Segundo O GLOBO, Falha em Algoritmo Derrubou o Foguete SEBIT em Alcântara Adiando Lançamento do Foguete Hanbit-Nano Para 2027

Prezados amantes das atividades espaciais!

Pois então, veja abaixo, na íntegra, uma matéria publicada ontem (30/09) pelo portal do Jornal O GLOBO, que é alinhadíssimo com o sistema, trazendo informações sobre as próximas atividades da empresa Sul-coreana INNOSPACE no Brasil, que serão tema do debate de nossa coluna ESPAÇO SEMANAL de hoje (01/10). Fiquem atentos!

Aproveitamos para agradecer publicamente ao nosso amigo e apoiador maranhense, Francisco Ribeiro, pelo envio de mais uma pérola dessa imprensa vergonhosa.

Falha em Algoritmo Derrubou Foguete no Maranhão, e Sul-coreana Adia Planos Para Novos Lançamentos no Brasil

Relatório entregue ao Cenipa aponta problema no sistema de direção do veículo Sebit logo após a decolagem. Revés obriga a Innospace a renegociar cronograma em Alcântara e empurra a aguardada missão de seu principal foguete orbital para o ano que vem

Foto: Divulgação/Innospace
Lançamento do foguete Sebit em Alcântara, no Maranhão.

Por Filipe Vidon — São Paulo
30/09/2026 15h51

A startup sul-coreana Innospace concluiu a investigação interna que apurou as causas do desvio de rota do foguete Sebit, lançado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, em agosto deste ano. O relatório preliminar, entregue ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), aponta que uma falha no algoritmo que controla as aletas de direção — pequenas asas fundamentais para manter a estabilidade e orientar o veículo — desestabilizou a trajetória da espaçonave logo após a decolagem.

A análise técnica revelou que o erro no software gerou uma divergência entre o comportamento esperado pelos engenheiros e o desempenho real do foguete enquanto ele ainda ganhava velocidade. A anomalia forçou a Força Aérea Brasileira (FAB) a acionar o sistema de segurança militar e interromper o voo apenas 35 segundos após o lançamento, no dia 19 de agosto, garantindo que os destroços caíssem em uma área marítima isolada, sem registro de danos.

Foguete sul-coreano desvia de rota no Maranhão e tem voo interrompido pela FAB

O contratempo técnico, no entanto, gerou um efeito cascata no ambicioso calendário da companhia asiática no Brasil, impactando diretamente o seu fluxo de caixa e o cronograma de comercialização de voos. Com a necessidade de refinar os algoritmos de controle e realizar novos testes de validação no sistema de aletas, a Innospace precisou renegociar as datas de seus próximos lançamentos.

A principal consequência do atraso recai sobre o Hanbit-Nano, o principal veículo da empresa, projetado para posicionar constelações de pequenos satélites em órbita. Inicialmente aguardado pelo mercado para o fim deste ano, o lançamento do modelo orbital precisou ser empurrado para o primeiro semestre de 2027. O Hanbit-Nano já carrega um histórico de pressão para a empresa, já que também falhou em um lançamento em dezembro de 2025/

— Levando em conta a investigação em andamento do Cenipa, o status das melhorias técnicas e de verificação, além da nossa estratégia geral de negócios, estamos buscando um plano para retomar o voo do Sebit em novembro e ajustar o lançamento do Hanbit-Nano para a primeira metade do próximo ano. Estamos discutindo a viabilidade desse ajuste de cronograma com as autoridades brasileiras — afirmou Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace.

Foto: Divulgação/Innospace
Aletas de direção desestabilizaram a trajetória da espaçonave logo após a decolagem.

Apesar da interrupção prematura, a equipe de engenharia destacou que o incidente serviu para comprovar a eficácia do seu sistema de terminação de voo. A tecnologia acionada de forma segura pela FAB opera cortando o suprimento de oxidante do motor, o que dispensa o uso de explosivos tradicionais e barateia os custos logísticos e de transporte do maquinário.

Estreia de Estatal e o Peso do ‘Custo Alcântara’

As negociações para a readequação do calendário sul-coreano evidenciam a nova fase do Centro de Lançamento de Alcântara, que tenta ditar seu ritmo pelas demandas da iniciativa privada. O voo de agosto marcou, na prática, a primeira missão viabilizada sob a mediação da Empresa Brasileira de Projetos Aeroespaciais (ALADA). A estatal foi estabelecida no ano passado justamente para capitanear os negócios envolvendo a infraestrutura aeroespacial do país e atrair clientes estrangeiros.

A Innospace é, de longe, a inquilina mais proeminente dessa nova dinâmica. Com uma subsidiária local estabelecida em 2020 e um acordo de uso da base assinado em 2022, o projeto asiático visa transformar o Maranhão em um polo permanente, fomentando uma cadeia produtiva que gere demandas locais de logística e aquisições.

— Para a Innospace, Alcântara não é apenas um local de lançamento geograficamente vantajoso, mas uma importante base operacional e de negócios apoiada por cooperação institucional estabelecida e experiência acumulada de campanha — afirmou ao GLOBO Jae Min Kim, porta-voz global da empresa.

Foto: Divulgação: FAB
Centro de Lançamento de Alcântara, principal base aeroespacial do Brasil.

O revés com o foguete Sebit e o consequente adiamento do lançador orbital Hanbit-Nano para 2027, no entanto, esfriam o ritmo de operações previsto para a base e colocam à prova não apenas o folego financeiro da asiática, mas a própria estrutura oferecida pelo Brasil. Apesar do otimismo, a nova economia espacial esbarra em desafios profundos, batizados no setor de "custo Alcântara".

A falta de infraestrutura básica ameaça a viabilidade e a permanência de clientes estrangeiros a longo prazo. A dependência de ferry boats para atravessar equipamentos pesados a partir de São Luís, a inexistência de um porto adequado para atracagem e estradas sem sinal de celular tornam a logística um pesadelo operacional e financeiro para o transporte de cargas sensíveis, como oxigênio líquido.

A necessidade de atrair investimentos massivos, que podem ultrapassar a casa do bilhão de dólares, contrasta com o histórico de relutância estatal em financiar pesadamente o setor aeroespacial. Esse cenário, segundo especialistas, impõe um choque de realidade às expectativas em torno da exploração comercial da base, levantando dúvidas se o mercado conseguirá, por si só, movimentar o porto espacial brasileiro.

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