quinta-feira, 28 de junho de 2018

Alunos Brasileiros Se Apresentam à NASA e Enviam Experimento ao Espaço

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante matéria publicada hoje (28/06) no site do jornal “Folha de São Paulo” dando destaque à apresentação bem sucedida ocorrida hoje para a NASA do experimento da galerinha brasileira da Missão GARATÉA-ISS, prevista para voar amanhã (29/06) rumo a Estação Espacial Internacional (ISS).

Duda Falcão

CIÊNCIA

Alunos Brasileiros Se Apresentam à NASA
e Enviam Experimento ao Espaço

Um composto de cimento e plástico verde será
testado na Estação Espacial Internacional.

Por Estelita Hass Carazzai
Folha de São Paulo
28 de junho de 2018 às 17h07

WASHINGTON – Em meio a sisudos estudantes americanos vestindo jaleco, camisa xadrez, gravata borboleta e até terno, um grupo de cinco brasileiros se remexia de ansiedade nas cadeiras de um auditório em Washington, nesta quinta-feira (28).

Os alunos, que têm entre 13 e 15 anos, estavam a poucos minutos de serem os primeiros brasileiros a apresentarem um experimento para ser enviado à Estação Espacial Internacional (ISS), numa ação anual do governo americano em parceria com a NASA (agencia espacial dos EUA).

“Acho que foram os cincos passos mais difíceis de minha vida”, contou à Folha o estudante Otto Gerbaka, 13, sobre o percurso que fez até o palco, debaixo de réplicas de foguetes, satélites e uma imagem da Lua

Foto: Estelita Hass Carazzai / Folhapress
Crianças brasileiras bolam experimento de impressão
3D para ser testado na Estação Espacial Internacional.

É a primeira vez que um grupo de alunos do Brasil, dos colégios Dante Alighieri, Projeto Âncora e Escola Municipal Perimetral, em São Paulo, participa do evento. A competição estudantil, chamada de Programa de Experimentos Espaciais para Estudantes, é realizada há 12 anos. Nunca antes um país de fora da América do Norte havia participado da iniciativa.

“É uma honra ter vocês aqui; isso vai servir como modelo para a nação inteira”, afirmou o coordenador do programa Jeff Goldstein, que puxou aplausos à equipe.

Em inglês, os brasileiros se revezaram para contar como funciona o experimento, que irá enviar ao espaço uma ampola de um composto feito de cimento em pó de plástico verde. Caso esse composto resista de maneira satisfatória à microgravidade, ele pode ser uma alternativa para construção de colônias humanas fora da Terra.

O lançamento será nesta sexta-feira (29), às 6h41, no horário de Brasília. É possível acompanhar ao vivo pela internet, neste link.

Nesta quinta, foram pouco menos de dez minutos de apresentação. Mas, ao final, professores, pais e alunos se abraçavam, muitos às lágrimas.

“É como se a gente subisse junto. Em cima do palco, tem mais de um ano de trabalho”, afirmou, com olhos marejados, a professora Mirim Brito Guimarães, coordenadora do colégio Dante Alighieri. “Isso aqui é uma pontinha de uma grande montanha que estamos construindo”.

Guimarães segurava uma bandeira do Brasil, no fundo da plateia. Outros professores sacavam o celular e gravavam o momento histórico. Um dos alunos, Natan Cardoso, 15, colocou até borrachinha verde-e-amarela no aparelho que usa nos dentes.

“Não foi para a Copa, não; foi para mostrar aqui na NASA” disse ele, que estuda na Escola Municipal Perimetral e faz sua primeira viagem internacional.

Foram meses de preparação e estudos. A equipe vencedora saiu de uma disputa realizada no ano passado entre 72 grupos de brasileiros, formados por alunos de 12 a 14 anos. Três projetos foram enviados à NASA, e apenas um foi selecionado.

“Nós estamos num momento em que precisamos escolher se o Brasil vai ser um ator ou um espectador do acesso ao espaço. É esse o meu trabalho: transformar o Brasil num ator”, afirmou a Folha o engenheiro espacial Lucas Fonseca, coordenador da Missão Garatéa, que desenvolveu o projeto em parceria com os colégios.

Depois de escolhido o experimento, em dezembro do ano passado, os alunos passaram a se organizar para a viagem. Alguns reforçaram as aulas de inglês. Outros fizeram vaquinha com os colegas para pagar as passagens.

“Eu vendi muito brigadeiro para conseguir vir”, contou Sofia Palma, 13, aluna do 8° ano do Projeto Âncora, em Cotia. “Sempre gostei muito de ler sobre Ciência, mas nunca pensei que estaria em um projeto desse porte”.

A possibilidade de criar novos engenheiros espaciais é real entre o grupo. “Eu nunca tinha pensado em trabalhar com o espaço. Com esse projeto, eu acho que é uma possibilidade”, disse Laura D’Amaro, 13, aluna do Dante Alighieri. “Eu sempre quis ser engenheiro. Depois desse projeto, mais ainda”, afirmou Guilherme Funck, 13, de quem partiu a ideia de trabalhar com cimento

No dia anterior, eles haviam praticado a apresentação durante três horas a fio - mesmo com jogo do Brasil na Copa do Mundo.

Para os professores, os reflexos da pesquisa já são sentidos em sala de aula. “A perspectiva é outra: eles começam a elaborar perguntas, fazer hipóteses, trabalhar com variáveis. É um alfabetização científica”, diz Tiago Bodê, professor de Ciências do colégio Dante Alighieri.

Em julho, o Garatéa irá abrir um edital nacional para a próxima edição do concurso. Podem participar colégios de todo o país.

OBS: Veja abaixo as fotos divulgadas pelo Eng. Lucas Fonseca sobre a apresentação de hoje (28/06) dos alunos brasileiros no “National Air and Space Museum, Smithsonian Institution” em Washington (EUA).



Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo - 28/06/2018

Comentário: Tá vendo aí Sr. Braga Coelho como se realmente realiza ações efetivas na área da educação espacial invés de ficar vendendo fantasias? Bom leitor, neste momento eu estou bastante emocionado lendo essa matéria, pois a mesma me transporta a meados dos anos 80 do século passado, quando como estudante de intercambio cultural, sonhador, cidadão e idealista, estive como associado do saudoso NSI (National Space Institute) de passagem pela Florida, em uma das viagens organizadas por esta instituição a fim de acompanhar o lançamento de um Ônibus Espacial, mas que infelizmente para meu azar foi cancelado. Porém foi nessa viagem que eu tive oportunidade de conhecer de perto (já naquela época) o trabalho da NASA nesta área de Educação Espacial, pois a programação da viagem incluía uma visita ao SPACECAMP da agencia espacial americana que estava ocorrendo naquele momento em Cabo Canaveral. Como não poderia deixar de ser, este jovem sonhador, cidadão e idealista saiu de lá encantado e se perguntando quando veríamos aquilo no Brasil. O conceito do SPACECAMP foi trazido para o Brasil no início dessa década por iniciativa da startup brasileira "Acrux Aerospace Technologies" do Eng. Oswaldo Loureda, e agora um experimento estudantil brasileiro chega a Estação Espacial Internacional (ISS) graças a iniciativa deste grande realizador, o Eng. Lucas Fonseca. Uma prova de que precisamos neste país de mais profissionais do tipo de Louredas e Fonsecas e de menos bananas do tipo Coelhos.

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