Após Um Século de Buscas, Equipe de Astrônomos Obtêm a Melhor Imagem da Companheira da Gigante Vermelha Betelgeuse
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Lembram da gigante vermelha Betelgeuse? Pois bem, o portal Space.com noticiou ontem (28/07) que uma equipe de astrônomos, utilizando o Very Large Telescope (VLT), capturou a imagem mais nítida já obtida da elusiva estrela companheira dessa famosa estrela.
De acordo com a nota do portal, Astrônomos utilizaram o Very Large Telescope (VLT), localizado na região do Deserto do Atacama, no norte do Chile, para descobrir a evidência mais convincente até agora de que a famosa estrela Betelgeuse possui uma estrela companheira. Isso significa que, após um século de investigação, os cientistas estão mais próximos do que nunca de identificar conclusivamente Betelgeuse como um sistema binário composto por duas estrelas: Betelgeuse A e Betelgeuse B.
Betelgeuse é uma estrela de coloração avermelhada visível a olho nu na constelação de Órion e localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra. Os astrônomos propuseram inicialmente a existência de outra estrela orbitando Betelgeuse há aproximadamente 100 anos, numa tentativa de explicar o estranho escurecimento da famosa estrela, observado há mais de 1.000 anos. Embora outras equipes já tenham reunido evidências da existência de Betelgeuse B, esta nova imagem representa a observação direta mais nítida já feita dessa estrela. Os cientistas responsáveis pela descoberta estão entusiasmados.
"Esta é a conclusão de uma busca que durou um século", afirmou o líder da equipe, Miguel Montargès, do Observatoire de Paris, na França, em um comunicado. "Mostramos que Betelgeuse não está sozinha; ela é acompanhada por uma tênue estrela companheira. Eu pulei da cadeira quando vi as imagens processadas."
(Crédito da imagem: ESO/M. Montargès et al.)
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| A imagem mais nítida já obtida do que provavelmente é Betelgeuse B, uma estrela que orbita Betelgeuse. |
A descoberta dessa nova evidência de Betelgeuse B ocorre após dois artigos publicados em 2024 que sugeriam que essa elusiva estrela companheira estaria em sua maior distância de Betelgeuse A em dezembro daquele ano. Com essa pista em mãos, Montargès e seus colegas iniciaram a busca.
"Honestamente, eu achava que não tínhamos sensibilidade suficiente para detectar Betelgeuse B conforme havia sido previsto", disse Montargès. "Como ela é mais massiva do que o previsto, nós conseguimos vê-la!"
Anteriormente, acreditava-se que Betelgeuse B tivesse aproximadamente a mesma massa do Sol, mas essas novas observações revelam que essa elusiva estrela possui, na verdade, entre duas e três vezes a massa da nossa estrela.
"O fato de ainda podermos descobrir uma companheira próxima, mais massiva e mais brilhante que o Sol, ao redor de uma estrela tão estudada é notável", acrescentou Montargès. "Esses estão entre os melhores momentos da ciência: ver algo novo, inesperado."
Capturar a imagem de Betelgeuse B só foi possível graças ao instrumento SPHERE do VLT, que possui um coronógrafo capaz de bloquear a luz da estrela de um sistema planetário. Combinado com a óptica avançada do instrumento, isso permite que os cientistas meçam o comprimento de onda e a polarização da luz proveniente diretamente da estrela e da luz refletida por quaisquer planetas próximos. Mas isso não é tudo o que o SPHERE pode fazer.
"É notável ver como o SPHERE e as técnicas avançadas de pós-processamento, originalmente desenvolvidas para encontrar exoplanetas, também se destacam na detecção de uma companheira ao redor de uma estrela massiva e evoluída como Betelgeuse", afirmou o integrante da equipe Anthony Boccaletti, também astrônomo do Observatoire de Paris.
(Crédito da imagem: NASA, ESA, Elizabeth Wheatley (STScI); Ciência: Andrea Dupree (CfA))
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| Esta concepção artística mostra a estrela supergigante vermelha Betelgeuse e uma estrela companheira em órbita. |
Ainda há muitas perguntas a serem respondidas sobre Betelgeuse B. A equipe ainda precisa confirmar de forma definitiva que o que foi observado é realmente uma estrela companheira, e também gostaria de entender como a presença dessa estrela pode influenciar o futuro de Betelgeuse A.
Essa estrela supergigante vermelha, que se aproxima do fim de sua evolução, ganhou notoriedade há alguns anos quando seu súbito e rápido aumento de brilho levou a especulações de que ela estava prestes a sofrer uma morte explosiva.
"Para termos certeza de que a companheira realmente está lá, ainda precisamos observá-la daqui a um ano, do outro lado da estrela, mas resta muito pouco espaço para dúvidas", disse Montargès. "A questão que permanece em aberto é se essa companheira terá algum impacto na evolução da supergigante vermelha."
A pesquisa da equipe foi publicada na terça-feira (28 de julho) na revista Astronomy & Astrophysics.
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Corte da edição 231ª da coluna "Espaço Semanal", exibida em 30 de julho de 2026.
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