Missão Centenário Completa Cinco Anos
Olá leitor!
Segue abaixo uma matéria publicada na Revista Espaço Brasileiro (Abr, Maio e Jun de 2011), destacando os cinco anos da Missão Centenário.
Duda Falcão
AEB
Missão Centenário Completa Cinco Anos
Objetivos da Missão eram realizar experimentos nacionais
em ambiente de microgravidade e homenagear Santos Dumont
Raíssa Lopes
Há cinco anos a nave espacial que levava o primeiro e único astronauta brasileiro, Marcos Pontes, decolava. O vôo durou dez dias e foi parte da Missão Centenário, que recebeu esse nome em homenagem aos cem anos do primeiro vôo do de Santos Dumont com o 14-Bis. Durante a viagem, o astronauta realizou experimentos em ambiente de microgravidade.
As metas da Missão Centenário eram realizar experimentos nacionais em ambiente de microgravidade, incentivar o crescimento dessa área de pesquisa no Brasil, homenagear Santos Dumont e promover o Programa Espacial Brasileiro. “Os objetivos foram integralmente cumpridos”, afirmou o gerente da Missão na ocasião, Raimundo Mussi. Ele acredita que o maior êxito da Missão foi despertar o interesse nacional nas atividades espaciais brasileiras, devido à ampla cobertura da mídia que o evento recebeu. “O povo brasileiro na sabia que o Brasil tinha um programa espacial antes da Missão”, disse Mussi.
Para o astronauta Marcos Ponte, “uma grande realização foi a motivação dos jovens para seguirem carreira em Ciência e Tecnologia”. O fato pode ser comprovado pelo aumento na participação de alunos na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) depois da Missão Centenário. Em 2005, pouco mais de 185 mil alunos participaram da OBA. Já em 2006, ano do vôo de Marcos Pontes, 306 mil alunos fizeram a prova da olimpíada.
Raimundo Mussi acredita que a Missão também serviu para mostrar à comunidade científica brasileira a possibilidade e a efetividade de realizar determinados experimentos em ambiente de microgravidade e a capacidade técnica brasileira de prepará-los em curto tempo seguindo as estritas exigências de segurança para embarque em vôo espacial tripulado. Ao todo, Pontes levou e executou oito experimentos, selecionados por meio do Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira.
O pesquisador do Centro Universitário da FEI, Alessandro La Neve, foi o coordenador do projeto “Efeito da Microgravidade na Cinética das Enzimas”. Apesar de ter participado dos anúncios de oportunidades dos programas Uniespaço e Microgravidade da AEB, desde 1999, La Neve acredita que a Missão Centenário foi um marco para sua equipe já que tiveram de adaptar o experimento às normas da ISS. “Foi um desafio. Para isso, contamos com o apoio da AEB, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O conhecimento adquirido durante todo o processo foi transmitido para as outras experiências em vôos suborbitais”, contou o pesquisador.
Para o pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenador do projeto “Teste de Evaporadores Capilares em Ambiente de Microgravidade” (CEM), Edson Bazzo, a Missão Centenário abriu uma rara oportunidade para que pesquisadores de seu grupo e também de sua universidade pudessem participar de um desafiador. “Isso refletiu diretamente na autoconfiança de nossos alunos de doutorado e de mestrado na sua capacidade científica de atender demandas de alto nível tecnológico”, afirmou o pesquisador. Segundo Bazzo, a participação de novos alunos da universidade em projetos orientados à pesquisa experimental e espacial aumentou. “Considerando a experiência bem sucedida e os bons resultados colhidos com o experimento CEM, os trabalhos foram então orientados ao desenvolvimento de materiais alternativos visando a aplicação tanto espacial quanto industrial”, disse o pesquisador.
A Missão Espacial também possibilitou o desenvolvimento de tecnologias utilizadas nos dias atuais. O coordenador do projeto”Nuvens de Interação Protéica” (NIP) e pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), conta que as tecnologias criadas para o NIP estão sendo utilizadas hoje no desenvolvimento de sensores de gases e sensores para doenças tropicais. “Estamos desenvolvendo, também, um micro cromatógrafo e um sistema de deposição de filmes”, conta Archer.
Dois experimentos (germinação de sementes de feijão e cromatografia da clorofila) realizados durante a Missão Centenário eram da Secretaria de Educação de São José dos Campos (SP). Segundo uma das coordenadoras do projeto, Elisa Farinha, a Missão aproximou de forma concreta a temática espacial do dia-a-dia da sala de aula. “A oportunidade de contato com pesquisadores da área, dos institutos de pesquisa do Brasil e da Rússia foi de grande relevância”, disse a coordenadora. Elisa destacou, também, a interação dos alunos com o astronauta Marcos Pontes. “Ele se tornou referência para o grupo. Isso aconteceu não só pelo feito de ser o primeiro astronauta brasileiro a participar de uma missão espacial mas pela história de vida e exemplo de superação e dedicação”, afirmou Elisa.
Segundo o gerente da Missão Centenário, apesar dos experimentos educacionais terem sido criticados pela imprensa, eles foram considerados altamente inovadores por diversas agências espaciais, que inclusive solicitaram detalhes de sua elaboração execução. Por isso ele acredita que as críticas aos experimentos foram portanto descabidas. Em 2010, a Secretaria de Educação de São José e seus alunos participaram da Operação Maracati II com os Experimentos Educacionais em Microgravidade que voaram no foguete de sondagem VSB-30. “A participação das escolas nessa Operação foi um desdobramento significativo da “Missão Centenário”, afirmou Elisa Farinha.
Marcos Pontes, astronauta brasileiro
“Germinação de sementes em microgravidade”, coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e “Minitubos de Calor”, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram os outros dois experimentos realizados por Pontes na ISS. A pesquisa da UFSC comprovou que minitubos brasileiros, feitos por um processo de fabricação inovador e mais simples funcionam. A tecnologia desenvolvida pela universidade gerou derivações para outros setores industriais, como o petroquímico e até a fabricação de fornos de padaria.
Livro – Para relatar tudo o que aconteceu antes, durante e depois de sua viagem ao espaço, Marcos Pontes lançou, em março, o livro “Missão Cumprida”. “A obra é um registro histórico da Missão Centenário”. A publicação faz, ainda, uma análise de Pontes sobre os impactos, as críticas e as polêmicas que envolveram a viagem. “Esperei cinco anos para escrever o livro porque queria registrar toda a Missão e esse foi o tempo que levei para analisar tudo”, diz o astronauta. “Minha intenção é deixar tudo registrado para que futuras gerações aprendam com nossos erros e acertos”, completa.
Além do livro sobre a Missão Centenário, Pontes é autor do “É possível! Como transformar seus sonhos em realidade”, um mix de suas experienciais no espaço e dicas de como ser bem sucedido. Foi publicado em 2010.
Atualidade – Atualmente, Pontes divide o seu tempo entre o Brasil e os Estado Unidos. “Estou a disposição da AEB. Tanto para futuros vôos quanto para consultorias e contatos técnicos”, diz o astronauta.
A educação é uma das grandes preocupações do astronauta. “Quero fazer com que a garotada se interesse pela Ciência e Tecnologia e, também, formar mão-de-obra qualificada para o Programa Espacial Brasileiro”, diz o astronauta. Para isso, Pontes trabalha na implantação do curso de Engenharia Aeroespacial que a Universidade de São Paulo (USP) está criando. “Espero que o curso fique pronto ano que vem. Já conseguimos algumas coisas interessantes para o curso, como uma centrifuga humana, que é usada no treinamento de astronautas”, conta Pontes. Atualmente, ele ministra cursos eletivos na USP, mas pretende ficar mais tempo na universidade quando o curso de engenharia aeroespacial iniciar. “Um dos meus sonhos é que um aluno meu seja o segundo astronauta profissional brasileiro”, confidencia Pontes.
Missão Centenário – O astronauta brasileiro, Marcos Pontes, saiu, no dia 29 de março de 2006, a bordo da nave russa Soyuz, em direção da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês), para uma viagem científica. A jornada começou no Centro de Lançamento de Baikonur, no Cazaquistão, e durou dez dias, dos quais oito foram na ISS. Pontes levou oito experimentos de instituições brasileiras de ensino e pesquisa para serem estudados em ambiente de microgravidade.
“O vôo do astronauta brasileiro foi uma decisão governamental. Essa atividade visualizava o vôo de até três astronautas brasileiros e estava incluída no Acordo Governamental sobre a participação brasileira na Estação Espacial Internacional”, explica o gerente da Missão, Raimundo Mussi. Segundo ele, motivos como o não cumprimento de algumas obrigações do acordo pela parte brasileira e o acidente com um ônibus espacial americano, que suspendeu o transporte para a Estação Espacial, atrasaram o vôo de Pontes e fizeram com que ele voasse pela Agência Espacial Russa (ROSCOSMOS, sigla em Inglês) e não pela Agência Espacial Americana (NASA, sigla em inglês), como esperado.
O curso para astronauta de Marcos Pontes foi realizado na NASA e durou dois anos. Quando foi decidido que ele voaria pela ROSCOSMOS, ele foi submetido a outro treinamento, de cinco meses, na Rússia, para o qual teve que aprender o idioma russo. Como parte dos treinamentos, o astronauta fez testes de sobrevivência em ambientes adversos, utilizou o traje espacial pressurizado em uma câmara sem ar e participou de vôos parabólicos – quando o avião sobe e então descreve uma parábola, em queda livre.
Fonte: Revista Espaço Brasileiro - num. 11 – Abril, Maio e Junho de 2011 - págs. 08 e 09
Em cinco anos já teria dado tempo do Brasil colocar alguns satélites no espaço sendo pelo menos um por meios próprios, mas .... a lenga lenga continua ......
ResponderExcluirOlá André!
ResponderExcluirRealmente amigo já teria dado tempo mesmo. Entretanto a "Missão Centenário" teve uma grande importância que só não foi maior porque o governo não soube aproveitar a oportunidade para divulgar o Programa Espacial para a sociedade brasileira como deveria. Faltou um plano de marqueting preparado por especialistas, talvez por falta de visão, ou por incompetência, ou por falta de interesse ou por tudo isto junto.
Abs
Duda falcão
(Blog Brazilian Space)
"Falta de visão ou por incompetência" as palavras certas que eu usaria .
ResponderExcluirNa matéria postada antes dessa no terceiro trecho da entrevista tem uma frase que me deixa de cabelo em pé é esta "O Governo decidirá o que vai ser feito"
Pois é André!
ResponderExcluirTambém acredito que seja por aí, mas incluiria também a falta de interesse como fator primordial para a missão não ter obtido o sucesso que poderia, apesar de te obtido benefícios muito interessantes e indicadores que poderia ter sido bem melhor. Se fosse uma campanha política, certamente especialistas seriam contratos e com recursos públicos, esteja certo disso.
Abs
Duda Falcão
(Blog Brazilian Space)