sábado, 10 de dezembro de 2016

Satélite de Alunos de Escola Pública em SP é Lançado ao Espaço

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria postada ontem (09/12) no site do jornal “O Estado de São Paulo”, tendo como destaque o lançamento do tubesat “Tancredo-1” da galerinha de Ubatuba ocorrido ontem no Japão.

Duda Falcão

CIÊNCIA - JAPÃO

Satélite de Alunos de Escola Pública
em SP é Lançado ao Espaço

Estudantes de colégio em Ubatuba começaram a trabalhar no
projeto em 2010, quando tinham apenas 11 anos

Isabela Palhares,
O Estado de S. Paulo
09 Dezembro 2016 | 19h50

Foto: EM.Presidente Tancredo Neves
'Sabíamos que a ideia era inusitada, mas queríamos dar
essa oportunidade para os alunos', disse o professor.

Eles tinham apenas 11 anos quando embarcaram no projeto e nesta sexta-feira, 9, viram seu satélite, construído nos últimos seis anos, ser lançado do Centro Espacial Tanegashima, no Japão, para a Estação Espacial Internacional (ISS) de onde será colocado em órbita. É o primeiro satélite brasileiro a ser produzido por estudantes da educação básica.

O equipamento foi desenvolvido por um grupo de seis estudantes da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves, de Ubatuba. A ideia surgiu em 2010 do professor de Matemática Cândido Moura. Para a efetivação, eles contaram com a assistência técnica e aulas no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e na Agência Espacial Brasileira (AEB), que incluiu os estudantes no programa Satélites Universitários e arcou com os custos dos testes e do voo do equipamento para estação espacial. 

“Sou formado em Física, mas dou aula de Matemática. Na época, conversei com os colegas da escola e todos ficaram empolgados. Sabíamos que a ideia era inusitada, mas queríamos dar essa oportunidade para os alunos, de criar algo e não só reproduzir um conteúdo”, contou Moura. Segundo o professor, a primeira tentativa para desenvolver o satélite foi feita com um kit americano, mas o equipamento foi redesenhado por um pesquisador do Inpe. Moura disse que o satélite lançado nesta sexta, batizado de Tancredo 1, foi totalmente produzido e construído no Brasil.

Foto: EM.Presidente Tancredo Neves
Satélite foi concebido e construído pelos estudantes.

O projeto, segundo ele, não envolveu apenas os seis estudantes, mas mais de 700 alunos da escola. “O projeto cresceu e é muito maior, a gente abre turmas todos os anos para dar aulas de Eletrônica, Mecânica e mais de 50 se inscrevem. Em três ou quatro meses, eles já conseguem produzir algo que funcione e ficam encantados.”

Além disso, os alunos que participaram da construção do satélite também viajaram para os Estados Unidos, onde conheceram a NASA (agência espacial americana), e para o Japão, onde apresentaram um paper em um congresso aeroespacial. 

“Foram muitas conquistas desde que comecei a participar, mas o mais importante foi ver o quanto eu gostava de Ciências e Matemática. Eu sempre tive interesse por essas disciplinas, mas nunca tinha tido a oportunidade de colocar em prática”, contou Nathalia da Costa, de 17 anos. A estudante tinha 11 anos quando começou a desenvolver o satélite e neste ano prestou vestibular para entrar no curso de Engenharia Aeroespacial.

Foto: Ryosuke Uematsu/Kyodo News via AP
O satélite dos estudantes foi um dos equipamentos
transportados pelo foguete lançado nesta sexta do Japão.

Difusão. Walter Abrahão, tecnologista do INPE, disse que o instituto viu no projeto uma oportunidade de difusão de conhecimento e de aproximação dos jovens com a ciência. “Para nós, foi um aprendizado muito grande também, sempre auxiliamos e fazemos pesquisas com universitários. Mas, para esses alunos, tivemos de adaptar nosso conteúdo para uma linguagem deles”, contou. 

Para Pedro Kaled, tecnologista da AEB, a missão dos estudantes já está totalmente concluída. “O maior sucesso desse projeto foi dar uma educação de mais qualidade e permitir que esses estudantes tivessem contato com a produção científica. Uma das missões mais nobres da agência é a difusão de conhecimento e conseguimos completar essa missão com esses estudantes.”


Fonte: Site do Jornal O Estado de São Paulo – 09/12/2016

Comentário: Simplesmente fantástico a iniciativa deste grande educador da cidade de Ubatuba-SP, o Prof. Cândido Moura, fez com que o seu nome e desses jovens fossem registrados na história do país e da Astronáutica mundial. Mesmo ignorantemente a Sociedade Brasileira não reconhecendo a importância e as implicações do feito deste grande educador e de seus fantásticos alunos, a história registrará esse momento, e caso o mesmo não seja suficiente para ajudar a mudar a mentalidade reinante, ela também no futuro cobrará o seu preço. Lembra do caso do Tenente Coronel Manoel dos Santos Lage???

4 comentários:

  1. Projeto fantástico, sou fã do trabalho do prof. Candido Moura, parabéns por esse feito extraordinário!

    Infelizmente concordo com você Duda, e não vejo o reconhecimento de algo tão fantástico, isso deveria estar em todas as primeiras páginas.

    grande abraço,

    Lucas Fonseca

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    1. Ola Eng. Lucas!

      Verdade amigo, o Prof. Cândido Moura é uma pessoa impar e um grande exemplo a ser seguido. Quanto a falta de mídia, era de se esperar, por isso que estou ajudando. Porém creio que na semana que vem a nossa Agencia Espacial de Brinquedo (AEB) deva se pronunciar de alguma forma atraindo assim mais mídia.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Muito impressionante o trabalho e garra dessa galerinha! Parabéns a esses jovens "engenheiros aeroespaciais" e ao Prof. Moura, Professor exemplar e daquele time de pessoas que fazem muito além do que a obrigação dele, assim como do q esperam dele.

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    1. Olá Oswaldo!

      Verdade amigo, essa galerinha esta de parabéns e o Prof. Cândido Moura é um exemplo a ser seguido. Ele é uma daquelas pessoas ao qual intitulamos de "GENTE QUE FAZ".

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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