sexta-feira, 31 de março de 2017

Holanda e Brasil Fortalecem Parceria em Tecnologias Espaciais e Agricultura de Precisão

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (31/03) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) destacando que Holanda e Brasil fortalecem parceria em tecnologias espaciais e agricultura de precisão.

Duda Falcão

Holanda e Brasil Fortalecem Parceria em
Tecnologias Espaciais e Agricultura de Precisão

Coordenação de Comunicação Social – CCS
31/03/2017

Fotos: Valdivino Junior/AEB

A aplicação das tecnologias espaciais em agricultura de precisão foi o tema da Mesa Redonda promovida na última terça-feira (28.03), pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Embaixada da Holanda. O encontro é uma forma de fortalecer a cooperação entre os dois países durante a visita do diretor-geral adjunto do Ministério da Economia do Reino dos Países Baixos, Jasper Wesseling ao Brasil.

O presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, falou da importância de as organizações parceiras serem capazes de compartilhar e buscar desenvolvimento conjunto em tecnologia e inovação. “A agricultura de precisão constitui um sistema de gerenciamento integrado que reúne informação para endereçar a soma dos fatores necessários para se produzir otimamente, tendo em vista as tecnologias disponíveis para tratar essa matriz de dados”, afirmou.

O diretor Jasper Wesseling explicou como a Holanda apoia projetos de inovação partilhados com parceiros brasileiros por meio de diversas universidades, institutos e tecnologias holandesas na área espacial. Entre as instituições citadas para a cooperação espacial estão o Centro Nacional para o Desenvolvimento e Exploração de Instrumentos de satélite em astrofísica e Ciências da Terra nos Países Baixos (SRON) e a Wageningen University.

Guilherme de Paula Corrêa, analista de infraestrutura da Câmara Internet das Coisas (IoT) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), abordou a gestão tecnológica para fazendas que asseguram lucros, sustentabilidade e proteção do meio ambiente.

SGDC - O analista também fez uma apresentação sobre o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), a infraestrutura satelital brasileira na atualidade e a Câmara Internet das Coisas, que tem como objetivo subsidiar a formulação de políticas públicas, promover e monitorar o desenvolvimento da IoT, comunicações e soluções para o mercado brasileiro.

Ernst-Jan Bakker, consultor de Inovação, Tecnologia e Ciência na Holland Innovation Network, citou oportunidades de desenvolvimento conjunto entre o Brasil e a Holanda, como a Geodata para Agricultura e Água (Geodata for agriculture and water – G4AW) e a Bioscope.

O G4AW — atualmente vigente em diversos países da África e da Ásia – é um programa da NSO (Agência Espacial dos Países Baixos), que visa melhorar a segurança alimentar de países em desenvolvimento provendo dados de satélite a comunidades agrícolas, já o Bioscope é uma aplicação desenvolvida pela ESA (Agência Espacial Europeia) para fornecer imagens agrícolas e cartões de tarefas para máquinas de forma que aditivos agrícolas sejam administrados na quantidade exata e no momento certo.

Ricardo Inamasu, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), discorreu sobre a FMIS (Sistema de Informação para a Gestão de Produção Agropecuária), uma nuvem de dados dedicada ao gerenciamento de sistemas agrícolas, desde o planejamento financeiro até a aplicação de fertilizantes e sementes, irrigação, pulverização, logística e mineração de dados.



Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: E lá vamos nós de novo dando tiro com bala de festim para tudo quanto é lado.

AEB Apoia Spacetroopers Brasil em Competição da NASA, nos Estados Unidos

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (31/03) no site da Agência Espacial Brasileira (AEB) destacando que a agencia esta apoiando uma equipe brasileira numa competição da NASA.

Duda Falcão

AEB Apoia Spacetroopers Brasil em
Competição da NASA, nos Estados Unidos

Coordenação de Comunicação Social – CCS
31/03/2017


A Agência Espacial Brasileira (AEB) está  apoiando os seis estudantes cariocas, integrantes do Spacetroopers Brasil, grupo escolhido para participar da NASA Human Exploration Rover Challenge, competição que está acontecendo no U.S. Space & Rocket Center, sede da Agência Espacial Americana, em Huntsville, no Alabama.

Composta de três fases, a competição consiste em uma corrida de obstáculos que simula terrenos extraterrestres de meia milha, ou seja, aproximadamente 800 metros. A segunda fase envolve os estudantes em experiências de engenharia relacionadas às missões de exploração da NASA. A Sample Retrieval Challenge, terceira fase, é uma corrida opcional para coletar quatro amostras – uma líquida e uma sólida.

As amostras coletadas na última fase da competição devem ser guardadas no veículo e levadas à linha de partida o mais rápido possível. As equipes terão que desenhar e construir suas próprias ferramentas de coleta de amostras e o container para armazená-las.

Os seis integrantes da equipe brasileira – Nathalia Pires, Fellipe Franco, Yago Dutra, Larissa Ferreira, Rafaela Bastos e Alexandre Rodrigues — são alunos dos colégios Santa Terezinha, Pedro II e Odete São Paio, no estado do Rio de Janeiro. Os selecionados acumulam em suas trajetórias estudantis cerca de 50 medalhas conquistadas em competições.

Critérios – As equipes devem focar na criatividade e eficiência para desenhar e construir suas próprias rodas, que deverão seguir critérios, como segurança, adaptabilidade a diferentes superfícies, durabilidade e força, tração, estabilidade, performance, entre outros

“O roovers, equipamento de locomoção desenvolvido pelos estudantes brasileiros para participar da competição atendeu todos os requisitos solicitados e foi aprovado pelo corpo técnico”, afirmou o engenheiro mecatrônico da AEB, Gabriel Figueiró, designado para acompanhar e dar suporte aos estudantes.

Segundo ele, no primeiro dia do evento, quinta-feira (30.03), foram testados todos os veículos que serão utilizados nas missões tripuladas, que acontecem nesta sexta-feira (31), último dia da competição. Os roovers que irão disputar o torneio precisam ser movidos pela força humana e ter capacidade para carregar dois estudantes, em um percurso de 800 metros cheio de obstáculos, que simula terrenos que poderiam ser encontrados em viagens espaciais.

Esta é a primeira vez que a equipe brasileira conseguiu a qualificação técnica exigida para se inscrever na competição da NASA. Figueiró ressalta: “A participação da AEB tem como objetivo a capacitação e formação de recursos humanos na área espacial, acompanhar a iniciativa da instituição de ensino e pesquisa governamental Nasa Human Exploration Rover Challenge, além de divulgar para o mundo a área espacial brasileira.



Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Olha leitor, muito curioso esta notícia que deve chamar a atenção de muita gente. E verdade que tudo relacionado a essa agencia eu olho com um olho aberto e outro fechado, já que não conhecemos a motivação da iniciativa em questão. Porém, vamos ficar aqui na torcida pela boa participação brasileira nesta competição. AVANTE Spacetroopers Brasil. Agora galera, espaçomodelistas brasileiros, esta iniciativa abre um precedente e lhe dar o direito de cobrarem também algum apoio desta Agencia de Brinquedo em competições internacionais, especialmente aquelas equipes envolvidas com o Spaceport América Cup. Pra cima deles galera, cobre o mesmo privilégio.

FAB Aposta em Motor de Propulsão Líquida

Olá leitor!

Veja abaixo uma nota postada hoje (31/03) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), tendo como destaque o projeto do Motor-foguete L-75.

Duda Falcão

LAAD 2017

FAB Aposta em Motor de Propulsão Líquida

Concebido para impulsionar veículos espaciais, projeto que usa etanol
finalizou primeira etapa de testes de câmara de combustão na Alemanha

Por Tem. Jussara Peccini
Fonte: Agência Força Aérea
Publicado: 31/03/2017 08:00h


O projeto de cooperação germano-brasileira no desenvolvimento de motor para impulsionar veículos espaciais baseados em propulsão "verde" é um dos destaques no estande da Força Aérea Brasileira (FAB), na maior feira de segurança e defesa no Rio de Janeiro. O projeto L-75 usa etanol para desenvolver a tecnolgia de propulsão líquida.

Atualmente, os pesquisadores brasileiros e alemães analisam os dados da campanha de ensaios da câmara de combustão realizada entre julho e dezembro no ano passado em Lampoldshausen, na Alemanha. Foram cinco anos de pesquisas até o projeto ter condições de avaliar o cabeçote de injeção, concebido para ser o núcleo do novo motor L-75. Os testes verificaram os parâmetros de desempenho de combustão para serem comparados com o estabelecido no projeto.

O motor L-75 é um projeto desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), localizado em São José dos Campos (SP), em parceria com a Agência Espacial Alemã (Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt - DLR) e a Agência Espacial Brasileira (AEB). O nome do L-75 tem relação com o empuxo do motor (força que empurra) de 75 KN (quilonewtons). Para se ter uma ideia, isso seria suficiente para tirar do chão um caminhão de 7,5 toneladas.


Os responsáveis explicam que o objetivo brasileiro nesse projeto é capacitar equipe técnica de engenheiros e técnicos para dominar a tecnologia de propulsão líquida. O conhecimento permite calcular e projetar os componentes do motor inteiro. Além disso, permite capacitar a indústria nacional para fabricar esses diversos componentes projetados e, ao final, ensaiar esses componentes nas instalações projetadas e construídas no Brasil.

“Ao final desse ciclo o país estaria capacitado a desenvolver a tecnologia de propulsão líquida no país. Importantíssima para ter acesso efetivo ao espaço, por meio de lançamento de satélite”, explica Daniel Soares de Almeira, gerente do projeto no IAE. “A tecnologia de propulsão líquida é mais eficiente e é a que a maior parte dos países usa para ter acesso ao espaço. No entanto, é mais complexa. Isso exige um trabalho maior, além de desafios para a equipe técnica e para a indústria”, complementa.


Amanhã você vai saber mais sobre a importância do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), um dos institutos do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), localizado em São José dos Campos (SP).


Fonte: Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: Bem leitor confesso que estava esperando com ansiedade esta nota da FAB sobre o motor L75 e como temia fiquei decepcionado. Tinha esperança de que o COMAER mudasse de postura e dissesse a verdade a Sociedade Brasileira sobre este projeto. Mas continua com a mesma postura dizendo que o objetivo é capacitar equipe técnica de engenheiros e técnicos para dominar a tecnologia de propulsão líquida, ou seja, conversa fiada que se finalizado for irá acabar virando peça do MAB de São José dos Campos sem qualquer utilidade. Caro leitor, para que você possa entender melhor, imagine se os pesquisadores russos envolvidos com a missão do Sputnik-1 tivessem este mesmo ‘OBJETIVO’ em pauta, este satélite certamente não teria sido lançado em 1957. O que a FAB chama de ‘OBJETIVO’ leitor, na verdade não passa de uma ‘CONSEQUÊNCIA’ natural do processo de desenvolvimento, o que vem demonstrar que há algo de muito errado com este projeto, em outras palavras, não é um projeto sério. O objetivo leitor (se realmente fosse um projeto sério) deveria ser de desenvolver um motor-foguete liquido que realmente fosse útil para atender os projetos de veículos lançadores previstos no  PEB, e ai sim com o conhecimento adquirido servir como ponto de partida para o desenvolvimento de motores líquidos ainda maiores. Além do mais, não podemos esquecer do comentário do Eng. Fausto Ivan Barbosa (participante do Projeto quando atuava no IAE e hoje trabalhando no ITA) com relação ao uso deste foguete no ainda esperado VLS Alfa. Ele disse: “O L75 não possui desempenho compatível com a necessidade do VLS ALFA, no sentido de que o impulso específico deveria ser, no mínimo, 15% maior, como demonstram estudos realizados à época do lançamento do natimorto Programa Cruzeiro do Sul” (veja aqui). Bom leitor, se ele não serve para o VLS-Alfa, e o VLS-1 já era, ele será usado em que lançador? Numa versão potencializada do VLM-1? Bom leitor, pelo suposto ‘OBJETIVO’ do projeto citado acima, em nenhuma dessas opções, em outras palavras, vai virar peça do MAB, ou seja, dinheiro jogado no lixo. Conheci no IAE em 2010 o Eng. Daniel Soares de Almeida, gerente deste projeto e tive à época uma excelente impressão dele, mas confesso que, eu em seu lugar, como servidor público, jamais trabalharia em projetos que não fossem verdadeiramente úteis a minha sociedade. Como Brasileiro, me sinto ludibriado e revoltado com toda essa história. Enfim...

IAE é “Requerente” e “Testemunha” no Contrato FUNCATE-AVIBRÁS

Olá leitor!

Segue abaixo uma outra interessante matéria publicada na edição de Fevereiro e Março do ”Jornal do SindCT“, fazendo um analise sobre o contrato assinado entre o IAE a Avibrás e a fundação FUNCATE para a produção de seis motores foguetes S50 a serem empregados nos veículos lançadores VS50 e VLM-1.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

FUNDAÇÃO PRIVADA É INTERMEDIÁRIA NO PROJETO DE R$ 70 MILHÕES

IAE é “Requerente” e “Testemunha”
no Contrato FUNCATE-AVIBRÁS

Assinado em dezembro de 2016, o documento estipula que a empresa
deverá entregar, até fevereiro de 2019, seis motores modelo S50,
a serem empregado nos veículos lançadores VS50 e VLM-1.

Antonio Biondi e
Napoleão Almeida
Jornal do SindCT
Edição nº 55
Fevereiro e Março de 2017

Primeira página do contrato firmado entre
FUNCATE e Avibrás em 16/12/2016.
O brigadeiro Augusto Otero, diretor do IAE, assina
o documento na condição de testemunha.

Um investimento de quase R$ 70 milhões em seis motores-foguete é a aposta brasileira para atingir a longínqua meta — acalentada desde a década de 1980 — de colocar um artefato na órbita da Terra, podendo tornar-se o primeiro país do Hemisfério Sul a alcançar tal façanha. Em um contrato que se originou no governo Dilma Rousseff, mas só foi assinado no final de 2016, o País fará um investimento de exatos R$ 69.683.296,10 iniciais para, segundo a justificativa do projeto, “ampliar o conhecimento e desenvolver soluções científico-tecnológicas para fortalecer o Poder Aeroespacial Brasileiro por meio da pesquisa, desenvolvimento, inovação, operações de lançamento e serviços tecnológicos em sistemas espaciais”.

O valor é inicial pois ainda há um cronograma de ações previstas para o final de 2017 que exigirão novo aporte, previsto no contrato inicial, com correção de acordo com o Índice Geral de Preços. Embora o interessado seja o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE-DCTA), o contrato principal envolve apenas a Avibrás Divisão Aérea e Naval, empresa privada sediada em São José dos Campos (SP), e a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE, entidade privada). Dispensado de licitação, com base no Decreto 8.241/2014 da Presidência da República e no parecer 1.689/2015 da própria FUNCATE.

Neste contrato está prevista a entrega de seis motoresmodelo S50, da seguinte forma: “02 (dois) vazios para ensaios de ruptura, estruturais e de carregamento inerte; 02 (dois) equipados e carregados com propelente para ensaio estático de queima em banco de provas; e 02 (dois) equipados e carregados com propelente prontos para o voo, e seus acessórios”. Os motores serão utilizados pelo veículo VS-50 e também pelo VLM-1, Veículo Lançador de Microssatélites.

O presidente em exercício da Agência Espacial Brasileira (AEB) Carlos Gurgel comemorou a assinatura do contrato, lembrando que, além dos motores, o país possui o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), “que permite lançar satélites em qualquer inclinação”. Tal combinação de fatores, a seu ver, permite “entrar no mercado promissor de lançamento de satélites de pequeno porte”.

Em 2003, um acidente de razões ainda obscuras matou 21 pessoas no CLA, entre engenheiros e técnicos que preparavam o lançamento do foguete brasileiro VLS-1 V03. O relatório do acidente, elaborado por uma comissão de investigação encabeçada pelo brigadeiro- do-ar Marco Antonio Couto do Nascimento, responsabilizou o “funcionamento intempestivo do propulsor A”, ressaltando que não foi possível identificar qual a razão do acionamento do detonador, e concluía que “a longa convivência do projeto com a escassez de recursos humanos e materiais pode ter conduzido a uma dificuldade crescente em perceber a degradação das condições de trabalho e da segurança”.

À época, o Brasil pretendia colocar no espaço o microssatélite SATEC, como carga útil do VLS-1. Porém, três dias antes do lançamento que resultaria na maior tragédia do Programa Espacial Brasileiro, um incêndio destruiu a base de lançamento, incluindo o foguete e o satélite nele embarcado.

“Avanço”

A expectativa é de que o contrato venha a sanar problemas crônicos do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). “O Brasil ainda tem empresas que podem projetar e fabricar sistemas aeroespaciais de alta qualidade. E as empresas podem trabalhar juntas para alcançar os resultados na área espacial nos interesses nacionais do Brasil. Isto é avanço significativo”, analisa o professor Artem Andrianov, da Faculdade de Engenharia da Universidade de Brasília (UnB).

Nos anos 1980, Avibrás se notabilizou por vender
baterias de foguetes para o Iraque.

Para Andrianov, que é PhD em Ciência dos Materiais e ex-professor associado da Universidade Nacional de Dinpropetrovsk (Ucrânia), o Brasil pode se inserir no mercado de forma significativa: “Conforme a Space Works, cerca de 3 mil nano/microssatélites precisarão de serviço de lançamento entre 2016 e 2022. Então o desenvolvimento do lançador deste tipo é muito importante não somente para o Brasil, mas para todo o mundo”, diz o professor, citando a empresa americana que monitora a atividade global de satélites e avalia áreas para novos investimentos.

Andrianov, no entanto, faz uma advertência. “Há somente uma dúvida: se o VLM-1 poderá concorrer com outros veículos lançadores no mercado. Já agora no desenho do VLM-1 um especialista pode observar algumas soluções não otimizadas do ponto de vista da eficiência do lançador: o segundo estágio é o mesmo do primeiro (o mesmo propulsor S50). Provavelmente isto foi necessário para diminuir o preço do lançador. Eu só não tenho dúvidas em um assunto: o projeto do VLM-1 tem que ser finalizado”, pondera.

O alerta é válido: o satélite Amazônia 1, primeira carga útil da chamada Plataforma Multimissão (PMM), vem sendo desenvolvido pela AEB, com ajuda do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), desde 2001, com sucessivos atrasos de cronograma devidos fundamentalmente às dificuldades enfrentadas por alguns segmentos da indústria privada nacional ainda incapazes de fornecer os equipamentos contratados com a qualidade necessária para uso no espaço. Diversos contratos firmados entre a AEB e a indústria nacional, alguns no valor de dezenas de milhões de reais, simplesmente não chegaram a termo, provocando, além de enormes atrasos nos cronogramas, prejuízos milionários aos cofres públicos.

O contrato assinado entre a fundação privada FUNCATE, intermediária do IAE, e a Avibrás, pelo menos prevê multa e sanções em caso de descumprimento de metas e itens contratuais. A cláusula sétima determina a aplicação de “Advertência” e de “Multa por inexecução total ou parcial do evento do contrato, por parte da contratada”, porém, limitada ao máximo de 10% do valor do evento e, em caso extremo, ao evento de maior valor no contrato — um teto de aproximadamente R$ 7 milhões.

Há ainda a previsão de multa por atraso injustificado no cronograma. Os atrasos, se superiores a 90 dias, podem resultar na rescisão do contrato, com multa limite de 10%. Ou seja, um contrato de altíssimo risco, praticamente a fundo perdido, já que o pagamento do objeto contratado não está vinculado à sua entrega definitiva, com o atendimento a todos os requisitos estipulados pelo contratante.

Testemunha

A prática da contratação de empresas privadas em projetos do PNAE acabou por sucatear a estrutura montada no IAE, que, sem projetos a executar, foi se tornando obsoleta. Gastar com empresas privadas faz com que a União invista menos nas suas próprias instituições. No contrato em questão, por exemplo, tanto a contratante FUNCATE (gestora) quanto a contratada Avibrás (executora) são organizações privadas. Não há uma razão clara para que o governo federal deixe de contratar diretamente a empresa produtora dos motores. Destinatário final da encomenda, o IAE aparece no contrato na condição de “Requerente”. Assim, o parágrafo quarto da cláusula primeira é surpreendente: “O pagamento está condicionado à existência de recurso financeiro repassado pelo Requerente (IAE/DCTA), decorrente do Convênio 001/IAE/2014”. Este convênio regula a relação entre o instituto e a fundação privada, com vistas à encomenda dos motores à Avibrás. Embora a contratante formal seja a FUNCATE, todas as autorizações no decorrer do contrato dependem do IAE (ou do DCTA). A cláusula décima-quarta (“Acompanhamento/Fiscalização”) estabelece que a “execução deste contrato será acompanhada e fiscalizada por uma Comissão do Requerente”; que esta comissão e as pessoas que designar “deverão ter acesso às instalações onde o contrato será executado, durante a jornada normal de trabalho”; e que a Avibrás deve garantir “acesso irrestrito” da comissão a essas instalações, bem como permitir “o contato direto da Comissão do Requerente com a equipe técnica da Contratada”. Além disso, segundo a clásula décima-sexta, a execução do contrato “está sujeita a inspeções e auditorias” por parte da comissão do IAE. Ademais, a Avibrás deverá “manter um Sistema de Garantia de Qualidade certificado por uma Autoridade Certificadora reconhecida pelo IFI/DCTA” etc.

A reportagem entrou em contato com as três partes, buscando esclarecer certos pontos do contrato e também dissecar aspectos técnicos da fabricação dos motores, bem como entender o cronograma de uso das seis peças. O IAE optou por não agendar entrevista: seu departamento de comunicação (?) burocratizou o acesso à informação, solicitando ao Jornal do SindCT o envio de novo pedido ao Serviço de Informações ao Cidadão, em um espaço no portal digital da Força Aérea Brasileira (FAB). De lá, há o redirecionamento para outro portal, onde é necessário o preenchimento de um cadastro e a criação de senha para acesso ao sistema. Até o fechamento desta edição não se obteve nenhuma resposta deste sistema.

A FUNCATE respondeu, por meio da assessoria de imprensa, que “só faz a gestão financeira e administrativa do projeto”, evitando questões técnicas. A reportagem então insistiu em conversar com alguém da fundação sobre as questões financeiras e administrativas. Recebeu, assim, a seguinte promessa: “O presidente do Conselho Diretor da FUNCATE, Josiel U. de Arruda, está verificando com o IAE a possibilidade de agendarmos uma entrevista conjunta das duas instituições, tendo em vista que a fundação apenas dá apoio à gestão administrativa e financeira do projeto. Ele lhe dará um retorno o mais breve possível”. O retorno, todavia, não aconteceu até o fechamento desta edição.

Por fim, a Avibrás registrou em contato inicial, que o assunto se encontrava nas mãos da Diretoria de Relações Institucionais. Posteriormente, em e-mail enviado no dia 3 de março, a empresa formalizou sua resposta à equipe do Jornal do SindCT: “Recomendamos a V.Sa. que procure o IAE”. Todos os contatos relatados com IAE, FUNCATE e Avibrás ocorreram no decorrer dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2017.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 55ª – Fevereiro e Março de 2017

Comentário: Bom leitor é claro que essa analise do contrato não está completa já que a equipe jornalística do Jornal do SindCT não conseguiu respostas para seus questionamentos das partes envolvidas com o contrato, mas creio que este artigo deva ser lido, analisado e debatido pelos pesquisadores do PEB, principalmente o alerta feito pelo professor Artem Andrianov, da Faculdade de Engenharia da Universidade de Brasília (UnB).

Meteoro Pode Ser a Causa de Estrondo e Tremor Registrados na Bahia

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada dia (28/03) no site do “Observatório Nacional (ON)” destacando que um meteoro pode ter sido a causa do estrondo e do tremor registrados na Bahia.

Duda Falcão

Notícias

Meteoro Pode Ser a Causa de
Estrondo e Tremor Registrados na Bahia

Publicado: Terça, 28 de Março de 2017, 18h57
Última atualização em Terça, 28 de Março de 2017, 19h11

No último domingo, dia 26 de março, moradores de Salvador, na Bahia, e de cidades próximas relataram ouvir um grande estrondo, observar um clarão no céu e sentir tremores com movimentação de objetos, por volta das 7 horas. A EXOSS, uma organização sem fins lucrativos que tem como finalidade o estudo de meteoros, parceira do Observatório Nacional, apresenta indícios de que a causa pode ser atribuída a um meteoro. Não há confirmação até o momento, mas os relatos e as imagens obtidas apontam para essa origem.

A EXOSS é uma rede colaborativa, que busca conhecer as origens, natureza e caracterização de órbitas dos meteoros. Para isso, integra as estações de monitoramento montadas por seus associados, obtendo imagens em diversos locais – entre os quais, na sede do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, e no Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica, também do ON, em Itacuruba, Pernambuco. Essa rede também reúne e analisa os relatos e imagens enviadas pelo público. Com base nos relatos e imagens obtidos no último domingo, a EXOSS publicou o infográfico abaixo, mostrando que o raio de visualização das testemunhas é de 120 quilômetros, o horário aproximado de 7h11 e uma trajetória preliminar.


Na página da EXOSS na Internet é possível obter mais informações sobre a rede e ver maneiras de colaborar. Este tutorial orienta como relatar um bólido. A EXOSS também dá dicas de como fotografar meteoros, explica os fenômenos, oferece estatísticas de meteoros e meteoritos e orienta os interessados para fazer observação visual, além de mostrar imagens em tempo real das estações instaladas.

Abalo Sísmico na Bahia é Descartado

A equipe de Sismologia do Observatório Nacional, que integra a Rede Sismográfica Brasileira, descartou que tenha havido abalos sísmicos na Bahia, nas regiões onde foram relatados os tremores. De acordo com o sismólogo Fábio Dias, nenhum sinal que possa ser relacionado a um tremor de terra foi registrado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), nem pela estação de GDU01 situada 150 km de Salvador, o que reforça a hipótese de que o evento  tenha sido causado por um meteoro.

No mesmo dia, porém mais cedo, por volta de 4 horas, foi registrado um abalo sísmico no município de Itabi, Sergipe. Esse sismo registrado pela RSBR teve uma magnitude de 2.7 e a estação mais próxima estava a 450 km. Tremores de terra dessa ordem de magnitude são comuns no Brasil. Desde abril do ano passado, por exemplo, foram registrados mais de 100 sismos entre magnitude 2.0 e 3.0 em todo o território nacional.


Fonte: Site do Observatório Nacional (ON)

Comentário: Bom leitor de minha parte eu posso dizer que eu fui um dos que presenciaram este fenômeno, quando trabalhava em matérias para o Blog no meu apartamento em Salvador. O estrondo foi seco e moderado seguido de uma vibração que balançou a janela em frente do meu computador, como se uma massa de ar forte tivesse se chocado contra ela. Realmente algo estranho e que logo chamou a minha atenção. Confesso que por um instante me passou pela cabeça que pudesse ter sido um meteoro, mas como estava concentrado no que fazia, voltei ao meu trabalho, só pensando no assunto após ter terminado o que vinha fazendo. 

Auditoria do Tribunal de Contas Apoia Alteração na Governança da AEB e PEB

Olá leitor!

Segue abaixo uma interessante matéria publicada na edição de Fevereiro e Março do ”Jornal do SindCT“, destacando que uma auditoria realizada pela Secretaria de Controle Externo do Estado de São Paulo (SECEX/SP) do Tribunal de Contas da União (TCU) apoia alteração na governança da AEB e PEB.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

RELATÓRIO FOI DIVULGADO EM DEZEMBRO DE 2016

Auditoria do Tribunal de Contas Apoia Alteração na Governança da AEB e PEB

Auditores do TCU respaldam avaliação do corpo técnico da Agência Espacial de
que é necessária a vinculação direta à Presidência da República, de modo a
coordenar diversos órgãos do Estado

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 55
Fevereiro e Março de 2017

Uma auditoria para “identificar possíveis objetivos e ações de controle relativos ao Programa Espacial Brasileiro [PEB], como foco nas atividades relacionadas ao desenvolvimento de satélites pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)” foi realizada entre 18 de julho e 19 de agosto de 2016 pela Secretaria de Controle Externo do Estado de São Paulo (SECEX/SP) do Tribunal de Contas da União (TCU). Dela resultou um relatório com 45 páginas (TC 016.582/2016-0), disponibilizado em dezembro na página digital do TCU. Na visão dos auditores, há um problema de governança no topo do Sistema Nacional de Desenvolvimento de Atividades Espaciais (SINDAE), responsável pela execução do PEB.

Após relatar o histórico de surgimento e progresso do PEB, os auditores traçaram um panorama dos órgãos envolvidos e de seus processos, em especial do INPE e da Agência Espacial Brasileira (AEB), focos principais da pesquisa. Ouviram pessoas, sem nominá-las no relatório, mas, por óbvio, do INPE supõe-se que tenham sido os membros da Coordenação de Engenharia (ETE) e do Laboratório de Integração e Testes (LIT), que são os responsáveis pela execução do desenvolvimento de satélites, além do diretor do instituto. Quanto à AEB, é provável que tenham entrevistado o presidente da Agência e seus diretores. Além disso, visitaram as instalações desses órgãos.

O relatório observa que, embora a AEB seja uma autarquia atualmente vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), compete a ela realizar a coordenação geral de um sistema que envolve outras pastas e órgãos, em especial o Ministério da Defesa (MD), ao qual se subordina o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA); e no caso de projetos como IncraSat e SCD-Hidro, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Agência Nacional de Águas (ANA) respectivamente.

“Esses fatos constituem indícios de que, com vistas a uma melhor governança do SINDAE, seria recomendável que a AEB estivesse posicionada em um nível superior, à semelhança do previsto no art. 1º de sua lei de criação (lei 8.854/1994), que a vinculava à Presidência da República, respondendo, de modo direto, ao Presidente da República. Nesse nível, a AEB teria maior respaldo institucional para exercer seu papel de coordenação geral. O caráter estratégico de que se reveste esse papel é revelado, em grande medida, pela relação de competências elencadas no art. 3º da Lei 8.854/1994”.

O SINDAE, coordenado pela AEB, é constituído pelo DCTA, que dirige o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI); pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); e por universidades e empresas privadas. O relatório do TCU deixa claro que esse entendimento de “fragilidades na governança do SINDAE” é do próprio corpo técnico da AEB.

“Baixa Relevância”

O relatório dos auditores registra que, “na apresentação realizada pelas áreas técnicas da AEB para a equipe de levantamento, foram relacionadas, entre as principais dificuldades enfrentadas”, as seguintes:

1) “baixa relevância do Programa Espacial como Programa de Estado”, pois “carece de maior relevância política e estratégica para o país, considerando não só as questões de soberania e autonomia nacionais, mas principalmente pelos importantes retornos socioeconômicos em benefício da sociedade”;

2) “baixa capacidade e descontinuidade no uso do poder de compra do Estado, como instrumento de indução de políticas e desenvolvimentos do setor espacial, voltados para a promoção do desenvolvimento econômico e social do país, e geração de empregos de alto nível de qualificação”;

3) “fragilidades na Governança do Sindae”, cuja concepção (Decreto 1.953/1996) “é ultrapassada e carece de revisão da sua Governança e organização sistêmica do conjunto das suas atividades e ações, da articulação e integração dos seus instrumentos e mecanismos de acompanhamento, avaliação e controle, bem como da integração e coordenação das ações entre os diversos (stakeholders)”.

Ainda segundo a apresentação da AEB, incorporada pelo relatório do TCU, o PEB é complexo, “com caráter multi-institucional e multissetorial”, portanto requer “aperfeiçoamento do modelo do sistema e fortalecimento do papel do seu principal órgão superior de coordenação”. Assim, propôs-se a “revisão do Decreto 1.953/1996 que institui o SINDAE, com realce nos mecanismos de governança (liderança, estratégia e controle) e a gestão de seus processos”. A AEB, acrescenta o documento, entende que “o estabelecimento de políticas, estratégias e prioridades para o setor espacial [deve] ocorrer em instância situada no mais alto nível de decisão político-governamental”. E conclui: “Essa visão da AEB constitui mais um indício da existência de problemas na governança do SINDAE”.

Diversos trechos do relatório apontam ausência de clareza quanto às atribuições do INPE e as da indústria privada, em especial após o surgimento da Visiona. No entanto, assinala-se que essa delimitação de papéis do INPE e da Visiona não consta no Programa Nacional de Atividade Espaciais (PNAE 2012-2021), até porque a empresa joint-venture — associação entre Telebrás, estatal, e Embraer — não havia sido criada à época da formulação desse programa. Por essa razão, o INPE continua voltado ao atendimento das “antigas” diretrizes do programa espacial, e, conforme diz o relatório do TCU, “desalinhado da nova concepção que vem sendo esboçada pela AEB.

Os auditores deram bastante destaque à questão da legislação no que tange à aquisição de bens e serviços. O relatório reforça a tese de que a lei 8.666/1993 (Lei de Licitações) não contempla as peculiaridades do processo de desenvolvimento tecnológico, dificulta a gestão dos contratos de desenvolvimento de satélites e de seus subsistemas. Disso decorreria a edição das leis 10.973/2004 e 13.243/2016. No entanto, os gestores do INPE informaram que a maior parte dos subsistemas envolvem contratos firmados ainda sob a lei 8.666/1993. E que a lei 10.973/2004 não foi utilizada porque é muito vaga, deixando lacunas quanto à relação que deveria ser estabelecida entre o instituto e as empresas.

Confira aqui a íntegra do documento do TCU:

https://drive.google.com/file/d/0B6pfjGnkcKzqRElIcFp0TlFRdGc/view?usp=sharing


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 55ª – Fevereiro e Março de 2017

Comentário: Uma matéria muito interessante realizada pela jornalista Shirley Marciano que em nossa opinião deveria ser discutida e debatida por aqueles que estão envolvidos de alguma forma com as atividades do Programa Espacial Brasileiro (PEB).

quinta-feira, 30 de março de 2017

No Brasil, Telescópio Russo Vai Monitorar Lixo Espacial e Proteger Satélites de Colisão

Olá leitor!

Segue abaixo nota postada hoje (30/03) no site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), destacando que no Brasil, Telescópio Russo vai monitorar Lixo Espacial e Proteger Satélites de Colisão.

Duda Falcão

NOTÍCIAS

No Brasil, Telescópio Russo Vai Monitorar
Lixo Espacial e Proteger Satélites de Colisão

Fruto de uma parceria entre o Laboratório Nacional de Astrofísica e a ROSCOSMOS,
telescópio será inaugurado nesta quarta-feira (5). Iniciativa favorece a cooperação
científica com a Rússia, que tem grande tradição em astronomia.

Por Ascom do MCTIC
Publicação: 30/03/2017 | 08:00
Última modificação: 29/03/2017 | 18:40

Crédito: LNA
Numa parceria com o LNA, telescópio russo foi instalado
no Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais.

A partir da próxima semana, os satélites de comunicação que circulam na órbita da Terra terão menos risco de colisão com detritos espaciais. Com isso, as redes de telecomunicação do Brasil e do mundo ficam mais protegidas, diminuindo as chances de terem os serviços temporariamente inoperantes. Tudo isso graças ao telescópio russo instalado no Observatório do Pico dos Dias, em Brazópolis (MG), para monitorar o lixo espacial. O equipamento é fruto de uma parceria entre a ROSCOSMOS, a agência espacial da Rússia, e o Laboratório Nacional de Astrofísica, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia Inovações e Comunicações (MCTIC).

Primeiro telescópio da ROSCOSMOS no hemisfério sul, o equipamento será inaugurado na próxima quarta-feira (5), mas, ainda na fase de testes, foi capaz de detectar cerca de 200 detritos espaciais numa única imagem. "Existe uma preocupação em proteger os satélites da Rússia e do mundo inteiro dos detritos espaciais e, com isso, garantir que os serviços dos satélites não sejam comprometidos. Tudo que utilizamos no dia a dia corre risco de interrupção caso um satélite em órbita seja danificado", explica o diretor do LNA, Bruno Castilho.

Segundo ele, o telescópio é importante para o cidadão e também para as pesquisas astronômicas desenvolvidas no Brasil. "Vamos ter acesso a uma grande quantidade de dados sem custos para o país, com acesso para todos os pesquisadores interessados", acrescenta.

Base de Dados

Com o novo equipamento, um investimento de R$ 10 milhões feito pela ROSCOSMOS, o LNA poderá detectar e mapear detritos na órbita do planeta, fragmentos de foguetes e pedaços de satélites que vagam pelo espaço, para criar uma base de dados com a localização e a trajetória dos objetos que apresentam risco de colisão com satélites artificiais ativos ou, no caso de objetos maiores, com o planeta Terra depois de entrar na atmosfera. A base de dados, que ficará sob responsabilidade da agência russa, vai orientar a adoção de medidas para evitar eventuais colisões.

"O LNA vai ter cópia de todas as imagens, que poderão ser usadas para pesquisas em astronomia, supernovas, estrelas variáveis e asteroides. Todos os astrônomos brasileiros poderão utilizar os dados, desde que apresente um projeto de pesquisa solicitando as imagens para determinado fim", afirma Castilho.

Por Que o Brasil?

Em novembro de 2016, uma equipe russa desembarcou no Brasil e se juntou a pesquisadores brasileiros para dar início à instalação do telescópio na cúpula de seis metros de diâmetro no Observatório do Pico dos Dias. O que a ROSCOSMOS quer é fotografar "essa parte do céu" para ampliar o mapeamento da órbita terrestre e o monitoramento do lixo espacial. A agência possui um telescópio semelhante na Rússia que acompanha a movimentação dos objetos "na parte norte" da órbita terrestre.

"A Rússia queria um instrumento desses no hemisfério sul. Para a escolha do Brasil e do Observatório do Pico dos Dias foram considerados vários fatores que vão desde a localização, passando pela infraestrutura do LNA e dos nossos laboratórios. A inauguração desse telescópio é fruto de um convênio de cooperação científica dentro do acordo dos BRICS, assinado em 2016", esclarece o diretor do LNA.

Desde a assinatura do acordo de cooperação científica até a inauguração do telescópio, o projeto cumpriu todas as etapas do seu cronograma dentro do prazo estipulado de um ano. "Foi tudo exatamente dentro do cronograma. Os equipamentos chegaram em outubro, os profissionais russos responsáveis pela instalação e orientação da equipe brasileira em novembro e, em fevereiro, a montagem foi concluída. Em um ano desde a assinatura do projeto, o equipamento foi consolidado e entra em operação funcionando perfeitamente."

A Fundação de Apoio à Pesquisa de Itajubá (FUPAI) vai gerenciar os recursos de operação e manutenção do equipamento e os custos da equipe. No dia 5 de abril, um engenheiro russo desembarca no Brasil para treinar os técnicos brasileiros que vão comandar o telescópio. "Estamos abrindo uma porta de colaboração com a Rússia, que tem enorme tradição na astronomia. Esse acordo é uma abertura para novos acordos futuros. O prazo inicial de operação do telescópio é de seis anos, renovável até quando o projeto de mapeamento dos detritos for importante", diz Castilho.

A instalação do telescópio faz parte do projeto da Agência Espacial Russa intitulado Panoramic Electro-Opical System for Space Debris Detection (PanEOS) que prevê a construção e operação de uma rede de instalações desse tipo de telescópio na Rússia e em vários outros pontos do planeta. A África do Sul, também dos BRICS, é um dos países do hemisfério sul onde a ROSCOSMOS pretende instalar outro exemplar desse telescópio.


Fonte: Site do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC)

Seminário do CEMADEN Avaliará Alertas

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada na edição de Fevereiro e Março do ”Jornal do SindCT“, destacando que Seminário do CEMADEN avaliará no início de abril alertas de Desastres Naturais.

Duda Falcão

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

MONITORAMENTO DE RISCOS DE DESASTRES NATURAIS

Seminário do CEMADEN Avaliará Alertas

Nas mesas-redondas e plenárias as defesas civis apresentarão
experiências locais de monitoramento, alerta e resposta a
desastres naturais (deslizamentos,  inundações eenxurradas).
Trata-se, portanto, de aperfeiçoar o sistema operado pelo Centro.

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 55
Fevereiro e Março de 2017

Giba/Ascom-MCTI
Sala de Situação do CEMADEN.

Entre os dias 4 e 6 de abril, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), sediado no Parque Tecnológico de São José dos Campos-SP, promove o I Seminário Nacional de Avaliação dos Alertas.  O evento, que contará com a presença de pesquisadores, representantes de instituições federais da área de monitoramento, e equipes que trabalham nos órgãos de Defesa Civil estaduais e municipais, tem o objetivo de avaliar o conteúdo dos processos de disseminação dos alertas de desastres naturais emitidos pelo CEMADEN e discutir as perspectivas de aprimoramento desses alertas.

O seminário do CEMADEN — órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) — conta com as parcerias do Centro Nacional de Gerenciamento  de Riscos  e Desastres (CENAD), do Ministério da Integração Nacional e do Conselho Nacional de Gestores Estaduais de Proteção e Defesa Civil  (CONGEPDEC).  A programação é estruturada  em palestras técnico-científicas sobre monitoramento e prevenção de riscos  de desastres  naturais e, principalmente, em mesas-redondas para a discussão sobre temas relativos aos alertas emitidos pelo Centro.

Nas mesas-redondas e plenárias as defesas civis apresentarão as experiências  locais, avaliações e discussões sobre monitoramento, alerta e resposta a desastres naturais, finalizando com propostas para o aprimoramento dos alertas de risco de deslizamentos,  inundações e enxurradas.  Trata-se, portanto, de aperfeiçoar o sistema, que já executa um importante trabalho de prevenção de desastres, tendo como meta finalística a preservação de vidas. Além disso, durante o seminário, também será tratada a questão de integração de dados observacionais, mapeamento de áreas de risco e registros de desastres naturais para a melhoria do sistema de monitoramento e alertas.

Treinamento

Nos dias 6 e 7 de abril, após o evento, o CEMADEN oferecerá um treinamento aos técnicos de defesas civis estaduais e municipais sobre uso de dados ambientais para fins de monitoramento de risco de desastres naturais.  As inscrições para o treinamento serão feitas na mesma ficha de inscrição ao evento. Quem tiver interesse em participar pode obter mais informações sobre o I Seminário Nacional de Avaliação dos Alertas em um site específico do evento, dentro do Portal do CEMADEN, no endereço  http://www.cemaden.gov.br/i-seminario-de-avaliacao-de-alertas-do-cemaden.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do CEMADEN, o intercâmbio de informações técnicas e científicas possibilitará avanços e aprimoramentos no eixo “Monitoramento e Alerta” do Plano Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres Naturais, formulado em 2012. Isso porque o encontro tem como foco uma troca de experiências entre as defesas civis locais.

“A troca e retorno das Defesas Civis ao CEMADEN — no feedback da situação e ações decorrentes dos alertas recebidos — contribuirão para o conhecimento e avaliação da consistência e qualidade dos dados monitorados e emissão eficaz dos alertas. Essa comunicação contínua e sistematizada do retorno sobre os alertas emitidos entre Defesas Civis e CEMADEN possibilitará a construção da integração necessária à atuação sinérgica dos diversos  órgãos brasileiros, que atuam no gerenciamento de risco de desastres dos níveis  federal, estadual e municipal”, afirma o CEMADEN.

Atualmente, para a emissão dos alertas, o CEMADEN adota o disposto no Protocolo de Ação Integrada entre o CEMADEN e o CENAD, em conformidade com o estabelecido nas Portarias 314, de 17/10/2012 (DOU 203, 19/10/2012, Seção 1, p. 26-27) e 149, de  18/12/2013 (DOU 249, 24/12/2013, Seção 1, p.  60), de ação integrada entre  Agência  Nacional  de Águas  (ANA), CEMADEN, CENAD  e Companhia  de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) -Serviço  Geológico do Brasil.

Criação

O CEMADEN foi criado em julho de 2011, pelo  Decreto  Presidencial  7.513, meses após uma nova tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, quando  cerca de mil pessoas morreram em decorrência de deslizamento de terras após fortes chuvas. Em vista do maior desastre climático já registrado no país, o governo Dilma Rousseff definiu a criação do CEMADEN, que tem o objetivo de monitorar e emitir alertas de risco que permitam evitar desastres naturais, salvaguardar vidas e diminuir a vulnerabilidade social, ambiental e econômica decorrente desses eventos.

Para consolidação do Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEN foi criado com intuito de, em parceria com várias instituições, implementar, complementar e consolidar a rede de instrumentos meteorológicos,  hidrológicos e geotécnicos de monitoramento ambiental. O CEMADEN opera 24 horas por dia, sem interrupção,  monitorando em todo o território nacional as áreas de risco de 958 municípios classificados como vulneráveis a desastres naturais. Entre outras competências,  envia  os alertas de desastres naturais ao CENAD, auxiliando o Sistema Nacional de Defesa Civil.

Desde dezembro de 2011, quando começou a operar a Sala de Situação (ou Operação) no monitoramento dos municípios, até o início de fevereiro de 2017, o CEMADEN já emitiu cerca de 6.800 alertas. Desse total de alertas de riscos de deslizamentos, inundações ou enxurradas, foram emitidos cerca de 200 alertas em nível muito alto, 1.400 em nível alto e 5.200 em nível moderado.


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 55ª – Fevereiro e Março de 2017