segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Série Espaçomodelismo: Entrevista Com o Sr. Carlos Cassio Oliveira do CEFAB

Olá leitor!

Dando sequencia a série com profissionais ligados a educação e ao Espaçomodelismo brasileiro, trago agora para você outra importante entrevista desta série tendo o como objetivo divulgar as ações de profissionais que nas ultimas décadas tem contribuído efetivamente para a educação de jovens e para o desenvolvimento do Espaçomodelismo no país.

Desta vez leitor o profissional em destaque é o Sr. Carlos Cassio de Oliveira,  ex-piloto comercial da antiga empresa aérea VASP, líder e criador do Centro Experimental de Foguetes Aeroespaciais da Bahia e um dos pioneiros do Espaçomodelismo no Brasil.

Sr. Carlos Cassio Oliveira é uma daquelas pessoas agitadas, elétricas, positivas e extremamente comunicativas, e no auge de seus 58 anos ativa e também muito comprometida com o que faz, outro daqueles indivíduos que o Blog comumente taxa de ‘GENTE QUE FAZ’, fantásticos profissionais que apesar do universo cultural que os cerca, buscam efetivamente o desenvolvimento da educação e da cidadania transformando dificuldades em soluções, bem diferente desses vermes  sanguessugas vendedores de ilusões que infelizmente infestam a Sociedade Brasileira, se é que a mesma pode ser taxada desta forma.

Nesta interessante entrevista este conquistense nascido na bela e fria cidade baiana de Vitória da Conquista nos faz um relato sobre sua trajetória profissional, bem como nos fala sobre as suas atividades no CEFAB e a sua expectativa para o futuro do nosso patinho feio (PEB) e do Espaçomodelismo no país.

Blog BRAZILIAN SPACE aproveita para agradecer publicamente ao Sr. Carlos Cassio Oliveira pela atenção dispensada ao nosso Blog e pela disposição e boa vontade de participar desta nossa série de entrevistas, bem como também aproveita para parabeniza-lo por tudo que fez e ainda fará pelo Espaçomodelismo Brasileiro.

Duda Falcão

Sr. Carlos Cássio Oliveira
BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Cassio Oliveira, pensando naqueles leitores que ainda não o conhecem e ao seu trabalho, nos fale sobre o senhor, sua idade, formação, onde nasceu?

SR. CARLOS CÁSSIO OLIVEIRA: Em primeiro lugar, saúdo a todos  os BRASONAUTAS  efetivos, com abundantes assiduidades  com os  compromissos  que abraçaram, e  muitas responsabilidades  a  luz do  discernimento  e da sabedoria.

Este  ano  completei  58 anos  de idade, e  em 23 de outubro  próximo, 40  anos  de  dedicação  ao  grupo  CEFAB,  confesso  que   em  meio  ao  tempo  insalubre, diante dos compromissos  da  minha  profissão,  residindo  em  outros  estados, como  piloto,  conduzir  de  forma  procrastinada  e  não usual, as  minhas  atividades  e  compromissos  com o  meu  grupo,  que  tanto  foi  penalizado  com  minha  ausência.

Nasci no dia 15 de Maio de 1958, na  cidade  de  Vitória  da  Conquista ( BA),  justamente  a  6  meses  e  11 dias, após  o  lançamento  ( Tri...Dva...Odin...Natchina !!!), do primeiro satélite  artificial  da  terra, o “Sputnik-1” . E o  que mais  me  chamou  a  atenção, se  não me falhe  á  memória, foi  a  utilização  do   sábio  uso  do   símbolo  do  “ pequeno  companheiro”, como  logotipo   do  importante  grupo CEGAPA, presidido pelo  amigo do peito  de  longas  datas, o  futuro   Engº  Paulo  Gontran  Ramos.

Após  as  perdas  de  meus  país  aos  5  anos  de  idade,  vim  morar  em  Salvador,  onde  resido  até  a  presente  data.  Dos 10  aos  17  anos,  passava  horas  e  horas, sonhando  em  conquistar  o  espaço  sideral, era  o  paliativo  que  encontrava  para  superar  a  falta da  minha  parentela  perdida tão enfaticamente. Aos   18  anos, prestei  vestibular  para  Engenharia  Civil, para minha  surpresa  passei  de  primeira,  mesmo  contrariando  os  meus  desejos  em  ser  um  Engenheiro  Aeroespacial,  que  era  difícil  e  inexistente   na  época, como  primeira  opção, ou  Piloto  de  Caça  da  FAB, como opção  secundária. O  nó  da  questão, residia  em  um  único  sentimento  com  relação  a  minha  aprovação no  vestibular, como  enfrentar  um  curso que  não  tinha  nenhuma  aptidão !  Após   a  matrícula  e  os  primeiros  inícios  das  aulas,  achava-me  como  um  “estranho  no  ninho”,  fora  da   minha  realidade, antes   mesmo  de  completar   1º  semestre,  de  forma  decisória ,  abortei  o  curso  de  Engº  Civil.

Foi difícil  decisão, mais  aprendi  de  que  o  homem  é  do  tamanho  do  seu  desejo profissional, tive  a  coragem  de  resolver  naquele  momento,  a  hora  de  parar  e  iniciar com  coragem  e  determinação,  a  realização  de  um  sonho  já  formatado, e não  um  modelo  padrão  em  dar  satisfação  para  os  outros, inclusive  de   familiares.


O Sr. Carlos Cássio Oliveira com o Sr. Paulo Gontran Ramos
durante a realização do 1ª R.N.C.E. no CTA em 1974.
O Sr. Carlos Cássio Oliveira aos 18 anos de idade,
junto ao foguete LUNA-1, em 1976.

Tinha  plena  consciência  de  que  o 1º  sonho  era  praticamente  impossível, optei então  na  realização da  2ª  opção. Como  exímio  autodidata,  estudei  o necessário para  passar nas  provas  exigidas  pelo antigo  DAC, hoje atual ANAC.  Em fim,  conseguir com muito esforço  habilitar-me como Piloto  Comercial, realizando  inicialmente  o  curso de  simuladores  das  aeronaves  Bandeirantes (EMB-110) , na  própria  EMBRAER  por  duas vezes  consecutivas  em São  José  dos  Campos (SP).  E  para  corar  a  minha  maior  vitória, alguns anos  após, passei  nas  provas  eliminatórias  para  ingresso  na  VASP,  coronado  com  êxitos  os  cursos  internos  do  Ground  school,  CPT, e  também  nos  simuladores  da  empresa,  por  fim,  tendo  o  maior  prazer  de  pilotar  os  majestosos  Boeing´s  ( 737-200), durante  quase  4  anos, cruzando  os  céus  do  Brasil. Em  2009  aposentei-me com  um  somatório  de  horas  voadas, perfazendo  um  total   de  mais  de 15.000 horas, entre  todas  ACFT´s  voadas.

Nenhum obstáculo será  tão  grande, se tua  vontade  de  vencer  for  maior.  Para  testemunharem  meus  últimos  voos  na  VASP, e na Abaeté Linhas  Aéreas, digite  no  YouTube : “ Vasp 737200 voo Manaus Brasilia VP 4235”  e  “ Ex-Vasp “Cassio”- Painho Opr  Ala Emb-110”.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, o senhor é junto com outros que já apresentamos aqui nesta série um dos pioneiros no Foguetemodelismo no Brasil. Conte-nos com começou a sua história nesta área?

SR. CARLOS OLIVEIRA: O  céu para  mim, sempre  será  uma  fonte  inesgotável  de  desafios  a  pesquisa.  Desde  os  tempos  de  criança,  observava pasmo  as  estrelas. Desvendar  seus  segredos  e  suas  leis, aumentavam  ainda  mais,  o  intuito  de  praticar  a  nossa  atividade. A  preocupação  maior,  residia  na  constante  indagação! Como  iniciaria  com  as  mãos vazias,  sem  nenhum  recurso  didático, ou  instrumental, a  construção  de  um  foguete, pelo  menos  artesanal. Naquela  época  era  tudo  mais  difícil, não  existia como  hoje,  a  facilidade  de  compra  pela  internet  de  componentes eletrônicos  e  até  mesmo,  livros  e  apostilas  expressivos. Lembro-me  de  que  os  questionamentos  referentes  as  questões  da  astronáutica  e  astronômica, pairavam  com  bastante  contundência  e  dúvidas, em  buscas  de  respostas  logicas.

A  biblioteca  do  meu  bairro, localizada  a  mais  ou  menos  de  8  km  da  minha  residência, era o ponto  intermediário  referencial na  busca  de  respostas,   dos  meus  questionamentos. Para  minha  surpresa  e  uma  dose  de  desânimo, sobre  a  busca  de assuntos  pertinentes  a  construção dos foguetes, nada  foi  encontrado. Para  suprir   os  meus  desejos,  folheava  horas  e  horas  o  livro: “ De  La Terra  à  La  Lune”  escrito  pelo  gênio  literário, Júlio  Verne,  contentava-me   também  lendo  outros  clássicos  da  época.

O  maior  momento  desta  busca  implacável  pelo  conhecimento  foi  quando  tinha  11 anos  de  idade,   testemunhando   em  frente  de  um  monitor  de  uma  televisão preto  e  branca, pertencente  ao  vizinho, que  era  na  época,  um  artigo  de  luxo. A  chegada  do  homem  á  Lua,  em  1969,  momentos  sublimes,  que  nunca  me esquecerei,   quando  o  Astronauta  Neil  Armstrong  proferiu  ao  deixar  suas  marcas,  no  solo  lunar, dizendo  sobre  a  Eagle: - “ Houston , aqui, base Tranquilidade. A  águia  pousou! “.


O Sr. Carlos Cássio Oliveira ao lado do Cap. Basílio Baranoff, Cláudio
(CEFAB) e do Prof. Felix Santana (CEFEC), em 1992, durante a
apresentação do Foguete VLS no Auditório do INPE. 
O Sr. Carlos Cássio Oliveira em 1992 na apresentação do projeto do 
Foguete SHN-1" durante a realização do “IIIº SEBAE” no auditório  do  INPE.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, quando o senhor começou quais eram as suas expectativas e objetivos nesta área?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Antigamente  para  se  fazer  pesquisa, era  muito  complicado. Para complicar  a  situação,  não  existia  o advento da  WEB, programas Space CAD 5, impressoras  3D, pacotes offices,  Solid Works, etc. A  única  saída  era  os  correios,   a  sensação  avassaladoras  de  expectativas  na  espera  de  uma  correspondência,   levava  dias  e  dias  para  chegar  até  a  nossa  residência, era  uma  eternidade  sem  precedentes.

Por  incrível  que  pareça,   ainda   hoje,  sou  considerado no  meios  dos  velhos  amigos, o  eterno “ PROFESOR   PARDAL  ALOPRADO”,  personagem  de  ficção, um  galo  antropomorfo, criado  em  1952  por  Carl Barks  para  a  Walt Disney  Company.  As pessoas  naquela  época,  nos  viam  como seres  distantes, vivendo 24  horas  numa   redoma  mágica, restrita  aos  laboratórios  ulta-secretos, no fundo  dos  quintais ou  em  áreas  especificas  de  nossas  cidades, especificamente  rotuladas  como  Clubes   de Bolinha, onde  trabalhavam  com  outros  entusiastas  contaminados  com  o vírus espacial, seres  assépticos e  imunes  as  paixões  humanas. Acreditem! Nada  mais  falso,  este  conceito  antiquado de  críticas.

Os  meus  objetivos permanecem  ainda  mais  evidentes,  com  o intuito  de  congregar  todos  os  participantes   deste  empreendimento  cientifico, desenvolvendo  foguetes  e  cargas  úteis  mais  criativas, zelar  pela  plena  liberdade  do  exercício de   nossa  atividade  e  HOMOLOGAÇÃO  imediata  dos  nossos  estatutos, inclusive  o que diz  respeito a  SEGURANÇA, estimulando  as  pesquisas  nos  ensinos: Fundamentais, ensino médio e universitário. Aplicado  e  agregando, todos os  fundamentos  básicos  para  á  construção  de Foguetes  a  Água  Pressurizada, Foguetes  Sondinha  II  e  III  e  projetos  experimentais.

Logo do CEFAB.
BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, já é de conhecimento publico que o desenvolvimento de suas atividades nesta área o levou a criar o Grupo CEFAB (Centro Experimental de Foguetes Aeroespaciais da Bahia), um dos três grupos pioneiros independentes (pelo menos que tenho conhecimento) ainda atuantes no Brasil (os outros são o CEFEC e o CEGAPA). Como surgiu essa ideia e quando o grupo foi criado?

SR. CARLOS OLIVEIRA: O  grupo CEFAB, é  uma  organização  sem  fins  lucrativos, formada  por  um  pequeno grupo  atual  de  idealistas. A data  de  fundação foi  formalizada  em  23  de Outubro  de 1976. O  leque  de  prioridades  das  pesquisas,  eram  a  principio voltadas para  os  projetos  de  envergadura educativa, experimental,  e  dentro  da  utopia natural, os  veículos  espaciais, utilizando  os  conceitos  da  propulsão híbrida  e  “ Full” liquida.

A ciência  nunca  se  resolve  um  problema, sem criar  pelo  menos  outros  mais  dez, eis  a  grande  questão.

Todo  o contexto  produtivo  do  CEFAB, tem  uma  história  de  conquista  embasada  nos  próprios  preceitos  do  grupo CEFEC , e para  conseguir  explorar  as  ideias  deste  bem  maior, a  existência  do  seu presidente,  foi  necessário sair  literalmente  de  nossa  cidade, considerada pacata  ilha  de poucos  “Kow-How” .  Saindo  do  abstrato,   inúmeras  vezes,   desloquei-me até ao  polo  de  conhecimentos, na cidade  de  Carpina,  no  intuito  de  realizar  vários  cursos  de capacitação técnica, a qual devo imensamente  ao  “ Pai  da  pesquisa  espacial  do  Nordeste”, o  mentor  e  Prof. José Felix  de Santana. Até hoje,  após  muito  tempo  de  transferência   de  ensinamentos  ao  CEFAB, usando  o  sistema  de  beneficiamento educativo elucidativo  diante  as  questões  formuladas, o avanço  ainda  esta  sendo   gratificante  e  bastante  expressivo, sobe  os  pontos  de  vistas  das   metodologias  aplicadas  na   preparação  dos  envelopes  motores, relativos  a : Manipulação  da  pólvora  especial  para  foguetes  educativos; a  base  de açúcar ( knox  e Teleflite); os  motores Micrograin. E acima de  tudo, os mais  requisitados por  todos, angariar  a  tecnologia  necessária  para  a  produção  dos envelopes motores COMPOSITE ( Aqua-flame  e Dual ), além  dos  conhecimentos  relativos  aos  Bancos  Estáticos  Análogos  e  por  último,  a  permuta  para  Digital. E  tantos  outros  inúmeros projetos  e  assuntos  relacionados  aprendidos, com relação  a  Aerodinâmica ( Cálculos  de relações de massa), sistema de ignições, Recuperações, trajetória, C.P  e  C.G.,etc.

E o mais  gratificante  foi ampliar  o  “ NETWORKING”, com outras pessoas  que  ajudaram  de forma  crucial  o  meu  aprendizado, destaco  os  senhores  Engenheiros:  Milton de Souza Sanches; Maj  Hélio da  Costa  Sôlha;   José  Bezerra  Pessoa Filho; Cel. Av. Piva; Ten. Cel. Liborio José de Farias; Engº Barros; Cel. Alberto Albano do Amarantes; Mauro de Melo Dolinsky. Em especial  as  lembranças  do  Cap. Basílio Baranoff  e  Engº Paulo Moraes  em memórias. Desculpo-me com  veemência,  de tantas  outras plêiades  de  educadores  procedentes  do  CTA-IAE , não  lembradas  no momento.


Reunião dos associados  na  sede  do  CEFAB, em 1998.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, quais são atualmente os projetos em andamento no CEFAB?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Não a  especulação !  Lindas palavras  de  promessas, não tornam  um  grupo  eficiente, assim  como  um  embrulho  bonito  de  um  presente simples, que são descartados.

O risco  não  está  no  que  faz, mais  no  controle inadequado  no  que  se  promete, sobre  o  que  se pretende  fazer, mesmo conscientemente  sabedor,  que  não tem  as  mínimas  condições  de  realização, sejam elas  financeiras  no  momento ou  técnicas  de  formação.

Por  isso  não  quero  me  antever  a  descriminar  tais  projeto internos, que ainda estão  esperando  a  sua  vez  de  realizações, após,  é claro! As  concretizações  principais dos  projetos  em  conjuntos  com  o CEFEC  e  CEGAPA, de maiores  relevâncias.

Os  anos  que  antecederam  2016,  foram  caóticos  e  desafiadores  para  a  maioria  dos  grupos. Para  nos,  só  expectativas  de  melhorias  nas  arrecadações  de  cifras  cruciais  e  determinantes  para  qualquer  entretenimento.

Na  última reunião realizada  na sede  com o  grupo, envolvendo  os Sr. Engenheiro Eletrônico : Marcio Figueiredo Garcia  ( Supervisor Técnico do CEFAB); Paulo R. A. da Costa( Gerente  de Estruturas  e Tornearia)  ; Dênis B. S. Rodrigues( Gerente  de Elétrica e Pirotécnica) ; Sr. Sergio Roberto Souza ( Gerente de Propulsão  Líquida) e Sr. Luciano F. Machado ( Gerente de Segurança), firmou-se  um  acordo coletivo de extrema  responsabilidade, cujo o lema   significativo  além  de  inovar, revitalizar, assiduidade,  segurança, e informações..

Dentro em  breve, se ocorrer  positivamente  como  planejado  financeiramente, devo deslocar-me  até  o  CEFEC ,  para  concluir as  últimas  etapas  do  modulo  do  “  Curso   de  Capacitação  e  Inovação  Técnica – REFRESMENT” , incluindo  os   desenvolvimentos  científicos  para  o  desenvolvimentos  das  planilhas dos  cálculos,  relacionados  para o  segmento  de  construção  dos   envelopes  motores  “ FULL  LÍQUIDO”  e  “  HÍBRIDOS”.  Além  das  múltiplas  discussões  quanto  as  divisões  financeiras   e  das  tarefas  especificas  dos  Subprojetos , relativos   a  construção  do  nosso  potencial  Foguete padrão, de  nível  3 .

“ Feliz  são  aqueles  mestres, que  transferem  o  que  sabem, esperam resultados,  e  aprende  o que  ensina”. Está  sempre  foi   a   base  de  filosofia  dos  ensinamentos  do prof. Felix.


Ao lado do Prof. Felix Santana durante a aula pratica de Motores
Sólidos realizada no Laboratório do IAA-CEFEC em Carpina-PE.
O Prof. Félix Santana ao lado do Sr. Paulo Gontran Ramos
durante a apresentação final do "Curso de Capacitação em
Bancos  Estáticos" no auditório  do IAA- CEFEC-Carpina-PE.

BRAZILIA N SPACE: Sr. Carlos Oliveira, recentemente publicamos no Blog uma notícia sobre o CANSAT (veja aqui) que o CEFAB recebeu a título de apoio do “Galway – Mayo Institute of Technology (GMIT)” da Irlanda. Como ocorreu toda esta história?

SR. CARLOS OLIVEIRA: O destino  não  é  uma  questão  de  oportunidade, é  uma  questão  de  se  ter  sorte  na  escolha  das  pessoas  predispostas  em ajudar  a  sua  causa  cientifica, dos  institutos  federais  certos, das  universidades  certas, das  agências  certas, das  empresas  certas,  e dos  grupos  recíprocos  que  comunguem  a  mesma  necessidade  para  uma  ajuda  mútua.

O  CEFAB  está  diante  de  novos  desafios  e  passa  por  uma  fase  de  reposicionamento. Ao  longo  dos  anos  de  inúmeras  batalhas  e  constantes  esperas   para  realizar  o  nosso  humilde  trabalho  cientifico.

Não  basta  saber, é  preciso aplicar  os  conceitos  e  conhecimentos  como  manda  as  regras  de  gestão,  não  basta  querer, é  preciso  fazer,  e  fazer  o  melhor  e  bem  feito com toda  a segurança.

É  nesse  conceito  de  que  o  Prof. Felix, lançou  a  proposta  desse  importante  e potencial  empreendimento,  a  idealização  do  nosso  1º projeto  amador  á  nível  espacial , veículo  propelido  a  propulsão  Híbrida. Com  a  mesma  filosofia  de  pensamento, procuraremos  a  todo  custo oferecer  ao  nosso  mentor,  a  possibilidade  de  participação  efetiva  na  área  de  sistema  de  recuperação  ( REC ),  sobre  o  crivo  de  suas  analises  e  determinações.  

Eu  e  o  futuro  Engº Paulo  Gontran, aprendemos  com  este  expoente  e  outros  engenheiros  do  CTA-IAE,  que  não  seria  fácil  sobreviver  a  tantas  instabilidades  realizando  esse  tipo  de  atividade, porém  gratificante  e  compensativa.    Para  responder   por  que  as  coisas  são  assim, tão  difíceis  neste  Brasil, é  preciso  navegar por  diferentes  campos  minados  sobre  a  Edge  da  não  desistência.

Assim,  a  construção  de  nosso   Foguete  com  essa  diversidade   de  aspectos  mecânicos  simples,  se  conjuga  com  outra:  A  necessidade  de  uma  Carga  Útil , que  suprisse  a  nossa  Baía  de  Instrumentos. Além  do  mais, como  duas  cabeças  pensam  melhor  que  uma  só, relativo  ao  nosso  incansável  mentor, não o  deixaria  sobrecarregado. Não  tinha  a  certeza !  Mais  desconfiava  de  que  o  professor    tinha  mais  um  coelho  na  cartola,  para  solucionar  definitivamente  está  questão  Instrumental.  Resolvi  por  conta  própria,   antecipar essa  problematização, jogando   com  a  sorte,  que  incrivelmente    deu  certo,  justamente  de onde  jamais  acreditei  em  ser   correspondido.  Em     janeiro  deste  ano, com  toda  a  munição  de  fé  disponível,  enviei  uma  correspondência  explicando  toda  a  situação  da  falta  de  apoio  governamental,  inclusive  de  que  todos  os  eventos  científicos  nacionais,  eram  atribuídos  aos  esforços  dos  professores   universitários  e para  os  grupos  autônomos, as  despesas  eram  assumidas  pelas  caixinhas  colaborativas  dos  associados. Todos  os  assuntos  questionados  pela   Engenheira  Eletrônica, Doutora  Emer Cahill , do  Instituto  GMIT- ESA  Europa, da  Irlanda, foram  expostos  com  descrição e  democracia. Ao  passo  que  após  alguns  messes  de  expectativas, o  Sedex,  finalmente  bateu  a  minha  porta, entregando-me  de  forma  vitoriosa,  o  KIT  Completo  do  “CANSAT”, ( Payload  Beautiful  and  Necessary).


Kit do CASAT do GMIT da ESA recebido pelo CEFAB.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, quais são agora os planos do CEFAB para este CANSAT e o mesmo já foi nomeado?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Se  a  curiosidade  existe, porque  não  utiliza-la para  a  formação  de  mais  grupos  de  pesquisas ? Foi  assim  que  surgiu em  1927, no  auge  desta  fantasia  e  aventura, num subúrbio de  Berlim,  a  ( VERIN  FUR  RAUMSCHFFAHRT –VFR), a  Sociedade para  Viagens  Espaciais. Formada  por  um  grupo  de  nomes  famosos  entre  os  alemães, e  por  um talentoso  e  desconhecido garoto  de 15 anos  de  idade,  o  nosso  ícone  maior,  Dr. Wernher  Von  Braun.

Quantas  “ VFR`s”   existem  no  Brasil  que  praticam  essa  empolgante atividade? Sempre  será  uma  ferramenta  de  natureza  singular,  e  seus  desdobramentos   aprendidos para  os  estudantes  e  professores,  é capaz  de  propiciar  uma  compreensão integrada, de todas  as   sínteses  de  conhecimentos.

Convém  lembrar   de  que  esse  importante instrumento  é  de  todos  nos  Brasonautas  pesquisadores  do  Brasil,  que  futuramente, após  cumprir  sua  missão  primaria, nos  nossos  centros ( CEFEC  e  CEGAPA). E  como  missão  secundária,  a  sua  disponibilização,   para  outros  grupos  universitários, se  assim   o  desejarem.

O  “ CANSAT”  com  já  foi  mencionado,  será  uma  ferramenta  singular.  É  de  se notar  de  que  a  maioria  da  coletividade  da  ABmf ( BAR),   estão   ociosos   para   serem  mais  ativos  nos  seus  respectivos  grupos !   Em  detrimento  a  essa  condição, que  provoca  um  desânimo  natural  já  acometido,   e de  fácil    superação .  O  CEFAB  estudará,  junto  ao  CEFEC e  CEGAPA, a  possibilidade  em  promover  uma  “ CORRIDA  COM  BASTÃO DE  CONHECIMENTOS ” , onde  o  protagonista  será  o  nosso  “ CANSAT”. Nesse  futuro   revezamento, entre  as  equipes  universitárias  e  institutos  técnicos  federais, deverão   cumprir  cada  um  deles , um  período  de  permanência  do  “CANSAT”  em  seus  laboratórios,  para  estudo  e  levantamento  técnico  de  todos  os  seus  componentes  disponíveis.  Ao  término  de  sua  missão,  o  mesmo  será  devolvido  para  o   CEFAB  integralmente,   do  grupo  companheiro  que  penúltimo  nos   sucederá. O  êxito  desta  maratona  científica , dependera  de  quatro  fatores  principais: A  extrema  responsabilidade  na  preservação  da  integridade  de  sua   parte  física,   a  precisão  precisa  das  datas   de   entregas, a  interação  entre  os  órgãos,  e  o principal, o  sincronismo  da   entrega  da    passagem  deste  bastão  para  aos  mãos  dos  gerentes  responsáveis  em  gerenciar  seus  estudos  e  levantamentos  técnicos, em  tempo  pré-determinado.

Quando  se  pensa  na  NASA,  vem  á  cabeça  o  calado  de  um  navio, navegando  por  uma  constelação  de  estrelas, cruzando  sua  razão  social. Uma  boa logomarca  de um  importante  produto, passa  imediatamente  a  imagem  que  o  grupo  tem, ou quer  fazer crer que  possui. É a minimização  da  personalidade  do  grupo, daí sua  importância. Devido  a  essa  peculiaridade  o  grupo  CEFAB,   devido a  importância  do   nosso  grande  aliado,  o  blog   de  Duda  Falcão, futuro  Portal  baiano,  nomeamos  o  nosso “CANSAT”,  por  unanimidade  absoluta , o  batizando  de: “ CANSAT  BRAZILIAN  SPACE”.  Quem sabe, no futuro, o nosso portal, possa lançar um  prêmio na  área  da  pesquisa  educativas  e  capitalizar esses  bons  fluidos  para  sua  imagem.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, o CEFAB tem alguma pretensão em realizar eventos educativos na Bahia junto a escolas de ensino fundamental é médio? E caso sim, quais seriam esses eventos e como um escola interessada poderia entrar em contato com este objetivo?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Claro  que  sim!  A  escola  é  um  dos  nossos  alvos  pretendidos,  no  segmento   de  um  dos  segmentos   propostas  dos  trabalhos  do  plano  diretor  interno.

É  “ OBRIGAÇÃO “  juramentada , o  investimento  dos : Governos  Federais, Estaduais, Municipais,  MEC, AEB, Universidades,  Institutos, e  principalmente  as  Mídias Televisivas,  a  disponibilização  de  10 %  do  tempo,  em  investimentos  de  entretenimentos  na  divulgação  de  programas, em  horários nobres , de documentários, produções  de  filmes  científicos, workshop,  feiras  de  ciências,  e  exposições  no intuito  de  despertar  entre  os  jovens  a  importância  e  exercício  participativo  da  tecnologia  espacial.

A  nossa  ideia  complementar  do  programa,  é  agregar   a  introdução  de  um   “Curso Básico de Introdução  as   Atividades  Espaciais ” , para  a  formação de  professores  e  alunos, e  assim, fechar a  primeira  parte  do ciclo  evolutivo  do  programa  de  recuperação  e  revitalização,  que  tanto  desejamos.

Baseando-se  no  completo  programa  educativo  do  CEFEC,  creio  que  em  breve, estaremos  aptos  também  em  nosso  estado, propor  junto  a  Secretária  de  Educação,   a  introdução  nas   escolas  realmente  interessadas, este  curso  preparatório.  A  principio  o  CEFAB  não  tem  as condições  estruturais e  financeiras, para  garantir  as  realizações  de  grandes  eventos. No  máximo  de  nossas  limitações,  seminários  elucidativos e  após  lançamentos  preliminares  de  foguetes  a  água  pressurizada,   como  exercício  principal,  o  lançamento  do  Foguete  Sondinha- II.

O  modelo  de  educação  exigida, dentro  dos  preceitos   dos  ensinamentos  do  professor  Felix,   é  baseada  em  nove  pilares  do  aprender  fazendo:  Teorias  especificas do  assunto,  dentro  das  matérias  de  Matemática,  física  e  química, problematização, contextualização, investigação, construção,  testes  e  lançamentos.


1ᵒ Seminário de Atividades Espaciais Educativas
realizado pelo CEFAB em outubro de 2008 na Bahia

O Sr. Carlos Cássio Oliveira em 2014 no Campo de Lançamento da
CETREL, preparando ao lado Sr. Luciano (supervisor de segurança
do CEFAB) o lançamento  do foguete a água pressurizada: " Bezerra-1".

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, e quanto à parceria com grupos universitários ou amadores, existe alguma pretensão do CEFAB neste sentido?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Futuramente  Sim!  Sem  sombra   de  dúvida.  Um  projeto  futuro  de  um  foguete  padrão  da  ABmF  bem  elaborado  por  todos, e  um “HandBooK”  completo  como  referencias   standards, representará   os  interesses  e  anseios  da  coletividade  que  estão  se  associando.  Poderá   ser   o  nosso  norte verdadeiro,   ao  procurarmos  por  soluções  que  se  encaixe  em   cada  necessidade, firmado  na  rocha.

O  que  não  é  cabível  e  inquestionável  a  premissa  de  que ainda  existam  pessoas  e  grupos  autônomos,  que  trabalham  no  anonimato ,   sem  as  devidas  condições  de  segurança. Se  Deus  é  por  todos,  quem  será  contra   aqueles  que  ainda  não  pretendem  se  alinhar.  Os  livramentos  dos   acidentes  vistos, e  não  vistos,  é  um  ato  divino  de  que  se  devemos  agradecer  constantemente.

Acima  de  tudo, o momento  atual, e a  situação  em  que  vivemos, é  critica. Sem  uma  “REGULAMENTAÇÃO” apropriada  e  “HABILITADA”  judicialmente,  deixa  o  objetivo  da  atividade  frágil  e  vulnerável.  Devemos   tomar  os  devidos  cuidados  com  pessoas  suspeitas, que  agem  para  o  insucesso  das  missões.

E  por fim,  romper  o  estigma  do  passado  anterior, que  prevalece  ainda  inelegível  o  espaçomodelismo.  O  termo   CLANDESTINIDADE designa a  situação  atual,  em  que  os  grupos  exercem  funções  sem  o  alvará  dos  órgão  reguladores,  que  coíbe  a  compra,  armazenamento  e  manipulação  de  produtos  químicos  controlados,  dentre  outros, os  lançamentos  de  foguetes  mais  arrojados  no  intuito  de  atingir  apogeu  elevados,  e  aí !   Os  grandes  projetos  estão  surgindo,  então como   fica  as  nossas  questões  de  legitimidade daqui  pra  frente??

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, desde 2014 vem sendo realizado na capital paranaense o Festival de Minifoguetes de Curitiba. Como o senhor enxerga esta iniciativa criada pela UFPR através da visão e determinação do Professor Carlos Henrique Marchi?

SR CARLOS OLIVEIRA: As  causas  educativas   referentes  ao   exercícios  do  ramo  puramente  espacial,  são defendidas   energicamente  por  pessoas  competentes  e  comprometidas  com  a  nova  geração. Méritos  de  honras  ao  incansável  trabalho, dedicado   do  professor  Carlos  H. Marchi  e  sua  nobre  equipe. Essa  singularidade  impõe uma  gestão  de  estratégicas  diferenciada  dos   demais  grupos   participativos,  aplicando   atitudes  incentivadoras  que  está  demonstrando,  de  uma  forma  ou  de  outra,  vitoriosa   para  o  PEB.

A  grandeza  do  Festival  de  Minifoguetes  de  Curitiba, é  inquestionável  e  potencialmente  necessária, futuramente creio  que  será  necessário,  realiza-la  também,  outras  edições  nos  outros  estados  que  desejarem  assumir  essa  responsabilidade.

Pensemos  grande, comecemos  pequeno,  e  andemos  rápido  para  superar  os  fantasmas  do  abstrato  e  do  atraso  que  está  incrustrado  na  nossa  história.  Iremos  todos  rir  futuramente, de  algo  que  já  nos  faz  chorar,  testemunhando  a  cada  notícia  publicada  no  blog,  tantos  desleixos,  descasos  com  o  nosso  Programa  Espacial  Brasileiro – PEB.

É   mudando  esta  dimensão bizarra,  para  fazer  o  certo, o  melhor  para  os  jovens,  em direção  do  futuro,  é  que  nos  se  fortalecemos  e  seremos  uma  grande  nação, apta  para  conquistar  um  pedacinho  de  céu,  ou  quem  sabe!   A  lua, outros  planetas,  e as  estrelas.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, existe a pretensão do CEFAB em participar da edição de 2017 deste festival curitibano?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Acompanho  assiduamente  pelo  blog  e pela  mídia  este importantíssimo  empreendimento  científico.  Somente  as  pessoas,  como   prof. Carlos  Machi, que  também  o  conheço de  longas  datas,  tem  na  sua  paciência  de  fazer  com  perfeição, as  coisas  simples  e  que  adquirem  a  arte  de  fazer  com  facilidade   os  desafios  difíceis.

Onde  quer  que  esteja  sendo  realizado  este  evento,  sob  o  seu  comando,  cabe  a  todos  nos, sob  tudo,  em  defesa  das  nossas  convicções  científicas, na  medida  do  possível,  estar  presentes, nas  próximas  edições .

Acima  de  tudo, existe  um fator  preponderante, que  justifique  a  minha  não presença  física  nos  eventos  anteriores,  a  qual  todos  nos  estamos  acometidos  e  expostos  a  tais  limitações.   Cada  caso  é  um  caso  a  parte,  intitula-se  como “ indisponibilidade  financeira “,  que na  maioria  da  vezes,  onera  e  castra  os  nossos  planos  de  viagem.

Muitas  vezes  criticamos  o  dinheiro  malsinado -lhe, a  sua  existência como  um  fator  preponderante  em  nossas  vidas, no  entanto, é  lícito observá-lo através da  justiça,  de  que  a  tecnologia  e  o  logístico, não  sobrevive  sem  tais  investimentos  financeiros.

Para  2017  a  minha  programação  de  ida  até  o  festival  é  muito  remota. Caso  inverta  a  possibilidade  em  ser   ressarcido,  angariando  cifras  a  qual  estou  esperando  ser  creditado,  para  suprir  o  meu  transporte,  estadia  e  alimentação, a  minha  presença  é  quase  certa.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, outra competição de foguetes no Brasil já está em curso, ou seja, a COBRUF (Competição Brasileira Universitária de Foguetes). Qual é a sua opinião sobre esta nova competição universitária?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Com  resultantes  positivos,  os  anos  de  2015  e  2016,  foi  um  divisor  de águas  turvas  e  cristalinas  na  história  da  atividade  espacial  no  Brasil. Nunca   brotou  em  terrenos  férteis, inúmeras  sementes  promissoras, tais  como  á:   ( UFF, UVA, UES, PUC-RIO, IFRJ, IFF, UNB, IFG, Gdae-UFC, UEMA, UFPB, UFRN, INPE,  exemplar ITA, UFABC, UNICAMP, Mackenzie, EP-USP, EESC-USP, UFMG, EPTA-UFU, UNIFEI, UFJF, GFRJ-UERJ, GFRW-CEFET RJ, UFRJ, IME, UP, UTFPR-CTB, UTFPR-C.P., UTFPR-Londrina, UTFPR-F.B., GFCS-UFPR, UFRGS, ECSEF-PUC-RS-UFRGS, UNIPAMPA   e  finalmente  UFSC) .

Vejam bem  senhores!  É  algo  que  orgulho-me! Essa   reação  em  cadeia sincronizada  dos  universitários,   despertando   sequencialmente  de  um  período  hibernativo, no  momento  certo, na  hora  certa,  em  que  o  PEB  está  urgentíssimo  necessitando  de  uma  válvula “ BAY-PASS”.

A  de  se notar de  que  essa  erupção  contextual,   é   do  tamanho  de  um  sonho  que  esta  se  expandindo, gradativamente  para  outras  instituições, tudo  vale  a  pena,  quando  as  suas  almas  não  sejam  egoístas  entre  sí,  ou  simples  palha  de  fogo  momentânea, simplesmente  nadam  e  morrem   na  praia.

Com  esta  atitude coletiva  louvável,  habilitaremos  a  nossa  nação  rumo  ao  espaço.  Parabéns   a  todos  os  BRASONAUTAS, o  juramento  sedimentado  e  a  responsabilidades  individual  de  cada  um,  de  que nunca  recuarão, haja  o que  houver.

Sucesso  á  todos !! Não  é  triste  mudar  de  ideias,  triste  é  não  ter  ideias  para  mudar  para  melhor  o  nosso  Brasil.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, em sua opinião ainda existe espaço para criação no país de novos eventos de Foguetemodelismo e Espaçomodelismo, como por exemplo, eventos do tipo SPACECAMPS?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Evidentemente que  sim!  Convém  lembrar  que  os   SpaceCamps, realizados  pelo  cientista ,  visionário,   e  amigo Dr. Oswaldo  Loureda,  diretor  da  renomada   empresa  Acrux  Aeroespace  Technologis ,  testificou  ser  ainda mais,  um  exímio  empreendedor  da tecnologia  espacial  educadora.

Após  os  excelentes  resultados  obtidos  a  cada  SPACECAMP, realizados  anteriormente,  fica  notoriamente  aberto  o  precedente,  das  possíveis  possibilidades  de  se  ampliar  este  evento  em  outros  estados, a  quem  despertar  com  responsabilidade  e  decência,   a  continuação  deste  marco  essencial  e  significativo.  Com  o  intuito  de  desenvolver  na  prática, as  experiências  que  tantos  jovens  anseiam  em  fazer.

Estes  importantes  eventos,   estimula  a  criatividade, o  raciocínio, através  de  trabalhos  em  oficina  de  montagens, motivando  os  professores  a  participação  mais  aprofundada,  do  ensino  de   diversas  aplicações  da  ciência  espacial,  nas  suas  respectivas áreas  se  ensino, através  de  um  novo  enfoque, constatando  de  que  a  atividade  educativa  espacial, enseja  um  novo  processo  de  entretenimento  de  ensino,  altamente  motivante ,  inclusive  para  as  turmas  de  alunos  que  contabilizam,  as  abstenções  nas  salas  de  aula.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira,  durante a realização do Festival de Minifoguetes de Curitiba deste ano, os fogueteiros presentes deram um grande passo na busca pela legalização Foguetemodelismo no país com a criação da Associação Brasileira de Minifoguetes (ABMF) ou BAR (Brazilian Association of Rocketry) na versão em inglês. Em sua opinião como esta nova iniciativa poderá ajudar no desenvolvimento do Espaçomodelismo no Brasil?

SR. CARLOS OLIVEIRA: A  tendência  indica  de  que  a  nossa  ABmf ( BAR), desenvolverá  várias  atividades  de  caráter puramente   científica,  estendendo   á  todos  os  níveis  envolvidos  em  cada  categoria, sejam  elas  educativas,  experimentais  ou  futuramente  espaciais, atuando  como  geradora  de  recursos  humanos  para o  campo  espacial ( PEB).

Para  mim,  a  missão  crucial  e  desafiadora  da  associação, é  descobrir  meios  de  congregar  mais  instituições  profissionais, empresas  privadas,  comunidades  cientificas,  a prática  da    voluntariedade  individual ,  de  um  apoio  potencial  e  crucial,  congregados  aos  propósitos  e  objetivos  da  associação,  que  terá  á  principio  gastos  elevados  na  planilha  de  custos,  para  manter  um   programa  de  divulgação, ajuda  técnica  didática  e  instrumental   ativos,  para  todos  os  associados,  incluindo  aqueles  indivíduos  que  estão iniciando  esta  maratona  de  descobertas  cientificas.

Segundo  Dr. Theodore  Schultz, prêmio  Nobel   de  1979, afirma: - “ A  educação é  o  maior  investimento do  capital  humano.  O  valor  econômico  depende  predominantemente  da  procura  e  oferta  da  instrução, considerada  como  aplicação. Afirma   ainda,  que  em  nações  de  alta  renda,  o que  constitui  riqueza, é  antes  de  tudo  a  habilidade do  homem, sua  formação  profissional, compromisso  com  o  futuro. No  caso  brasileiro,  a  tal   economia  exposta  e  degradada, não  terá  salvação  imediata, se  não  houver  pessoas  qualificadas  para  impulsionar  a  dinâmica  do  desenvolvimento  do país. De  imediato  o   capital  humano  é  um  excelente  investimento, a  longo  prazo” .  É  só  observar  os  americanos  e  outros  países  que  detém  a  tecnologia  espacial, investiram  no  passado,  acreditaram,  e  agora !  Estão   colhendo  os  frutos  plantados  numa  geração  de  jovens que  foram  investidos, adubados  naturalmente,  com  as   puras  tecnologias disponíveis.

Enfim,  todos  nos, juntos  aos  objetivos  da  ABmF ( BAR),  entidade  impar, tem  a  obrigação  fundamental  de  congregar  os  grupos  espaciais brasileiros, estimulando-os  para  desenvolver  um  caráter  educativo  científico, no  intuito  de  plantarmos  também  as  nossas  sementes,  e  garantir  que  no  futuro  daremos  bons  frutos em  prol  da  nação.

BRAZILIAN SPACE: Sr. Carlos Oliveira, para todo fogueteiro a tecnologia espacial é algo especial que faz parte de sua vida diária, e para brasileiros como o senhor não deve ser diferente. Como o senhor analisa o atual estado de descaso governamental com o nosso Programa Espacial?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Eu,  Sr. Paulo Gontran,   professores  Felix  e  Carlos  Machi,  já  estamos  contidos  há  muito  tempo  como  tripulantes  efetivos, neste  barco  da  ciência.  Temos  plenas  consciências  de   que  nenhum   vento  sopra  a  favor  de  quem  não  sabe para  onde  ir. Não  podemos  saber  e  nem  prever o  que  espera  o  futuro  do  PEB,  mas  podemos  escolher  a  navegação  correta  para  fazê-lo   direcionar  ao  destino  do  sucesso.

Por   incrível  que  pareça, esta  semana,   fui  acometido  de  um  questionamento  que  me  deixou  tremendamente  preocupado.  Imaginem bem!  O  problema  é  mais  sério  do  que  agente  pensa.  A  questão  está  em  volta  da  lei  13278/16, que  inclui  de  forma  obrigatória,  as  disciplinas  de: Artes Visuais, Dança  e  Teatro  no  Curriculum  do ensino  básico. As  regras pressuposta  pelo  projeto  do  governo  anterior,  que  foi  exonerado  definitivamente  do  cargo, valem  tanto  para  escolas  públicas  e  futuramente  particulares, abrangendo os   ensinos  fundamentais  e  médios.  Como todas  as  regras  tem  exceções, sem  dirimir  as  unidades  citadas.  A  pergunta  fica  a  todos: Porque não  introduziu  nas  escolas, como  matérias  obrigatórias, os cursos  de:  Astronomia,  Astronáutica,  Robótica,  Eletrônica ?

Como  iremos   traçar  uma  nova   rota  para  a  futura  geração,  onde  o  nosso  país, não  investe  corretamente  na  nova  formação  de  tendências  futurísticas  tecnológicas,   aos  professores  e  alunos?  Engenharia  Espacial ! Que palavras  bonitas  de  dizer,  de  exercer,  de  projetar,  mais  difícil  em  um  país  sem  as  devidas  tradições, onde  as  possibilidades   de  trabalhos  ofertados,  são  diminutas. Será  que  a  opção  é  formar-se,  e  após  evadir-se  para  outro  país?  Difícil  por  que ? Quem  são  os  culpados?  Os pais  e  a  maioria  da  sociedade  que  não  se  mobilizaram  contra  o  MEC ? Os  próprios  estudantes  que  ficam  24  horas  nos  Whatsapp  namorando, perdendo o  precioso  tempo ?  Ou  os professores  desatualizados  com  os  antiquados  módulos  de  ensinos ? Em  fim,  será  que  a  culpa  é  dos  governantes  anteriores, que  não  investiram  em  uma   mudança de  visão   politica  no  intuito  de  revolucionar    e  revitalizar  o  ensino ?  SIM  !...SIM!  Esse  sim !  são  os  verdadeiros culpados.

Pois  é  assim,  que  eu  vejo,  a  nossa  cultura  em  sentido  oposto,  sem perspectivas  imediatas  que  revertam  esse  quadro  vicioso, a  beira  de  um  colapso educacional. Aqui  fica  minha  última  lamentação  e  pergunta:  E  o  futuro  onde  fica ?

BRAZILIAN SPACE: Finalizando Sr. Carlos Oliveira, o senhor teria algo a mais a acrescentar para os nossos leitores?

SR. CARLOS OLIVEIRA: Sim! O brasileiro sempre se auto definiu,  a partir da habilidade  de  superar  o  impossível, a  vitória  é  uma  consequência,  a  luta  é  constante. E nos contamos esses  momentos  quando  se  estar  para  realizar  um  exercício  em  Alcântara,  na   Barreira   do  Inferno  ou  nos  campos de  lançamentos  em  nossos  estados. São os momentos  em  que  o  Brasil, e  os  seus  pesquisadores,  ousa  em  mirar para  a  direção  correta, para  o  espaço  sideral, na  eminência  de  quebrar  as  barreiras  das  especulações,  se  vai  consegui  lançar   ou  não. Acostumamos  a  inúmeras  explosões  nas  rampas  de  lançamentos. Tentar  romper a  gravidade,  esta  sendo  difícil  e  estressantes, quase  impossível  em  alcançar    com  os  esforços das  próprias  mãos. São  os  desejos  de  realizações  das  quais  mais  orgulhamos de  se  concretizar, mesmo  dos  insucessos, estimulamos  a  imaginação  de  ambas  gerações  do  passado  e  do  presente.

Talvez, devamos  contentar  por  um  breve  tempo,    com    as   proezas  magnificas  de  Santos  Dumont,  do  padre  Bartolomeu  de  Gusmão  ou   do  nosso  astronauta  Marcos  Pontes.  Na qual ainda somos  os  verdadeiros  pioneiros  de  ser  o  primeiro  a  voar  com  o 14-BIS, onde   nossas  maiores  realizações,  não  poderiam  ficar  para  trás  ou  esquecidos  no  tempo.

Veja abaixo as outras entrevistas da Série:

1 - Prof. Alysson Nunes Diógenes da UP (Universidade Positivo de Curitiba)

2 - Prof. José Félix Santana do CEFEC (Centro de Estudos de Foguetes Espaciais do Carpina-PE)

3 - Prof. Carlos Henrique Marchi da UFPR (Universidade Federal do Paraná)

4 - Sr. Paulo Gontran Ramos do CEGAPA (Centro Gaúcho de Pesquisas Aeroespaciais)

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