Sete Perguntas e Respostas Sobre o Projeto do Satélite SGB

Olá leitor!

Segue abaixo uma entrevista divulgada hoje (06/05) no site “Gizmodo Brasil” com o diretor de política espacial e investimentos estratégicos da AEB, Himilcon de Castro Carvalho, e o Marcos Castello Branco, do CPqD, sobre o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).

Duda Falcão

BRASIL

Sete Perguntas e Respostas Sobre
o Satélite que Promete Levar
Banda Larga a Todo o Brasil

Por Felipe Ventura
06/05/2012 - 20:02


O ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, anunciou em março que o Brasil terá um satélite para levar Internet a todos os municípios do país – tanto banda larga fixa como 3G. Mas os detalhes do satélite e do projeto eram escassos até então. Por isso, conversamos com Himilcon de Castro Carvalho, da Agência Espacial Brasileira; e Marcos Castello Branco, do CPqD. Eis sete perguntas e respostas sobre o satélite da banda larga.

Himilcon é diretor de política espacial e investimentos estratégicos da AEB, e coordena o programa deste satélite na agência. Enquanto isso, Castello comanda no CPqD, desde 2010, um projeto bastante semelhante ao do governo: integrar redes sem fio terrestre e via satélite para levar banda larga a regiões remotas do país. O CPqD não está diretamente envolvido no programa do satélite brasileiro, mas “teve uma importante participação na primeira etapa de discussão e especificações, ocorrida no governo Lula”, diz Castello. Segundo Castello, o plano do satélite geoestacionário brasileiro e o projeto do CPqD “são fortemente complementares”.

1) O que o novo satélite geoestacionário vai fazer?

Himilcon explica que o satélite tem dois objetivos: “comunicações estratégicas de governo e de defesa” em banda X, e internet para o Plano Nacional de Banda Larga, coordenado pela Telebrás, em banda Ka.

Castello revela que na primeira etapa de discussão e especificações, ainda no governo Lula, “o satélite brasileiro teria uma grande variedade de aplicações – desde meteorologia, controle aeronáutico, segurança pública e aplicações estratégicas e militares de governo”. O foco do satélite agora ficou mais restrito, no entanto: “na abordagem atual, conduzida no governo Dilma, o satélite tem apenas dois focos principais anunciados – o acesso à banda larga e as aplicações militares”, diz Castello.

2) Quem é responsável pelo satélite?

Quanto ao planejamento do satélite, Himilcon cita uma série de organizações envolvidas, todas brasileiras: “a Telebrás, responsável pela coordenação geral do projeto; os ministérios das Comunicações, da Defesa e da Ciência e Tecnologia; a Agência Espacial Brasileira; e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)”.

E quem vai construir o satélite? Segundo Himilcon, isto está “a cargo de uma sociedade formada entre a Telebrás (49%) e a Embraer (51%)”. Ela será encarregada de escolher e contratar fornecedores, provavelmente no exterior, para o primeiro satélite e sistemas de solo. Ela também vai contratar os serviços de lançamento do satélite ao espaço. Segundo Himilcon, o satélite está orçado em R$716 milhões.

O ministro Raupp, quando do anúncio do satélite, disse que seria feito “um concurso internacional” que daria a chance de uma cooperação tecnológica entre o Brasil e outros países. Mas a ideia é reduzir a dependência de empresas estrangeiras no futuro: segundo Himilcon, a sociedade Telebrás-Embraer “irá se capacitar e absorver tecnologias e conhecimentos… de forma que os próximos satélites com essa finalidade tenham maior conteúdo nacional”. Aprender com empresas estrangeiras é uma estratégia que funcionou bem para a China, e já vimos isso antes no Brasil: a Foxconn se instalaria no Brasil em troca de conhecimento e know-how vindos de fora.

E sim, Himilcon disse “próximos satélites” – aparentemente esse será o primeiro de vários satélites para banda larga. O primeiro satélite, quando em órbita, será operado pela Telebrás e pelo Ministério da Defesa.


3) Como será distribuída a internet banda larga através do satélite?

Você já deve conhecer a internet via satélite, na qual é preciso instalar um receptor no local para ter acesso à rede. Pois bem, o projeto do governo NÃO é esse: não se trata de fornecer internet via satélite direto aos consumidores. Quem recebe o sinal do satélite são os provedores, que então distribuem o sinal seja via rede terrestre, seja via 3G (ou, no futuro, 4G).

Himilcon deixa isso claro: “O satélite será acessado diretamente por provedores de serviço de internet (ISP) que, por sua vez, atenderão aos usuários individuais seguindo as diretrizes e custos estabelecidos pelo Plano Nacional de Banda Larga. A distribuição via 3G funciona via antenas no solo, que se comunicam diretamente com celulares ou modens.”

Também é assim que funciona o projeto do CPqD: segundo Castello, “no projeto de integração do CPqD, a tecnologia de transmissão… permite levar os sinais da estação central até o terminal do usuário – é equivalente a um terminal de acesso de banda larga terrestre”.

4) A internet via satélite é conhecida por velocidades baixas ou serviço intermitente. Com este novo satélite, como se pretende lidar com estes problemas?

Himilcon explica que o novo satélite terá uma faixa de frequência bem maior que o encontrado na internet via satélite comum. Segundo ele, a faixa maior de frequência “é um fator chave para a oferta de serviços de alta velocidade”.

A Banda Ka, a ser utilizada pelo novo satélite, terá largura alocada “de 2,5GHz no link de descida para o usuário (17,7 a 20,2GHz)”. Segundo Himilcon, os satélites que fornecem internet hoje usam a banda Ku, com largura “de somente 500MHz (11,7-12,2GHz) no link de descida”. Além disso, o satélite vai dividir a área de cobertura em feixes, “o que permite a reutilização de frequências” e uma velocidade maior, diz Himilcon.

Castello, do CPqD, explica que satélites podem trazer velocidades iguais às de sistemas terrestres de alta capacidade “ao empregar faixas de frequência mais altas, e feixes ‘spot’ com maior capacidade e potência de transmissão”. Ele lembra, no entanto, que há um “atraso inicial intrínseco”, devido à grande distância entre a Terra e o satélite no espaço.


5) Quando o satélite será lançado ao espaço?

Himilcon diz que “o satélite deverá ser lançado no final de 2014″.

6) Como surgiu a ideia de usar um satélite para distribuir banda larga no país?

Himilcon explica que o satélite surgiu da necessidade de cobrir todo o território nacional com banda larga. Ele diz que seria impossível cobrir o país usando fibra ótica, “pelo menos nos próximos anos” – por isso o satélite.

Castello lembra que o projeto de integração satélite-terrestre faz parte de um projeto maior, proposto pelo CPqD e feito para o Ministério das Comunicações, chamado de RASFA (Redes de Acesso Sem Fio Avançadas). O projeto RASFA foi proposto pelo CPqD e aprovado pelo Funttel para execução entre 2010 e 2013.

7) Esta ideia já foi realizada em outros países?

Castello diz que a Austrália também planeja usar de satélites para levar banda larga a áreas remotas. A NBN Co. já oferece serviços de satélite, mas de forma limitada; a empresa planeja lançar dois satélites de banda Ka até 2015, por um custo aproximado de R$2 bilhões. Segundo Castello, na Austrália “o governo também está investindo diretamente nesse tipo de solução para prover acesso banda larga via satélite”.

E Himilcon cita diversas empresas que já trabalham com a internet via satélite que o governo visa estimular: Viasat e Hughes, dos EUA; e Eutelsat e Athena-Fidus, da Europa.

Imagens por Angela Waye/Shutterstock, Jose Gil/Shutterstock e Edson Haruki/AEB


Fonte: Site “Gizmodo Brasil” – http://www.gizmodo.com.br/

Comentário: Então senhores Himilcon de Castro e Marcos Castello Branco, pelo que entendi os senhores apoiam essa farsa política do lançamento do SGB no final de 2014, correto? Bom, estejam certo que cobraremos dos senhores e de todos que apoiarem publicamente essa previsão fajuta do lançamento desse satélite e não deixaremos que esse caso passe uma vez mais em branco. Aproveitamos para agradecer ao leitor André C. Castro pelo envio dessa entrevista.

Comentários

  1. Está na cara, que quem vai usar o SGB, diretamente, são empresas como CLARO, VIVO, NET, UOL, GVT, e outras provedores de acesso a WEB e de serviços bancarios, como SANTANDER, BRADESCO, ITAU, BANCO DO BRASIL, CORREIOS, SUBMARINO, pois hoje o brasileiro, senta no seu pc e faz seu pedido pela internet e esse pedido precisa ser entregue, o pagamento do cartao de crédito, precisa ser processado, e é óbvio, que um provedor local de INTERNET e de acesso a WEB pode repassar para os consumidores finais, afinal de contas, temos muitos municipios onde a conexão a INTERNET não está disponibilizada, e isso afeta o desenvolvimento do pais, e esse satélite é bem-vindo, e digamos, já está até atrasado... Já deviamos ter pensado nisso antes, mas, ANTES TARDE DO QUE NUNCA...

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  2. Olá Anônimo!

    Suas colocações são pertinentes e concordo contigo quando diz que antes tarde do que nunca, mas é preciso que fique claro para o leitor que o lançamento desse complexo satélite em 2014 é pura fantasia, e está sendo utilizada pelo governo DILMA como propaganda política.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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