Templo Orbital Se Prepara Para Voltar ao Espaço Após Primeiro Lançamento Ter Falhado

Caros entusiastas das atividades espaciais!

Pois então compatriotas, um Satélite de Arte Participativa criado por um artista brasileiro será lançado numa missão espacial, da SpaceX, prevista para o outubro deste ano.

Fonte: Edson Pavoni
Um concepção artística do PocketQube Templo Orbital.

De acordo com informações recebidas pelo BS, depois de um primeiro lançamento marcado por uma falha do foguete, o Templo Orbital está pronto para voltar ao espaço. Criado pelo artista brasileiro Edson Pavoni, o projeto será lançado novamente na Missão Transporter-18, da SpaceX, a partir da Base de Vandenberg, na Califórnia, com lançamento previsto para o final de outubro de 2026. A data exata ainda será anunciada.

A primeira tentativa ocorreu em janeiro de 2026. O foguete chegou ao espaço, mas perdeu o controle durante o último estágio, fazendo com que o templo queimasse na atmosfera cerca de dez minutos após o lançamento. O episódio, no entanto, não encerrou o projeto. Após oito meses de trabalho contínuo, uma nova estrutura foi construída e toda a documentação necessária para a missão foi concluída junto à SpaceX e à NASA. O satélite está autorizado a voar.

Entre os elementos que seguirão para a órbita estão 19.518 nomes enviados por pessoas de diferentes partes do mundo. O projeto foi concebido como um satélite de arte participativa do Sul Global e pretende transformar o espaço em um território simbólico de inclusão, reflexão e acesso ao conhecimento tecnológico.

Para Pavoni, a escolha de levar uma obra de arte ao espaço está diretamente relacionada à necessidade de ampliar o acesso às tecnologias espaciais. Em sua visão, o espaço não deve ser entendido apenas como território de exploração ou como domínio de grandes empresas e investidores, mas como um ambiente estratégico para a própria preservação da vida na Terra.

A tecnologia espacial, argumenta o artista, já desempenha papel importante no monitoramento ambiental e territorial. Satélites permitem acompanhar a Amazônia, antecipar enchentes, observar ecossistemas e auxiliar na defesa da soberania dos territórios. Nesse contexto, o projeto associa a exploração espacial a questões urgentes da sociedade contemporânea.

O Templo Orbital também parte de uma dimensão histórica e simbólica. Desde os primeiros agrupamentos humanos, a observação do céu esteve relacionada à criação de mitos, rituais e diferentes formas de compreender a existência. A obra procura transportar essa relação ancestral com as estrelas para uma era marcada pela tecnologia, pela inteligência artificial e pela expansão da presença humana no espaço.

A proposta é criar uma espécie de templo aberto a todos, sem distinção de origem ou pertencimento. Segundo o conceito do projeto, essa inclusão não pretende apagar as diferenças ou as desigualdades existentes na Terra. Ao contrário, coloca a ideia de inclusão no espaço em diálogo com a necessidade de enfrentar as injustiças que permanecem no planeta.

Um Pequeno Satélite Com Uma Grande Proposta

Tecnicamente, o Templo Orbital é um PocketQube 1P, com dimensões de 5 centímetros e peso de aproximadamente 250 gramas. Com a antena aberta, o conjunto chega a 30 centímetros. O satélite é construído em alumínio, ouro, fibra de vidro e componentes eletrônicos.

A previsão é que o equipamento seja colocado em uma órbita heliossíncrona, a aproximadamente 500 a 560 quilômetros de altitude, com inclinação de cerca de 97,5 graus. O lançamento será realizado pela SpaceX, enquanto a colocação do satélite em órbita ficará a cargo da UARX Space.

O projeto passou por cinco anos de pesquisa e desenvolvimento. Depois da primeira tentativa de lançamento, a equipe retomou o trabalho e concluiu o desenvolvimento de hardware e software, além dos testes oficiais de vibração exigidos para a certificação de voo.

O sistema de comunicação utiliza frequência de 401,5 MHz para uplink e 468,5 MHz para downlink, com modulação CSS. O sistema está autorizado para a missão Transporter-18.

A Escultura Que Acompanhará o Satélite

Além do pequeno satélite, o projeto prevê uma grande escultura associada à antena, com aproximadamente seis metros de diâmetro e 1,2 metro de altura. A estrutura terá cerca de 46 quilos e será composta por alumínio, placa espelhada de epóxi e uma cúpula de alumínio dourado suspensa por uma estrutura de andaimes.

A obra integra um conjunto mais amplo de esculturas denominado Testemunhas Orbitais, que deverá ser apresentado em Nova York nos dias próximos ao lançamento. A programação prevê um ritual e uma exposição relacionados ao projeto, reunindo elementos artísticos e simbólicos que acompanham a missão espacial.

A equipe reúne profissionais de diferentes áreas. Na engenharia aeroespacial e de sistemas estão Pedro Kaled, João Pedro Polito, Victor Baptista e João Victor Alves. André Biagioni, João Pedro Polito atuam na engenharia eletrônica, enquanto Jonathan Cherubina é responsável pelo software. Guilherme Bullejos participa do design e da arquitetura e também das renderizações em 3D, realizadas em parceria com RiseNY&Partners. A impressão 3D é conduzida pela Conceitos Sólidos, sob liderança de Eduardo Dias.

O projeto conta ainda com parceiros como a RiseNY&Partners, responsável por comunicação, experiências integradas e imagens em 3D, e a All to Space, empresa brasileira especializada em pequenos satélites. A parceria com a All to Space se estende por cinco anos e envolve o desenvolvimento de uma plataforma de hardware de código aberto e de processos destinados a ampliar as possibilidades de envio de obras artísticas à órbita.

Com a nova missão, o Templo Orbital pretende transformar o lançamento de um pequeno satélite em uma experiência que reúna arte, tecnologia, participação pública e reflexão sobre o futuro da humanidade. Depois de uma primeira tentativa interrompida pela falha do foguete, o projeto volta a olhar para o céu — desta vez, com uma nova missão pronta para partir.

Saiba mais sobre esse projeto pelo link: https://orbitaltemple.art/pt/artwork/

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