de anos.
Ao todo,
Nemmen e sua equipe analisaram 234 buracos negros supermassivos e 54 de massa
estelar, gerados a partir das chamadas explosões em raios gama (gamma-ray
bursts) e cujos jatos estão apontados na direção da Terra. A ideia era observar
os buracos negros a fim de verificar se os jatos produzidos variavam ou não de
acordo com propriedades como massa, localização e idade. Para cada um dos
buracos negros, os pesquisadores estimaram a potência cinética das partículas
dos jatos e a luminosidade irradiada, a qual chega a percorrer milhares de
anos-luz e, em alguns casos, pode ser vista da Terra.
Como não é
possível observar diretamente os buracos negros, pois não emitem
luz, Nemmen analisou a luminosidade emitida pelos jatos que eles produzem.
Usando essa engenharia reversa, o cientista pôde deduzir como funcionam e
devolvem energia ao ambiente, e a eficiência dos jatos na produção de luz. A
partir daí, tentou entender se as propriedades dos jatos expelidos variavam de
acordo com a massa dos buracos negros.
“Observamos
diferentes buracos negros supermassivos localizados em mais de 200 galáxias. No
caso dos de massa estelar, porém, não conhecemos a galáxia hospedeira
onde aconteceu a formação dos jatos. Mas descobrimos que a eficiência com
a qual eles transformam energia na luz é a mesma, independentemente de suas
propriedades. Eles convertem entre 3% e 15% da energia em raios gama”, comenta
o astrofísico brasileiro.
Ainda no
Brasil, Nemmen já havia observado, por meio de um modelo matemático, como esses
glutões cósmicos devolvem ao Cosmo parte da matéria e energia que engolem.
Dessa vez, o desafio foi tentar saber se em ambos os fenômenos – buracos negros
supermassivos e os de massa estelar – a proporção de energia transformada em
jatos era a mesma.
“Entendemos
relativamente melhor o comportamento dos buracos negros supermassivos do que os
de massa estelar. Quando observamos um buraco negro de massa estelar, temos uma
janela de tempo de apenas alguns segundos para monitorar sua infância. Depois
disso ele desaparece dos nossos telescópios”, explica.
Até então,
os cientistas acreditavam que um buraco negro de massa estelar fosse mais
eficiente na produção de luz do que os supermassivos no centro das galáxias. O
estudo de Nemmen, no entanto, demonstra que ambos possuem a mesma eficiência.
Ou seja, é como se tivessem descoberto que uma pessoa quase sem renda e um
bilionário gastassem a mesma porcentagem de dinheiro com suas contas de
luz.
“Estamos
acostumados a pensar nos buracos negros como verdadeiros sorvedouros cósmicos.
Mas a combinação entre a atração do buraco negro, o movimento do plasma e
os campos magnéticos acabam criando violentos jorros de gás, nos quais
as partículas se movem a velocidades muito próximas à da luz (300 mil
quilômetros por segundo)”, afirma o pesquisador.
Os
cientistas ainda não sabem como se dá a produção de raios gama nos jatos
relativísticos, nem como a rotação de um buraco negro – cuja velocidade varia
entre 90% e 99,8% da velocidade da luz – afeta a produção de luz nos jatos.
Assim como acontece com toda descoberta científica, os dados obtidos por Nemmen
e sua equipe respondem algumas perguntas, mas geram novos questionamentos.
“Precisamos
entender os mecanismos físicos que levam a essa relação universal entre a
potência cinética e a luminosidade irradiada. Será que os mesmos
mecanismos de aceleração das partículas ocorrem nesses fenômenos, apesar
das escalas extremamente diferentes de massa? Em caso positivo, por que a
eficiência radiativa não é afetada pelas diferentes condições e densidades
do gás ao redor do buraco negro? Será que os nossos resultados estão nos
dizendo algo a respeito do nascimento do buraco negro?”, questiona o
astrofísico.
Fonte: Revista Pesquisa FAPESP - Edição Online – 21/12/2012

Quanto mais eu estudo sobre os buracos negros mais confuso eu fico. Mesmo assim é muito interessante.
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