quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Ordem do Dia em Comemoração ao Aniversário do IAE

Olá leitor!

Segue abaixo a ordem do dia em comemoração pelos 62 anos de existência do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), publicada que foi no dia (17/10) no site do instituto.

Duda Falcão

Ordem do Dia em 
Comemoração ao Aniversário do IAE

Publicado: 17 Outubro 2016
Última atualização em 17 Outubro 2016

Aniversários são datas para a reflexão quanto ao que passou e ao que desejamos para o futuro. É o ano novo particular de cada um. Tempo de pensar em mudar, em melhorar no que for possível. E também de ficar alegre por tudo o que se alcançou e superou.

A reflexão do passado nos remete, inicialmente, a 1954, ano da criação do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento – IPD, segundo instituto deste campus, incumbido de realizar pesquisa e desenvolvimento em aeronáutica, eletrônica, materiais, sistemas e equipamentos especiais para aviação. Quinze anos após sua criação, em 1969, efetivou-se a transferência da tecnologia adquirida pelo Instituto em projeto de aviões para a indústria nacional, a cessão de toda a sua equipe técnica e administrativa, assim como do acervo da Divisão de Aeronaves, permitindo que a nova empresa assumisse sua posição de organização produtiva e centro de consolidação no desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional.

Na área espacial, também na década de 1960, o Instituto iniciava as atividades que abrangiam desde o desenvolvimento de foguetes até a pesquisa e o desenvolvimento de material bélico, assim como de lançamento de foguetes de sondagem, juntamente com a indústria nacional. O lançamento do SONDA I, em 1967, inaugurou a caminhada espacial brasileira. Novamente, quinze anos após sua criação, também em 1969, pessoal e instalações do Departamento de Assuntos Especiais do Instituto foram cedidos para a ativação do Instituto de Atividades Espaciais – IAE.

Ao longo das décadas de 1970 e 1980, em plena crise do petróleo que se instalava no país, o Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento enfrentou e superou o desafio de desenvolver testar e qualificar o motor automotivo a álcool, solução brasileira alternativa ao combustível fóssil, que viria alguns anos mais tarde, ser reconhecido como o combustível ecologicamente correto.

Neste mesmo período, o Instituto de Atividades Espaciais desenvolveu e lançou, em parceria com os centros de lançamento do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA, 314 foguetes da família SONDA, o que permitiu ao Instituto e às empresas parceiras, desenvolver as tecnologias necessárias, porém não suficientes, para dar início ao projeto de um Veículo Lançador de Satélites nacional.

Também neste período, com o objetivo de reduzir a dependência nacional do armamento aéreo importado, o Instituto iniciou os projetos de nacionalização das bombas de fins gerais e o desenvolvimento de um míssil ar-ar nacional.

Doze anos após a ativação do Instituto de Atividades Espaciais, em 1981, a Divisão de Estudos Avançados, após grande avanço em desenvolvimento tecnológico e em ciência pura e aplicada, ganhava novas instalações e estava em condições mínimas de operar como Instituto, desligando-se da estrutura do IAE e transferindo-se para as instalações do atual Instituto de Estudos Avançados - IEAv.

Em 1991, a fusão do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento e do Instituto de Atividades Espaciais, criou o atual Instituto de Aeronáutica e Espaço – IAE, com a missão de realizar pesquisa e desenvolvimento no campo aeroespacial e de defesa.

Ao longo das décadas de 1990 e 2000, o IAE continuou sua trajetória de pesquisa e desenvolvimento e fortaleceu as parcerias com Instituições de Ciência e Tecnologia – ICT do Brasil e do exterior.

Neste período trabalhou intensamente na elaboração de diversos Requisitos Técnicos, Industriais e Logísticos para as contratações da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate – COPAC. Assim foi com o projeto AL-X, com o projeto F-5M, com o projeto A-1M, com o programa FX-1 e tantos outros programas e projetos de interesse da Força Aérea. Prestou serviços técnicos especializados em seus 103 laboratórios nas áreas de aeronáutica, espaço e defesa, assim como para a investigação de acidentes aeronáuticos.

Na área de acesso ao espaço, o Instituto desenvolveu uma nova família de foguetes suborbitais, conseguindo, em 2009, a certificação de tipo do VSB-30, veículo atualmente produzido pelas indústrias aeroespaciais brasileiras e integrado pelo IAE, e que conta com vinte e dois lançamentos do Brasil e do exterior. Ainda durante este período o IAE despendeu extraordinário esforço para colocar na plataforma de lançamento do Centro de Lançamento de Alcântara três protótipos do VLS-1, nos anos de 97 – Operação Brasil, 99 – Operação Almenara e 2003 – Operação São Luiz.

Na área de defesa o Instituto desenvolveu, testou e certificou, sempre em parceria com o Instituto de Fomento e Coordenação Industrial – IFI, diversos armamentos nacionais e transferiu para a indústria nacional toda a tecnologia desses sistemas de defesa. Participou de diversos programas de integração de armamentos em aeronaves, permitindo que os armamentos produzidos no Brasil pudessem ser empregados de forma segura e eficaz pela aviação da Força Aérea Brasileira.

Outros quinze anos se passaram após a fusão do IPD e do IAE, e em 2006, foi a vez da Divisão de Ensaios em Voo se emancipar. Pessoal, instalações e acervo da Divisão foram transferidos para o Grupo Especial de Ensaios em Voo, atual Instituto de Ensaios em Voo – IPEV.

Os desafios do século XXI, especialmente os da década de 2010, são agora de nossa responsabilidade. Mantendo o foco na missão de ampliar o conhecimento e desenvolver soluções científico-tecnológicas para fortalecer o Poder Aeroespacial Brasileiro, apoiado nas crenças e atitudes que personificam o IAE, representadas pelos nossos valores institucionais, continuamos a realizar Pesquisa e Desenvolvimento, a buscar a Inovação, a realizar Operações e a prestar Serviços Tecnológicos em sistemas aeronáuticos, espaciais e de defesa.

As parcerias com instituições de ensino e órgãos de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento permitem ao Instituto manter um Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do CNPq, que conta com a participação de 40 alunos de graduação em média, por ano. Este Programa prepara os alunos para a pesquisa científica e aprofunda seus conhecimentos na área de atuação de pesquisa do IAE.

O Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias Espaciais, parceria entre o IAE, o IEAv e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, aprovado nos níveis de mestrado e doutorado em 2011 pela CAPES, prepara profissionais no mais alto nível de pós-formação para atuar nas áreas de interesse do Programa Espacial Brasileiro nas Instituições de Ciência e Tecnologia e nas empresas do setor aeroespacial.

A parceria com os Institutos de Ciência e Tecnologia do Exército e da Marinha, e com empresas nacionais, permitiu ao Instituto desenvolver o sistema de navegação, controle e guiamento para veículo aéreo não tripulado, tecnologia atualmente presente em produtos da indústria nacional, garantindo ao Brasil o domínio do voo autônomo.

A parceria com o IPEV e o IFI permite ao IAE manter a capacidade de desenvolver, testar e integrar sistemas de defesa às aeronaves da FAB e garantir que os pilotos operem sistemas de defesa seguros e eficazes.

A parceria com o ITA, IEAv e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, e com empresas nacionais, permitiu ao Instituto desenvolver o SISNAV, sistema de navegação para emprego espacial com tecnologia totalmente nacional.

As parcerias com Instituições de Pesquisa e Desenvolvimento Internacionais permitem ao Instituto e a empresas nacionais o acesso ao processo produtivo inovador de tubos motores bobinados para os propulsores a propelente sólido do VLM-1, ao desenvolvimento do sistema de propulsão espacial a propelente líquido de 75 KN de empuxo, e participar do desenvolvimento do míssil de 5ª geração – A-Darter.

O projeto do Veículo Lançador de Microssatélites – VLM-1, desenvolvido em parceria com o Centro Espacial Alemão – DLR, prioridade do Programa Espacial Brasileiro, desperta interesse em outros possíveis parceiros internacionais, o que mostra que estamos desenvolvendo um veículo para atender ao mercado crescente de micro e minissatélites, e que não podemos perder a janela de oportunidade ora aberta. Na divisão de trabalho estabelecida para o projeto, o subsistema propulsivo, responsabilidade do IAE, está em vias finais de contratação da industrialização e produção de toda a série até a qualificação em voo do VLM-1, um total de oito propulsores, na indústria nacional.

E o futuro? Ao olhar nossa trajetória, reverenciamos todos os militares e servidores que souberam enfrentar e superar aqueles desafios e nos desafiamos. Nos desafiamos a enfrentar e superar os desafios do nosso tempo. Constatar que aqueles que nos antecederam, e nos, que estamos aqui há dez, vinte, trinta, quarenta anos, e que colaboramos para o fortalecimento da Força Aérea Brasileira, do Programa Espacial Brasileiro e do País, sempre atuando em parcerias estratégicas no Brasil e no exterior, nos tolhe o direito de questionar a trajetória de sucesso do sonho do Mal Casemiro Montenegro Filho. Mesmo sob severas restrições de toda ordem que acompanha as Instituições de Ciência e Tecnologia no Brasil, entregamos e entregaremos para a sociedade, profissionais especializados e pós-graduados nos setores aeroespacial e de defesa, transferimos e continuaremos a transferir para a indústria, a tecnologia que esta puder absorver, desenvolvemos e desenvolveremos projetos de interesse do Comando da Aeronáutica, do Programa Espacial Brasileiro e do Brasil.

Precisamos nos convencer que não acertaremos de primeira. Especificamos, projetamos, prototipizamos, ensaiamos, qualificamos e certificamos, juntamente com os demais Institutos deste Departamento, de outros órgãos do Comando da Aeronáutica, do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações e empresas nacionais, sistemas aeronáuticos, espaciais e de defesa, sempre de interesse do Comando da Aeronáutica, da Agência Espacial Brasileira e do Brasil.
Este é um caminho onde desenvolvemos, testamos, erramos, documentamos, corrigimos, testamos novamente, cometemos novos erros, continuamos a documentar, testamos mais uma, e quando estivermos quase desistindo devemos lembrar que somos eternos errantes.

Estamos em constante crescimento. Só não cresceremos se tivermos o pensamento pequeno de achar que o amadurecimento é uma questão de tempo e virá junto com o passar dos anos. Como dito por Jackson Brown Jr, daqui a vinte anos estaremos mais arrependido pelas coisas que não fizemos do que pelas que fizemos. Então soltemos nossas amarras. Afastemo-nos do porto seguro. Agarremos o vento em nossas velas. Sonhemos. Exploremos. Descubramos e Inovemos.

Parabéns a todos os integrantes do IAE de ontem, de hoje e de sempre. Parabéns pelos sessenta e dois anos de desafios, sacrifícios e conquistas. Para sempre Aeronáutica, Espaço, Defesa, Brasil!


Fonte: Site do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)

Comentário: Bom leitor, o texto realmente descreve o que foi feito nas diversas versões do IAE nesses 62 anos de existência, mas não se pode esconder o fracasso no desenvolvimento de um veículo lançador de satélites. É claro que apesar de erros operacionais terem ocorridos após a era militar (conheço alguém que bate nisso toda vez que conversamos, rsrsrsrs), defendo que o grande culpado disso tudo foi os governos civis. Fica fácil de entender se fizermos uma analogia com um barco. Para um barco atingir seu objetivo, seja ele de uso militar ou comercial, precisa de um bom capitão, é ele que deve encontrar soluções e tomar as decisões necessárias para que a sua tripulação seja a mais produtiva possível e assim alcançar os objetivos previstos. No IAE não foi diferente do que ocorreu nos outros órgãos que compõem o esforço em torno do PEB, ou seja, faltou capitão, faltou o comprometimento do responsável em tomar as decisões necessárias e assim formalizar um ambiente propicio para o desenvolvimento científico e tecnológico das atividades espaciais do país. E ai se pergunta quem é o responsável por capitanear esse barco chamado PEB? Bom leitor, segundo os acordos internacionais vigentes as atividades espaciais devem ser conduzidas, organizadas e legalizadas pelos governos de cada país interessado nestas atividades, dentro do seu território, sendo o governo deste país o responsável caso saia algo de errado que venha afetar a comunidade internacional. Pois então, desde o governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello as atividades espaciais brasileiras que, já viam necessitando de mais apoio financeiro e principalmente de mudanças na área legal e operacional, passou a desfiar devido (segundo dizem) ser relegada a um terceiro plano (já eu diria a plano nenhum, afinal para qualquer plano dar certo necessita de comprometimento) chegando à situação de penúria que nos levou ao desastre com o VLS-1 em 2003 ceifando a vida de 21 heróis brasileiros. Nomes como FERNANDO COLLOR DE MELLO, ITAMAR FRANCO, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO e por omissão (poderia quando assumiu em janeiro de 2003 se inteirar do que estava acontecendo e buscar soluções ou mesmo transferir o lançamento do VLS-1 para o ano seguinte, caso achasse necessário por qualquer motivo) LUIS INÁCIO LULA DA SILVA, todos esses são os grandes responsáveis pelo acidente em Alcântara e por hoje o PEB estar na situação que se encontra. Já a Ogra Debiloide (DILMA ROUSSEFF), esta deu o golpe final destruindo o pouco que ainda existia, e hoje a AEB é conduzida por um Zé Ninguém, o IAE está engessado, o INPE não consegue avançar na área de satélites, e o CLA e CLBI viraram bases de lançamento de foguetes de treinamento e de testes de armas, tá difícil. Mudanças urgentes são necessárias para que esse quadro mude leitor, seja de ordem legal, organizacional, financeira, de infraestrutura física e humana, em todos os órgãos envolvidos no PEB, e para tanto tudo se resume há uma única palavra, COMPROMETIMENTO, ou seja,  enquanto isto não ocorrer na PRESIDÊNCIA DA REPUBLICA e no CONGRESSO NACIONAL, continuaremos vivendo das fantasias vendidas por esses vermes através de uma mídia conivente e desinteressada. Muitos brasileiros passaram por este grande instituto do país nesses 62 anos de existência e outros ainda estão atuando dentro do instituto, e em nome do que eles fizeram e fazem e em nome do 21 heróis que perderam suas vidas por acreditarem em um Brasil potencia espacial, o Blog BRAZILIAN SPACE gostaria de publicamente parabenizar o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) pelos seus 62 anos de luta.

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